28 fevereiro 2021

Domingo II da Quaresma: “Quando a caridade acontece, a realidade transfigura-se”

 

 

Neste Domingo que assinala o início da Semana Cáritas, o Cardeal-Patriarca de Lisboa destacou o trabalho que esta organização da Igreja tem “prestado e redobrado”, sobretudo neste tempo de pandemia, a nível nacional e a nível das diferentes dioceses. “Nesta semana, vamos estar especialmente atentos a tudo o que a nossa Cáritas faz, para bem de tanta gente. Atentos, no sentido mais positivo do termo, pela oração e também pela participação material para que a resposta possa ser cabal e tudo o que há de ser para satisfazer tantas necessidades que presentemente acorrem”, encorajou D. Manuel Clemente na Missa deste Domingo, na Igreja de Cristo Rei da Portela. 

Contributo para a paz

Nesta celebração que foi transmitida pela RTP1, o Cardeal-Patriarca sublinhou a importância da viagem que o Papa Francisco vai fazer nos próximos dias, entre 5 e 8 de março, ao Iraque e onde passará por “terras onde a aventura de Abraão começou”. Partindo da primeira leitura, precisamente sobre a história de Abraão e do sacrifício de seu filho Isaac, D. Manuel Clemente sublinhou a importância desse acontecimento. “É uma visita onde não faltam perigos, mas o Papa quer lá ir, não só para confortar os poucos cristãos que lá sobram, mas também para tentar, mais uma vez, reforçar esta presença junto de todos e com todos, mais concretamente com os muçulmanos que, lá, são maioritários”. Que esse diálogo “seja um contributo para a paz que todos nós esperamos ver realizada, naqueles povos e não só”, desejou. 
A figura de Abraão foi também referida como atual e “determinante” porque “é um exemplo acabado do que é ser uma pessoa de fé, uma pessoa com fé”. “A fé é uma total confiança em Deus e uma total disponibilidade para o que Deus nos peça, certos de que, com Deus, tudo se consegue, não tanto como nós preveríamos, mas como Deus quer, ou seja, da melhor maneira”, apontou D. Manuel Clemente. “Quem dá tudo a Deus recebe muito mais do que poderia imaginar. Este é que é o ponto da fé e onde as coisas de Deus têm abertura e ocasião para acontecer no mundo”, reforçou.

Entrega total
Neste segundo Domingo do tempo litúrgico da Quaresma, o Evangelho de São Marcos apresentou o episódio da Transfiguração de Jesus, no Monte Tabor. Para o Cardeal-Patriarca de Lisboa, “não faltam sinais de transfiguração neste mundo”, “sinais de realidades que, com Jesus Cristo, aparecem na sua verdadeira beleza, na sua inteireza” e que se traduzem em “caridade”. “Quando a caridade acontece e o Espírito atua, a realidade transfigura-se porque o amor vai além daquilo que seria imediatamente agradável ou necessário. O amor é completamente gratuito porque quando o Filho de Deus se oferece por nós, na cruz, este amor total é transfigurado, ressuscitado e ressuscitador”, sublinhou.
Na homilia desta celebração, o Cardeal-Patriarca apelou também a uma “entrega total” aos outros. Dessa forma, “a Ressurreição começa”, assegurou. “Se Ele se manifesta de uma maneira tão forte, tão verdadeira, tão constante, pela sua transfiguração, em tantos sinais que se nos aparecem na vida”, “então esta transfiguração constante de Jesus não é uma história de há 2 mil anos, mas é uma presença agora, é uma vida inteira, é uma Páscoa possível, com Deus, com os outros, como Jesus nos oferece, na Sua cruz”, concluiu. 

Patriarcado de Lisboa

Oração do Papa pela libertação das 317 estudantes nigerianas

 
 Escola em Janjebe, onde as meninas foram sequestradas 
 
 
Francisco expressou proximidade às famílias das meninas sequestradas na última sexta-feira, na Nigéria, no Estado de Zamfara, e confiou-as aos cuidados de Nossa Senhora.

 

Marco Guerra/Mariangela Jaguraba – Vatican News

Após a oração mariana do Angelus, o Papa Francisco rezou pelas 317 meninas sequestradas, na última sexta-feira (26/02), na cidade de Jangebe, no estado de Zamfara, na Nigéria.

“Uno a minha voz à dos Bispos da Nigéria para condenar o sequestro covarde de 317 meninas, retiradas de sua escola, em Jangebe, no noroeste do país. Rezo por essas meninas, para que rapidamente possam voltar a casa. Estou próximo delas e das suas famílias. Peçamos a Nossa Senhora para que as proteja”, disse o Papa, rezando de seguida uma Ave Maria.

Nenhuma notícia ou reivindicação    

Atualmente não há notícias das 317 meninas sequestradas. Elas foram feitas reféns por homens armados não identificados. Os militares e a polícia lançaram uma operação conjunta de busca e resgate, enviando “uma equipe de reforço fortemente armada” para Jangebe.

Grupos armados desenfreados

Um residente relatou que homens armados também atacaram um acampamento militar próximo e um posto de controle. Vários grandes grupos armados agem no estado de Zamfara, descritos pelo governo como bandidos, e são conhecidos por sequestros realizados em troca de dinheiro ou pela libertação dos seus membros na prisão.

Condenação da Comunidade internacional

O presidente nigeriano Muhammadu Buhari falou sobre o caso, explicando que o principal objetivo do governo é trazer de volta todos os reféns sãos e salvos. “Não vamos sucumbir à chantagem de bandidos e criminosos que tomam como mira estudantes inocentes, à espera de enormes pagamentos de resgate”, disse ele, “Bandidos, sequestradores e terroristas desiludam-se de que são mais fortes do que o governo”. A União Europeia, as Nações Unidas e o Unicef pediram a libertação imediata das meninas. O secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatizou que “as escolas devem permanecer como um espaço seguro de aprendizagem sem medo de violência”.

A chaga dos sequestros

Os sequestros de estudantes são uma chaga muito difundida e antiga na Nigéria. Causou indignação no mundo inteiro, o caso das 276 estudantes de Chibok, no Estado de Borno, sequestradas pelo grupo terrorista Boko Haram em 2014. Apenas algumas dezenas delas conseguiram voltar às suas famílias apesar da mobilização internacional. Entretanto, também na Nigéria, quarenta e duas pessoas, incluindo vinte e sete alunos, foram libertadas após terem sido sequestradas há dez dias atrás numa escola no centro-oeste do país. O anúncio foi feito pelas autoridades locais. “Os estudantes, professores e os seus entes queridos reencontraram a liberdade e foram recebidos pelo governo local”, escreveu num tuíte o governador da região, Abubakar Sani Bello. Muitos setores da sociedade civil nigeriana há muito que pedem mais segurança e mais proteção do governo central em Abuja.

 VN

O Papa no Angelus: devemos ter cuidado com a preguiça espiritual

 

 O Papa Francisco durante o Angelus deste domingo 

 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

Na oração mariana do Angelus, deste II Domingo da Quaresma (28/02), o Papa Francisco refletiu sobre o Evangelho do dia, no qual Jesus transfigurou-se diante de três dos seus discípulos.

“Pouco antes, Jesus tinha anunciado que, em Jerusalém, iria sofrer muito, seria rejeitado e condenado à morte. Podemos imaginar o que deve ter acontecido então no coração dos seus amigos, daqueles amigos íntimos, os seus discípulos: a imagem de um Messias forte e triunfante é colocada em crise, os seus sonhos são partidos e a angústia aumenta ao pensar que o Mestre em que acreditaram seria morto como o pior dos malfeitores. Naquele momento, com aquela angústia da alma, Jesus chama Pedro, Tiago e João e leva-os consigo para a montanha”, ressaltou o Pontífice.

Subir ao monte é aproximar-mo-nos um pouco de Deus

O Evangelho diz: “Ele os levou sobre uma alta montanha”.

Na Bíblia, a montanha tem sempre um significado especial: é o lugar elevado, onde o céu e a terra se tocam, onde Moisés e os profetas tiveram a experiência extraordinária de encontrar Deus. Subir ao monte é aproximar-mo-nos um pouco de Deus. Jesus sobe para o alto junto com os três discípulos e eles detêm-se no topo da montanha. Aqui, Ele transfigura-se diante deles. O seu rosto radiante e as suas vestes resplandecentes, que antecipam a imagem como Ressuscitado, oferecem àqueles homens assustados, a luz, a luz da esperança, a luz para atravessar as trevas: a morte não será o fim de tudo, porque abrir-se-á para a glória da Ressurreição. Jesus anuncia a sua morte, leva-os ao monte e mostra-lhes o que acontecerá depois da ressurreição.

Ir além dos nossos esquemas e critérios deste mundo

Como exclamou o apóstolo Pedro, é bom ficarmos com o Senhor no monte, viver esta «antecipação» da luz no coração da Quaresma. É um convite para nos lembrar, especialmente quando passamos por uma prova difícil, e muitos de vós sabem o que significa atravessar uma prova difícil, recordar que o “Senhor Ressuscitou e não permite que as trevas tenham a última palavra”, disse ainda o Papa, acrescentando:

Às vezes acontece que passamos por momentos de escuridão na nossa vida pessoal, familiar ou social, e tememos que não haja uma saída. Sentimo-nos assustados diante de grandes enigmas como a doença, a dor inocente ou o mistério da morte. No mesmo caminho de fé, muitas vezes tropeçamos quando encontramos o escândalo da cruz e as exigências do Evangelho, que nos pede para dedicar a vida ao serviço e perdê-la no amor, em vez de preservá-la para nós mesmos e defendê-la. Precisamos, então, de outro olhar, uma luz que ilumine em profundidade o mistério da vida e nos ajude a ir além dos nossos esquemas e dos critérios deste mundo. Também somos chamados a subir a montanha, a contemplar a beleza do Ressuscitado que acende vislumbres de luz em cada fragmento da nossa vida e nos ajuda a interpretar a história a partir da vitória pascal.

Cuidado com a preguiça espiritual

“Mas tenhamos cuidado”, pois as palavras “de Pedro ‘é bom para nós ficarmos aqui’ não devem tornar-se uma preguiça espiritual”, advertiu Francisco. “Não podemos permanecer na montanha e desfrutar sozinhos a beatitude deste encontro. O próprio Jesus leva-nos de volta ao vale, entre os nossos irmãos e irmãs e na vida quotidiana”, frisou o Papa.

Devemos ter cuidado com a preguiça espiritual: nós estamos bem, com as nossas orações e liturgias, e isto é suficiente para nós. Não! Subir a montanha não é esquecer a realidade. Rezar nunca é fugir das fadigas da vida. A luz da fé não é para uma bela emoção espiritual. Não! Esta não é a mensagem de Jesus. Somos chamados a experimentar o encontro com Cristo para que, iluminados pela sua luz, possamos levá-la e fazê-la brilhar em todos os lugares. Acender pequenas luzes nos corações das pessoas; ser pequenas lâmpadas do Evangelho que levam um pouco de amor e esperança: esta é a missão do cristão.

O Papa concluiu, pedindo a Maria Santíssima “que nos ajude a acolher com admiração a luz de Cristo, a guardá-la e a partilhá-la”.

VN

26 fevereiro 2021

Semana Nacional Cáritas - 2021 “A caridade é o impulso do coração”

 
 

Este ano, a Semana Nacional Cáritas, que decorre entre 28 de fevereiro e 7 de março, reinventa-se para chegar a todo o país, através da transmissão online de várias iniciativas, e procura motivar ações de voluntariado nas paróquias que possam dar resposta a “necessidades urgentes”. 

‘É o amor que transforma’ foi o lema escolhido pela Cáritas Portuguesa – que este ano assinala 65 anos – para a Semana Nacional Cáritas que tem início este Domingo, 28 de fevereiro, às 10h30, com a Eucaristia presidida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, na Igreja de Cristo-Rei da Portela, que vai ser transmitida, em direto, pela RTP1. Para este Domingo II da Quaresma, às 15h30, a organização tem prevista uma ‘Tertúlia’, com testemunhos de algumas Cáritas Paroquiais da Diocese de Lisboa. Na quinta-feira, dia 4 de março, às 21h30, vai decorrer uma Vigília de oração, animada pela Pastoral Juvenil da diocese. Estas iniciativas vão poder ser acompanhadas pelo site e redes sociais do Patriarcado de Lisboa (Facebook e YouTube) e pela página da Cáritas Portuguesa no Facebook.
O dia 6 de março, sábado, está reservado a ações de voluntariado, organizadas pelas Cáritas Paroquiais, com o objetivo de responder a “necessidades urgentes previamente sinalizadas pelas paróquias”, explica uma informação divulgada pela Cáritas Diocesana de Lisboa.

O encerramento da Semana Nacional Cáritas vai ser assinalado no Domingo, 7 de março, às 11h00, com uma Missa presidida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa na paróquia do Parque das Nações e com transmissão televisiva pela TVI. Ainda no mesmo dia, pelas 18h00, está prevista a realização de uma conferência online sobre a encíclica ‘Fratelli Tutti’, do Papa Francisco, e que conta com a participação do padre José Manuel Pereira de Almeida, assistente da Cáritas de Lisboa, Juan Ambrósio e Inês Espada Vieira, ambos docentes da Universidade Católica Portuguesa.

 

 
Na linha da frente
O Presidente da República elogiou, esta semana, o papel da Cáritas na resposta à pandemia através de uma mensagem vídeo em que também assinala os 65 anos desta instituição da Igreja Católica. “A rede Cáritas tem estado na linha da frente do combate aos efeitos sociais da pandemia e mobilizado, de uma forma discreta, meios para que ninguém fique sem resposta”, destaca Marcelo Rebelo de Sousa.
Na mensagem, o Chefe de Estado sublinha que, apesar de todas as restrições provocadas pelo confinamento, esta Semana Nacional Cáritas, que decorre, sobretudo, online, “não afasta aquilo que é a Cáritas: solidariedade, generosidade, mas proximidade”. “A Cáritas quer olhar para o futuro, e pede-nos que partilhemos o apoio às suas causas de futuro”, acrescenta.
O Presidente da República lembra ainda todos os profissionais e voluntários das Cáritas de todo o país que, entre março e dezembro de 2020, apoiaram mais de 10 mil pessoas. “Quero saudar os mais de 1500 profissionais e mais de 1500 voluntários que, todos os dias, semana após semana, integram a rede de proximidade e solidariedade. Abraço-vos a todos, agradecendo estes 65 anos”, declara.

 

 
NOTA: Se estiver a utilizar o seu TELEMÓVEL e não conseguir aceder ao VIDEO contidos nesta página, siga as instruções indicadas AQUI

  

“Afinco e determinação”
Através de uma informação divulgada por ocasião da Semana Nacional Cáritas, a Cáritas Diocesana de Lisboa (CDL) anunciou que, entre janeiro de 2020 e o início do mês de fevereiro deste ano, doou
735 mil euros às Paróquias, Centros Sociais Paroquiais e Cáritas Paroquiais para dar resposta urgente ao “agravamento da situação de pobreza e exclusão de muitos” e ao “abrupto surgimento de novos pobres”. Neste acompanhamento a 1100 famílias por mês, “a CDL tem procurado potenciar e dinamizar a ajuda a quem mais precisa, para que ninguém fique retido em nenhuma lista de espera, e vai continuar a fazê-lo com o mesmo afinco e determinação”, assegura a instituição do Patriarcado que, durante o mesmo período recebeu 392.251 euros em donativos.
No sentido de continuar a dar resposta às “consequências gravosas desta pandemia, na economia de tantas famílias”, o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, destinou a Renúncia Quaresmal deste ano 2021 à Cáritas de Lisboa. Assim, a entrega da renúncia pode ser feita diretamente ou através da paróquia, até ao próximo dia 11 de abril, para o IBAN PT50003300004544795746905.

Patriarcado de Lisboa

Cantalamessa: conversão significa dar um salto em frente e entrar no Reino

 
  O cardeal Raniero Cantalamessa durante a primeira pregaçåo da Quaresma  
 
“Convertei-vos e acreditai no Evangelho” foi o tema da primeira pregação da Quaresma do frei Raniero Cantalamessa. “Há uma conversão para cada estação da vida. O importante é que cada um de nós descubra a que serve para si neste momento”, disse o frei capuchinho.

 

Vatican News

“Convertei-vos e acreditai no Evangelho!” Este apelo sempre presente de Cristo foi o tema da primeira pregação da Quaresma do pregador da Casa Pontifícia, cardeal Raniero Cantalamessa, na Sala Paulo VI, no Vaticano, aos membros da Cúria Romana.

De conversão, fala-se em três momentos ou contextos diversos do Novo Testamento. Cada vez, vem à luz uma sua componente nova. Juntas, as três passagens nos dão uma ideia completa sobre o que é a metanóia evangélica. Há uma conversão para cada estação da vida. O importante é que cada um de nós descubra a que serve para si neste momento”, disse o frei capuchinho.

Agarrar a salvação que veio aos homens gratuitamente

“A primeira conversão é aquela que ressoa no início da pregação de Jesus e que está resumida nas palavras: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Antes de Jesus, converter-se significava sempre um “voltar atrás”. Indicava o ato de quem, num certo ponto da vida, percebe estar “fora do rumo”. Então detém-se, reconsidera; decide voltar à observância da lei e de retornar à aliança com Deus. A conversão, neste caso, tem um significado fundamentalmente moral e sugere a ideia de algo penoso a cumprir-se: mudar costumes, deixar de fazer isto ou aquilo.”

Segundo o cardeal, “nos lábios de Jesus, este significado muda. Não porque ele se divirta em mudar os significados das palavras, mas porque, com a sua vinda, mudaram as coisas. “Cumpriu-se o tempo, e está próximo o Reino de Deus!”. Converter-mo-nos não significa mais voltar atrás, à antiga aliança e à observância da lei, mas significa dar um salto em frente e entrar no Reino, agarrar a salvação que veio aos homens gratuitamente, por livre e soberana iniciativa de Deus”.

Converter-mo-nos significa voltar atrás

A segunda passagem em que, no Evangelho, volta a falar-se de conversão, é:

“Naquela hora, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: ‘Quem é o maior no Reino dos Céus?’ Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse: ‘Em verdade vos digo, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus’” (Mt 18,1-3).

Leia também

Primeira pregação da Quaresma - texto integral

https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2021-02/primeira-pregacao-quaresma-raniero-cantalamessa.html

“Desta vez converter-mo-nos significa voltar atrás, até mesmo a quando se era criança! O próprio verbo usado, strefo, indica inversão de marcha. Esta é a conversão de quem já entrou no Reino, acreditou no evangelho, já está há tempos ao serviço de Cristo. É a nossa conversão! O que supõe a discussão sobre quem é o maior? Que a preocupação maior não é mais o reino, mas o próprio lugar nele, o próprio eu. Cada um deles tinha algum título para aspirar a ser o maior: Pedro tinha recebido a promessa do primado; Judas, a caixa; Mateus podia dizer que tinha deixado mais do que os outros; André, que tinha sido o primeiro a segui-lo; Tiago e João, que estiveram com ele no Tabor... Os frutos desta situação são evidentes: rivalidades, suspeitas, confrontos, frustração. Jesus, de imediato, tira o véu. Nem como primeiros, deste modo nem se entra no reino! O remédio? Converter-se, mudar completamente perspectiva e direção. A que Jesus propõe é uma verdadeira revolução copernicana. É preciso “descentralizar-mo-nos de nós  mesmos e recentralizar-mo-nos em Cristo”.

Segundo o frei capuchinho, “Jesus fala mais simplesmente de um tornar-mo-nos crianças. Tornar-me criança, para os apóstolos, significava voltar ao que eram no momento do chamamento às margens do lago ou no posto de arrecadação: sem pretensões, sem títulos, sem confrontos entre si, sem invejas, sem rivalidades. Ricos apenas de uma promessa (“Farei de vós pescadores de homens”) e de uma presença, a de Jesus; a quando eram ainda companheiros de aventura, não concorrentes pelo primeiro lugar. Também para nós, tornar-mo-nos crianças significa voltar ao momento em que descobrimos sermos chamados, ao momento da ordenação sacerdotal, da profissão religiosa, ou do primeiro verdadeiro encontro pessoal com Jesus. Quando dizíamos: “Só Deus basta!”, e acreditávamos”.

Conversão da mediocridade e da tibieza

“O terceiro contexto em que recorre, martelante, o convite à conversão, é dado pelas sete cartas às Igrejas do Apocalipse. As sete cartas são dirigidas a pessoas e comunidades que, como nós, vivem há tempos a vida cristã e, ainda mais, exercem nelas uma papel-guia. São endereçadas ao anjo das diversas Igrejas: “Ao anjo da igreja que está em Éfeso”. Não se explica este título senão em referência, direta ou indireta, ao pastor da comunidade. Não se pode pensar que o Espírito Santo atribua a anjos a responsabilidade das culpas e desvios que são denunciados nas diversas igrejas, muito menos que o convite à conversão seja dirigido a anjos ao invés de homens. Das sete cartas do Apocalipse, a que nos deve fazer refletir mais do que as outras é a carta à Igreja de Laodiceia. Conhecemos o seu tom severo: “Conheço as tuas obras. Não és frio, nem quente... porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te da minha boca... Sê zeloso, pois, e arrepende-te” (Ap 3,15ss). Aqui, trata-se da conversão da mediocridade e da tibieza”, frisou Cantalamessa.

O Espírito torna universal a redenção de Cristo

“O dom de Cristo não é limitado a uma época particular, mas oferecido a toda a época. É justamente papel do Espírito tornar universal a redenção de Cristo, disponível a cada pessoa, em cada ponto do tempo e do espaço. O segredo é dizer uma vez “Vinde, Santo Espírito”, mas dizê-lo com todo o coração, deixando o Espírito livre para vir da maneira que ele quiser, não como gostaríamos que ele viesse, possivelmente sem mudar nada na nossa maneira de viver e orar. Peçamos à Mãe de Deus que nos obtenha a graça que obteve do Filho em Caná da Galileia. Pela sua oração, naquela ocasião, a água converteu-se em vinho. Peçamos que, por sua intercessão, a água da nossa tibieza se converta no vinho de um renovado fervor. O vinho que em Pentecostes provocou nos apóstolos a embriaguez do Espírito e os tornou “fervorosos no Espírito”, concluiu o pregador da Casa Pontifícia.

VN

Tempo de conversão: aprender a dizer “não” para dizer um grande “sim” a Cristo

 
  As núpcias de Caná  
 
Na semana de exercícios espirituais do Papa e da Cúria Romana propomos um ciclo de meditações preparadas pelo Arcebispo Giacomo Morandi, Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé. A catequese de hoje é sobre a novidade de vida trazida por Jesus e sobre a vontade de ser transfigurado por ele.

 

Antonella Palermo – Vatican News

A terceira meditação sobre o caminho da Quaresma de Dom Giacomo Morandi, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé - realizada como parte do ciclo "Redimidos do pecado, anunciadores do Evangelho", detém-se no chamamento do cristão à alegria, retomando o capítulo 2 do Evangelho de Marcos no qual são descritas as reações perplexas dos escribas e fariseus diante da falta de respeito da tradição do jejum semanal por parte dos discípulos de Jesus.

O encontro com Jesus transfigura a nossa humanidade

Quando questionado pelos escribas e fariseus sobre a sua não aderência às normas transmitidas, como o jejum, Jesus responde tentando fazê-los compreender o novo caráter do tempo em que estão a viver. "Não é uma questão de acrescentar mais algumas práticas, mas de compreender como o encontro com Jesus leva os homens a revisitarem completamente as suas vidas", explicou o prelado, lembrando as duas imagens: a do remendo novo colocado sobre um vestido velho, e a do vinho novo colocado em odres velhos. Em ambos os casos, o efeito é de arruinar, dispersar o antigo e o novo. "Muitas vezes - aponta o prelado – no nosso caminho de conversão somos tentados a encontrar modalidades de compromisso, queremos concretamente continuar  a vida que levamos sem introduzir mudanças radicais. Talvez na Quaresma façamos algum pequeno sacrifício, alguma renúncia, mas 0 nosso modo de vida não muda nas profundezas". Resumindo, queremos mudar, mas não demais. Em vez disto, Jesus quer que compreendamos que, no momento em que o encontramos, a plenitude que brota é tal que toda a nossa humanidade é transfigurada.

Guardando um tesouro

Dom Morandi insiste na necessidade de tomar consciência de que um encontro com Cristo é um encontro com um grande tesouro, com algo extraordinário que inevitavelmente traz mudanças. Daí o facto de que as nossas obras são uma resposta a esta intuição, e não o contrário. “A ascese é sempre uma resposta, nunca é um ponto de partida – explica ainda o bispo – age a partir do desejo de salvaguardar um tesouro. Nesta perspetiva, somos naturalmente levados a não desperdiçá-lo, a não deixar que seja levado por outros”.

Não colocar "remendos" na nossa vida

A primeira conversão verdadeira é ser e viver na alegria, o primeiro sinal de que algo importante aconteceu entre nós e o Senhor. Este é um aspeto no qual o prelado concentra-se muito, citando também um grande autor inglês, Lewis, que intitulou a história da sua própria conversão "Surpreendido pela alegria". Trata-se de ativar uma mudança não apenas no coração, mas também na maneira de agir. Jesus diz: não pensem em fazer uma restauração conservadora. "Somos especialistas neste tipo de trabalho: os arquitetos até nos dizem que é muito caro - adverte o prelado - devemos, ao icontrário disso, evitar colocar remendos nas nossas vidas. Tornar-mo-nos uma nova realidade implica fechar certas portas, fazer escolhas corajosas, dizer não, mesmo que severas, porque dissemos um grande sim ao Senhor. Isto estabelecerá firmemente nosso itinerário de conversão". E dá como exemplo renunciar à Internet porque queremos estar com Jesus.

O caminho da conversão é sempre um caminho de alegria

Voltando à imagem do vinho novo, como podemos não mencionar o episódio das núpcias de Caná? "Os estudiosos dizem que a quantidade de vinho que resultou do milagre teria sido cerca de 600 litros de vinho, de muito boa qualidade". Para dizer que foi um rio de vinho derramado sobre o casamento em Caná". A catequese conclui reiterando que o vinho está sempre associado à alegria: é repetido em Síracle, nos Salmos (cf. "o vinho que alegra o coração do homem... o azeite que faz brilhar o seu rosto..."), na Carta aos Gálatas, quando Paulo enumera os frutos do Espírito e fala principalmente de amor e alegria. "Eliminemos tudo o que compromete esta alegria", recomenda Dom Morandi, "para que a alegria que brota do encontro com Ele possa ser visível aos nossos rostos".

VN

25 fevereiro 2021

Tempo de conversão: curar do protagonismo

 
Jesus cura a sogra de Pedro  
 
 
Na semana dos exercícios espirituais do Papa e da Cúria Romana propomos a segunda meditação do Arcebispo Giacomo Morandi, Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé

Antonella Palermo – Vatican News

A meditação de Dom Giacomo Morandi, Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, sobre a jornada quaresmal, hoje detém-se sobre as nossas enfermidades e parte do capítulo 21 do Evangelho de Marcos, no qual Jesus está em Cafarnaum. Aqui é-nos oferecido um vislumbre, uma prévia do seu ministério público.

A palavra de Jesus revela o que somos

Dom Morandi adverte que, antes de Jesus, o mal deve reconhecer a sua própria impotência e convida-nos a compreender a diferença substancial entre o estilo de ensino de Jesus e o utilizado pelos escribas. O acento é colocado sobre a sua autoridade (exousia). O significado do termo é ligado à consciência de que na palavra de ensinamento de Jesus é revelado o que ele é, mas também o que nós somos. É significativo - explica o prelado - que a sua presença na sinagoga revele o que o homem tem no seu coração e, portanto, na medida em que permitimos que Jesus nos fale, a nossa natureza emerge das profundezas. Muitas vezes nós escondemo-nos, nos distanciamo-nos da Palavra de Deus, dando justificaçõs de falta de tempo, que, em vez disso, muitas vezes são um álibi.

Curar do nosso protagonismo

"A realidade é que temos medo que a Palavra chegue aos recantos mais escondidos das nossas vidas que protegemos", fala claramente Dom Morandi, ao explicar que a Palavra de Deus é uma espada que chega até ao ponto da divisão da alma e ninguém pode-se esconder. Somos especialistas na arte do compromisso", sublinha ainda, "ao contrário disto, entendemos que não se pode servir a dois senhores e que a verdadeira doença da qual devemos curar é o nosso protagonismo". Se entrarmos em relação com Cristo, há um mundo que vai à ruína, é o mundo das paixões desordenadas. O bispo Morandi cita São Máximo, o Confessor, quando fala de ϕιλαυτία (filautia), ou seja, do amor errado, do amor excessivo por si mesmo. Isto gera infelicidade em nós, mas também naqueles que nos encontram e nos vêm como estéreis. Jesus só poderá proclamar-ae filho de Deus sob a cruz. Aqui está a verdadeira inversão de perspetiva.

A autoridade de Jesus

"Ser autoridade é quando a tua vida é extremamente transparente, de acordo com o que está no fundo do teu coração". Então a palavra é fruto dessa intimidade, desse caminhar junto com o Senhor", explica o prelado, mas que adverte sobre um risco: se não formos autoridade, acabamos por ser autoritários. A autoridade é uma palavra que vem do profundo do nosso ser e é a expressão da comunhão com Deus. Jesus dirá, no Evangelho de Mateus, que daremos conta a Deus de cada palavra inútil, literalmente de cada palavra sem energia, e não a palavra realmente ouvida, meditada e assimilada.

A ligação entre cura e serviço

A cena desloca-se para a casa de Simão. A sogra de Pedro estava doente na cama, sendo curada. "Há uma ligação entre cura e serviço", explica novamente Dom Morandi. A mulher curada, de facto, começa logo a servir: este é o ponto de chegada da experiência da salvação. O prelado descreve o crescendo da narrativa de Marcos em que se chega a uma multidão que traz a Jesus os possuídos. "Por mais que o mal se manifeste, ele é derrotado. Muitas vezes ficamos resignados e acreditamos que é impossível mudar as nossas vidas", afirma o bispo, mencionando todos os propósitos de mudança que muitas vezes não são realizados. A este respeito, o Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé cita um importante autor espiritual que disse que as maiores escravidões são as que não queremos ser libertados. Até Santo Agostinho, nas Confissões, relata que pediu insistentemente o dom da continência, mas acrescentou: mas não de imediato. Nós também somos assim. "Muitas vezes não desejamos mudar. Jesus, ao congtrári disto, faz novas todas as coisas", conclui o prelado.

Na oração, é a energia da palavra que salva

A jornada de Jesus conclui-se com a oração num lugar deserto. Ali está centralizada a fonte do seu ministério que é tão eficaz: o relacionamento com o Pai. É na oração que se consolida a autoridade. "Às vezes rezamos as nossas orações, mas talvez sejam orações distraídas, que não penetram realmente no nosso coração. Em vez disto, quando cuidamos do nosso relacionamento com o Senhor, então a Sua presença cresce e as Suas palavras tornam-se efetivas e enraízam-se em profundidade". O dom de invocar neste tempo forte de Quaresma - conclui Dom Morandi - é precisamente cultivar uma oração autêntica, retalhando tempos privilegiados para experimentar como o Senhor é bom.

VN

23 fevereiro 2021

Gallagher na ONU: os direitos humanos inalienáveis devem ser defendidos

 
O secretário Vaticano para as relações com os Estados, dom Paul Richard Gallagher 
 

O secretário do Vaticano para as Relações com os Estados dirige uma videomensagem às Nações Unidas salientando a natureza inalienável dos direitos humanos que devem ser respeitados, mesmo em relação às medidas implementadas para conter a pandemia da Covid-19 em andamento.
 

Pe. Benedict Mayaki, SJ/Mariangela Jaguraba

O secretário Vaticano para as relações com os Estados, dom Paul Richard Gallagher, convidou as Nações Unidas a “redescobrir o fundamento dos direitos humanos a fim de os implementá de maneira autêntica”, já que o mundo continua a tomar medidas para combater a emergência sanitária em andamento.

Dom Gallagher fez este apelo numa mensagem de vídeo durante a 46ª sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (UNHRC), que começou na segunda-feira (22/02), em Genebra, na Suíça. A sessão de quatro semanas, que está a ser realizada em modo virtual devido à emergência de saúde em andamento, começa com um segmento de alto nível de três dias no qual chefes de Estado e dignitários que representam vários países e regiões dirigir-se-ão ao Conselho através de vídeo.

Por mais de um ano, observou dom Gallagher, “a pandemia da Covid-19 impactou todos os aspetos da vida, causando a perda de muitas e colocando em dúvida os nossos sistemas económico, social e de saúde”. Ao mesmo tempo, “colocou em discussão o nosso compromisso com a proteção e a promoção dos direitos humanos universais, afirmando ao mesmo tempo a sua relevância”. Recordando as palavras do Papa Francisco na sua última Encíclica “Fratelli tutti”, dom Gallagher sublinhou a sua relevância para o nosso tempo, observando que “reconhecendo a dignidade de cada pessoa humana, podemos contribuir para o renascimento de uma aspiração universal à fraternidade”.

Os direitos humanos são incondicionais

O prelado salientou que a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) declara que “o reconhecimento da dignidade intrínseca de todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz”. Ao mesmo tempo, a Carta das Nações Unidas afirma a sua confiança no “fundamental dos direitos humanos, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos de homens e mulheres e das nações grandes e pequenas”. Dom Gallagher enfatizou que estes dois documentos reconhecem uma verdade objetiva: que toda pessoa humana é inata e universalmente dotada de dignidade humana. Esta verdade, “não é condicionada pelo tempo, lugar, cultura ou contexto”, ressaltou. Reconhecendo que este compromisso solene “é mais fácil de pronunciar do que de alcançar e colocar em prática”, lamentou que estes objetivos estão “ainda longe de serem reconhecidos, respeitados, protegidos e promovidos em todas as situações”.

Os direitos não são separados dos valores universais

O arcebispo Gallagher prosseguiu dizendo que a verdadeira promoção dos direitos humanos fundamentais depende dos fundamentos dos quais eles derivam. Portanto, ele advertiu que qualquer prática ou sistema que trate os direitos de forma abstrata, separado dos valores pré-existentes e universais, corre o risco de minar a sua razão de ser, e em tal contexto, as instituições de direitos humanos tornam-se suscetíveis às “modas, visões ou ideologias prevalecentes”.

O prelado  também advertiu que em tal contexto de direitos sem valor, os sistemas podem impor obrigações ou sanções que nunca foram previstas pelo Estado, que podem contradizer os valores que eles deveriam promover. Ele acrescentou que eles também podem “presumir criar os chamados 'novos' direitos que carecem de um fundamento objetivo, distanciando-se do seu propósito de servir à dignidade humana”.

O direito à vida

Ilustrando a inseparabilidade dos direitos dos valores com o exemplo do direito à vida, dom Gallagher aplaudiu o facto do seu conteúdo ter sido “progressivamente ampliado, combatendo atos de tortura, desaparecimentos forçados e pena de morte; e protegendo os idosos, migrantes, crianças e a maternidade”. Ele disse que estes desenvolvimentos são extensões racionais do direito à vida porque mantêm a sua base fundamental no bem intrínseco da vida, e também porque “a vida, antes de ser um direito, é antes de tudo um bem a ser amado e protegido”.

Medidas Covid-19 e direitos humanos

O arcebispo prosseguiu salientando que, diante da atual pandemia da Covid-19, algumas medidas implementadas pelas autoridades públicas para garantir a saúde pública dificultaram o livre exercício dos direitos humanos. Ressaltando que “qualquer solução para o exercício dos direitos humanos para a proteção da saúde pública deve derivar da uma situação de estrita necessidade”, ele observou que “um certo número de pessoas, encontrando-se em situações de vulnerabilidade, tais como idosos, migrantes, refugiados, indígenas, deslocados internos e crianças, foram desproporcionalmente afetados pela crise atual”. Tais mudanças, insistiu ele, “devem ser proporcionais à situação, aplicadas de forma não discriminatória e utilizadas somente quando outros meios não estiverem disponíveis”.

Liberdade de religião

O arcebispo Gallagher também reiterou a urgência de proteger o direito à liberdade de pensamento, consciência e religião, observando em particular que “a crença religiosa e a sua expressão estão no cerne da dignidade da pessoa humana em sua consciência”. Salientando que a resposta global à pandemia da Covid-19 revela que “esta sólida compreensão da liberdade religiosa foi corroída”, o arcebispo reiterou a ênfase da Santa Sé, reconhecida por vários instrumentos de direitos humanos, de que “a liberdade de religião também protege o seu testemunho público e expressão, tanto individual como coletivamente, pública e privada, em formas de culto, observância e ensino”. Para respeitar o valor intrínseco deste direito, o arcebispo recomendou que as autoridades políticas se envolvam com líderes religiosos, organizações religiosas e líderes da sociedade civil comprometidos com a promoção da liberdade de religião e consciência.

Fraternidade humana, multilateralismo

Dom Gallagher observou que a crise atual oferece-nos uma oportunidade única para nos aproximar do multilateralismo “como expressão de um renovado senso de responsabilidade global, solidariedade baseada na justiça e na conquista da paz e da unidade dentro da família humana, que é o plano de Deus para o mundo”.

Recordando o convite do Papa Francisco na Encíclica “Fratelli tutti”, que incentiva todos a reconhecer a dignidade de cada pessoa humana a fim de promover a fraternidade universal, ele encorajou todos a estarem dispostos a irem além do que nos divide para combater as consequências das diversas crises. Concluindo a sua mensagem, o arcebispo reiterou o compromisso da Santa Sé de trabalhar de forma colaborativa para este fim

VN

22 fevereiro 2021

Papa: Santa Faustina convida a voltarmos à fonte da misericórdia

 

 Papa Francisco a rezar na Capela de Santa Faustina Kowalska, no Santuário da Divina Misericórdia em 30 de julho de 2016 

 
“Voltemo-nos para a fonte da misericórdia. Tenhamos a coragem de voltar a Jesus”. São palavras do Papa Francisco ao recordar os 90 anos da primeira revelação da imagem de Jesus Misericordioso à Santa Faustina Kowalska. A carta foi endereçada a Dom Piotr Libera, Bispo de Płock, na Polônia

Vatican News

O Papa Francisco escreveu uma carta ao Bispo de Płock, na Polónia por ocasião das celebrações do 90º aniversário da primeira revelação da imagem de Jesus Misericordioso à irmã Faustina Kowalska em 22 de fevereiro de 1931. Portanto hoje será realizada uma solene celebração no Santuário da Divina Misericórdia na cidade de Płock, lugar da aparição.

Na sua carta Francisco recorda as palavras que Santa Irmã Faustina ouviu na ocasião:

“Pinta uma imagem de acordo com o modelo que estás a ver, com a inscrição: ‘Jesus, confio em Vós. Desejo que esta imagem seja venerada primeiro na vossa capela, e depois no mundo inteiro. (Diário, 47)”

Partilhando a alegria da Igreja de Płock pelo aniversário o Papa recorda outras palavras de Jesus escritas no Diário da Santa: "A humanidade não encontrará a paz enquanto não se voltar à fonte da minha misericórdia" (Atas 699).  E Francisco encoraja:

“Voltemo-nos a esta fonte. Peçamos a Cristo o dom da misericórdia. Deixemos que nos abrace e entre dentro de nós. Tenhamos a coragem de voltar a Jesus, de encontrar o Seu amor e misericórdia nos sacramentos. Sintamos a Sua proximidade e ternura e então também nós seremos mais capazes de misericórdia, paciência, perdão e amor”

O Papa recorda também o apóstolo da misericórdia, São João Paulo II que afirmava “É necessário transmitir ao mundo este fogo da misericórdia. Na misericórdia de Deus o mundo encontrará a paz, e o homem a felicidade! (Cracóvia - Łagiewniki, 17 de agosto de 2002).

Concluindo, o Santo Padre escreve: “Este é um desafio especial para a Igreja em Płock, marcada por esta revelação, para a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia, para a cidade de Płock e para todo o seu povo. Transmitir ao mundo o fogo de Jesus Amor. Sejam para todos um sinal da Sua presença no meio de vós”. "Ao senhor, Bispo, à Diocese de Płock e a todos os participantes das celebrações dos 90 anos das manifestações de Jesus Misericordioso, concedo cordialmente a minha Bênção Apostólica".

VN

21 fevereiro 2021

O Papa sobre mensagem da Divina Misericórdia: abramos o coração a Jesus

 

 Em 2016 o Papa visitou o Santuário da Divina Misericórdia e o Túmulo da Santa Faustina, durante a visita a Cracóvia  

 

No final da oração mariana do Angelus deste domingo (21), Francisco lembrou que se passaram 90 anos desde a revelação da imagem de Jesus Misericordioso. "Esta mensagem", disse o Pontífice, "chegou ao mundo inteiro, e não é outra coisa senão o Evangelho de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, que nos dá a misericórdia do Pai".

 

Amedeo Lomonaco, Andressa Collet – Vatican News

Foi dirigido à Polónia, ao Santuário de Płock, o pensamento do Papa Francisco no final da oração mariana do Angelus deste domingo (21). Ao saudar, em particular os fiéis polacos, que inclusive se faziam presentes na Praça de São Pedro, o Pontífice disse:

“Há noventa anos atrás, o Senhor Jesus manifestou-se à Santa Faustina Kowalska, confiando-lhe uma mensagem especial da Divina Misericórdia. Através de São João Paulo II, aquela mensagem chegou ao mundo inteiro, e não é outra coisa senão o Evangelho de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, que nos dá a misericórdia do Pai. Abramos os nossos corações a Ele, dizendo com fé: ‘Jesus, confio em Ti’.”

Na cidade de Płock, nas margens do rio Vístula, foi erguido o santuário naquele que é o local das revelações particulares da Irmã Faustina Kowalska, a primeira santa do novo milénio. Era 22 de fevereiro de 1931 quando o Senhor Jesus se manifesta à Santa Faustina Kowalska, que se encontra no convento de Płock da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora Mãe da Misericórdia, em Stary Rynek.  Ela escreveu no seu diário:

"À noite, enquanto estava em minha cela, vi o Senhor Jesus vestido com um manto branco: uma mão levantada para abençoar, enquanto a outra tocava o manto no seu peito, o qual, quando ligeiramente retirada dele, revelava dois grandes raios, um vermelho, o outro pálido. Muda, mantive os meus olhos fixos no Senhor; a minha alma foi tomada pelo medo, mas também por uma grande alegria. Após algum tempo, Jesus disse-me: pinta uma imagem segundo o modelo que vês, com as palavras escritas por baixo ‘Jesus, confio em Ti. Desejo que esta imagem seja venerada primeiro na vossa capela, e depois no mundo inteiro."

A primeira imagem de Jesus Misericordioso foi pintada em Vilnius, sob a orientação da própria Irmã Faustina. A imagem mais conhecida é mantida no Santuário da Divina Misericórdia em Cracóvia-Łagiewniki. Foi criada de acordo com as instruções do guia espiritual da 'Apóstola da Divina Misericórdia', Padre Józef Andrasz.

A Festa da Divina Misericórdia

A Festa da Divina Misericórdia é celebrada por toda a Igreja no domingo seguinte à Páscoa e passou, portanto, a ser intitulada Domingo da Divina Misericórdia. Santa Faustina foi beatificada em 18 de abril de 1993, por São João Paulo II, e canonizada também pelo Sumo Pontífice em 30 de abril de 2000.

Já nesta segunda-feira (22), às 17h, horário local, será celebrada uma missa no Santuário da Divina Misericórdia, em Płock, na Polónia. A celebração pode ser seguida no canal do Youtube do Santuário.

VN