31 janeiro 2024

Mulheres em lágrimas em Gaza, diante dos escombros causados por bombardeiros (AFP)

 

  Mulheres em lágrimas em Gaza, diante dos escombros causados por bombardeios (AFP)

Francisco, no final da audiência geral, citou o Dia Nacional das Vítimas Civis da Guerra, que é celebrado em Itália no dia 1 de fevereiro e, à memória dos que morreram nas duas guerras mundiais, uniu a sua oração por aqueles que perdem a vida no Médio Oriente, na Ucrânia e em outras áreas do mundo: "Que o seu grito de dor toque os corações dos responsáveis pelas nações". O Pontífice denunciou a "crueldade" dos conflitos: "Peçamos a paz ao Senhor, que é sempre manso, nunca cruel
 

Vatican News

Não há tempo, não há espaço, mas somente um longo rastro de sangue e de dor que une duas épocas: a das guerras mundiais e a atual, dos conflitos "em pedaços" que dilaceram a humanidade. Francisco elevou aos céus uma recordação e uma oração por aqueles que morreram na batalha hoje e ontem, no final da audiência geral desta quarta-feira na Sala Paulo VI, no Vaticano, quando - no momento das saudações em italiano - recordou o Dia Nacional das Vítimas Civis de Guerra que é celebrado em Itália no dia 1 de fevereiro.

À oração em memória daqueles que morreram nas duas guerras mundiais, associamos também os muitos – demasiados - civis, vítimas indefesas das guerras que infelizmente ainda mancham o nosso planeta com sangue, como no Médio Oriente e na Ucrânia.

Pedimos paz ao Senhor, que não é cruel, mas manso

Notícias dramáticas que chegam nestas horas dos dois territórios em guerra: mais de dez civis mortos durante um bombardeio numa casa em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza; ataques de drones, casas destruídas, civis feridos e mortos, em Karkhiv, Bakhmut e outros territórios ucranianos.

Que o "grito de dor" das vítimas, espera o Papa, "toque os corações dos responsáveis pelas nações e suscite projetos de paz". Pronunciando algumas palavras fora do texto previamente preparado, uma constatação amarga dos limites da desumanidade que a guerra sistematicamente rompe.

Quando se lêem histórias destes dias, na guerra, há tanta crueldade, tanta... Peçamos ao Senhor a paz que é sempre mansa, não cruel.

A recordação de Dom Bosco

Antes de concluir a sua saudação aos de língua italiana, o Papa recordou hoje, 31 de janeiro, a memória litúrgica de Dom Bosco, sacerdote fundador dos salesianos, modelo de educação, cuidado e acolhimento dos jovens:

Invoco sobre vós a proteção de São João Bosco que hoje a Igreja recorda, a fim de que torne fecunda a vocação de cada um na Igreja e no mundo.

VN

O Papa: a ira é um pecado desenfreado, destrói as relações humanas

 
 
Francisco falou sobre a ira na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira. Segundo ele, "é um pecado terrível que está na origem das guerras e da violência". "Há homens que reprimem a ira no local de trabalho, parecendo calmos e controlados, mas, uma vez em casa, tornam-se insuportáveis para a esposa e os filhos", sublinhou. 
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre "Vícios e Virtudes" na Audiência Geral desta quarta-feira (31/01).

"A ira" foi o tema deste encontro semanal do Pontífice com os fiéis. Segundo o Papa, a ira "é um vício particularmente obscuro e talvez o mais simples de identificar do ponto de vista físico". Segundo ele, "a pessoa dominada pela ira tem dificuldade em esconder esse ímpeto: reconhece-se pelos movimentos do seu corpo, pela agressão, pela respiração difícil, pelo olhar sombrio e carrancudo".

A ira é um pecado que destrói as relações humanas

De acordo com o Papa, "na sua manifestação mais aguda, a ira é um pecado que não deixa trégua. Se surge de uma injustiça sofrida ou que se acredita ser tal, muitas vezes não é desencadeada contra o culpado, mas contra o primeiro infeliz que se encontra".

“Há homens que reprimem a ira no local de trabalho, parecendo calmos e controlados, porém, uma vez em casa, tornam-se insuportáveis para a esposa e os filhos.”

A ira é um pecado desenfreado: é capaz de tirar-nos o sono e fazer-nos tramar continuamente na nossa mente, sem conseguir encontrar uma barreira aos raciocínios e aos pensamentos.

A seguir, Francisco disse que a ira "é um pecado que destrói as relações humanas. Expressa a incapacidade de aceitar a diversidade dos outros, especialmente quando as suas escolhas de vida divergem das nossas. Não se detém nos comportamentos errados de uma pessoa, mas joga tudo no caldeirão: é o outro, o outro como ele é, o outro como tal que causa a raiva e o ressentimento. Começa-se a odiar o tom da sua voz, os gestos banais do dia a dia, os seus modos de raciocinar e de sentir".

Perda da clareza

Segundo o Papa, "quando a relação atinge esse nível de degeneração, já se perdeu a clareza. Porque uma das características da ira, às vezes, é que ela não pode ser mitigada com o tempo. É importante que tudo se dissolva imediatamente, antes do pôr do sol. Se durante o dia surgir algum mal-entendido e duas pessoas não conseguem mais entender-se, sentindo-se subitamente distantes, a noite não deve ser entregue ao diabo. O pecado mantém-nos acordados no escuro a remoer as nossas razões e os erros indizíveis, que nunca são nossos e sempre do outro". "É assim: quando uma pessoa está sob a ira, ela diz  sempre que o problema está no outro. Ela nunca é capaz de reconhecer as suas próprias falhas, os seus próprios defeitos", acrescentou o Papa.

"No “Pai Nosso”, Jesus faz-nos rezar pelas nossas relações humanas que são um campo minado: um plano que nunca está em perfeito equilíbrio. Todos precisamos de aprender a perdoar. Os homens não estão juntos se não praticarem também a arte do perdão, tanto quanto isso for humanamente possível", disse ainda Francisco.

“O que neutraliza a ira é a benevolência, a generosidade, a mansidão, a paciência.”

Ira, origem das guerras e da violência

O Pontífice disse outra coisa a propósito da ira: que ela "é um pecado terrível que está na origem das guerras e da violência. Porém, nem tudo que surge da ira está errado. Os antigos sabiam muito bem que existe uma parte irascível dentro de nós que não pode e não deve ser negada".

As paixões são, até certo ponto, inconscientes: acontecem, são experiências da vida. Não somos responsáveis pelo surgimento da ira, mas sempre pelo seu desenvolvimento. E às vezes é bom que a ira seja desabafada da maneira certa.

“Se uma pessoa nunca se irritasse, se não se indignasse diante de uma injustiça, se diante da opressão de uma pessoa fraca não sentisse algo tremendo nas suas entranhas, então isso significaria que não é humana, e muito menos, cristã.”

Santa indignação

"Existe uma santa indignação, que não é ira, mas é um movimento interior, uma santa indignação. Jesus encontrou-a várias vezes na sua vida: nunca respondeu ao mal com o mal, mas na sua alma sentiu este sentimento e, no caso dos cambistas do Templo, realizou uma ação forte e profética, ditada não pela ira, mas pelo zelo pela casa do Senhor. É preciso distinguir bem, o zelo, a santa indignação, é uma coisa, a ira, que é má, é outra coisa. Cabe a nós, com a ajuda do Espírito Santo, encontrar a medida certa das paixões. Educá-las para que se tornem boas", concluiu o Papa.

VN

28 janeiro 2024

Papa: nas tentações, é preciso invocar Jesus. Jamais dialogar com o diabo!

 

 
Ao comentar o Evangelho deste IV Domingo do Tempo Comum, Francisco alertou para as insídias de hoje do maligno, como as dependências, o consumismo e a idolatria do poder. 
 

Vatican News

Para os milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, o Papa comentou o Evangelho deste IV Domingo do Tempo Comum, que  narra Jesus enquanto liberta uma pessoa possuída por um “espírito mau”. 

Assim faz o diabo, explicou Francisco: quer possuir para “nos aprisionar a alma”. E nós devemos estar atentos às “amarras” que nos sufocam a liberdade, porque o diabo tira-nos sempre a capacidade de escolher livremente. O Pontífice então nomeia algumas correntes que podem prender o coração, como as dependências, os modismos e a idolatria do poder, "corrente muito má". Todas estas insídias tornam-nos escravos, sempre insatisfeitos, levam ao consumismo e ao hedonismo, que mercantilizam as pessoas e comprometem as relações, gerando inclusive conflitos armados.

Jesus veio para libertar-nos de todas estas amarras, com um detalhe: jamais dialoga com o diabo!

“Jesus liberta do poder do mal, mas - estejamos atentos -, expulsa o diabo, mas não dialoga com ele. Jamais Jesus dialogou com o diabo. E quando foi tentado no deserto, as respostas de Jesus eram palavras da Bíblia, nunca o diálogo. Irmãos e irmãs, com o diabo não se dialoga! Cuidado: com o diabo não se dialoga, porque se  começares a dialogar, ele vence. Sempre. Cuidado.”

Invocar Jesus!

E quando nos sentirmos tentados e oprimidos, indicou o Papa, é preciso invocar Jesus, invocá-Lo ali, onde sentimos que as correntes do mal e do medo apertam mais forte.

Também hoje, afirmou, o Senhor deseja repetir ao maligno: “Saia, deixe em paz aquele coração, não dividir o mundo, as famílias, as nossas comunidades; deixe-as viver serenas, para que ali floresçam os frutos do meu Espírito, não os seus, assim diz Jesus. Para que entre eles reinem o amor, a alegria, a mansidão, e no lugar de violências e gritos de ódio, haja liberdade e paz, respeito e cuidado para todos".

Francisco então propõe algumas perguntas aos fiéis: eu quero realmente libertar-me daquelas amarras que me apertam o coração? E depois, sei dizer “não” às tentações do mal, antes que se insinuem na alma? Por fim, invoco Jesus, permito-Lhe agir em mim, para curar-me por dentro?

"Que a Virgem Santa nos proteja do mal", foi a invocação final.

VN

24 janeiro 2024

Papa: a avareza é uma doença do coração. Sejamos generosos

 

 
Durante a Audiência Geral desta quarta-feira, o tema da catequese do Papa foi dedicado ao vício da avareza. “Por mais que uma pessoa acumule bens neste mundo, temos absoluta certeza de uma coisa: eles não caberão no caixão, nós não poderemos levar os bens connosco”, destacou Francisco.

Thulio Fonseca – Vatican News

Ao dar continuidade ao ciclo de catequeses sobre os vícios e as virtudes, o Papa, refletiu, na manhã desta quarta-feira (24/01), sobre a avareza, ou seja, “aquela forma de apego ao dinheiro que impede o homem de ser generoso”.

Francisco enfatizou, logo no início da Audiência Geral, que este não é um pecado que diz respeito apenas às pessoas que possuem grandes patrimónios, “mas sim um vício transversal, que muitas vezes nada tem a ver com o saldo da conta corrente”, e completou:

“A avareza é uma doença do coração, não da carteira.”

Apego às pequenas coisas

O Pontífice ilustrou a sua meditação com algumas análises que os padres do deserto fizeram sobre este mal: “Eles evidenciaram como a avareza poderia também apoderar-se dos monges que, depois de terem renunciado a enormes heranças, na solidão da sua cela apegaram-se a objetos de pouco valor: não os emprestavam, não os partilhavam, e muito menos estavam dispostos a distribuí-los, era um apego a pequenas coisas”.

Uma espécie de regressão à imagem da criança que segura o brinquedo e repete: “É meu! É meu!”, continuou o Papa, “este tipo de apego tira-nos a liberdade, e aí reside uma relação doentia com a realidade, que pode levar a formas de acumulação compulsiva ou patológica”.

Refletir sobre a morte, a cura para este vício

“Para curar esta doença”, recordou o Santo Padre, “os monges propuseram um método drástico, mas muito eficaz: a meditação da morte”. Por mais que uma pessoa acumule bens neste mundo, temos absoluta certeza de uma coisa: "eles não caberão no caixão, nós não poderemos levar os bens connosco".

Segundo Francisco, é sobre este aspeto que revela a insensatez desse vício:

“O vínculo de posse que construímos com as coisas é apenas aparente, porque não somos os donos do mundo: esta terra que amamos não é na verdade nossa, e nela caminhamos como estrangeiros e peregrinos”.

 A riqueza não é um pecado, mas uma responsabilidade

O Papa então destacou que estas simples considerações fazem-nos compreender a loucura da avareza, mas também a sua razão mais oculta: “é uma tentativa de exorcizar o medo da morte: procura certezas que na realidade desmoronam no momento em que as apreendemos”.

Ao recordar a pregação de Jesus no Sermão da Montanha, quando o Senhor pede para não ajuntarmos tesouros na terra, mas sim tesouros no céu, (cf Mt 6,19-20), o Pontífice ressaltou:

“Podemos ser senhores dos bens que possuímos, mas muitas vezes acontece o contrário: em última análise, são eles os nossos donos.”

“Alguns homens ricos já não são livres, já nem têm tempo para descansar, têm de olhar por cima dos ombros porque a acumulação de bens também exige os seus cuidados. Sentem-se sempre ansiosos porque um legado se constrói com muito suor, mas pode desaparecer num instante. Esquecem-se da pregação evangélica, que não afirma que a riqueza em si é um pecado, mas é certamente uma responsabilidade”.

“Deus não é pobre, é o Senhor de tudo”, continuou o Pontífice, mas, como escreveu São Paulo: “Sendo rico, fez-se pobre por vós, a fim de vos enriquecer pela sua pobreza” (2 Cor 8,9), e completou: "Isto é o que o avarento não entende. Podia ter sido uma fonte de bênção para muitos, mas em vez disso acabou no beco sem saída da infelicidade".

Sejamos generosos

Por fim, o Papa, ao evidenciar que uma pessoa imersa no vício da avareza tem uma vida triste, contou uma história:

“Lembro-me do caso de um senhor que conheci noutra diocese, era um homem muito rico, casado, e tinha uma mãe doente. Os irmãos revezavam-se para cuidar da mãe, e ela costumava tomar um iogurte pela manhã. Aquele senhor dava-lhe metade pela manhã, e para economizar, guardava a outra metade para lhe dar à tarde. Isto é avareza, isto é apego às posses. Então, esse senhor morreu, e os comentários das pessoas que foram ao velório eram: 'Olhem, para este homem não tem nada com ele, deixou tudo para trás'. E então, de forma um pouco ir´´irónica, diziam: 'Não puderam nem fechar o caixão porque ele queria levar tudo com ele', e isto fazia rir os outros . Etse é um exemplo claro da avareza”

Francisco, na conclusão da  reflexão, exortou os fiéis:

“No fim da vida teremos que entregar o nosso corpo e a nossa alma ao Senhor, e teremos que deixar tudo. Sejamos cuidadosos e generosos: generosos com todos e generosos com aqueles que mais precisam de nós.”

 
 Milhares de fiéis presentes na Sala Paulo VI durante a Audiência Gera 

VN

23 janeiro 2024

A LIBERDADE DE DEUS

 

 

 

"Depois do fracasso dos primeiros pais o mundo inteiro está às escuras sob o domínio da morte. Então Deus procura entrar de novo no mundo; bate à porta de Maria. Tem necessidade do concurso da liberdade humana: não pode remir o homem, criado livre, sem um «sim» livre à sua vontade.


Ao criar a liberdade, de certo modo Deus tornou-se dependente do homem o seu poder está ligado ao «sim» não forçado de uma pessoa humana.”

(Jesus de Nazaré – A infância de Jesus – Joseph Ratzinger – Bento XVI)


O Papa Bento XVI, no seu livro acima referido, falando do «sim» de Maria, escreve esta frase que me chamou a atenção e me fez reflectir: “Ao criar a liberdade, de certo modo Deus tornou-se dependente do homem o seu poder está ligado ao «sim» não forçado de uma pessoa humana.”

Esta frase dirige-se ao «sim» de Maria, mas, penso eu, pode e deve dirigir-se também ao nosso «sim».

Com efeito e, se bem entendo, a liberdade que Deus a todos dá, de alguma forma “condiciona” a acção de Deus em nós, isto é, sem o nosso «sim», mesmo que seja um silencioso e tímido «sim», Deus “não pode” salvar-nos.

Pode e ama-nos incondicionalmente, claro, mas o Seu amor só se torna vida em nós perante o nosso «sim», o nosso querer viver do e no Seu amor.

E sim, a misericórdia de Deus é infinita, o Seu amor e o Seu perdão, são sempre maiores do que o nosso pecado, mas para que a Sua misericórdia, o Seu amor e o Seu perdão sejam vida em nós, Deus, perante a liberdade que nos deu, “precisa” do nosso «sim».

Por isso o maior pecado, aquele que não é perdoado, é o pecado contra o Espírito Santo, porque é o Espírito Santo que nos revela a imensidade e infinitude do amor de Deus, do Seu perdão, da Sua misericórdia, e se recusamos deliberadamente o amor, a misericórdia e o perdão de Deus, então estamos a “impedi-lO” de nos salvar de nós próprios.

Curiosamente, ou talvez não, o Evangelho de hoje tem o seguinte versículo: «Quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe». (Mc 3, 35)

E fazer a vontade de Deus é, sem dúvida, na inteira liberdade que Ele nos deu, dizer «sim» ao Seu amor, à Sua misericórdia, ao Seu perdão, enfim, à Sua vontade que é salvar todos e cada um.



Marinha Grande, 23 de Janeiro de 2024
Joaquim Mexia Alves
 

21 janeiro 2024

O Papa no Angelus: anunciar o Evangelho não é tempo perdido

 
 
Anunciar o Evangelho não é tempo perdido: é ser mais feliz ajudando os outros a serem felizes; é libertar-se de si mesmo ajudando os outros a serem livres; é tornar-se melhor ajudando os outros a serem melhores: disse Francisco no Angelus ao meio-dia deste domingo, 21 de janeiro, III Domingo do Tempo Comum e V Domingo da Palavra de Deus

Raimundo de Lima – Vatican News

Um cristão que não é ativo, que não é responsável pelo trabalho de proclamar o Senhor e que não é o protagonista de sua fé não é um cristão ou, como minha avó costumava dizer, é um cristão do tipo "água de rosas": disse o Santo Padre no Angelus ao meio-dia deste domingo, 21 de janeiro, III Domingo do Tempo Comum e V Domingo da Palavra de Deus.

Comentando o Evangelho do dia, Francisco ressaltou que o mesmo narra a vocação dos primeiros discípulos (cf. Mc 1,14-20). Chamar outros para se juntarem à sua missão é uma das primeiras coisas que Jesus faz no início da sua vida pública: Ele se aproxima-se de alguns jovens pescadores e convida-os a segui-Lo para "tornarem-se pescadores de homens". E isto diz-nos algo importante - observou: o Senhor ama envolver-nos na sua obra de salvação, quer que sejamos ativos com Ele, responsáveis e protagonistas.

Ele não precisaria disso, mas o fá-lo, mesmo que isso signifique assumir muitas de nossas limitações. Olhemos, por exemplo, para a paciência que teve com os discípulos: frequentemente não compreendiam as suas palavras, às vezes discordavam entre si, por muito tempo não conseguiam aceitar aspetos essenciais da sua pregação, como o serviço. No entanto, Jesus escolheu-os e continuou a acreditar neles.

Mas isso é importante, o Senhor nos escolheu-nos para sermos cristãos. E nós somos pecadores, aprontamos uma coisa atrás da outra... Mas o Senhor continua a acreditar em nós, a acreditar em nós. É maravilhoso isso do Senhor.

De facto, prosseguiu o Pontífice, trazer a salvação de Deus a todos foi a maior felicidade de Jesus, a sua missão, o sentido da sua existência entre nós (cf. Jo 6,38). E em cada palavra e ação com as quais nos unimos a Ele, na bonita aventura de doar amor, a luz e a alegria multiplicam-se: não apenas em nosso redor, mas também dentro de nós.

Anunciar o Evangelho, portanto, não é tempo perdido ajudando os outros a serem livres; é tornarmo-nos melhor ajudando os outros a serem melhores!

Francisco concluiu deixando-nos algumas interrogações para nossa reflexão pessoal.

Então, perguntemo-nos: eu paro de vez em quando para recordar a alegria que cresceu em mim e em meu redor quando aceitei o chamamento para conhecer e testemunhar Jesus? E quando rezo, agradeço ao Senhor por me ter chamado para tornar os outros felizes? Por fim: desejo fazer com que outras pessoas experimentem, por meio do meu testemunho e da minha alegria, quão bonito é amar Jesus?

VN

20 janeiro 2024

O Papa ao Renovamento Carismático: sejam construtores de comunhão

 

 

“O Espírito Santo, acolhido no coração e na vida, não pode deixar de abrir, mover, fazer sair; o Espírito impele sempre a comunicar o Evangelho, a sair, com a sua imaginação inesgotável. Cabe a nós ser dóceis e colaborar com Ele, sem esquecer jamais que o primeiro anúncio é feito com o nosso testemunho de vida! Do que adianta fazer longas orações e cantar lindas canções se não tivermos paciência com o próximo”: disse Francisco aos membros do Conselho Nacional da Renovação Carismática italiana

 

Manoel Tavares/Raimundo de Lima - Vatican News

O Santo Padre recebeu, na manhã deste sábado, 20, na Sala do Consistório, no Vaticano, 85 membros do Conselho Nacional da Renovação no Espírito Santo, a Renovação Carismática italiana.

No seu discurso, ao dar as boas-vindas aos membros do Conselho e aos que estão unidos a este Movimento eclesial, o Papa recordou que, nos últimos anos, promoveu o CHARIS, Serviço Internacional para o Renovamento Carismática Católico. E, ainda recentemente, no último mês de novembro, teve a oportunidade de encontrar os participantes no encontro organizado pelo CHARIS, aos quais encorajou a continuar no caminho de comunhão e a ponderar as suas indicações.

Hoje, dirigindo-se, de modo particular, aos responsáveis do Movimento, a nível nacional, Francisco quis partilhar uma visão pastoral sobre a sua presença e serviço.

Serviço à oração

Antes de tudo, o Santo Padre agradeceu ao Senhor pelo bem que as comunidades do Renovamento semeiam entre o povo santo e fiel de Deus. Ajudam também uma espiritualidade simples e alegre. A seguir, refletiu sobre dois aspetos particulares para a vida do movimento: “serviço à oração”, especialmente à adoração; e “serviço à evangelização”. A respeito do primeiro aspeto, disse:

“O movimento carismático, por sua natureza, dá espaço e destaque à oração, em particular, à oração de louvor, que é muito importante. Num mundo, dominado pela cultura da posse e da eficiência, e numa Igreja que, por vezes, preocupa-se demais com a organização - estejam atentos a isso! -, devemos dar mais espaço à ação de graças, ao louvor e ao estupor diante da graça de Deus.”

Por isso, exortou os membros do Conselho Carismático para continuar a servir a Igreja, promovendo, de modo especial, a oração de adoração: uma adoração, na qual predomine o silêncio, em que a Palavra de Deus possa prevalecer sobre as nossas palavras; enfim, uma adoração em que o Senhor esteja realmente no centro e não nós.

VN

 

17 janeiro 2024

Francisco: a guerra destrói sempre, semeia ódio, uma verdadeira derrota humana

 

A bandeira ucraniana carregada pelos acrobatas do Circo Royal que se apresentaram na Sala Paulo VI na Audiência Geral
 

Na Audiência Geral, o Papa expressou solidariedade às vítimas, todas civis, do ataque com mísseis em Erbil, no Curdistão iraquiano: "As boas relações entre vizinhos não são construídas com tais ações, mas com o diálogo e a colaboração". Ele convidou todos a "evitar qualquer medida que aumente a tensão no Médio Oriente e noutros cenários de guerra", rezando para que "os cristãos cheguem à plena comunhão".

Mariangela Jaguraba - Vatican News

No final da Audiência Geral desta quarta-feira (17/01), o Papa Francisco fez o seguinte apelo:

Expresso minha proximidade e solidariedade às vítimas, todas civis, do ataque com mísseis que atingiu uma área urbana de Erbil, capital da região autónoma do Curdistão iraquiano. As boas relações entre vizinhos não são construídas com tais ações, mas com o diálogo e a colaboração. Peço a todos que evitem qualquer medida que aumente a tensão no Médio Oriente e noutros cenários de guerra.

O pontífice não deixou de mencionar o que aconteceu na região autónoma do Curdistão iraquiano, onde os Guardas Revolucionários Iranianos alegaram ter "alvejado e destruído uma das principais sedes da espionagem do regime sionista (Mossad)" no ataque com "mísseis balísticos" a Erbil, no norte do Iraque. No ataque, pelo menos cinco civis foram mortos, incluindo uma menina de onze meses, e várias outras crianças ficaram feridas. O facto foi relatado pela ONG Hengaw Organization for Human Rights. 

Na saudação aos fiéis, em italiano, o Santo Padre recordou que nesta quinta-feira, 18 de janeiro, tem início, no Hemisfério Norte, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. No Brasil, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos realiza-se de 12, Ascensão do Senhor, a 19 de maio, Solenidade de Pentecostes.

Este ano, o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é “Amarás o Senhor teu Deus... e ao teu próximo como a ti mesmo” (Lc 10, 27).

Convido-vos a rezar, para que os cristãos cheguem à plena comunhão e deem um testemunho unânime de amor para com todos, especialmente para com os mais frágeis.

Depois de saudar os jovens, os doentes, os idosos e os recém-casados, Francisco lembrou que nesta quarta-feira a Igreja recorda Santo Antão Abade, um dos fundadores do monaquismo. "Que o seu exemplo vs encoraje a acolher o Evangelho sem fazer concessões."

E não esqueçamos os países que estão em guerra, não esqueçamos a Ucrânia, não esqueçamos a Palestina, Israel, não esqueçamos os habitantes da Faixa de Gaza que sofrem tanto. Rezemos pelas muitas vítimas da guerra, muitas vítimas. A guerra destrói sempre, a guerra não semeia amor, semeia ódio. A guerra é uma verdadeira derrota humana. Rezemos pelas pessoas que sofrem na guerra.

VN

Papa Francisco: o verdadeiro amor não possui, doa-se ao outro

 
 
"Construir juntos uma história é melhor do que correr atrás de aventuras, cultivar ternura é melhor do que curvarmo-nos ao demónio da posse. Porque se não há amor, a vida é uma triste solidão", destacou Francisco durante a Audiência Geral desta quarta-feira (17/01), ao dedicar a catequese sobre o vício na luxúria.
 

Thulio Fonseca – Vatican News

Na manhã desta quarta-feira, 17 de janeiro, Francisco deu continuidade ao itinerário de catequeses sobre os vícios e as virtudes. O tema da reflexão durante a Audiência Geral na Sala Paulo VI foi dedicado ao vício da luxúria, do qual "os antigos Padres ensinam que, depois da gula, é o segundo 'demónio' que está sempre à porta do coração".

“Enquanto a gula é a voracidade por comida”, destacou o Papa, “esse segundo vício é uma espécie de ‘voracidade’ por outra pessoa, ou seja, o vínculo envenenado que os seres humanos mantêm entre si, principalmente no âmbito da sexualidade”.

O Cristianismo não condena o instinto sexual

O Pontífice então enfatizou que “no Cristianismo não há condenação do instinto sexual”. E recordou aos fiéis que “um livro da Bíblia, o Cântico dos Cânticos, é um maravilhoso poema de amor entre dois noivos, contudo, esta bela dimensão da nossa humanidade não está isenta de perigos”.

Como exemplo, Francisco apresentou a exortação de São Paulo presente na primeira Carta aos Coríntios: “Ouve-se dizer constantemente que se comete, no vosso meio, a luxúria, e uma luxúria tão grave que não se costuma encontrar nem mesmo entre os pagãos” (5,1), e completou: “a repreensão do Apóstolo diz respeito precisamente a uma gestão pouco saudável da sexualidade por parte de alguns cristãos”.

Apaixonar-se, uma realidade surpreendente

Ao voltar seu olhar para a experiência humana do apaixonar-se, o Papa afirmou que esta é uma das realidades mais surpreendentes da existência: “a maioria das canções que ouvimos no rádio é sobre isso: amores que se iluminam, amores sempre buscados e nunca alcançados, amores cheios de alegria ou que atormentam até as lágrimas”.

“Se não estiver poluído pelo vício, o apaixonar-se é um dos sentimentos mais puros. Uma pessoa apaixonada torna-se generosa, gosta de dar presentes, escreve cartas e poemas. Deixa de pensar em si mesmo para se projetar completamente nos outros. E se perguntais a um apaixonado por qual motivo ama, não encontrará uma resposta: em muitos aspetos o seu amor é incondicional, sem qualquer motivo”.

Segundo Francisco, esse amor, tão poderoso, é também um pouco ingênuo: “o apaixonado não conhece bem o rosto do outro, tende a idealizá-lo, está pronto a fazer promessas cujo peso não compreende imediatamente”. Este “jardim” onde se multiplicam as maravilhas não está, porém, a salvo do mal, sublinhou o Papa, mas tantas vezes é desfigurado pelo demónio da luxúria.

O luxurioso desconhece o caminho do amor

O Pontífice notou que este vício é particularmente odioso por dois motivos:

“Em primeiro lugar porque devasta as relações entre as pessoas. Infelizmente, as notícias do dia a dia são suficientes para documentar tal realidade. Quantos relacionamentos que começaram da melhor maneira transformaram-se em relacionamentos tóxicos, de posse do outro, desprovidos de respeito e de senso de limites? São amores em que faltou a castidade: virtude que não deve ser confundida com a abstinência sexual, mas sim com a vontade de nunca possuir o outro.”

“Amar é respeitar o outro, procurarar a sua felicidade, cultivar a empatia pelos seus sentimentos, colocar-se no conhecimento de um corpo, de uma psicologia e de uma alma que não são os nossos, e que devem ser contemplados pela beleza de que são portadores. Amar é belo!”

A luxúria, por outro lado, sublinhou o Papa, “zomba de tudo isto: ataca, rouba, consome às pressas, não quer ouvir o outro, mas apenas a sua própria necessidade e prazer; a luxúria considera enfadonho todo o namoro, não procura aquela síntese entre razão, impulso e sentimento que nos ajudaria a conduzir a nossa existência com sabedoria. O luxurioso só procura atalhos: não entende que o caminho do amor deve ser percorrido devagar, e essa paciência, longe de ser sinónimo de tédio, permite-nos tornar felizes as nossas relações amorosas”.

Amar é o oposto de possuir

Ao recordar que “entre todos os prazeres do homem, a sexualidade tem uma voz poderosa”, o Papa evidenciou a segunda razão pela qual a luxúria é um vício perigoso:

“A sexualidade envolve todos os sentidos; reside tanto no corpo quanto na psique; se não for disciplinada com paciência, se não se inscrever numa relação e numa história onde dois indivíduos a transformam numa dança amorosa, ela transforma-se numa corrente que priva o homem de liberdade. O prazer sexual é prejudicado pela pornografia: satisfação sem relacionamento que pode gerar formas de dependência. Devemos defender o amor, a pureza de doação um ao outro, esst é a beleza de uma relação sexual.”

“Vencer a batalha contra a luxúria, contra a “coisificação” do outro, pode ser uma tarefa para toda a vida.”

Por fim, destacou o Papa, o prémio desta batalha é o mais importante de todos, porque consiste em preservar aquela beleza que Deus escreveu na sua criação quando imaginou o amor entre o homem e a mulher:

 “Construir juntos uma história é melhor do que correr atrás de aventuras, cultivar ternura é melhor do que curvarmo-nos ao demónio da posse, o verdadeiro amor não possui, doa-se, servir é melhor do que conquistar. Porque se não há amor, a vida é uma triste solidão”.

 

  Fiéis durante a Audiência Geral com o Papa Francisco  

VN

16 janeiro 2024

POR VEZES O SILÊNCIO FALA!

 


 
 
Numa recente deslocação a Lisboa para falar sobre o Percurso Alpha numa Assembleia Diocesana do Renovamento Carismático Católico, tive a oportunidade de ouvir o ensinamento feito por um sacerdote, no qual ele citou uma frase que tinha ouvido ou lido em francês, e que era mais ou menos assim: “Não fales tanto de Deus se não te pedirem, mas vive de tal modo que to peçam.”

Fiquei com a frase no meu coração e no meu pensamento e já me servi dela duas ou três vezes em que fui chamado a falar sobre a minha vivência da fé.

Com efeito algumas vezes com a ânsia de falar de Deus, (com um certo proselitismo, talvez), acabamos por incomodar, por invadir o espaço dos outros, e as nossas palavras acabam por ter o efeito contrário ao que pretendíamos.

São Paulo avisa-nos para isso mesmo, julgo eu, quando nos diz: «Procedei com sabedoria para com os que estão fora, aproveitando as ocasiões. Que a vossa palavra seja sempre amável, temperada de sal, para que saibais responder a cada um como deveis» Cl 4, 5-6

Regressando à frase que refiro acima, quero perceber que, se realmente vivermos em Cristo, para Cristo e com Cristo, isso será notório na nossa vida e, com certeza, levará outros que assim não vivem a questionar-nos, e mesmo que não seja com perguntas específicas sobre Deus, pelo menos o porquê de assim querermos viver.

Ora essas perguntas, dúvidas, ou até sarcasmos, serão a meu ver, o “aproveitar as ocasiões”, de que nos fala São Paulo, nos versículos acima referidos.

Então já não será uma espécie de “intrusão” na privacidade de outros, mas a resposta às suas perguntas, dúvidas ou qualquer outro tipo de intervenção que nos queiram dirigir.

E isso acontecerá porque afinal vivemos de tal modo a fé que nos move e faz viver, que outros nos pedem para falar do que vivemos.

Se assim vivermos e fizermos, estaremos a entregar-nos ao Espírito Santo, para que seja Ele a colocar as palavras em nós, e não seja a nossa pretensa sabedoria a falar, por vezes, infelizmente, apenas porque nos querermos mostrar.

Ou seja, afinal se vivermos verdadeiramente a fé que nos anima, estaremos sempre a falar silenciosamente com o nosso testemunho de vida, para depois, se para tal formos chamados, colocarmos em palavras a fé que nos move e faz viver.



Monte Real, 16 de Janeiro de 2024
Joaquim Mexia Alves
 

14 janeiro 2024

Papa, Angelus: o Senhor não quer “followers”, não a uma fé feita de hábitos

 

 

O Papa Francisco rezou o Angelus deste II Domingo do Tempo Comum na Praça São Pedro, comentando o Evangelho do dia que fala do encontro de Jesus com os primeiros discípulos.
 

Silvonei José – Vatican News

''O Senhor não quer fazer prosélitos, não quer 'followers' superficiais, mas pessoas que se questionem e se deixem interpelar pela sua Palavra”. Foi o que disse o Papa Francisco no Angelus deste II Domingo do Tempo Comum na Praça de São Pedro, comentando o Evangelho do dia que fala do encontro de Jesus com os primeiros discípulos.

"Esta cena – sublinhou Francisco – convida-nos a recordar o nosso primeiro encontro com Jesus – cada um teve o primeiro encontro com Jesus -, a renovar a alegria de segui-Lo e a perguntarmo-nos: o que significa ser discípulos do Senhor? Segundo o Evangelho de hoje podemos tomar três palavras: procurar Jesus, morar com Jesus, anunciar Jesus", disse o Papa.

“Para sermos discípulos de Jesus é preciso antes de tudo procurá-lo, ter um coração aberto, em busca, não saciado ou satisfeito. Nós somos seus discípulos na medida em que o frequentamos, ouvimos a sua Palavra, dialogamos com Ele na oração, O adoramos, O amamos e o servimos nos irmãos. Em suma, a fé não é uma teoria, é um encontro, é ir e ver onde o Senhor mora e morar com Ele''.

procurar, morar e, finalmente, anunciar. Este primeiro encontro com Jesus foi uma experiência tão forte que os dois discípulos recordaram-se para sempre da hora: "eram cerca de quatro horas da tarde". E os seus corações estavam tão cheios de alegria que imediatamente sentiram a necessidade de comunicar o dom que tinham recebido. De facto, um dos dois, André, apressa-se em compartilhá-lo com seu irmão Pedro. 

 Praça de São Pedro durante o Angelus 

Irmãos e irmãs, também nós hoje recordemos o nosso primeiro encontro com o Senhor. “Cada um de nós teve o primeiro encontro, seja dentro da família, seja fora dela... Quando encontrei o Senhor? Quando o Senhor tocou o meu coração? E acomodamo-nos  numa fé feita de hábitos? Moramos com Ele na oração, sabemos ficar em silêncio com Ele? E, enfim, sentimos a necessidade de compartilhar, de anunciar esta beleza do encontro com o Senhor?

E Francisco concluiu: “Que Maria Santíssima, a primeira discípula de Jesus, nos conceda o desejo de procurá-Lo, de estar com Ele e de anunciá-Lo”.

VN

10 janeiro 2024

O “PAI DA MENTIRA”

 


 
 
«Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem Tu és: o Santo de Deus». Mc 1, 24

Ao ler o Evangelho de hoje, (9 de Janeiro), foi-me despertada a atenção para este versículo.

Não sou “obcecado” pelo diabo, antes pelo contrário, julgo que lhe dou a devida importância, mas tendo sempre em mim a certeza de que ele já foi vencido por Cristo e, como tal, devo estar sempre em comunhão com Cristo, estando sempre vigilante, deixando-me guiar pelo Espírito Santo, que sempre me dá e dará a força e sensatez necessária para resistir ao mal, assim eu queira.

Mas este versículo ficou no meu coração e no meu pensamento por o sentir nestes momentos que vivemos no mundo, na sociedade, muito mais como uma pergunta feita pelo mundo, pela humanidade, que se deixa iludir por falsas promessas de bem e prosperidade pelo “pai da mentira” que a todos quer perder e, portanto, não quer ser “incomodada” com a Verdade.

As guerras sucedem-se, o aborto é um genocídio de milhões de vidas inocentes, a confusão dos ditos géneros humanos, a desigualdade entre os homens social e materialmente, a falta de valores, enfim, todo um mundo de coisas e atitudes que tornam o Homem cada vez mais frágil e preso das garras do inimigo.

E por isso esta pergunta faz todo o sentido na visão do mal, do “pai da mentira”, pois ele sabe bem que só em Cristo, por Cristo e com Cristo a humanidade pode encontrar o caminho da salvação e da felicidade.

Por isso e cada vez mais a Igreja precisa de ser unida, precisa de se deixar guiar pelo Espírito Santo e não “dar ouvidos” ao “pai da mentira”, porque só uma Igreja unida no amor de Deus pode conduzir a humanidade ao encontro de e com Deus.

O “pai da mentira” sabe bem que já foi vencido, mas por isso mesmo continua a fazer esta pergunta e nós devemos “responder-lhe” com as nossas orações, com a nossa vivência diária da fé, na Eucaristia e nos Sacramentos, com a nossa contínua vigilância, com a nossa persistência, com a nossa entrega uns aos outros no amor de Deus que nos une em Igreja.

E se assim fizermos também saberemos que a resposta de Jesus será: «Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem».» Mc 1, 25



Monte Real, 9 de Janeiro de 2023
Joaquim Mexia Alves
 

Papa: a gula é a "loucura do ventre". O caminho é a sobriedade

 
 
Na Audiência Geral desta quarta-feira (10/01), Francisco continuou o ciclo de catequeses sobre vícios e virtudes, alertando especificamente contra o pecado da gula. "A relação que temos com a alimentação é a manifestação de algo interior: diz-me como comes e eu te direi que alma tens”, destacou o Pontífice.
 

Thulio Fonseca - Vatican News

Ao dar continuidade no percurso de catequeses sobre vícios e virtudes, o Papa Francisco, nesta quarta-feira, 10 de janeiro, concentrou a sua reflexão no vício da gula.

O Santo Padre introduziu a meditação fazendo referência aos textos dos evangelhos: “observemos Jesus e o seu primeiro milagre nas bodas de Caná, Ele revela a sua simpatia pelas alegrias humanas, preocupa-se para que a festa termine bem e dá aos noivos uma grande quantidade de um vinho muito bom, diferente de João Batista", sublinhou o Papa, “lembrado pela sua ascese, enquanto ele comia o que encontrava no deserto, Jesus é o Messias que vemos muitas vezes à mesa”.

“O comportamento de Jesus causa escândalo”, completou Francisco, “porque Ele não só é benevolente para com os pecadores, mas até mesmo come com eles; e este gesto demonstrava o seu desejo de comunhão e proximidade com todos”.

“Jesus quer que sejamos alegres na sua companhia; mas quer também que participemos dos seus sofrimentos, que são também os sofrimentos dos pequenos e dos pobres. Jesus é universal.”

É preciso cultivar uma boa relação com a alimentação

Ao recordar que o Cristianismo não contempla a distinção entre alimentos puros e impuros, o Papa falou sobre a atenção que devemos ter com a alimentação, que não deve estar voltada apenas para a comida em si, mas para a nossa relação com ela:

“Quando uma pessoa tem um relacionamento desordenado com a comida, come apressadamente, como com vontade de se saciar, mas nunca se sacia: é escrava da comida.”

As doenças relacionadas à gula

Esta relação serena que Jesus estabeleceu em relação à alimentação deve ser redescoberta e valorizada, notou Francisco, especialmente nas sociedades do chamado bem-estar, onde se manifestam muitos desequilíbrios e patologias:

“Comemos demasiado, ou demasiado pouco. Muitas vezes comemos sozinhos. Os distúrbios alimentares estão a espalhar-se: anorexia, bulimia, obesidade... E a medicina e psicologia tentam resolver a má relação com a comida, que é a raiz de muitas doenças”.

O Santo Padre recordou que essas são doenças, muitas vezes dolorosas, que estão principalmente ligadas aos tormentos da psique e da alma, e sublinhou:

“Como Jesus ensinava, não são os alimentos em si que fazem mal, mas a relação que temos com eles.”

Um pecado social 

Francisco recordou que a relação que temos com a alimentação é a manifestação de algo interior e revela “a empatia de quem sabe repartir a comida com o necessitado, ou o egoísmo de quem guarda tudo para si”, e completou: “Diz-me como comes e eu dir-te-ei que alma tens”.

Ao abordar o vício da gula do ponto de vista social, o Pontífice observou que este pecado “está a matar o planeta” e compromete “o futuro de todos”.

“Nós apoderamo-nos de tudo, para nos tornarmos donos de tudo, enquanto tudo foi entregue para a nossa custódia, não para a exploração.”

Francisco recordou que os Padre da Igreja chamavam a gula de  "gastrimargia", um termo que pode ser traduzido como "loucura do ventre", e exortou a todos sobre um mal que atinge a sociedade atual: 

“Eis então o grande pecado, a fúria do ventre: renunciamos ao nome de homens, para assumir outro, o de ‘consumidores’. Nem mesmo percebemos que alguém com chamar-nos assim.”

Vigilância e sobriedade  

No fim da sua reflexão o Papa enfatizou que fomos feitos para ser homens e mulheres “eucarísticos”, capazes de agradecer, discretos no uso da terra, porém nos transformamo-nos em predadores, "atualmente estamos a dar conta de que essa forma de gula tem causado muitos danos ao mundo".

Peçamos ao Senhor que nos ajude no caminho da sobriedade para que todas as formas de gula não tomem conta de nossas vidas, concluiu Francisco.

VN

07 janeiro 2024

Francisco: o Batismo torna-nos filhos de Deus, é um novo nascimento

 

 
Na Festa do Batismo do Senhor, o Papa refletiu sobre o gesto realizado por João Batista no rio Jordão e o sacramento que nos torna cristãos, que é o dom de uma vida nova, porque torna-nos em Cristo, filhos de Deus amados para sempre. "Procurem saber o dia do vosso batismo, é um novo aniversário e deve ser celebrado", exortou o Pontífice.
 

Thulio Fonseca - Vatican News

No primeiro Angelus dominical deste ano (07/01), que coincide com a celebração da Festa do Batismo do Senhor, celebrado no Vaticano e noutros países, o Papa encontrou-se com fiéis e peregrinos, os quais, mesmo sob chuva, foram saudar o Pontífice durante a oração mariana, na Praça de São Pedro. 

Francisco, ao enfatizar a importância deste sacramento na vida dos cristãos, recordou o ato realizado no rio Jordão, onde João, chamado "Batista", realiza um rito de purificação que significa o compromisso de deixar o pecado e converter-se, e completou: “o povo vai para ser batizado com humildade,o seu ministério, e mostra que deseja estar perto dos pecadores, que veio para eles, para nós, para todos nós!”

Deus vem a nós, purifica e cura os nossos corações

O Santo Padre então afirmou que nessa narração presente no evangelho de Marcos, acontecem algumas coisas extraordinárias: “João Batista diz algo incomum, reconhecendo publicamente em Jesus, aparentemente igual a todos os outros, alguém ‘mais forte’ do que ele, que ‘batizará no Espírito Santo’. Então os céus abrem-se, o Espírito Santo desce sobre Jesus como uma pomba e, do alto, a voz do Pai proclama: ‘Tu és o meu Filho, o Amado: em ti pus a minha confiança’”.

“Tudo isto, se por um lado revela-nos que Jesus é o Filho de Deus, por outro fala-nos do nosso Batismo, que nos tornou filhos de Deus.”

“No Batismo Deus vem a nós, Ele purifica e cura os nossos corações, faz de nós os seus filhos para sempre, o seu povo e a sua família, herdeiros do Paraíso. Deus torna-se íntimo de nós e não mais nos deixa.”

É importante recordar a data do nosso batismo

"É importante lembrar o dia do batismo e também saber a sua data", enfatizou o Santo Padre, "pergunto a todos vós, que cada um reflita: será que me lembro da data do meu batismo? Se não se lembram, quando voltarem para casa, procurem saber para que nunca mais se esqueçam, porque é um novo aniversário, porque com o Batismo vocês nasceram para a vida de Graça. Agradeça ao Senhor pelo batismo!"

“Agradecemos ao Senhor pelos pais que nos levaram à pia batismal, por aqueles que administraram o Sacramento, pelo padrinho, pela madrinha e pela comunidade em que o recebemos. Celebrem o batismo. É um novo aniversário.”

Antes de encerrar a sua meditação, Francisco convidou os fiéis e peregrinos a questionarem-se:

“Estou ciente do imenso presente que trago dentro de mim por meio do Batismo? Reconheço, na minha vida, a luz da presença de Deus, que me vê como seu filho amado, como sua filha amada?”

E por fim, o Pontífice pediu a todos os presentes na Praça de São Pedro, a realizarem um ato concreto: “em memória do nosso Batismo, vamos acolher a presença de Deus em nós. Podemos fazer isso com o sinal da cruz, que traça em nós a memória da graça de Deus, que nos ama e deseja estar connosco. Vamos fazer isso juntos: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

“Maria, templo do Espírito, ajude-nos a celebrar e acolher as maravilhas que o Senhor realiza em nós”, concluiu Francisco.

VN

06 janeiro 2024

Angelus: Adorar a Deus não é desperdiçar tempo, é dar significado ao tempo

 

 
Contemplar Jesus, permanecer diante d’Ele, adorá-lo na Eucaristia, tal como fizeram os Magos ao encontrar o Menino Jesus, foram os pontos que inspiraram a reflexão do Papa Francisco durante o Angelus da Solenidade da Epifania, celebrada no Vaticano neste sábado, 6 de janeiro.

Thulio Fonseca – Vatican News

Após a celebração da Santa Missa, na Basílica vaticana, por ocasião da Solenidade da Epifania, o Papa rezou, também neste sábado (06/01) a oração mariana do Angelus, com os milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça de São Pedro.

Na sua meditação, Francisco recordou que “a Epifania do Senhor significa a Sua manifestação a todos os povos, personificados pelos Magos que encontram Jesus, “com Maria, sua mãe”, prostram-se e oferecem-lhe “ouro, incenso e mirra.

“Detenhamo-nos por um momento nesta cena, naqueles homens sábios que reconhecem a presença de Deus num simples Menino: não num príncipe ou num nobre, mas num filho de gente pobre, e prostram-se diante d’Ele, adorando-O”.

 

A humildade de Deus

O Papa sublinhou que esse encontro é uma experiência decisiva para aqueles Magos, e também é importante para nós, pois em Jesus Menino, de facto, vemos Deus feito homem. E seguidamente pediu aos fiéis que se maravilhem com a humildade do Senhor:

“Contemplar Jesus, permanecer diante d’Ele, adorá-lo na Eucaristia: não é perder tempo, mas é dar sentido ao tempo; é reencontrar o caminho da vida na simplicidade de um silêncio que nutre o coração. Fiquemos também nós diante do Menino, paremos diante do presépio.”

Aprender com as crianças

Francisco disse que é preciso encontrar tempo também para olhar para as crianças, os pequenos que nos falam de Jesus, com a sua confiança, o seu imediatismo, o seu estupor, a sua sã curiosidade, a sua capacidade de chorar e de rir com espontaneidade, de sonhar.

“Se ficarmos diante do Jesus Menino e na companhia das crianças”, destacou o Pontífice, “aprenderemos a  maravilharmo-nos e retomaremos o caminho de forma mais simples e melhores, como os Reis Magos. E saberemos ter olhares novos e criativos diante dos problemas do mundo”.

 

Ao concluir sua reflexão, o Santo Padre incentivou os fiéis a questionarem-se:

“Nestes dias, paramos para adorar, demos um pouco de espaço para Jesus no silêncio, rezando diante do presépio? Dedicamos tempo às crianças, conversando e brincando com elas? E por fim, conseguimos olhar para os problemas do mundo com o olhar das crianças?”

“Que Maria, Mãe de Deus e nossa, aumente o nosso amor pelo Jesus Menino e por todas as crianças, especialmente as atingidas por guerras e pelas injustiças” concluiu Francisco.

VN

03 janeiro 2024

O Papa: a vida espiritual do cristão exige um combate contínuo

 
 
Na catequeses da Audiência Geral desta quarta-feira, Francisco falou sobre "O combate espiritual". "Todos somos tentados e temos de lutar para não cair nessas tentações", disse o Papa, acrescentando que "Jesus acompanha-nos. Jesus nunca nos deixa sozinhos".
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

"O combate espiritual" foi o tema da segunda catequese do Papa Francisco, na Audiência Geral, desta quarta-feira (03/01), no âmbito do ciclo de catequeses sobre "Vícios e virtudes".

No encontro semanal do Pontífice com os fiéis realizado, na Sala Paulo VI, no Vaticano, Francisco disse que esse tema "recorda a luta espiritual do cristão".

A vida espiritual do cristão não é pacífica

“Com efeito, a vida espiritual do cristão não é pacífica, linear e isenta de desafios, mas, pelo contrário, exige um combate contínuo. O combate cristão para conservar a fé e para enriquecer o dom da fé em nós.”

Não é por acaso que a primeira unção que todo cristão recebe no Sacramento do Batismo – a unção catecumenal – não tem perfume e anuncia simbolicamente que a vida é uma luta.

Segundo o Papa, "nos tempos antigos, os lutadores eram completamente ungidos antes da luta, tanto para tonificar os músculos quanto para fazer com que o corpo escapasse das garras do oponente. A unção dos catecúmenos deixa imediatamente claro que o cristão não é poupado da luta, que um cristão deve lutar".

Todos temos de lutar para não cair nas tentações

A seguir, Francisco recordou "um famoso ditado atribuído a Santo Antão, primeiro grande pai do monaquismo, que diz o seguinte": "Suprime as tentações, e ninguém será salvo". "Os santos não são homens que foram poupados à tentação, mas sim pessoas bem conscientes de que as seduções do mal aparecem repetidamente na vida, para serem desmascaradas e rejeitadas", disse o Papa, acrescentando:

Todos nós temos experiência disso, todos nós. Vem um mau pensamento, um desejo de falar mal do outro. Todos somos tentados e temos de lutar para não cair nessas tentações. Se alguém de vós não tem tentações que o diga porque seria algo extraordinário. Todos nós somos tentados e todos nós temos de aprender como prosseguir na vida nessas situações.

Ninguém está "em ordem"

Segundo o Papa, existem pessoas que, no entanto, se absolvem, que se consideram "em ordem": "Sou uma pessoa boa, não tenho problema". "Mas, nenhum de nós está em ordem e se alguém estiver em ordem, está sonhando. Cada um de nós há muitas coisas para consertar e vigiar também. Todos somos pecadores e um pouco de exame de consciência, de introversão nos fará bem", disse Francisco.

O Pontífice disse que "todos devemos pedir a Deus a graça de nos reconhecermos como pobres pecadores, necessitados de conversão, mantendo no coração a confiança de que nenhum pecado é demasiado grande para a infinita misericórdia de Deus Pai. Essa é a lição inaugural que Jesus nos dá".

Jesus acompanha todos nós pecadores

De acordo com o Papa, Jesus é um Messias muito diferente de como João Batista "o apresentou e como as pessoas o imaginavam: Ele não encarna o Deus irado e não convoca para julgamento, mas, pelo contrário, faz fila com os pecadores. Jesus acompanha todos nós pecadores. Ele não é pecador, mas está entre nós. Jesus nunca nos deixa sozinhos. Jesus entende o nosso pecado, nos perdoa e nos acompanha. Nos momentos mais difíceis, no momento em que escorregamos no pecado, Jesus está junto de nós para nos levantar e isso nos consola".

Não devemos perder essa ideia, essa realidade. Jesus está junto de nós para nos ajudar e proteger e para nos ajudar a levantarmo-nos depois do pecado. Jesus perdoa tudo. Ele veio para perdoar, para salvar. Jesus quer apenas o nosso coração aberto. Ele nunca se esquece de perdoar. Somos nós que muitas vezes perdemos a capacidade de pedir perdão. Retomemos a capacidade de pedir perdão. Cada um de nós tem muitas coisas para pedir perdão. Cada um pense e fale com Jesus sobre isso: Senhor, preciso que ti não te afastes de mim, preciso que me perdoes. Senhor, sou um pecador, uma pecadora, mas, por favor, não te afastes. Esta seria hoje uma bonita oração a Jesus: Senhor, não te afass de mim.

VN