16 maio 2023

ESPÍRITO SANTO

 

As técnicas da evangelização são boas, obviamente; mas, ainda as mais aperfeiçoadas não poderiam substituir a ação discreta do Espírito Santo. A preparação mais apurada do evangelizador nada faz sem ele. De igual modo, a dialética mais convincente, sem ele, permanece impotente em relação ao espírito dos homens. E, ainda, os mais bem elaborados esquemas com base sociológica e psicológica, sem ele, em breve se demonstram desprovidos de valor.» Evangelii Nuntiandi §75


São Paulo VI na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi sobre a Evangelização, exorta-nos a percebermos a imprescindibilidade do Espírito Santo nessa mesma Evangelização.

Aproximamo-nos da Solenidade de Pentecostes e se é sempre tempo para falar ou perceber a acção do Espírito Santo, é, com certeza, este um tempo favorável para dEle tomarmos verdadeira consciência.

E a primeira constatação que faço, (e obviamente posso estar completamente enganado), é que nós cristãos católicos, na generalidade, temos um enorme desconhecimento de Quem é o Espírito Santo, da Sua Obra, da Sua acção na Igreja e em cada um dos fiéis baptizados.

Sim, com certeza, todos sabemos que é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que nos benzemos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e, infelizmente, muitas vezes, pouco mais vamos além disso, passe o exagero.

Até mesmo a Igreja, embora, obviamente, reze e fale do Espírito Santo, é muito “tímida” ao falar dEle e a insistir com os fiéis a necessidade imperiosa de pedirem continuamente o Espírito Santo e a Ele se abrirem e entregarem, porque só com Ele podem chegar ao encontro pessoal com Cristo, que transforma vidas, e podem perceber e sentir o amor do Pai que corre para nós abrindo os braços.

Tome-se, por exemplo, a Profissão de Fé feita no Baptismo e repare-se que na “fórmula” utilizada, embora o Pai e o Filho tenham perguntas especificas, o Espírito Santo é referido, digamos assim, na pergunta que envolve a Igreja e outras verdades da Fé.
Com certeza que há uma explicação teológica/litúrgica para tal, (que na minha ignorância não conheço), mas a verdade é que a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade não tem uma “pergunta” especifica, para uma resposta especifica.

Vejam-se também, por exemplo, os documentos papais ou do Magistério sobre o Espírito Santo e ficaremos admirados por encontrar tão pouco que a Ele se refira especificamente.
Correndo o risco de estar enganado diria que os únicos documentos papais existentes, especificamente sobre o Espírito Santo são, a Carta Encíclica Divinum Illud Munus, de Leão XIII, e a Carta Encíclica Dominum et Vivificantem, de João Paulo II.

E, no entanto, a Igreja nasceu pela acção do Espírito Santo no seguimento dos Apóstolos terem recebido o Espírito Santo no dia de Pentecostes.
Onde foi Pedro buscar as palavras que dirigiu à multidão que o ouviu?
Onde foram todos os Apóstolos com Paulo e todos os outros buscar a coragem e a sabedoria para proclamarem o Evangelho?

Ao lermos os Actos dos Apóstolos, não podemos deixar de perceber a presença constante e imprescindível do Espírito Santo.

«O Espírito Santo e nós próprios resolvemos…» Act 15, 28
Poderemos, verdadeiramente, hoje em Igreja afirmar isto mesmo?
Com certeza que acredito que a Igreja continua a ser conduzida pelo Espírito Santo, e que o Papa Francisco e o Magistério da Igreja têm disso consciência.

Mas têm os cristãos católicos essa consciência?
Têm os cristãos católicos a consciência de que só podem dizer «Jesus é o Senhor pela acção do Espírito Santo» 1 Cor 12, 3?
Têm os cristãos católicos a noção de que sem o Espírito Santo tudo se resume a preceito, obrigação e rotina?
Têm os cristãos católicos a noção de que só com o Espírito Santo podemos celebrar, participar verdadeiramente na Eucaristia, porque só Ele nos pode “fazer ver” Jesus Cristo nas duas espécies eucarísticas?

Percebemos nos Actos dos Apóstolos que aquelas primeiras comunidades invocavam constantemente o Espírito Santo e que rezavam uns pelos outros pedindo o Espírito Santo.
Porque não o fazemos nós hoje em dia, continuamente, nas nossas comunidades em Igreja?

Porque não é a Solenidade de Pentecostes uma Solenidade mais vivida, mais celebrada, mais falada, mais “importante” na Igreja?
Pobre de mim que nada sou, mas porque não pelo menos uma semana, incluindo o domingo anterior ao Pentecostes, de preparação “intensa” para o Domingo de Pentecostes?

Remeto-me à minha insignificância, ao meu pouco ou nenhum saber, mas não posso deixar de testemunhar e afirmar que, se não fosse o Espírito Santo levar-me ao encontro pessoal com Jesus Cristo no amor do Pai, eu me tinha irremediavelmente perdido no mundo, perdido de Deus, perdido da Igreja.

Por isso todos os dias de manhã a minha oração é a Sequência da Missa de Pentecostes, pedindo-Lhe que apesar do meu ser pobre e fraco, Ele faça a Sua obra em mim, para que dê sempre testemunho aos outros do que Ele faz em mim, apesar de mim.

Vem Espírito Santo!



Marinha Grande, 16 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves

14 maio 2023

Papa Francisco: o verdadeiro amigo corrige sem julgar

 
 Papa Francisco - Regina Caeli  (VATICAN MEDIA Divisione Foto) 

O Papa Francisco rezou neste domingo o Regina Caeli com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro. Falando do Espírito Santo, disse que é advogado e consolador, "porque é um verdadeiro amigo, fiel, que não esconde nada”.

 

Silvonei José – Vatican News

“O verdadeiro amigo é exigente, sugere como mudar e fá-lo sem julgar ou infundir desconfiança”: foi o que recordou neste domingo (14/05) o Papa Francisco na sua alocução que precedeu a oração do Regina Caeli com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro. O modelo é o do Espírito Santo, advogado e consolador, "porque é um verdadeiro amigo, fiel, que não esconde nada, que sugere o que mudar e como crescer. Mas, quando nos corrige, nunca nos humilha e nunca infunde desconfiança; pelo contrário, transmite-nos a certeza de que com Deus podemos conseguir, sempre. Esta é a sua proximidade."

O Evangelho deste sexto domingo da Páscoa, - disse Francisco - fala-nos do Espírito Santo, que Jesus chama de Paráclito. Paráclito é uma palavra grega que significa ao mesmo tempo consolador e advogado.

“Ou seja, o Espírito Santo não nos deixa sozinhos, ele está ao nosso lado, como um advogado que ajuda o acusado ficando ao seu lado. E e sugere-nos como nos defendermos diante daqueles que nos acusam".

 

 Papa Francisco 

Falando da sua proximidade o Espírito Santo, diz Jesus, "permanece junto de vós e está em vós".

“O Espírito Santo quer estar connosco: não é um hóspede de passagem que vem fazer-nos uma visita de cortesia. Ele é um companheiro de vida, uma presença estável, é Espírito e deseja habitar no nosso espírito. Ele é paciente e está connosco mesmo quando caímos. Permanece porque realmente nos ama: não finge que nos ama para depois deixar-nos sozinhos nas dificuldades".

Ao contrário, - continuou Francisco -, se nos encontrarmos em provação, o Espírito Santo consola-nos, trazendo-nos o perdão e a força de Deus. E quando ele nos confronta com os nossos erros e corrige-nos, fá-lo com gentileza: na sua voz que fala ao coração há sempre o timbre da ternura e o calor do amor.

 

 Fiéis na Praça São Pedro 

Francisco disse que o segundo aspeto do Espírito Santo é ser nosso advogado, defende-nos diante daqueles que nos acusam: “diante de nós mesmos, quando não nos amamos e não nos perdoamos, chegando ao ponto de dizermos a nós mesmos que somos fracassados e que não servimos para nada; diante do mundo, que descarta aqueles que não correspondem aos seus esquemas e modelos; diante do diabo, que é por excelência o "acusador" e o divisor e faz de tudo para que nos sintamos incapazes e infelizes”.

Diante de todos estes pensamentos acusadores, o Espírito Santo suger-nos como devemos responder. De que maneira? Perguntou o Papa.

O Paráclito, diz Jesus, é Aquele que "nos recorda tudo o que Jesus nos disse". Ele recorda-nos, portanto, as palavras do Evangelho e, assim, permite-nos responder ao diabo acusador não com palavras nossas, mas com as palavras do próprio Senhor.

 

 Praça de São Pedro durante o Regina Caeli 

“Se invocarmos o Espírito, aprenderemos a acolher e recordar a realidade mais importante da vida, que nos protege das acusações do mal: somos filhos amados de Deus”.

Na conclusão das suas palavras Francisco pediu que nos interrogemos hoje: invocamos o Espírito Santo, rezamos a Ele com frequência? Não nos esqueçamos d’Ele, que está perto de nós, ou melhor, dentro de nós! E depois, ouvimos a sua voz, tanto quando nos encoraja, como quando nos corrige? Respondemos com as palavras de Jesus às acusações do mal, aos "tribunais" da vida? Lembramo-nos de que somos filhos amados de Deus? Que Maria nos torne dóceis à voz do Espírito Santo e sensíveis à sua presença.

 

 

VN

07 maio 2023

Papa: amar Jesus é a bússola para alcançar o Céu

 
 
Num domingo ensolarado em Roma, o Papa rezou o Regina Caeli, comentando as palavras de Jesus aos discípulos: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida". O céu é a nossa meta e o caminho é Jesus, disse Francisco aos fiéis presentes na Praça de São Pedro.
 

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

Aonde ir e como chegar? Estas duas perguntas guiaram a reflexão do Papa neste V Domingo de Páscoa, diante de milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro para a oração do Regina Caeli.

Destino: a casa do Pai

Francisco inspirou-se no trecho de João proposto pela Liturgia do dia, que traz o último discurso de Jesus antes da sua morte. O coração dos discípulos está abalado, mas o Senhor dirige a eles palavras de conforto, convidando-os a não terem medo: «Vou preparar um lugar para vós […], a fim de que, onde eu estiver estejais também vós».

Com efeito, Jesus não os está a abandonar, mas parte para preparar um lugar para eles e guiá-los rumo àquela meta. Assim, explicou o Pontífice, o Senhor indica hoje a todos nós o maravilhoso lugar aonde ir e, ao mesmo tempo, diz-nos como ir, mostra-nos o caminho a percorrer. 

“Na casa do Pai – diz aos teus amigos e a cada um de nós – há espaço para ti, és bem-vindo, serás acolhido para sempre pelo calor de um abraço, e eu estou no Céu para preparar-te um lugar!”

"Irmãos e irmãs, esta Palavra é fonte de consolação e esperança", comentou o Papa. Jesus não se separou de nós, mas abriu-nos o caminho, antecipando o nosso destino final: o encontro com Deus Pai, em cujo coração há lugar para cada um de nós.

Então, quando sentimos o cansaço, a desorientação e até mesmo o fracasso, lembremo-nos para aonde vai a nossa vida. Não devemos perder de vista a meta, mesmo se hoje corremos o risco de não nos lembrarmos, de esquecer as perguntas finais, aquelas importantes: aonde vamos? Rumo aonde caminhamos? Por qual motivo vale a pena viver? Sem estas perguntas, sufocamos a vida somente no presente, pensamos que devemos desfrutá-la o quanto possível e acabamos por viver o dia, sem um propósito, sem uma meta.

“A nossa pátria, ao invés, está no céu, não nos esqueçamos da grandeza e da beleza da meta!”

A bússola: Jesus

Para a segunda pergunta - como chegar - a resposta vem do próprio Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14,6). Jesus é o caminho a seguir para viver na verdade e ter a vida em abundância, acrescentou o Pontífice. Ele é o caminho e, portanto, a fé Nele não é um “conjunto de ideias” a acreditar, mas um caminho a percorrer, uma viagem a realizar, um caminho com Ele. É seguir Jesus, porque Ele é o caminho que conduz à felicidade que não conhece ocaso. É imitá-lo, recomendou o Papa, especialmente com gestos de proximidade e misericórdia para com os outros.

“Eis a bússola para alcançar o Céu: amar Jesus, o caminho, tornando-se sinais do seu amor na terra.”

Francisco concluiu convidando os fiéis a não se deixarem devastar pelo presente: "Olhemos para o alto, para o Céu, lembremo-nos da meta, pensemos que somos chamados para a eternidade, para o encontro com Deus. E, do Céu, renovemos hoje a escolha de Jesus, a escolha de amá-lo e de caminhar atrás Dele. Que a Virgem Maria, que seguindo Jesus chegou à meta, ampare a nossa esperança".

VN

03 maio 2023

O Papa ao povo húngaro: conservar o vínculo com as suas raízes e construir pontes

 
  O Papa Francisco durante a Audiência Geral  (Vatican Media) 
 
O Papa Francisco dedica a catequese da audiência desta quarta-feira à sua visita a Budapeste, que terminou no dia 30 de abril. Renovou a gratidão a quem o acolheu e disse dos húngaros que são corajosos e ricos de memória. Exortou-os a permanecerem fiéis ao seu passado de fé testemunhado por tantos santos e sublinhou o seu compromisso no acolhimento dos refugiados da vizinha Ucrânia e no cuidado do ambiente.
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

A viagem do Santo Padre à Hungria foi o tema da catequese do Papa Francisco, nesta quarta-feira (03/05), realizada na Praça de São Pedro.

"Há três dias regressei da viagem à Hungria", recordou Francisco, agradecendo, a seguir, "a todos aqueles que prepararam e acompanharam esta visita com a oração". Agradeceu "às autoridades, à Igreja local e ao povo húngaro, um povo corajoso e rico de memória".

"Durante a minha permanência em Budapeste pude sentir o afeto de todos os húngaros", disse ainda o Papa, falando "desta visita através de duas imagens: as raízes e as pontes".

Segundo São João Paulo II, a história do povo húngaro foi marcada por «muitos santos e heróis, circundados por multidões de pessoas humildes e diligentes».

"É realmente verdade: vi tantas pessoas humildes e diligentes conservar com orgulho o vínculo com as suas raízes. Entre estas raízes estão sobretudo os santos. Os santos recordam-nos que Cristo é o nosso futuro. Contudo, as sólidas raízes cristãs do povo húngaro foram postas à prova", disse ainda o Papa, recordando que "durante a perseguição ateia do século XX, os cristãos foram atingidos violentamente, com bispos, sacerdotes, religiosos e leigos assassinados ou privados da liberdade. Mas enquanto se procurava cortar a árvore da fé, as raízes permaneceram intactas: foi uma Igreja escondida, mas viva, forte com a força do Evangelho".

Na Hungria, esta última perseguição, a opressão comunista foi precedida pela opressão nazista, com a trágica deportação de uma grande população judaica. Mas nesse genocídio atroz, muitos se distinguiram pela resistência e capacidade de proteger as vítimas, e isto foi possível porque as raízes da convivência eram firmes. Nós em Roma temos uma grande poetisa húngara que viveu todas essas provações e conta aos jovens a necessidade de lutar por um ideal para não sermos vencidos pelas perseguições, pelo desânimo. Esta poetisa, hoje, completa 92 anos. Parabéns, Edith!

O Papa referiu-se a Edith Bruck escritora, poetisa, sobrevivente do campo de extermínio de Auschwitz, durante a perseguição nazista.

"Ainda hoje a liberdade está ameaçada, como sobressaiu nos encontros com os jovens e com o mundo da cultura. Como? Sobretudo com as luvas brancas, com um consumismo que anestesia, pelo que as pessoas contentam-se com um pouco de bem-estar material e, esquecendo o passado, “flutuam” num presente feito à medida do indivíduo", disse o Papa. "Esta é a perseguição perigosa da mundanidade levada adiante pelo consumismo. Mas quando a única coisa que conta é pensar em mim próprio e fazer o que bem entender, as raízes sufocam", sublinhou.

Segundo o Pontífice, este é "um problema que diz respeito à Europa inteira, onde estão em crise o dedicar-me ao próximo, o sentir-me comunidade, a beleza de sonhar em conjunto e de criar famílias numerosas. A Europa inteira está em crise. Então, reflitamos sobre a importância de preservar as raízes".

Depois das raízes, o Papa refletiu sobre a segunda imagem: as pontes. "Nascida há 150 anos da união de três cidades, Budapeste é célebre pelas pontes que a atravessam e unem as suas partes. Isto evocou, especialmente nos encontros com as autoridades, a importância de construir pontes de paz entre diferentes povos", disse ele.

Esta é, em particular, a vocação da Europa, chamada como “ponte de paz” a incluir as diferenças e a acolher quantos batem às suas portas. Neste sentido, é bela a ponte humanitária criada para tantos refugiados da vizinha Ucrânia, que pude encontrar, admirando também a grande rede de caridade da Igreja húngara.

Francisco recordou que a Hungria está comprometida "na construção de “pontes para o amanhã”: é grande a sua atenção ao cuidado ecológico, e isso é algo muito bonito na Hungria, o cuidado ecológico por um futuro sustentável, e trabalha-se para edificar pontes entre as gerações, entre os idosos e os jovens, desafio hoje irrenunciável para todos".

"Depois há pontes que a Igreja, como emergiu do encontro específico, é chamada a lançar aos homens de hoje, pois o anúncio de Cristo não pode consistir apenas em repetir o passado, mas deve ser sempre atualizado, de modo a ajudar as mulheres e os homens do nosso tempo a redescobrir Jesus", disse ainda Francisco, recordando "os belos momentos litúrgicos, a oração com a comunidade greco-católica e a solene Celebração eucarística, tão participada". "Na missa dominical havia cristãos de vários ritos e países, e de diferentes confissões, que juntos trabalham bem na Hungria. Construir pontes! Pontes de harmonia e pontes de unidade", ressaltou.

Por fim, o Papa recordou "que os húngaros são muito devotos da Santa Mãe de Deus" e confiou à Rainha da Hungria esse país, confiou "à Rainha da paz a construção de pontes no mundo, à Rainha do Céu confiemos o nosso coração para que se enraíze no amor de Deus".

VN

02 maio 2023

RCC Lisboa - Assembleia de Pentecostes

 

 (Para ampliar clique sobre a imagem)

Fonte: RCC Lisboa

30 abril 2023

Papa: um futuro de esperança, não de guerra, cheio de berços, não de túmulos

 
No altar na Praça Kossuth Lajos, Papa diante do ícone de Nossa Senhora  (VATICAN MEDIA Divisione Foto)
 
Antes de rezar o Regina Coeli, o Papa pediu à Rainha da Paz para infundir "nos corações dos homens e dos líderes das nações o desejo de construir a paz, de dar às jovens gerações um futuro de esperança, não de guerra; um futuro cheio de berços, não de túmulos; um mundo de irmãos, não de muros."
 

Salvatore Cernuzio – Cidade do Vaticano

“Um futuro de esperança, não de guerra; um futuro cheio de berços, não de túmulos; um mundo de irmãos, não de muros.”

Em pé, mas idealmente de joelhos diante do ícone de Nossa Senhora Magna Domina Hungarorum, venerada como protetora e padroeira da Hungria, o Papa eleva uma súplica universal à Mãe de Deus por um continente, o europeu, dilacerado por conflitos, divisões, tensões, perspetivas nefastas para o futuro.

Virgem Santa, olhai para os povos que mais sofrem. Olhai sobretudo para o vizinho povo ucraniano martirizado e para o povo russo, a Vós consagrados. Vós sois a Rainha da paz.

A causa da paz

Francisco reza o Regina Caeli com os 50 mil fiéis reunidos na Praça Kossuth Lajos, em Budapeste, último evento da manhã de domingo antes de seguir para a Nunciatura. Antes da oração mariana, ele dirige-se a Nossa Senhora. Ao seu Imaculado Coração, em 25 de março de 2022, consagrou a Rússia e a Ucrânia, implorando o fim do conflito. Agora volta a pedir a sua intercessão:

A partir desta grande cidade e deste nobre país, quero colocar no seu Coração a fé e o futuro de todo o Continente Europeu, sobre o qual tenho pensado nestes dias, e de modo particular na causa da paz.

Virgem Santa - é a súplica do Bispo de Roma - "infundi nos corações dos homens e dos líderes das nações o desejo de construir a paz, de dar às jovens gerações um futuro de esperança, não de guerra; um futuro cheio de berços, não de túmulos; um mundo de irmãos, não de muros”.

Reunião de diferentes religiões

A fraternidade, portanto, é o caminho que o Papa indica para prevenir as tragédias que tornam o mundo instável. A mesma fraternidade da qual são exemplo as religiões e confissões cristãs da Hungria:

Obrigado pela vossa presença! E obrigado porque, neste país, diferentes Confissões e religiões encontram-se e se apoiam mutuamente. 

Aqui, acrescenta o Pontífice, citando as palavras do cardeal Peter Erdö, arcebispo de Esztergom-Budapeste, “vive-se na fronteira oriental do cristianismo ocidental, há mil anos":

É belo que as fronteiras não representem confins que separam, mas áreas de contacto; e que os crentes em Cristo ponham em primeiro lugar a caridade que une e não as diferenças históricas, culturais e religiosas que dividem. Une-nos o Evangelho e é voltando lá, às fontes, que o caminho entre os cristãos continuará segundo a vontade de Jesus, Bom Pastor que nos quer unidos num só rebanho.

Oração pela Igreja europeia

O Papa Francisco reza, portanto, pela Igreja de toda a Europa "para que reencontre a força da oração" e redescubra em Maria "a humildade e a obediência, o ardor do testemunho e a beleza do anúncio".

Daí as saudações à presidente Katalin Novák, ao primeiro ministro Viktor Orbán - ambos sentados nas primeiras filas -, bem como aos bispos e pessoas consagradas e a todo o querido povo húngaro "pelo acolhimento e afeto que senti nestes dias: "Aproximando-se agora o momento de regressar a Roma, desejo expressar o meu reconhecimento...", diz o Papa Francisco, acrescentando:

Exprimo a minha gratidão a quantos vieram de longe e a quem trabalhou tanto e tão bem para esta visita. A todos digo: obrigado; Deus vos recompense.

Gratidão aos húngaros

Uma recordação especial vai para os doentes e idosos, para "quem se sente sozinho e quantos perderam a fé em Deus e a esperança na vida. Estou unido convosco, rezo por vós e vos abençoo."

Por fim, o desejo para que possa “espalhar a alegria de Cristo” e o agradecimento pelos três dias passados ​​na capital húngara: “Levo-vos no coração e peço que rezeis por mim”.

Isten éltessen! [Felicidades] Isten áld meg a magyart! [Deus abençoe os húngaros!]

VN

Francisco na Hungria: como Jesus, sejamos portas abertas

 

O Papa Francisco saúda os fiéis presentes na praça Kossuth Lajos após a Santa Missa  (Vatican Media)

Neste quarto domingo da Páscoa, o Papa Francisco presidiu a celebração eucarística na Praça Kossuth Lajos, com a presença de milhares de fiéis húngaros

 

Irmã Grazielle Rigotti, ascj - Vatican News

"É isto o que faz um bom pastor: dá a vida pelas suas ovelhas." Com estas palavras inspiradas pelo evangelho de São João, neste quarto domingo do tempo pascal que o Papa iniciou a sua homilia durante a Santa Missa presidida na Hungria para uma multidão de fiéis. 

A imagem do bom Pastor guiou a reflexão do Santo Padre que ressaltou duas ações que Jesus, segundo o evangelho, realiza pelas suas ovelhas: chama-as e depois fá-las sair.

"Irmãos e irmãs, estando aqui esta manhã, sintamos a alegria de ser povo santo de Deus: todos nascemos do seu chamamento; foi Ele que nos convocou e, por isso, somos o seu povo, o seu rebanho, a sua Igreja. Reuniu-nos aqui para que, embora sendo diversos entre nós e pertencendo a comunidades diferentes, a grandeza do seu amor nos reúna a todos num único abraço." Deste modo, em primeiro lugar o Senhor chama as suas ovelhas, disse Francisco, convidando o povo a recordar o sentido da catolicidade e a fazer memória agradecida, do amor de Jesus por nós. 

“Todos nascemos do Sru chamamento”

A segunda ação então seria, segundo o Pontífice, o movimento de saída. E o ilustra com a imagem da porta: "Este movimento – entrar e sair –, podemos captá-lo a partir doutra imagem que Jesus utiliza: a da porta. Diz Ele: «Eu sou a porta. Se alguém entrar por Mim, estará salvo; há-de entrar e sair e achará pastagem» (Jo 10, 9). Ouçamos com atenção isto: há-de entrar e sair. Por um lado, Jesus é a porta que se abriu de par em par a fim de nos fazer entrar na comunhão do Pai e experimentar a sua misericórdia; mas, como todos sabem, uma porta aberta serve não só para entrar, mas também para sair do lugar onde nos encontramos".

“Jesus é a porta que nos faz sair para o mundo”

Assim, no final de sua homilia, o Santo Padre mais uma vez destacou que o movimento de viver "em saída" significa tornar-me como Jesus, uma porta aberta. E exortou: 

"Por favor, abramos as portas! Procuremos ser também nós – com as palavras, os gestos, as atividades quotidianas como Jesus: uma porta aberta, uma porta que nunca se fecha na cara de ninguém, uma porta que a todos permite entrar para experimentar a beleza do amor e do perdão do Senhor."

VN

O Papa: a fé faz-nos sair ao encontro dos pobres e a falar a linguagem da caridade

 
O Papa Francisco no encontro com os pobres e refugiados na Igreja de Santa Isabel, na
Hungria
 
"A linguagem da caridade. Foi a língua falada por Santa Isabel, por quem este povo tem grande devoção e estima", disse Francisco no seu discurso, ressaltando que Santa Isabel da Hungria "não só gastou os seus bens, mas também a sua vida em favor dos últimos, dos leprosos, dos doentes até ao ponto de tratar deles pessoalmente e carregá-los nas costas. Esta é a linguagem da caridade".
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco encontrou-se com os pobres e os refugiados, na Igreja de Santa Isabel, em Budapeste, na Hungria, na manhã deste sábado (29/04), no âmbito da sua 41° viagem apostólica internacional.

"Os pobres e os necessitados – nunca o esqueçamos – estão no coração do Evangelho: de facto, Jesus veio «anunciar a Boa-Nova aos pobres». Assim eles indicam-nos um desafio apaixonante, para que a fé que professamos não fique prisioneira de um culto distante da vida, nem se torne presa de uma espécie de «egoísmo espiritual», isto é, de uma espiritualidade que eu mesmo construo à medida da minha tranquilidade interior e da minha satisfação", disse o Papa.

Santa Isabel sentiu o desejo de cuidar dos necessitados

Segundo Francisco, "a verdadeira fé é aquela que desinquieta, que arrisca, que faz sair ao encontro dos pobres e nos torna capazes de falar, com a vida, a linguagem da caridade".

 

Músicos ciganos tocam para o Papa na Igreja de Santa Isabel em Budapeste

A linguagem da caridade. Foi a língua falada por Santa Isabel, por quem este povo tem grande devoção e estima. Ao chegar esta manhã, vi na praça a sua estátua, com o sopé que a representa enquanto recebe o cordão da ordem franciscana e, contemporaneamente, oferece água a um pobre para lhe matar a sede. Santa Isabel, filha de um rei, crescera no conforto da vida da corte, num ambiente luxuoso e privilegiado; e contudo, tocada e transformada pelo encontro com Cristo, bem depressa sentiu que devia rejeitar as riquezas e vaidades do mundo, advertindo o desejo de se despojar delas e cuidar dos necessitados.

“Assim, não só gastou os seus bens, mas também a sua vida a favor dos últimos, dos leprosos, dos doentes até ao ponto de tratar deles pessoalmente e carregá-los nas costas. Esta é a linguagem da caridade.”

Acolhimento dos refugiados da Ucrânia

A seguir, o Papa comentou alguns testemunhos que ouviu antes do seu discurso. Sobre o que disse Brigitta, Francisco ressaltou que ela "experimentou a proximidade do Senhor graças à Igreja greco-católica, a tantas pessoas que se prodigalizaram para a ajudar, encorajar, encontrar um emprego e sustentá-la nas necessidades materiais e no caminho da fé. Eis o testemunho que nos é pedido: a compaixão para com todos, especialmente por quantos estão marcados pela pobreza, a doença e o sofrimento. Precisamos de uma Igreja que fale fluentemente a linguagem da caridade, idioma universal que todos escutam e compreendem, mesmo os mais afastados, mesmo aqueles que não acreditam".

E a propósito exprimo a minha gratidão à Igreja húngara pelo compromisso posto na caridade, um compromisso capilar: ela criou uma rede que liga muitos agentes pastorais, muitos voluntários, as caritas paroquiais e diocesanas, mas também grupos de oração, comunidades de fiéis, organizações pertencentes a outras Confissões, mas unidas na comunhão ecuménica que brota da caridade.

“Obrigado pela forma como vocês acolhem – não só com generosidade, mas também com entusiasmo – tantos refugiados da Ucrânia.”

A caridade preocupa-se com a pessoa e deseja reerguê-la

A seguir, o Papa comentou o testemunho de Oleg e a sua família, refugiados ucranianos na Hungria, onde Oleg trabalha como cozinheiro e encontrou hospitalidade generosa.

 

O Papa Francisco no encontro com os pobres e refugiados na Igreja de Santa Isabel da Hungria

"A lembrança do amor recebido reacende a esperança, encoraja a empreender novos caminhos de vida. Com efeito, mesmo na tribulação e no sofrimento, encontra-se coragem para continuar quando se recebeu o bálsamo do amor: é a força que ajuda a acreditar que nem tudo está perdido e que é possível um futuro diferente", disse ainda o Santo Padre.

Infelizmente, também aqui muitas pessoas estão literalmente privadas de um teto: muitas irmãs e irmãos marcados pela fragilidade – sozinhos, com várias limitações físicas e mentais, destruídos pelo veneno das drogas, saídos da prisão ou abandonados porque idosos – são afetados por formas graves de pobreza material, cultural e espiritual, e não têm um teto e uma casa para morar.

Zoltàn, diácono, e a sua esposa Ana também deram o seu testemunho acerca desta grande chaga que os levou, com coragem e generosidade, graças à ação do Espírito Santo, a construir um centro para acolher as pessoas sem-teto.  A pessoa "renasce quando experimenta que, aos olhos de Deus, é amada e abençoada. Isto vale para toda a Igreja: não basta dar o pão que alimenta o estômago, é preciso nutrir o coração das pessoas! A caridade não é mera assistência material e social, mas preocupa-se com a pessoa inteira e deseja reerguê-la com o amor de Jesus: um amor que ajuda a readquirir beleza e dignidade".

 

VN

28 abril 2023

O Papa em Budapeste: cidade de história, de pontes e de santos

 
Papa Francisco cumprimenta a Presidente Katalin Novák na sua segunda visita à Hungria  (VATICAN MEDIA Divisione Foto)
 
No primeiro dia da sua viagem à capital da Hungria, o Papa Francisco ressaltou os valores cristãos testemunhados pelo povo até aos dias de hoje. No seu discurso às autoridades, sociedade civil e corpo diplomático, relembrou a história, o simbolismo das pontes e a vida dos santos, da cidade "chamada a ser protagonista do presente e do futuro"
 

Irmã Grazielle Rigotti, ascj - Vatican News

É o primeiro dia da visita do Papa Francisco à "pérola do Danúbio". O Pontífice partiu esta manhã para a capital da Hungria, Budapeste, cidade que fica às margens do rio Danúbio, que divide a cidade em duas partes.

O  acolhimento

Ao chegar à capital, o Papa foi acolhido por algumas autoridades civis e locais e duas crianças com trajes típicos e foi-lhe oferecido pão e sal, como símbolos do acolhimento. Na Europa Central costuma-se acolher o Sucessor de Pedro com este presente, como aconteceu também em 2021 em Bratislava durante a visita do Papa Francisco à Eslováquia. O pão em sinal do trabalho partilhado do homem e o sal, símbolo da hospitalidade como o sal do evangelho. Formando ainda um corredor, acenando com bandeiras com as cores da Hungria e do Vaticano, havia um grupo de crianças e adolescentes. Após o breve momento de apresentação e de acolhimento, dirigiu-se para o Palácio Sándor, residência oficial do Presidente da República da Hungria desde janeiro 2003.

Neste local, após a cerimónia de acolhimento no ingresso do palácio, houve um momento de encontro privado, troca de presentes e apresentação da família da presidente Katalin Novák ao Santo Padre. Logo após, encontraram-se com o Primeiro Ministro da República da Hungria, Victor Orbán, e dirigiram-se ao antigo Mosteiro Carmelita, onde hoje funciona a sede do governo húngaro. 

Deus o trouxe até nós

Na Sala Maria Teresa, do palácio Sándor, estavam reunidas cerca de 200 pessoas, entre autoridades políticas, religiosas, corpo diplomático, e representantes da sociedade civil e da cultura. Ali, palavras de acolhimento foram proferidas pela presidente húngara: "Bem-vindo! em húngaro diz: Isten hozta!  O que significa literalmente: Deus trouxe-o até nós!", disse a presidente, que iniciou a sua saudação expressando o seu contentamento e desejo pela paz, vendo na visita do Santo Padre um momento de graça. "A visita de Vossa Santidade a Budapeste é "kairos”. A hora e o lugar certo para encontrar-se, para tocar os sinos, para proclamar uma paz justa. Deus reúne na hora certa e infunde força naqueles que confiam no poder do amor, da unidade e da paz."

VN

“MOMENTO SAMUEL” *


 
 
Acordo de madrugada, muito cedo, ou és Tu que me acordas, nunca sei bem.
Acreditando que és Tu que me acordas, (assim é mais fácil não me incomodar por não conseguir dormir), começo a falar conTigo, ou seja, começo a rezar.

E dou-Te graças pela cama em que estou deitado, pelo seu aconchego, pela sua comodidade, pedindo logo por aqueles que não têm nem cama, nem quarto, nem casa sequer, cujo colchão é o empedrado duro de uma qualquer rua e os limites do quarto são as paredes dos prédios a que se encostam.

Depois sinto as dores nas costas, (coisas da idade), e dou-Te graças por elas e ofereço-tas por aqueles que sofrem incomparavelmente mais nas camas dos hospitais, nas suas casas, no seu dia a dia.

Percebo na casa em que vivo a presença da família, e dou-Te graças por ela, por aqueles que me deste e com quem partilho a minha vida e peço-Te por aqueles que estão sós, abandonados, nas suas casas, nos lares e, tantas vezes, nas ruas.

Começo as minhas orações de cada dia, (ai a rotina, meu Deus, que faz as minhas orações “frias”), e vou pedindo por todos os que colocas no meu coração e, nesses todos, todos os que não conheço mas precisam das orações, também.

Peço ao meu Anjo da Guarda que se una aos Anjos da Guarda daqueles por quem rezo e assim unidos em louvor, peçam por nós a Deus, segundo a Sua vontade.

Peço também aos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael que me protejam e protejam todos aqueles por quem peço, do mal e das tentações.

Abro ainda mais o coração e chamo pela Mãe do Céu, para que Ela receba todas as minhas orações no seu colo e as leve ao seu Filho que, se calhar, lhe responde «Mulher, que tem isso a ver comigo?» (cf Jo 2, 4), mas depois lá lhe faz a vontade, segundo a Sua vontade.
Claro que logo a seguir A ouço dizer-me baixinho: «Faz tudo o que Ele te disser!» (cf Jo 2, 5)

Já que estou a falar com a Mãe, levo a minha mão à mesa de cabeceira e pego no terço, para o ir recitando no silêncio da noite.
Os Mistérios sucedem-se numa cadência serena, não há muita meditação, mas a cada Avé Maria rezada sinto o afago da Mãe, a cada Pai Nosso sinto-me ao colo do Pai, a cada Glória o Filho e o Espírito Santo tomam conta de mim e, de mão dada, levam-me a continuar em oração.

Lentamente os olhos interiores vão-se fechando, o ímpeto da oração vai diminuindo, a tranquilidade vai tomando conta de mim, o sono vai abrindo caminho e, como está findo o Rosário, vou-me deixando levar.

Sinto-me criança ao colo do Pai, de mão dada com o Filho, envolto no Espírito Santo, enquanto a Mãe, com um largo sorriso, vai olhando para nós.

Parece-me ouvir os Três a cantar, (não sabia que Deus cantava!), com a Mãe a acompanhar:

Dorme, meu menino,
repousa agora,
és sempre para Nós pequenino
e tomamos conta de ti
sempre e a toda a hora.

E eu vou repetindo baixinho, embalado no sono divino:
Obrigado, meu Deus, obrig………



Marinha Grande, 27 de Abril de 2023
Joaquim Mexia Alves


Nota: * sem qualquer comparação, pobre de mim, chamo a estes momentos que vou tendo “momentos Samuel” lembrando-me de 1 Sm 3, 1-10

 

26 abril 2023

O Papa: os monges e monjas levam adiante a Igreja com a sua intercessão

 
O  Papa Francisco durante a Audiência Geral  (Vatican Media)
 
Na catequese desta quarta-feira, o Papa citou São Gregório de Narek, Doutor da Igreja, como exemplo de intercessor pelos outros. Francisco disse que "o coração dos monges e das monjas é como uma antena, porque capta o que acontece no mundo e intercedem por ele. Assim, eles vivem em união com o Senhor e com todos".
 

Vatican News

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre as testemunhas do zelo apostólico, na Audiência Geral desta quarta-feira (26/04), realizada na Praça de São Pedro.

"Começamos por São Paulo e, da última vez, vimos os mártires, que anunciam Jesus com a vida, ao ponto de a entregar por Ele e pelo Evangelho", disse o Pontífice, ressaltando que "existe outro grande testemunho que atravessa a história da fé: o das monjas e dos monges, irmãs e irmãos que renunciam a si e ao mundo para imitar Jesus no caminho da pobreza, da castidade, da obediência e para interceder em favor de todos".

Segundo o Papa, "os monges são o coração pulsante do anúncio: a sua oração é oxigênio para todos os membros do Corpo de Cristo, é a força invisível que sustenta a missão".

"Não é por acaso", recordou Francisco, "que a padroeira das missões é uma monja, Santa Teresa do Menino Jesus" que entendeu que «só o amor impele os membros da Igreja à ação». Descobriu que «o amor abarca em si todas as vocações». «Ó Jesus, meu amor, finalmente encontrei a minha vocação. A minha vocação é o amor. No coração da Igreja, minha mãe, serei o amor», escreveu ela.

Este amor por todos anima a vida dos monges e traduz-se na sua oração de intercessão. A tal respeito, gostaria de citar como exemplo São Gregório de Narek, Doutor da Igreja. É um monge arménio, que viveu por volta do ano 1000 e deixou-nos um livro de orações, no qual foi derramada a fé do povo arménio, o primeiro que abraçou o cristianismo; um povo que, apegado à cruz de Cristo, sofreu muito ao longo da história.

"São Gregório passou quase toda a sua vida no mosteiro de Narek. Ali aprendeu a perscrutar as profundezas da alma humana e, fundindo poesia e oração, alcançou o auge tanto da literatura como da espiritualidade arménia", disse ainda Francisco.

Segundo o Papa, "o aspeto que mais impressiona nele é exatamente a solidariedade universal de que é intérprete".

Entre os monges e monjas existe uma solidariedade universal. Qualquer coisa que acontece no mundo encontra lugar nos seus corações e eles rezam. O coração dos monges e das monjas é como uma antena, porque capta o que acontece no mundo e intercedem por ele. Assim, eles vivem em união com o Senhor e com todos.

Como Jesus, os monges e monjas "carregam sobre si os problemas do mundo, as dificuldades, as doenças e muitas coisas e rezam por eles. Estes são os grandes evangelizadores. Com a palavra, o exemplo, a intercessão e o trabalho quotidiano eles são ponte de intercessão para todas as pessoas e pelos pecados. Eles choram pelos seus pecados, porque todos somos pecadores, e choram pelos pecados do mundo e rezam e intercedem".

"Far-nos-á bem visitar um mosteiro porque ali rez-se e trabalha-se. Cada um tem a sua regra, mas ali as mãos estão sempre ocupadas com o trabalho e com a oração. Que o Senhor nos dê novos mosteiros, monges e monjas que levam adiante a Igreja com a sua intercessão", concluiu o Papa.

VN

VIVER!

 

 

 

É uma onda que nunca acaba
um vento que não pára de soprar
um sol que não cessa de aquecer
um rio que não esgota no mar
uma montanha que não me canso de subir

um caminho que sempre quero percorrer
um milagre que me é dado ver
um sopro que me faz respirar
uma flor sempre a desabrochar
uma ave que se lança a voar
um leão de quem se ouve o rosnar
um silêncio que nos faz aquietar
uma alegria que afasta a tristeza
um bálsamo que acalma a dor
um sonho feito certeza
um sentimento repleto de amor
uma estrada percorrida
uma meta atingida
um salto no infinito
um suspiro que é um grito
um sorriso que abafa o pranto
um tempo em felicidade
uma certeza de vida
no Pai,
no Filho,
no Espírito Santo.



Monte Real, 26 de Abril de 2023
Joaquim Mexia Alves

23 abril 2023

Francisco recordaa sua viagem à Hungria, centro de uma Europa atingida pelos ventos da guerra

 
 Os fiéis na Praça de ão Pedro, durante o Regina Coeli  (Vatican Media)
 
Após a oração do Regina Coeli, o Papa recordou a sua próxima viagem apostólica, de 28 a 30 de abril, a Budapeste, para completar a visita de 2021. Lembrou também o conflito na Ucrânia, que aflige muitos irmãos e irmãs. 
 

Mariangela Jaguraba – Vatican News

Após a oração do Regina Coeli, deste domingo (23/04), o Papa Francisco recordou que na próxima sexta-feira (28/04), irá a Budapeste, na Hungria, por três dias para completar a viagem feita, em 2021, para o Congresso Eucarístico Internacional.

Será também uma viagem ao centro da Europa onde continuam a soprar os ventos gelados da guerra enquanto os deslocamentos de tantas pessoas trazem para a agenda questões humanitárias urgentes.

A seguir, Francisco dirigiu-se"com afeto", aos "irmãos e irmãs húngaros, na expetativa de visitá-los como peregrino, amigo e irmão de todos e encontrar as suas Autoridades, os Bispos, os sacerdotes, os consagrados, os jovens, os estudantes universitários e os pobres".

Eu sei que vocês estão a preparar a minha visita com muito empenho. Agradeço-vos de coração por isso. Peço a todos que me acompanhem com a oração, nesta viagem.

A seguir, o Papa pediu para não nos esquecermos "dos nossos irmãos e irmãs ucranianos, afligidos pela guerra".

O programa da viagem

A partida do voo papal de Fiumicino está marcada para as 8h10 da sexta-feira, 28 de abril, e cerca de duas horas depois Francisco pousará no aeroporto internacional de Budapeste. Às 11h, haverá o momento das boas-vindas oficiais na praça do Palácio "Sándor", residência da presidente húngara, Katalin Éva Novák. A seguir, haverá os encontros protocolares com o chefe de Estado, o primeiro-ministro, Viktor Orban, e com as autoridades e representantes da sociedade civil e o corpo diplomático. O dia será concluido com o encontro do Papa com o clero, os consagrados, religiosas e seminaristas na Catedral de Santo Estêvão, às 17h.

A manhã do segundo dia terá como fulcro dois momentos, entre os quais a visita privada do Papa às 8h45 às crianças cegas hospedadas no instituto "Beato László Batthyány-Strattmann" - nome em homenagem ao oftalmologista húngaro beatificado em 2003 – e a seguir, o encontro com os pobres e refugiados na Igreja de Santa Isabel da Hungria. Haverá também dois encontros na parte da tarde: às 16h30, o encontro com os jovens no ginásio esportivo "László Papp Budapest Sports Arena", e às 18h, na nunciatura, o encontro privado com os confrades da Companhia de Jesus. No domingo, 30 de abril, será o momento da Santa Missa, que Francisco presidirá às 9h30 na Praça Kossuth Lajos, que será concluída com a oração do Angelus. Depois, na parte da tarde, às 16h, o encontro com os representantes do mundo universitário e da cultura antes da partida para Roma. A descolagem está prevista para as 18h e a chegada ao aeroporto de Fiumicino às 19h55.

VN

O Papa: é importante reler a história da nossa vida junto com Jesus

 
 
No Regina Coeli, Francisco recordou que neste III Domingo de Páscoa, "o Evangelho narra o encontro de Jesus ressuscitado com os discípulos de Emaús". Enfatizou a importância de "reler a nossa história junto com Jesus" e a fazer, todas as noites, um exame de consciência, retirando as defesas.
 

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Regina Coeli, deste domingo, 23 de abril, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice recordou que neste III Domingo de Páscoa, "o Evangelho narra o encontro de Jesus ressuscitado com os discípulos de Emaús".

"São dois discípulos que, resignados com a morte do Mestre, no dia de Páscoa decidem deixar Jerusalém e voltar para casa. Talvez estivessem um pouco inquietos porque ouviram as mulheres que vieram do Sepulcro. Enquanto caminham tristes conversando sobre o ocorrido, Jesus une-se a eles, mas eles não o reconhecem", sublinhou o Papa.

Jesus "pergunta por que estão tão tristes, e eles dizem-lhe: «És tu por acaso, o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que nela aconteceu estes dias?»" O Senhor pergunta: "O quê? E eles contam-lhe toda a história. Jesus deixa-lhes contar. Enquanto caminham, ajuda-os a reler os factos de uma maneira diferente, à luz das profecias, da Palavra de Deus, de tudo o que foi anunciado ao povo de Israel. Reler: é o que Jesus faz com eles, ajuda a reler", disse Francisco, detendo-se neste aspeto.

Com efeito, também para nós é importante reler a nossa história junto com Jesus: a história da nossa vida, de um determinado período, dos nossos dias, com as desilusões e esperanças. Por outro lado, também nós, como aqueles discípulos, diante do que nos acontece podemo-nos encontrar perdidos diante dos eventos, sozinhos e incertos, com muitas perguntas, preocupações, desilusões e muitas coisas.

O Evangelho deste domingo "convida-nos a contar tudo a Jesus, com sinceridade, sem medo de incomodá-lo, Ele escuta, sem medo de dizer coisas erradas, sem nos envergonharmos da nossa dificuldade para entender". Segundo o Papa, "o Senhor fica feliz quando nos abrimos a Ele; só assim pode tomar-nos pela mão, acompanhar-nos e fazer arder novamente o nosso coração. Então também nós, como os discípulos de Emaús, somos chamados a passar algum tempo com Ele para que, ao anoitecer, Ele permaneça connosco".

A seguir, o Pontífice propôs uma bela maneira de fazer isso: "dedicar algum tempo, todas as noites, a um breve exame de consciência". Perguntar-se: "O que aconteceu hoje dentro de mim?"

Trata-se de reler o dia com Jesus: abrir-lhe o coração, levar-lhe as pessoas, as escolhas, os medos, as quedas e as esperanças; todas as coisas que aconteceram, para aprender gradualmente a olhar as coisas com outros olhos, com os seus olhos e não apenas com os nossos. Podemos assim reviver a experiência daqueles dois discípulos. Diante do amor de Cristo, até o que parece cansativo e malsucedido pode aparecer sob outra luz: uma cruz difícil de abraçar, a escolha do perdão diante de uma ofensa, uma vingança fracassada, o cansaço do trabalho, a sinceridade que custa, as provações da vida familiar poderão aparecer-nos sob uma luz nova, a luz do Crucificado Ressuscitado, que sabe fazer de cada queda um passo adiante.

"Mas para isso", sublinhou Francisco, "é importante retirar as defesas: deixar tempo e espaço para Jesus, não lhe esconder nada, levar-lhe as misérias, deixar-se ferir pela sua verdade, deixar o coração vibrar ao sopro da sua Palavra".

Podemos começar hoje, dedicando esta noite um momento de oração durante o ququestionarmo-nos: como foi o meu dia? Quais as alegrias, as tristezas, as coisas chatas? Como foi? O que aconteceu? Quais foram as tuas pérolas do dia, talvez escondidas, pelas quais agradecer? Houve um pouco de amor no que eu fiz? Quais são as quedas, as tristezas, as dúvidas e medos para levar a Jesus a fim de que Ele me abra novos caminhos, me levante e me encoraje?

"Que Maria, Virgem sábia, nos ajude a reconhecer Jesus que caminha connosco e a reler, a palavra é reler, diante de Dele todos os dias das nossas vidas", concluiu o Papa.

VN

17 abril 2023

PROCLAMAR A PALAVRA COM DESASSOMBRO!


 
«Agora, Senhor, tem em conta as suas ameaças e concede aos teus servos poderem anunciar a tua palavra com todo o desassombro, estendendo a tua mão para se operarem curas, milagres e prodígios, em nome do teu Santo Servo Jesus.»
Tinham acabado de orar, quando o lugar em que se encontravam reunidos estremeceu, e todos ficaram cheios do Espírito Santo, começando a anunciar a palavra de Deus com desassombro. 
Act 4, 29-31 ( Leitura de hoje)


Naquele tempo ou até bastante mais do que agora, os cristãos eram perseguidos e não podiam anunciar a Palavra de Deus, porque eram presos, torturados, mortos das mais terríveis maneiras.

Hoje também somos perseguidos em tantos lugares do mundo e mesmo nas civilizações ocidentais já somos muitas vezes “apontados a dedo”, (nalguns casos, infelizmente, por causa de alguns da Igreja que caíram gravemente no pecado), e isso tantas vezes nos impede, com medo do mundo, de anunciarmos a Palavra e darmos testemunho do amor de Deus nas nossas vidas.

E que fazemos nós?

Procuramos descobrir, elaborar projectos, acções, planos para levarmos ao mundo a Palavra de Deus, mas esquecemo-nos a maior parte das vezes do mais importante, ou seja, que tudo isso seja feito e pensado em oração contínua, com a permanente entrega ao Espírito Santo, com o sentido de que a Igreja é Cristo, e que só no amor do Pai podemos amar como Jesus nos ama.

Pois, naquele tempo os cristãos rezavam, acreditavam no amor e no poder de Deus, porque sabiam que esses poderosos sinais com que Deus, no Seu infinito amor, tocava os homens, movia os corações e os levava a acreditar nAquele que é a nossa verdadeira e única salvação.

Acreditamos nós hoje nas «curas, milagres e prodígios» de Deus, no nosso tempo?

Rezamos tão pouco!

Rezamos, sobretudo, para pedir para nós, pelas nossas “coisas”, as nossas necessidades, as necessidades daqueles que nos são próximos, e tão pouco pedimos que o Senhor «conceda aos seus servos poderem anunciar a sua palavra com todo o desassombro, estendendo a sua mão para se operarem curas, milagres e prodígios, em nome do seu Santo Servo Jesus»!

E estes servos somos todos nós que nos dizemos Igreja, mas que damos tão pouco testemunho de o sermos.

A Igreja é ponto de partida para o anúncio da Palavra com as nossas próprias vidas, não é esconderijo para nos “escondermos” com medo do mundo.

Por isso a nossa primeira oração deve ser sempre, «concede aos teus servos poderem anunciar a tua palavra com todo o desassombro, estendendo a tua mão para se operarem curas, milagres e prodígios, em nome do teu Santo Servo Jesus» para que «cheios do Espírito Santo possamos anunciar a palavra de Deus com desassombro»!



Marinha Grande, 17 de Abril de 2023
Joaquim Mexia Alves