25 abril 2021

Papa: o amor de Cristo não é seletivo, abraça a todos

 
 O Papa Francisco na janela do apartamento pontifício para o Regina Coeli 
 
 
Após ordenar nove sacerdotes para a Diocese de Roma na Basílica de São Pedro, o Papa Francisco assomou à janela do apartamento pontifício para rezar o Regina Coeli com os fiéis reunidos na Praça de S. Pedro, afirmando que "somos chamados a cooperar com alegria com a missão do Bom Pastor".
 

Jackson Erpen – Vatican News

Jesus, o Bom Pastor “que defende, conhece e ama as suas ovelhas”, “quer que todos possam receber o amor do Pai e encontrar Deus”, pois o seu amor “não é seletivo, abraça a todos”. E a Igreja, “é chamada a levar em frente esta missão de Cristo”.

Bom Pastor "defende" as suas ovelhas

No Regina Coeli deste Domingo do Bom Pastor, o Papa inspirou a sua reflexão no Evangelho de João 10, 11-18, proposto pela liturgia do dia. Dirigindo-se aos fiéis reunidos na Praça de S. Pedro, num belo domingo primaveril, Francisco começou por explicar que a narrativa do Evangelho de João contrapõe o verdadeiro pastor - que é Jesus, que “defende, conhece e ama as ovelhas” - com o mercenário, que não se preocupa com elas, pois não lhes pertencem, e que as abandona ao ver a chegada do lobo. “Jesus defende-nos sempre e salva-nos em tantas situações difíceis, situações perigosas, mediante a luz da sua palavra e a força da sua presença, que experimentamos sempre, e se quisermos escutar todos os dias.”

Bom Pastor "conhece" as suas ovelhas

O Papa destaca então um segundo aspeto do Bom Pastor, isto é, além de defender, também “conhece as suas ovelhas e as ovelhas o conhecem”:

Como é lindo e consolador saber que Jesus nos conhece um a um, que para Ele não somos anónimos, que o nosso nome lhe é conhecido! Para ele não somos "massa", "multidão", não. Somos pessoas únicas, cada um com a própria história, conhece-nos com a própria história, cada um com o próprio valor, quer enquanto criatura como redimido por Cristo. Cada um de nós pode dizer: Jesus conhece-me! É verdade, é assim: Ele conhece-nos como ninguém. Somente Ele sabe o que está no nosso coração, as intenções, os sentimentos mais escondidos. Jesus conhece as nossas virtudes e os nossos defeitos e está sempre pronto a cuidar de nós, a curar as feridas dos nossos erros com a abundância da sua misericórdia.

Amor de Cristo não é seletivo

Assim, em Jesus realiza-se a imagem do pastor do povo de Deus delineada pelos profetas, pois Ele “preocupa-se com as suas ovelhas, reúne-as, enfaixa aquela ferida, cura os enfermos”, como lemos no livro do Profeta Ezequiel. Este Bom Pastor, portanto, “defende, conhece e, sobretudo, ama as suas ovelhas. Por isso dá a vida por elas”:

O amor pelas suas ovelhas, isto é, por cada um de nós, leva-o a morrer na Cruz, porque esta é a vontade do Pai, que ninguém se perca. O amor de Cristo não é seletivo, abraça a todos. Ele mesmo recorda-nos isto no Evangelho de hoje, quando diz: “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Preciso também de as conduzir. Elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor”.

Igreja chamada a levar em frente a missão de Cristo

Estas palavras de Jesus, explicou o Santo Padre, atestam o seu desejo universal: “Ele é o pastor de todos. Jesus quer que todos possam receber o amor do Pai e encontrar Deus”:

E a Igreja é chamada a levar em frente esta missão de Cristo. Além daqueles que frequentam as nossas comunidades, há a maioria, tanta gente, que o fazem apenas em casos particulares ou nunca. Mas por isso não deixam de ser filhos de Deus. O Pai confia todos a Jesus Bom Pastor e por todos deu a vida.

“Irmãos e irmãs – disse o Papa ao concluir – Jesus defende, conhece e ama, nós, todos. Que Maria Santíssima nos ajude a acolher e sermos os primeiros a seguir o Bom Pastor, para cooperar com alegria na sua missão.”

Operários para trabalhar na messe

Depois de rezar o Regina Coeli, o Papa Francisco fez vários apelos, agradecendo pelos novos sacerdotes por ele ordenados na manhã deste domingo:

Hoje celebra-se em toda a Igreja o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que tem como tema “São José: o Sonho da Vocação”. Agradeçamos ao Senhor porque continua a suscitar na Igreja pessoas que por amor a Ele se consagram ao anúncio do Evangelho e ao serviço dos irmãos. E hoje, em particular, agradeçamos pelos novos sacerdotes que ordenei há pouco na Basílica de S. Pedro ... Não sei se eles estão aqui ... E peçamos ao Senhor que envie bons operários para trabalhar na sua messe e multiplicar as vocações à vida consagrada.

VN

22 abril 2021

Dia da Terra: "Estamos no limite. É hora de agir", afirma o Papa

 
NOTA: Se utilizar o seu TELEMÓVEL e não conseguir aceder ao VIDEO contido nesta página, siga as instruções indicadas AQUI
 
 
Para o Pontífice, a adversidade que estamos a viver com a pandemia, e que já a sentimos com as mudanças climáticas, deve-nos impulsionar a inovar, a inventar, a procurar novos caminhos. A videomensagem do Papa foi transmitida no Encontro organizado por ocasião do Dia Internacional da Terra.

 

Vatican News

Não temos mais tempo para perder, como demonstram duas catástrofes globais: o clima e a Covid. Na videomensagem em espanhol, para o Dia Internacional da Terra, o Papa Francisco renova o seu convite a agir para preservar o meio ambiente.

A mensagem tem início com um apelo a não deixar cair no esquecimento as já conhecidas recomendações para tutelar o planeta. “Há tempos que estamos a consciencializarmo-nos cada vez mais de que a natureza merece ser protegida, também pelo simples facto de que as interações humanas com a biodiversidade de Deus devem ocorrer com a máxima atenção e com respeito. Aspetos estes que se tornaram ainda mais evidentes com a pandemia."

O alerta da Covid-19

Francisco menciona o que aconteceu quando, por causa das excecionais restrições impostas por governos nacionais para controlar a crise, o mundo mudou de ritmo. Para o Santo Padre, tratou-se de um modo “tristemente positivo” de perceber o impacto da desaceleração na natureza e nas mudanças climáticas, mesmo que por poucos meses. Por outras palavras, a mudança exige o comprometimento de todos, de formas múltiplas, mas inequivívocas.  

“É o momento de agir, estamos no limite.”

O Papa cita um antigo ditado espanhol: "Deus perdoa sempre, os homens perdoam de vez em quando, a natureza jamais perdoa". E quando tem início esta destruição da natureza, é muito difícil parar.

“Mas ainda estamos a tempo”, afirma confiante, Francisco. E seremos mais resilientes se trabalharmos juntos ao contrário de fazê-lo sozinhos.

Para o Pontífice, a adversidade que vivemos com a pandemia, e que já a sentimos na mudança climática, deve-nos impulsionar a inovar, a inventar, a procurar novos caminhos. De uma crise não se sai igual, repetiu. Saímos melhores ou piores. “Este é o desafio. E se não sairmos melhores, percorreremos um caminho de autodestruição”, adverte.

Mas ainda há tempo

A humanidade, portanto, pode mudar o decurso dos eventos para proteger a Criação. Francisco renova p seu apelo a todos os líderes do mundo para que atuem com coragem, com justiça e digam sempre a verdade às pessoas, para que saibam como se proteger da destruição do planeta e como proteger o planeta da destruição.

VN

«EU SOU O PÃO VIVO QUE DESCEU DO CÉU.» (Jo 6, 51)


 

Prostro-me perante o Pão da Vida.

Que imagem esta, Senhor, tão humilde, tão básica ao alimento do homem: o pão!

Não quiseste dar-Te de outro modo que não fosse por este alimento que vai à mesa dos pobres e dos ricos e porque anseiam todos aqueles que têm fome.

O pão!

Um pouco de farinha, água, fermento, sal, tudo amassado pelas mãos do homem e eis o pão que sacia a fome.

Depois podem-se juntar tantas coisas ao pão, mas nenhuma delas muda a essência do pão, apenas são formas de comer o pão, que é afinal o essencial.

E Tu, Senhor, serviste-te do pão para Te dares a nós inteiramente!

Pelo Mistério Divino transubstancias aquela massa de farinha, água, fermento e sal, amassada pelas mãos do homem, no Teu próprio Corpo e assim Te entregas como alimento que sacia a fome, (não a fome física), mas a fome de vida, a fome de amor, a fome de eternidade.

E podemos nós acrescentar alguma coisa a esse Pão que és Tu, Senhor?

Não, nada!!!

Mas podemos juntar-Lhe a oração, a acção de graças, o amor, a adoração, a entrega a Ti e por Ti aos outros e assim o Pão que Tu és, torna-se vida em nós e vida que permanece em abundância.

Pobre de mim a querer explicar o inexplicável, a querer dizer algo sobre o indizível, a querer amar o próprio amor!

Calo-me, deixo de escrever, baixo a cabeça, fecho os olhos e digo-Te de mansinho, cheio de amor e temor:

Dá-me sempre desse Pão, que és Tu, Senhor!

 

Marinha Grande, 22 de Abril de 2021

Joaquim Mexia Alves 

 

21 abril 2021

O Papa: “Os pobres não podem pagar o preço mais alto da pandemia"

 

 XXVII Cúpula da Secretaria Geral Ibero-Americana em Andorra 

 
“É preciso uma forte vontade política que tenha a coragem de decidir mudar as coisas para que não sejam os pobres a pagar o preço mais alto destes dramas que estão a atingir a nossa família humana”. É o apelo do Papa na sua mensagem aos Chefes de Estado reunidos para a XXVII Cúpula Ibero-Americana
 

Jane Nogara - Vatican News

O Papa Francisco enviou uma mensagem à Secretária-geral Rebeca Grynspan Mayufis, da Secretaria Geral Ibero-Americana por ocasião da XXVII Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo. Francisco lançou um apelo aos governantes das nações num “contexto particularmente difícil devido aos terríveis efeitos da pandemia da Covid-19 em todos os âmbitos da vida diária”, para que a “a comunidade internacional se comprometa, unida, num espírito de responsabilidade e fraternidade, a enfrentar os muitos desafios já existentes, e os que virão”.

O Papa reconhece o sofrimento de todos os que perderam os seus entes, recordando que a pandemia “não fez distinções e atingiu pessoas de todas as culturas, credos, estratos sociais e económicos”. E louvou “o trabalho árduo dos médicos, enfermeiros, profissionais da saúde, capelães e voluntários que, nestes momentos difíceis, além de tratarem dos doentes, com o risco das suas vidas, têm sido a família e o amigo que lhes faltava”.

Vacina

Um dos pontos fundamentais da mensagem foi o apelo pela distribuição extensiva da vacina anti-Covid e escreveu:

“Quero reiterar que a imunização extensiva a todos deve ser considerada um ‘bem comum universal’, uma noção que requer ações concretas que inspirem todo o processo de pesquisa, produção e distribuição das vacinas”

Sugerindo: “Nesta área, são particularmente bem-vindas iniciativas que procuram criar novas formas de solidariedade a nível internacional [...] não baseada em critérios puramente económicos, mas tomandodo em conta as necessidades de todos, especialmente dos mais vulneráveis e necessitados”.    

Objetivo principal: a proteção da vida humana

Recordando que “devemos unir as nossas forças para criar um novo horizonte de expetativas onde o lucro económico não seja o objetivo principal, mas a proteção da vida humana. Neste sentido, é urgente considerar um modelo de recuperação capaz de gerar soluções novas, mais inclusivas e sustentáveis, visando o bem comum universal, cumprindo a promessa de Deus para todas as pessoas”.

Dívida Externa e Direitos Especiais de Saque

Francisco recordou também a questão da dívida externa dos países pobres afirmando que faz “parte integrante da nossa resposta comum à pandemia” sugerindo a renegociação para que os países pobres possam sobreviver. Para isto é urgente “tomar medidas”, afirmou o Papa para “permitir o acesso ao financiamento externo, através de uma nova emissão de Direitos Especiais de Saque [...] para que os fundos possam ser utilizados e todos possam sair da situação atual com melhores possibilidades de recuperação”.

Por fim o Papa afirmou:

“Nada disso será possível sem uma forte vontade política que tenha a coragem de decidir mudar as coisas [...] para que não sejam os pobres a pagar o preço mais alto destes dramas que estão a atingir a nossa família humana”

VN

19 abril 2021

Festa da Família em modo paroquial, no dia 30 de maio

 


 

“Devido à pandemia, a Festa da Família de 2021 será celebrada na Missa de Domingo, 30 de maio, na sua paróquia”, anunciou à diocese, este sábado, a Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa. Nesse dia, em cada celebração paroquial, as famílias vão receber a bênção do pároco e aos casais jubilares (que fazem 10, 25, 50, 60 ou mais anos de casados) será entregue “um diploma personalizado com a Bênção do Senhor Patriarca” que terá de ser pedido previamente através da inscrição no site www.familia.patriarcado-lisboa.pt, informou o casal diretor da Pastoral da Família, Regiani e Tiago Líbano Monteiro, numa informação enviada, na semana passada, às paróquias. 
Na mesma data, mas na parte da tarde, está previsto um “evento online” dedicado ao “diálogo entre gerações”, que vai contar com a participação do Cardeal-Patriarca que deixará uma mensagem a todas as famílias. 
A organização informou ainda que, na semana que antecede a Festa da Família, entre 24 e 28 de maio, sempre às 21h30 e no canal Youtube da Pastoral da Família, serão transmitidos eventos de preparação da iniciativa que vão ter como tema a educação, percorrendo o capítulo 7 da Exortação Apostólica Amoris Laetitia. 


Mais informações: www.familia.patriarcado-lisboa.pt

Patriarcado de Lisboa

18 abril 2021

O Papa no Regina Coeli: não existe um cristianismo à distância

 

O Papa Francisco no Regina Coeli  (Vatican Media)
 

Francisco recordou que o Evangelho deste domingo é caracterizado por três verbos muito concretos, que em certo sentido refletem a nossa vida pessoal e comunitária: olhar, tocar e comer. O Santo Padre voltou à janela do Palácio Apostólico com vista para a Praça de S. Pedro, de onde rezou com os fiéis a oração do Regina Coeli.

 

Silvonei José - Vatican News

Jesus não é um "fantasma", mas uma Pessoa viva. Ser cristão não é antes de tudo uma doutrina ou um ideal moral, é uma relação viva com Ele, com o Senhor Ressuscitado: foi o que disse o Papa Francisco na alocução que precedeu o Regina Coeli, a oração do tempo pascal. Neste 18 de abril, Francisco voltou à janela do Palácio Apostólico com vista para a Praça de S. Pedro de onde rezou com fiéis a oração mariana.

No terceiro domingo da Páscoa, o Santo Padre recordou que voltamos a Jerusalém, ao Cenáculo, como se guiados pelos dois discípulos de Emaús, que tinham escutado com grande emoção as palavras de Jesus no caminho e depois reconheceram-no "no partir do pão". Agora, no Cenáculo, o Cristo ressuscitado aparece no meio do grupo dos discípulos e saúda-os, dizendo: "A paz esteja convosco"!  Mas eles estão assustados – disse o Papa - e acreditam "que veem um fantasma". Então Jesus mostra-lhes as feridas no seu corpo e diz: "Olhem para minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Toquem em mim! E para convencê-los, pede comida a come-a sob os seus olhares atónitos.

Há um detalhe aqui nesta descrição, disse o Papa. O Evangelho diz que os apóstolos, pela grande alegria, ainda não acreditavam.

"Tal era a alegria que eles tinham que não podiam acreditar que era verdade. E um segundo detalhe: eles ficaram atónitos, espantados, espantados porque o encontro com Deus  leva-os sempre ao estupor. Vai além do entusiasmo, além da alegria, é outra experiência. E eles estavam alegres, mas uma alegria que os fazia pensar: mas não, isto não pode ser verdade, não, não pode...(?) assim... É o estupor da presença de Deus. Não se esqueçam deste estado de espírito, que é tão bonito".

Esta página do Evangelho – continuou Francisco - é caracterizada por três verbos muito concretos, que em certo sentido refletem a nossa vida pessoal e comunitária: olhar, tocar e comer. Três ações que podem dar a alegria de um verdadeiro encontro com Jesus vivo:

"Olhem para minhas mãos e meus pés" - diz Jesus. Olhar não é apenas ver, é mais, envolve também intenção, vontade. É por isso que é um dos verbos do amor. Mães e pais olham para os seus filhos; os apaixonados olham um para o outro; um bom médico olha atentamente para o seu paciente... Olhar é um primeiro passo contra a indiferença, contra a tentação de virar o nosso rosto diante das dificuldades e sofrimentos dos outros. Olhar. Eu vejo ou olho Jesus?".

Seguidamente o Santo Padre falou do segundo verbo, tocar:

“Ao convidar os discípulos a tocá-lo, para constatar que ele não é um fantasma, toque-me, Jesus indica-lhes e também a nós que a relação com Ele e com os nossos irmãos não pode permanecer "à distância", não existe um cristianismo à distância, não existe somente um cristianismo ao nível do olhar. O amor pede para olhar e também a proximidade, pede contacto, a partilha da vida. O bom samaritano não se limitou a olhar para o homem que encontrou meio morto na estrada: inclinou-se, curou as suas feridas, carregou-o no seu cavalo e levou-o para a pousada. E assim com o próprio Jesus: amá-lo significa entrar numa comunhão de vida, uma comunhão com Ele”.

Falando depois do terceiro verbo, comer, disse que o mesmo expressa bem a nossa humanidade na sua mais natural indigência, ou seja, nossa necessidade de nos alimentarmos para poder viver:

“Mas comer, quando o fazemos juntos, em família ou entre amigos, torna-se também uma expressão de amor, de comunhão, de festa... Quantas vezes os Evangelhos mostram-nos Jesus que vive esta dimensão de convivência! Também ressuscitado, com os seus discípulos. Ao ponto de o Banquete eucarístico tornar-se o sinal emblemático da comunidade cristã. Alimentarmo-nos juntos com o corpo de Cristo. Este é o centro da vida cristã”.

O Papa Francisco recordou que esta página do Evangelho diz-nos que Jesus não é um "fantasma", mas uma Pessoa viva, que Jesus quando se aproxima de nós enche-nos de alegria até ao ponto de não acreditarmos e deixa-nos atónitos com aquele estupor que somente a presença de Deus nos dá, porque Jesus é uma pessoa viva.

Ser cristão - continuou o Santo Padre - não é antes de tudo uma doutrina ou um ideal moral, é uma relação viva com Ele, com o Senhor Ressuscitado: “olhamos para Ele, tocamos n’Ele, alimentamo-nos d’Ele e, transformados pelo Seu Amor, olhamos, tocamos e alimentamos os outros como irmãos e irmãs. Que a Virgem Maria – concluiu - nos ajude a viver esta experiência de graça”.

O Papa na janela do Palácio Apostólico

Nas últimas semanas, a janela do Palácio Apostólico permaneceu fechada em 21 de março e 5 de abril, enquanto a recitação do Angelus em 28 de março, Domingo Ramos na Basílica de S. Pedro, e o Regina Coeli do domingo passado - com o Papa na Igreja do Santo Espírito, in Sássia, para a Festa da Divina Misericórdia - foram conduzidos pelo Santo Padre ao término das duas celebrações.

O primeiro lockdown do ano passado tinha mantido os fiéis distantes da Praça de S. Pedro de 8 de março a 24 de maio, com o Papa conduzindo as orações dominicais transmitidas ao vivo diretamente da Biblioteca do Palácio Apostólico. Depois disso, o Pontífice tinha retornado por alguns meses, até 20 de dezembro, a recitar a oração dominical da janela do seu escritório que dá para a Praça de S. Pedro. Depois, foi suspensa novamente a recitação com os fiéis na Praça até 7 de fevereiro, sendo novamente retomada até 14 de março e, por fim, como mencionado, o último fecho em 21 de março passado.

 

NOTA: Se utilizar o seu TELEMÓVEL e não conseguir aceder ao VIDEO contido nesta página, siga as instruções indicadas AQUI

VN

17 abril 2021

«SOU EU. NÃO TEMAIS.»

 

 

Podem levantar-se ondas

e o vento soprar forte,

a tempestade ser forte,

mas nunca será demais,

porque ouço sempre a Tua voz:

«Sou Eu. Não temais».

 

Podem vir as tentações,

as dores, dificuldades,

todas as tribulações,

mas nunca será demais,

porque ouço sempre a Tua voz:

«Sou Eu. Não temais».

 

Podem-me trair,

enganar ,

desiludir,

mas nunca será demais,

porque ouço sempre a Tua voz:

«Sou Eu. Não temais».

 

Pode vir a tristeza,

a doença,

a incerteza,

mas nunca será demais,

porque ouço sempre a Tua voz:

«Sou Eu. Não temais».

 

Posso ter a maior dor,

o momento mais escuro,

podem não se ouvir os meus ais,

mas nunca me faltará o amor,

porque ouço sempre a Tua voz:

«Sou Eu. Não temais».

 

 

Marinha Grande, 17 de Abril de 2021

Joaquim Mexia Alves

 

16 abril 2021

Semana de Oração pelas Vocações: Por uma “verdadeira cultura vocacional”

 


 

“A realização desta semana deve servir também para despertar a consciência de todos para a problemática da vocação, dado que, por vezes fica a impressão de que é um tema esquecido ou secundarizado”, escreve D. António Augusto Azevedo, presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios (CEVM), na sua mensagem para esta celebração que tem como tema "Sonhar os sonhos de Deus". O bispo de Vila Real defende uma “verdadeira cultura vocacional” que ajude os cristãos, a começar pelos mais jovens, a “olhar a vida numa outra perspetiva, a da vocação”. “A esta luz, as várias escolhas que se fazem na vida não se reduzem a meras escolhas pragmáticas, nem podem esquecer que tudo constitui uma vocação”, precisa.

A semana conclui-se na celebração do IV domingo da Páscoa, Domingo do Bom Pastor, sublinhando, segundo D. António Augusto Azevedo, “o valor e a especificidade da vocação consagrada e a sua importância para a missão da Igreja”. “Olhamos com preocupação e com esperança a realidade atual em que é patente, por um lado, a carência de vocações consagradas mas em que, por outro, vão surgindo pequenos sinais de novidade”, aponta. O presidente da CEVM convida a intensificar a oração pelas vocações consagradas, apresentando-as “com a sua especificidade e a sua riqueza próprias”.

Video:

https://www.facebook.com/watch/?ref=external&v=812785653002519

A CEVM preparou um conjunto de propostas de oração e divulgação, disponíveis online, propondo que em cada dia da semana se reze por uma vocação específica: matrimónio, leigos consagrados, missionários, sacerdotes e vida religiosa (ativa e contemplativa). A iniciativa vai contar com testemunhos, nas redes sociais, sobre as várias formas de viver a própria vocação, na Igreja Católica.

A 19 de março, o Papa publicou a sua mensagem para o próximo Dia Mundial de Oração pelas Vocações, apresentando a figura de São José como modelo de paternidade e fidelidade a Deus. “Deus vê o coração e, em São José, reconheceu um coração de pai, capaz de dar e gerar vida no dia a dia. É isto mesmo que as vocações tendem a fazer: gerar e regenerar vidas todos os dias”, assinala Francisco.

O 58.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações celebra-se a 25 de abril, quarto domingo de Páscoa, com o tema ‘São José: o sonho da vocação’, no ano especial que o Papa lhe decidiu dedicar, por ocasião do 150.º aniversário da sua declaração como padroeiro da Igreja universal.

Ecclesia

15 abril 2021

Presidente da CEP projeta JMJ aberta a «todos os jovens»

 

 

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) disse hoje em Fátima que a próxima Jornada Mundial da Juventude, que Lisboa recebe no verão de 2023, quer ser aberta a “todos os jovens”. “As jornadas são uma organização da Igreja Católica, por iniciativa do Papa, para os jovens. Quereríamos muito que não fossem só jovens católicos e que fossem outros, porque assim é que a Igreja cumpre a sua missão”, referiu D. José Ornelas aos jornalistas, no final da 200ª Assembleia Plenária do episcopado, que decorreu desde segunda-feira.

 

NOTA: Se utilizar o seu TELEMÓVEL e não conseguir aceder ao VIDEO contido nesta página, siga as instruções indicadas AQUI

 

Durante os trabalhos, indica o comunicado final, os bispos foram informados sobre o andamento de preparação da JMJ 2023, com a presença do secretário-executivo da iniciativa, Duarte Ricciardi. O presidente da CEP admitiu que o evento está “em constante avaliação”, recordando que já foi tomada a decisão de adiar a jornada do verão de 2022 para 2023. “Foi uma medida realista”, acrescentou. Para o bispo de Setúbal, fundamental é a “concentração dos jovens”, procurando adaptar o programa “às necessidades e condições” que existirem. O responsável católico destacou o convite à participação de todos, numa atitude de “diálogo, abertura, acolhimento”. “É uma tradição das jornadas, de estarem abertas”, precisou. D. José Ornelas falou de uma “jornada da juventude, para a juventude e de anúncio à juventude”, com atenção às “periferias”.

O presidente da CEP falou, a respeito do impacto da pandemia, da necessidade de garantir que todos são vacinados. “Precisamos todos de pensar, sentir e agir a nível geral, mundial”, apelou, sublinhando que “se ficar um país para trás, isso vai custar caro, no futuro”.

 

Ecclesia

Comovente ordenação de Pe. Livinus, gravemente doente: o Papa disse sim imediatamente

 

 A ordenação sacerdotal do jovem religioso nigeriano

Na Quinta-feira Santa, o religioso da Congregação Mater Dei, Livinus Esomchi Nnamani, foi ordenado sacerdote no hospital onde está internado devido a uma doença grave. A liturgia foi celebrada pelo bispo auxiliar de Roma, dom Daniele Libanori, que na entrevista concedida à Rádio Vaticano – Vatican News relata a profundidade desta experiência de fé

 

Andrea De Angelis – Vatican News

Há histórias que não precisam de adjetivos, cuja força está na sua essência. Histórias onde fé e esperança se encontram, se entrelaçam num desejo que se torna serviço. Encontro. A história de Livinus Esomchi Nnamani, ordenado presbítero na Quinta-feira Santa, é a história de um homem que respondeu a uma vocação, descobriu que estava gravemente doente e pediu que a sua caminhada de fé fosse coroada, embora com antecedência. Um pedido ao qual recebeu um "sim" excecional, inclusive pela rapidez da resposta.

Tudo em 24 horas

O padre Livinus chegou a Itália em 2019 proveniente da Nigéria. Lutou com todas as suas forças para vencer a grave doença e, ao mesmo tempo, continuou os seus estudos. As últimas complicações de saúde levaram-no a pedir ao Papa para realizar o desejo da sua vocação: tornar-se sacerdote. Ele fê-lo com uma carta que escreveu à mão, contendo o seu pedido, dirigida a Francisco, na quarta-feira, 31 de março, durante a Semana Santa. E fê-lo encontrando-se no centro de tratamento romano onde está hospitalizado devido a uma leucemia, no Centro Médico de Saúde Grupo Casilino. Talvez ele não pudesse imaginar que apenas 24 horas depois o seu desejo se tornaria realidade.

O amor de um Pai

O desejo, o pedido, a resposta do Santo Padre. O amor de um Pai pelo filho que se torna seu ministro. Uma história que o bispo auxiliar de Roma, dom Daniele Libanori, conta à Rádio Vaticano - Vatican News.

"Fiquei a saber deste jovem religioso, doente e hospitalizado aqui em Roma. O seu desejo de se tornar sacerdote, que precisava de permissão especial. Então disse ao seu superior que deveria ser ele mesmo a fazer o pedido", explicou o prelado, que depois providenciou ele mesmo, levá-lo à solicitação ao Papa.

"Uma hora mais tarde ou pouco mais, ainda não tinham passado duas horas - prossegue -, o Santo Padre deu a sua permissão para que ele fosse ordenado. Tudo isto aconteceu no dia 31 de março, na manhã de Quarta-feira Santa. Tudo em menos de duas horas."

Liturgia no hospital

No dia seguinte era Quinta-feira Santa, o bispo Libanori estava na Basílica de São Pedro para a missa da manhã celebrada pelo Papa Francisco. "Enquanto eu me vestia, uma pessoa veio chamar-me, informando que o Papa queria ver-me. Fui até ele, na sua sacristia e lá me deu o documento no qual dava o seu consentimento para a ordenação de Livinus". Aquela Quinta-feira Santa estava a tornar-se um dia inesquecível para o jovem religioso nigeriano. "Na mesma tarde, no Centro de Saúde, fizemos a Liturgia da ordenação. Livinus estava muito emocionado, mas também muito provado pelo seu estado. Celebramos a Missa com dignidade, tentando não cansá-lo muito. Ele ficou feliz. Acredito que tenha sido um momento muito íntimo". Durante a liturgia, o bispo ungiu as mãos do neo-sacerdote com o Crisma consagrado pelo Papa algumas horas antes na Basílica de São Pedro.

A natureza do sacerdócio

"Muitos tomam o sacerdócio como uma licença para poder celebrar os Sacramentos ao serviço do povo de Deus. Isto - afirma ainda dom Libanori - é sem dúvida importante, mas o sacerdote é sobretudo um homem configurado a Cristo." Estas são as palavras que o prelado quis pronunciar ao neo-sacerdote: "Eu disse a Livinus - concluiu - que ele vive o seu sacerdócio também nesta oferenda de si mesmo, na doença que lhe é pesada, talvez até o humilha, certamente o impede de viver o seu ministério como muitos outros. Mas a única, verdadeira, grande Missa que todo o cristão celebra é aquela em que ele mesmo se oferece vivendo a sua vida diária e, quando Deus quiser, a sua morte em união com Cristo. Portanto, o sacerdócio de Livinus não é mortificado na sua condição, pelo contrário, é exaltado porque torna-se ainda mais evidente quem é o sacerdote".

A proximidade de médicos e enfermeiros

A ordenação foi preparada numa ala do Centro de Saúde Casilino, onde o neo-sacerdote está hospitalizado. Os fiéis a quem o padre Livinus deu a sua primeira bênção foram os médicos e enfermeiros que amorosamente cuidam dele. Também estavam presentes em seu redor, os religiosos de sua Comunidade de Campitelli e de San Giovanni Leonardi, em Torre Maura. A história do padre Livinus lembra a de outro jovem religioso, Salvatore Mellone, que comoveu a Itália em 2015. Vítima de um tumor, foi consagrado sacerdote na Arquidiocese de Trani-Barletta-Bisceglie, na Puglia, com dois anos de antecedência. Foi o Papa Francisco que lhe ligou: "A primeira bênção que darás como padre – disse-lhe - a concederás a mim". Uma promessa cumprida pelo neo-sacerdote, que continuou a celebrar a Eucaristia todos os dias nos dois meses seguintes, quando então foi chamado para a Casa do Pai.

VN

O Papa: uma política que ignora os pobres nunca pode promover o bem comum

 
 Peregrinação de movimentos populares, Temuco, Chile, 2018 
 
"Para a Igreja, é impossível separar a promoção da justiça social do reconhecimento dos valores e da cultura do povo, incluindo os valores espirituais que são a fonte do seu sentido de dignidade", afirma o Papa na videomensagem endereçada aos participantes da Conferência Internacional "Uma política arreigada no povo", em andamento, em Londres, na Inglaterra.
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

Foi divulgada, nesta quinta-feira (15/04), a mensagem de vídeo do Papa Francisco aos participantes da Conferência Internacional "Uma política arreigada no povo", em andamento, em Londres, na Inglaterra.

Promovida pelo Centro de Teologia e Comunidade em Londres, a iniciativa aborda os temas tratados no livro do Papa Francisco, Sonhemos Juntos, especialmente no que diz respeito aos movimentos populares e organizações que os apoiam.

Terra, teto e trabalho

Na videomensagem, Francisco sauda a Campanha Católica para o Desenvolvimento Humano que celebra 50 anos, ajudando as comunidades pobres nos Estados Unidos a fim de que possam viver com mais dignidade, promovendo a sua participação nas decisões que as afetam.

Nesta dimensão trabalham também outras organizações aqui presentes, do Reino Unido, da Alemanha e de outros países, cuja missão é acompanhar o povo na luta pela terra, teto e trabalho, os famosos três "T", e permanecer ao seu lado quando se deparam com atitudes de oposição e desprezo. A pobreza e a exclusão do mercado de trabalho que resultam desta pandemia que estamos a viver, tornam o seu trabalho e testemunho muito mais urgentes e necessários.

O Papa ressalta que "um dos objetivos do encontro é mostrar que a verdadeira resposta ao aumento do populismo não é mais individualismo, mas o contrário: uma política de fraternidade, arreigada na vida do povo. No seu livro recente, o reverendo Angus Ritchie descreve essa política que vós chamais de "populismo inclusivo". Gosto de usar "popularismo" para expressar a mesma ideia. Mas o que importa não é o nome, mas a visão, que é a mesma: trata-se de encontrar mecanismos que garantam a todas as pessoas uma vida digna de ser chamada de humana, uma vida que seja capaz de cultivar a virtude e forjar novos vínculos".

Política como serviço

Em Sonhemos Juntos, Francisco chama "esta política de "Política com letra maiúscula", política como serviço, que abre novos caminhos para o povo se organizar e expressar-se. É uma política não só para o povo, mas com o povo, arreigada nas suas comunidades e nos seus valores. Em vez disto, os populismos seguem como inspiração, consciente ou inconscientemente, outro lema: "Tudo para o povo, nada com o povo", paternalismo político. Assim, na visão populista, o povo não é o protagonista do seu destino, mas acaba por ser devedor de uma ideologia".

Quando o povo é descartado, fica privado não só do bem-estar material, mas também da dignidade de agir, de ser protagonista da sua história, do seu destino, de se expressar com os seus valores e a sua cultura, a sua criatividade,a  sua fecundidade. Portanto, para a Igreja, é impossível separar a promoção da justiça social do reconhecimento dos valores e da cultura do povo, incluindo os valores espirituais que são a fonte do seu sentido de dignidade. Nas comunidades cristãs, estes valores nascem do encontro com Jesus Cristo, que incansavelmente procura quem está desanimado ou perdido, que vai até dos limites da existência, para ser o rosto e a presença de Deus, para ser "Deus connosco".

"Muitos de vós aqui reunidos trabalham há anos a fazer isto nas periferias e a acompanhar os movimentos populares. Às vezes, pode ser incómodo. Alguns acusam.vos de serem muito políticos, outros de quereremm impor a religião. Mas vocês percebem que respeitar o povo é respeitar as suas instituições, inclusive as religiosas; e que o papel dessas instituições não é impor nada, mas caminhar com o povo, lembrando-os a face de Deus que está sempre à nossa frente", disse Francisco.

A Igreja nasceu na periferia da Cruz

Em Sonhemos Juntos, o Papa fala sobre o desejo de que todas as dioceses do mundo tenham uma colaboração forte com os movimentos populares. Sair ao encontro de Cristo ferido e ressuscitado nas comunidades mais pobres permite-nos recuperar o nosso vigor missionário, porque assim nasceu a Igreja, na periferia da Cruz".

O Papa recorda que "uma política que ignora os pobres nunca pode promover o bem comum. Uma política que ignora as periferias nunca será capaz de entender o centro e confundirá o futuro com a projeção através de um espelho. Uma maneira de desconsiderar os pobres é desprezar a sua cultura, os seus valores espirituais e o seus valores religiosos, descartando-os ou explorando-os para fins de poder. O desprezo pela cultura popular é o início do abuso de poder. O reconhecimento da importância da espiritualidade na vida do povo regenera a política. Por isso, é imprescindível que as comunidades de fé se encontrem, confraternizem e trabalhem "para e com o povo". Com meu irmão, o Grão Imame Ahmad Al-Tayyeb, "assumimos" a cultura do diálogo como caminho, a colaboração comum como conduta e o conhecimento recíproco como método e critério. Sempre ao serviço dos povos".

"Queridos amigos, devemos construir um futuro partindo de baixo, a partir de uma política com o povo, arreigada no povo. Que a vossa conferência ajude a iluminar o caminho", concluiu.

VN