2022.04.15 Messa di Pasqua e Benedizione Urbi et Ourbi
Cerca de 100 mil
pessoas participaram da Missa da Páscoa na Praça de S. Pedro, presidida
pelo Papa Francisco, ouviram a sua mensagem pascal e receberam a benção
Urbi et Orbi. O pensamento do Pontífice concentrou-se nos vários países e
regiões que vivem conflitos, particularmente a Ucrânia. Na América
Latina, rezou por quem viu "piorar as suas condições sociais".
Bianca Fraccalvieri – Vatican News
“Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa! Jesus, o Crucificado, ressuscitou!”
Assim o Papa Francisco saudou os fiéis presentes na Praça de S. Pedro e
todos os que acompanharam a missa da Páscoa conectados pelos meios de
comunicação em todo o mundo.
Cerca de 100 mil fiéis participaram na cerimónia, que pôde finalmente
ser celebrada na Praça, após dois anos de pandemia, com os tradicionais
enfeites florais para acolher o anúncio da ressurreição de Cristo.
Também os nossos olhos estão incrédulos, nesta Páscoa de guerra
Após a Missa, o Papa dirigiu-se à sacada central da Basílica Vaticana, de onde dirigiu a mensagem Urbi et Orbi
(à cidade de Roma e a todo o mundo) e concedeu a Bênção Apostólica. Estava acompanhado pelos cardeais Renato Raffaele Martino e Michael
Czerny.
O Pontífice repetiu as palavras de Cristo contidas no Evangelho de João, diante dos olhos incrédulos dos discípulos: «A paz esteja convosco!».
“Também os nossos olhos estão incrédulos, nesta Páscoa de guerra”,
disse o Papa. Com todo o sangue e violência que vimos, temos dificuldade
em acreditar que Jesus tenha verdadeiramente ressuscitado. “Terá
porventura sido uma ilusão?”, questionou Francisco, que imediatamente
respondeu: “Não. Não é uma ilusão!”.
E hoje, mais do que nunca precisamos Dele, no final de uma Quaresma
que parece não ter fim. Em vez de sairmos juntos do túnel da pandemia,
demonstramos que existe ainda em nós o espírito de Caim, que vê Abel
não como um irmão, mas como um rival.
Por isso temos necessidade do Ressuscitado para acreditar na vitória
do amor, para esperar na reconciliação. Só Ele o pode fazer.
Crianças vítimas da guerra, mas também da fome
O Papa então dirigiu o seu olhar para todas as realidades que
necessitam do anúncio pascal. Falando da “martirizada” Ucrânia, usou
termos como crueldade e insensatez e pediu mais uma vez que não se
habitue à guerra. De modo especial, citou o sofrimento das crianças não
só ucranianas, mas também “as que morrem de fome ou por falta de
cuidados médicos, as que são vítimas de abusos e violências e aquelas a
quem foi negado o direito de nascer”.
Pediu paz no Médio Oriente, em particular entre israelitas e
palestinianos, no Líbano, na Síria e no Iraque. Paz também para a Líbia e
para o Iêmen, para Mianmar e para o Afeganistão. Paz para todo o
continente africano, particularmente na região do Sahel, na Etiópia, na
República Democrática do Congo.
Na América Latina, a "guerra" social
Olhando para o continente americano, a oração do Papa é para que
“Cristo ressuscitado acompanhe e assista as populações da América
Latina, que, em alguns casos, viram piorar as suas condições sociais
nestes tempos difíceis de pandemia, agravadas também por casos de
criminalidade, violência, corrupção e tráfico de drogas”.
Falou também do Canadá, para que o Senhor ressuscitado acompanhe o
caminho de reconciliação que a Igreja Católica no país está a percorrer
com os povos autótones.
A paz é possível!
Francisco concluiu recordando que cada guerra traz consigo
consequências que envolvem toda a humanidade: do luto ao drama dos
refugiados, até à crise económica e alimentar de que já se veem os
primeiros sintomas.
Cristo, todavia, exorta-nos a não nos rendermos ao mal e à violência.
“Deixemo-nos vencer pela paz de Cristo! A paz é possível, a paz é um dever, a paz é responsabilidade primária de todos!”
Caríssimos Celebrando a Vigília Pascal e rememorando tudo quanto o texto sagrado nos trouxe,
da criação à nova criação de todas as coisas em Cristo, fazemos muito
mais do que marcar uma data, ainda que sobremaneira importante. Importante
para nós, que aqui a podemos celebrar em paz; e não menos importante
para os que a vivem entre a aflição da guerra, da Ucrânia a outros
lugares em que a humanidade apesar de tudo sobrevive. Sobrevivência que a
vitória de Cristo sobre a morte assinala e garante. Com eles estamos em
oração, somando o nosso querer ao do próprio Deus da paz. Com eles
permaneceremos, até que a guerra acabe e ainda depois. Na
verdade, estamos na fonte duma nova vida que nos faz reviver a nós – e
por nós certamente a muitos mais, como pode e deve acontecer. A Páscoa é
“passagem” de Deus por nós e passagem de tudo para Deus, que, Ele sim, é
finalmente a nossa Terra Prometida, convivência eterna e comunhão
perfeita. É também surpresa,
circunstanciada e total. Circunstanciada como ouvimos, naquele túmulo
vazio que encheu de espanto quem o encontrou assim. Total sobretudo,
porque nesse nada do que estava se assinalou o tudo que nos preenche
agora: a vida ressuscitada de Cristo, que nos ressuscita também. São
verdades que dizemos e cantamos com as palavras que a Liturgia nos
oferece e sobretudo certezas com que Deus nos refaz. A
conotação batismal desta Vigília significa isso mesmo, com a Páscoa de
Cristo a renovar-nos a nós. Assim o seguimos no percurso que fez,
encontrando-o também na cruz deste mundo, como ela subsiste no drama da
vida, nossa e dos outros. Aí mesmo encontramos a Cristo, para o
seguirmos até ao fim. Fim que
pareceu quase nada naquele túmulo vazio e afinal foi tudo na vida que
dali brotou. Porque totalmente entregue foi-nos inteiramente devolvida,
como a sentimos em nós e a celebramos sempre, como se lá estivéssemos,
como na verdade estamos. Diante
do túmulo vazio, concluamos que ressuscita com Cristo em Deus quem com
Cristo se esvazia de si, para ser inteiramente de Deus como filho; e
inteiramente para os outros, como verdadeiro irmão. A tal nos conduz o Espírito batismal que perfaz o caminho de Cristo em cada um de nós.
Por essa razão nos chamamos “cristãos”, porque ungidos pelo mesmo
Espírito. Trata-se de algo de substantivo, que nos modifica realmente
por dentro, e não de adjetivo ocasional e exterior. - Basta de
“cristianismos” pretextuais e meramente decorativos, que tanto
contrariam a causa do Evangelho! Vida
ressuscitada é vida que se esvazia de si, para ser preenchida pela
caridade divina e assim mesmo se eternizar também, porque só a caridade
nunca acabará. Foi assim com Jesus, em todo o seu percurso humano. Se
pôde dizer um dia: «Eu o Pai somos um só», foi porque nada retinha de si
e nada o movia que não fosse a vontade de Deus Pai, que inteiramente
assumia como também sua. Foi,
nos trinta e poucos anos que viveu na terra, o que eternamente é em
Deus: uma vida inteiramente recebida e inteiramente retribuída. Assim o
confessamos no Credo: «Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus
verdadeiro». O Espírito que assim o movia é o que nos oferece no
batismo, para o sermos igualmente, divinizados e eternos em Deus. Deste
modo foi absolutamente para todos, porque a vontade de Deus Pai é a
salvação de cada um, como a atuação de Jesus sempre demonstrou. E como
há de prosseguir através de quantos recebem o seu Espírito. É
este e só este o critério da santidade. Homens e mulheres de vários
tempos e condições, crianças, adultos e anciãos que fossem, são
venerados nos altares onde subiram porque antes desceram ao mais chão e
comezinho da vida dos outros, nas variadas formas que a dedicação
encontra para servir quem precisa. Esvaziados de si, como o túmulo de
Cristo estava então, reviveram com Ele na caridade divina. Tudo
isto e melhor dito ouvimo-lo há pouco a São Paulo, como escreveu aos
cristãos de Roma, naquele primeiríssimo tempo: «Todos nós que fomos
batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte. Fomos sepultados
com Ele pelo Batismo na sua morte, para que, assim como Cristo
ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida
nova». E não é menos do que
isto o que lembraremos daqui a pouco, na renovação das promessas
batismais, quando “renunciarmos ao pecado, para vivermos na liberdade
dos filhos de Deus”. O pecado é o egoísmo que nos retém em nós; a
liberdade dos filhos de Deus é a que Cristo partilha com quem realmente
viva de Deus para os outros e com os outros em Deus. Infelizmente, é certo que o mundo em que vivemos e em que muitos a custo sobrevivem apresenta-se demais como sepulcro fechado,
como de facto assim é por tanta morte, destruição e escombro acumulado,
por guerras e outros males que não faltam. Também em muitas vidas
impedidas de nascer e noutras que desesperam de viver. Também em muitas
solidões e abandonos, que contrariam a verdade inquestionável de que
“viver é conviver”. Nestas e
noutras situações é de sepulcros fechados que se trata e com pesada
pedra a bloqueá-los. Nesta Vigília, porém, clareada numa intensa luz
pascal, o sepulcro vazio já proclama a vitória da vida sobre a morte,
quando a própria morte se transformar em vida, pela inteira caridade que
a preencha. Assim com Cristo – e por Cristo em nós e por nós onde
chegarmos. O Evangelho
dizia-nos há pouco que, vendo o túmulo vazio e apenas as ligaduras que
restavam, «Pedro voltou para casa admirado com o que tinha sucedido».
Também nós, que sabemos já o que o apóstolo ainda não sabia em tal
momento, não perdemos decerto a admiração por tudo o que a Páscoa nos
oferece na inesgotável novidade da vitória de Cristo sobre a morte. Por
isso também voltaremos admirados para casa. E admiraremos muitos mais,
quando a nossa própria vida for, em Cristo, geradora de vida para os
outros, sobretudo onde houver maior urgência em que aconteça. - Não nos
falta Cristo, não faltemos nós!
A Via-Sacra voltou
a ser realizada no Coliseu de Roma, com a participação de milhares de
fiéis. Um momento tocante foi representado por duas mulheres, uma
ucraniana e outra russa, que juntas carregaram a Cruz na XIII Estação,
que narra a morte de Cristo.
Bianca Fraccalvieri – Vatican News
A Paixão de Cristo encarnada na vida das famílias: o Coliseu de Roma
concentrou hoje as alegrias e cruzes dos lares, durante a Via-Sacra
desta Sexta-feira Santa, com a participação de dez mil pessoas.
Adentrando na cotidianidade de pais, avós e filhos, foram tocados
temas da atualidade, como a educação, a pobreza, a migração, a pandemia,
a doença e também a guerra. De facto, um dos momentos mais tocantes foi
vivido durante a XIII Estação, que narra a morte de Jesus. Neste
momento, a Cruz é carregada por duas famílias, uma ucraniana e outra
russa, em especial por duas mulheres amigas que trabalham juntas em
Roma. A câmara flagra o olhar de cumplicidade entre elas, enquanto o
Pontífice cobre com a mão o seu rosto em profunda oração.
O texto da meditação foi modificado no decorrer da celebração, para
dar mais espaço à oração e ao silêncio, como explicou a Sala de Imprensa
da Santa Sé: "Diante da morte, o silêncio é mais eloquente do que as
palavras. Detemo-nos, portanto, num silêncio orante e cada um, no
coração, reze pela paz no mundo."
No final das 14 estações, o Papa Francisco recitou a seguinte oração:
Pai misericordioso,
que fazeis nascer o sol sobre bons e maus,
não abandoneis a obra das vossas mãos,
pela qual não hesitastes
em entregar o vosso único Filho,
nascido da Virgem,
crucificado sob Pôncio Pilatos,
morto e sepultado no coração da terra,
ressuscitado entre os mortos ao terceiro dia,
aparecido a Maria de Magdala,
a Pedro, aos outros apóstolos e discípulos,
sempre vivo na santa Igreja,
o seu Corpo vivo no mundo.
Mantende acesa nas nossas famílias
a lâmpada do Evangelho,
que ilumina alegrias e sofrimentos,
fadigas e esperanças:
cada casa espelhe o rosto da Igreja,
cuja lei suprema é o amor.
Pela efusão do vosso Espírito,
ajudai a despojar-nos do homem velho,
corrompido pelas paixões enganadoras,
e revesti-nos do homem novo,
criado segundo a justiça e a santidade.
Segurai-nos pela mão, como um Pai,
para que não nos afastemos de Vós;
convertei ao vosso coração os nossos corações rebeldes,
para que aprendamos a seguir desígnios de paz;
fazei que os adversários se deem as mãos,
para que saboreiem o perdão recíproco;
desarmai a mão levantada do irmão contra o irmão,
para que, onde há ódio, floresça a concórdia.
Fazei que não nos comportemos como inimigos da cruz de Cristo,
Celebração da Paixão do Senhor na Basílica de São Pedro, em 15/04/2022
"Os eventos
improvisamente recordaram-nos uma coisa. As disposições do mundo mudam
de um dia para o outro. Tudo passa, tudo envelhece; tudo ‒ não somente
“a feliz juventude” ‒ desvanece. Há um só modo de se subtrair à corrente
do tempo, que arrasta tudo atrás de si: passar ao que não passa! Pôr os
pés em terra firme! Páscoa significa passagem: este ano, façamos todos
uma verdadeira Páscoa...passemos Àquele que não passa. Passemos agora
com o coração, antes de passar um dia com o corpo!"
Fr. Raniero Cantalamessa, OFMCap.
“PILATOS DISSE-LHE: O QUE É A VERDADE?”
Pregação da Sexta-feira Santa de 2022
Na narrativa da Paixão, o evangelista João dá uma particular
importância ao diálogo de Jesus com Pilatos, e é sobre ele que queremos
refletir por alguns minutos, antes de prosseguir com a nossa liturgia.
Tudo começa com a pergunta de Pilatos: “Tu és o Rei dos Judeus?” (Jo
18,33). Jesus quer fazer Pilatos entender que a pergunta é mais séria do
que ele pensa, mas que tem um significado apenas se não repetir
simplesmente uma acusação de outros. Por isso, pergunta, por sua vez:
“Dizes isso por ti mesmo ou outros te disseram isso de mim?”.
Ele procura conduzir Pilatos a uma visão superior. Fala do seu reino:
um reino que “não é deste mundo”. O Procurador entende apenas uma
coisa: que não se trata de um reino político. Se se quer falar de
religião, ele não quer entrar neste género de questões. Por isso,
pergunta com evidente ironia: “Então, tu és rei?”. “Jesus respondeu: ‘É como dizes, eu sou rei’” (Jo 18,37).
Declarando ser rei, Jesus expõe-se à morte; mas, em vez de se
desculpar negando, afirma-o com força. Deixa fluir a sua origem
superior: “Vim ao mundo...”: portanto, misteriosamente existia antes da
vida terrena, vem de um outro mundo. Ele veio à terra para ser
testemunha da verdade. Trata Pilatos como uma alma que necessita de luz e
de verdade e não como um juiz. Ele interessa-se pelo destino do homem
Pilatos, mais do que o seu próprio. Com o seu apelo para receber a
verdade, quer induzi-lo a retornar a si mesmo, a olhas as coisas com
olhar diverso, a colocar-se acima da contenda momentânea com os judeus.
O Procurador romano capta o convite que Jesus lhe dirige, mas, sobre
este género de especulações, é cético e indiferente. O mistério que
vislumbra nas palavras de Jesus causa-lhe medo e ele prefere terminar o
diálogo. Por isso, murmura consigo, dando de ombros: “O que é a
verdade?”, e deixa o Pretório.
* * *
Como é atual esta página do Evangelho! Também hoje, como no passado, o
homem não deixa de se interrogar: “O que é a verdade?”. Mas, como
Pilatos, volta distraidamente as costas àquele que disse: “Eu sou o caminho a verdade e a vida” (Jo 14,6).
Pela internet, tenho acompanhado inúmeros debates sobre religião e
ciência, sobre fé e ateísmo. Uma coisa chamou a minha atenção: horas e
horas de diálogo, sem que jamais fosse mencionado o nome de Jesus. E
caso a parte crente ousasse mencioná-lo e alegar o facto da sua
ressurreição dos mortos, imediatamente tentava-se encerrar o discurso
como não pertinente ao tema. Tudo acontece “etsi Christus non daretur”: como se no mundo jamais tivesse existido um homem chamado Jesus Cristo.
Qual é o resultado disso? A palavra “Deus” se tornar-se um recipiente
vazio que cada um pode preencher ao seu bel-prazer. Mas, justamente por
isso, Deus se preocupou em dar ele mesmo um conteúdo ao seu nome: “O
Verbo fez-se carne”. A Verdade fez-se carne! Por isso, o extenuante
esforço de deixar Jesus fora do discurso sobre Deus: ele tira do orgulho
humano todo pretexto para decidir por si o que é Deus!
“Ah, certo: Jesus de Nazaré!”, objeta-se. “Mas há quem duvide até
mesmo que tenha existido!”. Um conhecido escritor inglês do século
passado ‒ conhecido pelo grande público por ser o autor do ciclo de
romances e de filmes “O Senhor dos anéis”, John Ronald Tolkien ‒ numa
carta, dava esta resposta a seu filho, que lhe apresentava a mesma
objeção:
É necessária uma extraordinária vontade de não crer para supor que
Jesus jamais tenha existido ou que ele não tenha pronunciado as palavras
a ele atribuídas, tanto que elas são impossíveis de serem inventadas
por nenhum outro ser no mundo: “Antes de Abraão existir, eu sou!” (Jo
8,58); e “Quem me vê, vê o Pai (Jo 14,9)[1].
A única alternativa à verdade do Cristo, acrescentava o escritor, é
que se trate de “um caso de megalomania demente e de uma fraude
gigantesca”. Poderia, contudo, um caso do género, aguentar por vinte
séculos de implacável crítica histórica e filosófica e produzir os
frutos que tem produzido?
Hoje vai-se além do cepticismo de Pilatos. Há quem pense que não se
deva nem mesmo pôr a pergunta “O que é a verdade?”, porque a verdade,
simplesmente, não existe! “Tudo é relativo, nada é certo! Pensar
diversamente é presunção intolerável!”. Não há mais espaço para “as
grandes narrativas sobre o mundo e sobre a realidade”, inclusive sobre
Deus e sobre Cristo.
Irmãos e irmãs ateus, agnósticos ou ainda em busca (caso haja alguém
na escuta): não é um pobre pregador como eu que pronunciou as palavras
que agora estou prestes a vos dizer. É alguém que muitos dentre vós
admiram, do qual escrevem e do qual, talvez, consideram-se também
discípulos e continuadores: Søeren Kierkegaard, o iniciador da corrente
filosófica do Existencialismo:
Fala-se tanto – afirma ele ‒ de misérias humanas; fala-se tanto de
vidas desperdiçadas. Mas desperdiçada é somente a vida daquele homem que
jamais se deu conta, porque jamais teve, no sentido mais profundo, a
impressão de que exista um Deus e que ele – justamente ele, o seu eu –
esteja diante desse Deus[2].
Afirma-se: há muita injustiça e muito sofrimento no mundo para se
crer em Deus! É verdade, mas pensemos em quanto mais absurdo e motivo de
desespero se torna o mal que nos circunda, sem a fé num triunfo final
da verdade e do bem. A Ressurreição de Jesus dos mortos, que
celebraremos em dois dias, é a promessa e a garantia de que haverá
aquele triunfo, porque já iniciou com ele.
Se eu tivesse a coragem do apóstolo Paulo, também deveria gritar:
“Eu vos suplico: deixai-vos reconciliar com Deus!” (2Cor 5,20). Não
“desperdiceis” também vós a vida! Não deixeis este mundo como Pilatos
deixou o Pretório, com aquela pergunta no ar: “O que é a verdade?”. É
muito importante. Trata-se de saber se temos vivido por algo, ou em vão.
* * *
O diálogo de Jesus com Pilatos oferece, porém, a ocasião também para
uma outra reflexão, voltada, desta vez, para nós, fiéis e homens de
Igreja, não aos de fora. “O teu povo e os chefes dos sacerdotes te
entregaram a mim!”: Gens tua et pontifices tradiderunt te mihi
(Jo 18,35). Os homens da tua Igreja, os teus sacerdotes te abandonaram;
desqualificaram o teu nome com perversidades horrendas! E nós ainda
deveríamos acreditar em ti? Também a esta terrível objeção, eu gostaria
de responder com as palavras que o mesmo escritor mencionado escrevia ao
filho:
O nosso amor poderá ser esfriado e a nossa vontade lesionada pelo
espetáculo das deficiências, da loucura e dos pecados da Igreja e dos
seus ministros, mas não creio que quem, uma vez, acreditou de verdade,
abandone a fé por estas razões, menos de todos os que têm algum
conhecimento da história... Isto é cómodo porque nos leva a desviar o
olhar de nós mesmos e das nossas culpas e achar um bode expiatório...
Penso que sou sensível aos escândalos, assim como tu o és e qualquer
outro cristão. Tenho sofrido muito na minha vida por causa de padres
incultos, cansados, fracos e, às vezes, também maus”.
Um resultado do género era, no mais, de se esperar. Começou antes da
Páscoa, com a traição de Judas, a negação de Simão Pedro, a fuga dos
apóstolos... Chorar, então? Sim – recomendava Tolkien ao filho ‒ mas por
Jesus ‒ pelo que ele deve suportar ‒, antes do que por nós. Chorar
– acrescentamos hoje – com as vítimas e pelas vítimas dos nossos pecados.
* * *
Uma conclusão para todos, crentes e não crentes. Este ano, celebramos
a Páscoa não ao som de sinos, mas com o barulho nos ouvidos de bombas e
explosões não distante daqui. Recordemos o que Jesus respondeu um dia à
notícia do sangue dos galileus que Pilatos tinha misturado ao dos
sacrifícios, e da queda da torre de Siloé: “Se não vos arrependerdes,
perecereis todos da mesma forma” (Lc 13,5). Se não mudardes as
vossas lanças em foices, as vossas espadas em arados (Is 2,4) e os
vossos mísseis em fábricas e casas, perecereis todos do mesmo modo!
Os eventos improvisamente recordaram-nos uma coisa. As disposições do
mundo mudam de um dia para o outro. Tudo passa, tudo envelhece; tudo ‒
não somente “a feliz juventude” ‒ desvanece. Há um só modo de se
subtrair à corrente do tempo, que arrasta tudo atrás de si: passar ao
que não passa! Pôr os pés em terra firme! Páscoa significa passagem:
este ano, façamos todos uma verdadeira Páscoa, Veneráveis Padres, irmãos
e irmãs: passemos Àquele que não passa. Passemos agora com o coração,
antes de passar um dia com o corpo!
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Tradução de fr. Ricardo Farias, ofmcap
[1] Cf. From the Letters of J.R.R. Tolkien, ed. Humphrey Carpenter, with Christopher Tolkien, Houghton Mifflin 1981 (trad. Ital., Rusconi, Milano1990).
[2] Cf. Søeren Kierkegaard, La malattia mortale, II, in Opere, a cura di C. Fabro, Firenze 1972, p. 633.
A sair lentamente duma pandemia imprevista, lembrando os que ela vitimou e confrontados com uma devastadora guerra na Europa,
a juntar-se às que persistem noutras latitudes, é caso para perguntar
porque estamos hoje aqui e a recordar algo acontecido já tão longe no
tempo e no espaço, como foi a paixão e morte de Jesus de Nazaré… A
resposta imediata é uma só: Estamos aqui porque o reconhecemos como
Cristo, ou seja, o Messias tão esperado pelo povo bíblico e ainda hoje
por quem o não conheça. Messias ou Cristo significa ungido pelo Espírito
Divino para nos libertar de todos os cativeiros do corpo e da alma.
Assim o sentimos e confessamos nós. É o que significa estarmos aqui e a
revelação do seu porquê. Reconhecemo-lo, nós e para os outros, por
graça de Deus. Não como chefe vitorioso à maneira das efémeras vitórias
deste mundo, mas com o rosto do servo de Javé, como ouvimos há pouco:
«Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa
das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas
suas chagas fomos curados». Salvou-nos dando a vida por todos e não a
tirando a ninguém. O seu percurso terreno foi como sabemos e a sua
paixão foi como acabámos de ouvir. Nada que aparentemente o
singularizasse, desde o pequeno perímetro de Nazaré da Galileia, entre a
oficina do trabalho que fazia e a sinagoga do culto que prestava, não
faltando a um nem a outro. Alguma notícia depois, da estada em Cafarnaum
à passagem por outras terras. Falava-se de curas e conversões por ele
realizadas, que indiciavam ser o Messias há muito esperado, embora ele
pedisse discrição a esse respeito. Na sua última subida a Jerusalém,
começaram por aclamá-lo com “Hossanas ao Filho de David”, mas daí a dias
foi preso, torturado e morto, pelo triste conluio de alguns religiosos e
políticos e entre os gritos da turbamulta. Crucificaram-no por fim e
assim morreu pouco depois, suplicando o perdão divino para os seus
algozes. Mas, ainda aí, parecia mais um condenado entre outros que o
ladeavam… Perguntemo-nos então e de novo sobre o porquê de estarmos
aqui, tantos séculos passados. Ou melhor, como se tanto tempo passado
não conseguisse tirar-nos de ao pé da cruz. Esta mesma pergunta é já
resposta, pois significa admiração – palavra próxima de milagre – e uma
admiração única pela atração que sentimos em redor dum crucificado, algo
que por si mesmo não nos atrairia jamais, muito pelo contrário.
Cumpre-se
assim, hoje e aqui, o que Ele próprio predissera: «Eu, quando for
erguido da terra – precisamente na cruz – atrairei todos a mim» (Jo 12, 32).
Deixemos que esta atração se imponha agora e ainda mais ao nosso
espírito. Coincidamos com o que sentiram os poucos que permaneciam junto
daquela cruz levantada, os primeiros a entrever que toda a tragédia
humana se concentrava ali e assim mesmo encontrava salvação, porque
partilhada pelo próprio Deus. Tragédia partilhada pelo próprio Deus…
Assim continua a ser, como a única esperança que apesar de tudo se
entreabre. Como nestas palavras de há poucos dias, proferidas por um
sacerdote ucraniano numa igreja de Bucha, entre ruínas e cadáveres: «Só
Deus nos deu força para aguentar este inferno. Só Deus me dá força para
contar o que aqui vi. […] Aqui, nestas três valas, foram deixados
homens, mulheres e crianças, muitas crianças, algumas de colo. Estão
aqui centenas de pessoas. Como é possível tanto mal? Como é possível
tanta maldade? Meu Deus, meu Deus, ajuda-nos, dá-nos força» (Público, 5 de abril, p. 2). Estavam
junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de
Cléofas, e Maria Madalena. Duas ou três pessoas de família e uma das
discípulas que o tinham seguido. Também um discípulo especialmente
referido, que confiou a sua Mãe, pedindo-lhe que a guardasse depois.
Eram poucos, mas estavam por muitos mais até hoje, como somos nós,
também discípulos, também confiados à sua Mãe e guardando-a na devoção
agradecida. Nascia ali a Igreja e assim se há de manter, em redor da
cruz e vivendo daquela vida oferecida, como Deus Pai a devolveu. Só por
isso estamos aqui, numa razão bastante e maior do que nós, pois só a
partir dela nos compreendemos agora, para a testemunhar em toda a parte. Importa
perceber que a missão da Igreja se alarga com os braços da cruz. Braços
que chegam até nós, e por nós hão de chegar aos outros. Não como mero
emblema de naus de antanho ou de condecorações de agora. Mas como vidas
salvas na que Cristo ali nos deu, entregando-nos consigo a Deus Pai e
devolvidas pelo Pai a quem nos espera. O Espírito com que tudo isto
acontece manifesta-se hoje em cada vida entregue ao bem dos outros. E
pode acontecer assim porque na cruz do Gólgota a humanidade atingiu em
Cristo o ponto a partir do qual tudo verdadeiramente se renova.
Traduzindo a antiga frase e assinalando a convicção duradoura, “a cruz permanece enquanto o mundo se revolve”.
Ali, onde «inclinando a cabeça, expirou». Expirou, repartindo connosco o
mesmo Alento que o movia, para reanimarmos agora tanto desalento que
não falta. Aí mesmo, onde a cruz do mundo se apresenta em fomes, pestes e
guerras persistentes, Cristo está presente, tomando para si o que nos
dói e contando connosco para se aproximar de todos, em cada momento e
situação. Por isso estavam os primeiros ao pé da sua cruz e continuamos
nós onde ela se apresenta hoje em toda a dor do mundo. Sim, entre
familiares e amigos que sofram no corpo ou no espírito, como em quem não
conhecemos e igualmente sofra. Sim, em quem procure casa, sustento,
saúde e educação para si e para os seus. Sim, em quem precise de apoio
para prosseguir a gravidez e salvaguardar a vida que transporta em si,
ou em quem requer companhia e cuidados para não desistir de viver. Sim,
em quem tenha de fugir da sua terra, da Ucrânia a tantas outras paragens
assoladas pela guerra e a devastação. Sim, em solidariedade plena com
quantos sofrem perseguição pelo facto de serem cristãos ou quererem
aderir a Cristo: Em todas estes casos, na sofrida concretização de cada
um, alargam-se os braços da mesma cruz e encontra-se o mesmo Cristo, que
nela nos espera em tantos rostos. E assim mesmo nos salva, quando a
correspondência é perfeita. Por isso estamos aqui, na única razão do
atuar divino, como Jesus a revelou um dia: «Tanto amou Deus o mundo, que
lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que crê nele
não se perca, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16). Acolhamos a resposta de Deus na cruz de Jesus Cristo e convertamo-nos de vez ao amor que nos salva.
Hoje as igrejas
estão silenciosas. Na liturgia não há canto, não há música e não se
celebra a Eucaristia, porque todo espaço é dedicado à Paixão e à morte
de Jesus.
Silvonei José - Vatican News
Depois disso Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que se
cumprisse a Escritura, disse: “Tenho sede”. Havia ali uma jarra cheia de
vinagre. Amarraram num ramo de hissopo uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à sua boca. Ele tomou o vinagre e disse: “Está consumado”. E,
inclinando a cabeça, entregou o espírito” (Jo 18, 28-30).
Hoje as igrejas estão silenciosas. Na liturgia não há canto, não há
música e não se celebra a Eucaristia, porque todo espaço é dedicado à
Paixão e à morte de Jesus. Ajoelhamo-nos, para simbolizar a humilhação
do homem terreno e a coparticipação ao sofrimento do Senhor. Porém, não é
um dia de luto, mas um dia de contemplação do amor de Deus que chega
para sacrificar o próprio Filho, verdadeiro Cordeiro pascal, para a
salvação da humanidade.
A adoração da Cruz
A Cruz está presente na vida de todos os cristãos desde a purificação
do pecado no Batismo, absolvição do Sacramento da Reconciliação, até o
último momento da vida terrena com a Unção dos enfermos. Na Sexta-feira
Santa somos convidados a adorar a Cruz para o dom da salvação que
conseguimos através da sua vinda. Depois da ascese quaresmal o cristão
está preparado para não fugir do sofrimento.
Tendo em vista o abrandamento da pandemia, mesmo com velocidades
diferentes em cada país, a Congregação para o Culto Divino e a
Disciplina dos Sacramentos não ofereceu novas disposições para as
celebrações da Semana Santa deste ano, além daquelas a serem observadas
em tempos de Covid-19. Segundo uma nota divulgada “a experiência que as
Conferências Episcopais adquiriram nestes anos é certamente capaz de
lidar com as diversas situações da maneira mais apropriada, tendo sempre
o cuidado de observar as normas rituais contidas nos livros
litúrgicos”.
Na nota, enviada aos bispos e às Conferências Episcopais, o convite
para exercitar “a prudência, evitando gestos e comportamentos que
poderiam ser potencialmente arriscados".
Nos últimos dias, continua a nota, o Papa Francisco convidou a rezar,
“pedindo a Deus o dom da paz para a Ucrânia, para que esta "guerra
repugnante" possa chegar ao fim”. Junto com a Ucrânia, ressalta a
congregação, “também queremos lembrar todos os outros conflitos,
infelizmente sempre numerosos, em muitos países do mundo: uma situação
que o Papa Francisco descreveu como uma terceira guerra mundial em
pedaços”.
Nesse sentido, já que a liturgia da celebração da Paixão do Senhor
nesta Sexta-feira Santa nos convida a elevar a Deus a nossa súplica pela
Igreja e o mundo inteiro, “na oração universal invocaremos o Senhor
pelos governantes para que ilumine as suas mentes e corações para buscar
o bem comum em verdadeira liberdade e em verdadeira paz, e por aqueles
que estão em provação para que todos possam experimentar a alegria de
ter encontrado a ajuda da misericórdia do Senhor”. Uma oração para se
fazer desde já em prol dos irmãos “que vivem a atrocidade da guerra,
especialmente na Ucrânia”.
Via-Sacra no Coliseu
Histórias, alegrias e dificuldades de muitas famílias nas 14 estações
do rito da Sexta-feira Santa com o Papa Francisco. No Ano da Família
"Amoris Laetitia", as meditações contam partes de vida quotidiana, mas
também a guerra no Leste Europeu e a dureza da vida dos imigrantes nos
países de acolhimento.
Há famílias que o seu quotidiano, as alegrias do amor compartilhado, os
problemas do casal, as preocupações com os filhos, o sofrimento das
doenças, a dor pela perda do cônjuge nas meditações da Via-Sacra. Há
quem vive a guerra, como os povos ucraniano e russo há mais de um mês,
protagonistas de um conflito que continua a causar mortes atrozes, ou
quem teve que enfrentar o distanciamento dos seu país para procurar um
futuro noutro lugar e sofre por ser chamado apenas de migrante.
Histórias reais e concretas. A Paixão que será contada no Coliseu, nesta
Sexta-feira Santa, é a de Cristo, mas encarnada na vida quotidiana de
muitos lares. Vibram de vida os textos escritos por um casal de jovens
esposos (I estação), por uma família em missão (II), por esposos idosos
sem filhos (III), por uma família numerosa (IV), por uma família com um
filho com deficiência (V), por uma família que administra uma
casa-família (VI), por uma família com pai doente (VII), por um casal de
avós (VIII), por uma família adotiva (IX), por uma viúva com filhos
(X), por uma família com um filho consagrado (XI), por uma família que
perdeu uma filha (XII), por uma família ucraniana e uma família russa
(XIII) e por uma família migrante (XIV).
O Papa Francisco quis que as famílias fossem protagonistas das 14
estações no ano dedicado à família, com o qual a Igreja celebra os cinco
anos da exortação apostólica Amoris Laetitia; um ano que terminará com o
décimo Encontro Mundial das Famílias, que se realizará em Roma, de 22 a
26 de junho.
Francisco guiará a Via-Sacra no Coliseu de Roma. Cada igreja no mundo irá fazer à sua maneira.
A Sexta-feira Santa
A Sexta-feira Santa nasceu como dia da morte de Jesus (dia 14 do mês
de Nissan, que caía numa sexta-feira). Trata-se de um dia de luto,
acompanhado de "jejum", depois estendido a todas as sextas-feiras do
ano. A liturgia é composta de três momentos: Liturgia da Palavra,
Adoração da Cruz e Comunhão. Neste dia, por intermédio desta liturgia, os
fiéis são convidados a fixar o seu olhar em Jesus Crucificado, que morreu
na cruz para cumprir a sua missão salvífica, que o Pai lhe tinha confiado: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo". O
profeta Isaías diz: “Ele tomou sobre si os nossos pecados, as nossas
dores e sofrimentos, e nós o julgamos como castigado por Deus” (Is 52,13-53,12).
Com a sua vida, Jesus pagou um alto preço pela nossa desobediência, mas fê-lo com amor e por amor: “Sendo rico, Jesus fez-se pobre por vós, a
fim de vos enriquecer com a sua pobreza” (2Cor 8,9). No contexto
desta Sexta-feira Santa, cada um de nós pode ficar diante da cruz e
dialogar com o Senhor Jesus sobre os próprios problemas, dramas,
sofrimentos. Todas as questões sobre a vida são iluminadas pela Cruz, ao
ponto de chegarmos a dizer, realmente, que "o coração tem as suas razões, que a razão não pode compreender". O Senhor Jesus deve ser acompanhado com amor, até o fim, como Ele o fez.
A Via Sacra foi introduzida na Europa pelo dominicano beato Alvaro De
Zamora da Cordoba em 1402 e mais tarde pelos Frades Menores.
Francisco foi a
uma prisão no litoral romano e realizou o rito do lava-pés a nove homens
e três mulheres, de diferentes idades e nacionalidades. Como
normalmente faz nesta ocasião, proferiu a sua homilia sem um texto
pré-preparado e falou da "simplicidade" do gesto de Jesus: "Que belo
seria se isso pudesse ser feito todos os dias e a todas as pessoas".
Vatican News
Esta tarde, pouco antes das 15h (hora local), o Papa Francisco foi a
Civitavecchia, nas proximidades de Roma, para celebrar a Santa Missa "in
Coena Domini" com as pessoas detidas no Novo Complexo Penitenciário.
Chegando antes das 16 horas, foi acolhido pelas autoridades prisionais, o
Papa presidiu à Missa na Capela da prisão. Além de alguns reclusos, encontrava-se uma representação dos agentes e funcionários e algumas
autoridades, incluindo a Ministra da Justiça de Itália, Marta Cartabia.
Francisco foi a
uma prisão no litoral romano e realizou o rito do lava-pés a nove homens
e três mulheres, de diferentes idades e nacionalidades. Como
normalmente faz nesta ocasião, proferiu sua homilia sem um texto
pré-preparado e falou da "simplicidade" do gesto de Jesus: "Que belo
seria se isso pudesse ser feito todos os dias e a todas as pessoas".
Vatican News
Esta tarde, pouco antes das 15h (hora local), o Papa Francisco foi a
Civitavecchia, nas proximidades de Roma, para celebrar a Santa Missa "in
Coena Domini" com as pessoas detidas no Novo Complexo Penitenciário.
Chegando antes das 16 horas, acolhido pelas autoridades prisionais, o
Papa presidiu à Missa na Capela da prisão. Além de alguns reclusos,
havia uma representação dos agentes e funcionários e algumas
autoridades, incluindo a Ministra da Justiça da Itália, Marta Cartabia.
Servir e ajudar
Cada um de nós, disse ainda Francisco, "tem algo que está nos nossos corações há muito tempo, mas peçam perdão a Jesus".
E sugeriu uma oração: “Senhor, perdoa-me. Eu tentarei servir os outros, mas Tu serves a mim com o Teu perdão”.
“Este é o pensamento que gostaria de deixar: servir e nos ajudar.”
O Papa conclui anunciando que repetirá o gesto feito por Jesus. “Eu o
farei de coração, porque nós sacerdotes deveríamos ser os primeiros a
servir os outros, não explorar os outros. O clericalismo às vezes nos
leva para este caminho. Mas devemos servir.”
E recordou que "há um Senhor que julga, mas é um julgamento estranho:
o Senhor julga e perdoa". E concluiu exortando as pessoas a
prosseguirem com a celebração, com "o desejo de servir e perdoar uns aos
outros".
O gesto de Jesus
Depois da homilia, como é costume, o Papa Francisco repetiu o gesto
de Jesus durante a Última Ceia, quando o Senhor lavou os pés dos seus
discípulos como sinal de amor radical até ao ponto do serviço e da
humilhação. Foram 12 reclusos, homens e mulheres, incluindo pessoas de
diferentes idades e nacionalidades.
No final da missa, o diretor da prisão agradeceu ao Santo Padre e
ofereceu-lhe uma estampa do antigo porto de Civitavecchia, alguns
produtos do jardim cultivados pelos detidos e algumas obras feitas
pelos funcionários e prisioneiros.
Após a celebração, o Papa saudou brevemente cerca de cinquenta
pessoas representando os detidos, oficiais e funcionários da prisão.
Antes de anoitecer, voltou para a Casa Santa Marta.
Até ao fim Caríssimos Se ainda procurássemos o verdadeiro porquê desta celebração,
creio que não encontraríamos resposta mais cabal do que a ouvida no
começo do Evangelho de há pouco: «Antes da festa da Páscoa, sabendo
Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que
amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim». Reparemos
que não se trata apenas de amar, mas de amar até ao fim. Dito de outro
modo, amar verdadeiramente requer entrega total ao bem dos outros,
fazendo da vida uma plena oferta. A vida de Jesus mostra-nos o que tal
significa, a sua cruz realizou-o inteiramente e a Eucaristia oferece-o a
cada um de nós. São Paulo
assimilou tão plenamente esta verdade que a repetiu uma e outra vez nos
seus escritos. Como neste trecho, não hesitando em referir-nos à própria
realidade divina, assim mesmo demonstrada: «Sede, pois, imitadores de
Deus, como filhos bem-amados, e procedei com amor, como também Cristo
nos amou e se entregou a Deus por nós como oferta e sacrifício de
agradável odor» (Ef 5, 1-2). Sim, como dirá o Prefácio desta
Missa, «Cristo, nosso Senhor, verdadeiro e eterno sacerdote,
oferecendo-se como vítima de salvação, instituiu o sacrifício da nova
aliança e mandou que o celebrássemos em seu nome». Jesus
passou deste mundo para o Pai, na circunstância precisa que o Sagrado
Tríduo relembra e medita, da traição do discípulo à morte na cruz. Mas
de tudo isso, que podia ser apenas uma grande derrota e um tristíssimo
desfecho, Jesus fez oferta de si mesmo por nós e por todos, inteiramente
entregue às mãos de Deus Pai. Mãos que no-lo devolveram como alimento
de vida eterna, essa mesma que preenche e salva a quem verdadeiramente a
receba. A simpatia humana é algo de natural e espontâneo, na nossa humanidade comum.
Manifesta-se nas vidas que geram vidas, nos cuidados que se prestam e
na atenção ao bem do próximo. Mas também sentimos que não chega, quando
falta quem estava, o horizonte se ensombra, ou o mal parece vencer. Significa
isto que os melhores sentimentos e vivências não conseguem atingir
quanto prometem e o nosso desejo mais profundo acaba por ficar sem
cumprimento, não atingindo o fim que pretendia. As circunstâncias
atuais, que afligem tanta gente por esse mundo além e aquém, dão lugar a
grandes deceções. Na verdade, com tanto bem que se pratica, tanto
contributo da ciência e do engenho humano, tanto sonho e ideal que nos
movem, porque havemos de ficar a meio caminho de nós próprios, ou mesmo
entre os escombros dos melhores propósitos? -
Que nos resta então, a nós mortais? Os discípulos de Jesus celebram
hoje um amor que nos amou até ao fim e que desse modo preencheu de vida
divina o que a fraqueza humana extinguiria. E não por fora desta mesma
fraqueza, antes sofrendo-a até à morte e morte de cruz. Em tudo foi
igual a nós, no que sofreu, mas sempre com Deus Pai e assim vencendo. Porque
nos amou até ao fim do percurso terreno que lhe truncaram de modo tão
injusto e tão cruel, nada ficou por acompanhar em cada um, no infindo
caminho em si aberto. Por isso celebramos e comungamos a vida que nos
deu, na Santíssima Ceia do seu corpo oferecido e do seu sangue
derramado. Sim, caríssimos, se
estamos hoje aqui, celebrando a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, é
unicamente porque Jesus nos amou até ao fim. Se o não tivesse atingido,
também não nos alcançaria a nós, humanidade de qualquer tempo e lugar,
sempre tão longe do que só com Ele poderá ser. Sabia-o São Paulo, ao
resumir a sua vida deste modo: «corro para ver se o alcanço, já que fui
alcançado por Cristo Jesus» (Fl 3, 12). Esta frase pode bem
traduzir o dinamismo eucarístico duma existência cristã propriamente
dita, da gratidão à entrega de si mesmo. Duas consequências maiores daqui se tiram.
A primeira é que celebrar verdadeiramente a Eucaristia é acertar a vida
no ponto eucarístico a que Cristo chegou e donde nos chama agora e a
cada um. É entrar na lógica divina que assim se revelou. Em Jesus
Cristo, seu Verbo encarnado, Deus diz-se e comprova-se como vida
totalmente oferecida. Foi este o
fim da revelação divina, para a tomarmos nós como finalidade da nossa
vida em Deus. Na sua cruz Cristo entregou-se às mãos do Pai, na
Eucaristia devolvemo-nos com Ele a Quem nos espera a nós também. Não
celebramos muitas Missas, celebramos cada vez melhor a única de Cristo,
sacramentalmente reiterada, para que o mesmo propósito se realize até ao
fim. A outra consequência
necessária é a que Pedro aprendeu no lava-pés, como há pouco ouvimos,
dando-lhe o sentido que aprenderia depois: «Senhor, então não somente os
pés, mas também as mãos e a cabeça». Não se tratava de limpeza exterior
e fácil de conseguir. Trata-se da renovação inteira que só em Cristo se
alcança. Em Cristo e precisamente no seu amor comprovado “até ao fim”,
refazendo-nos com a sua vida entregue, convertendo toda a boa vontade
humana na absoluta caridade divina. Nenhum
de nós se abeire da Eucaristia para continuar como está ou se garantir
como deseja de si e só para si. Tudo isso seria muito pouco e mesmo
ingratidão. A Eucaristia é a entrega total de Cristo pela totalidade que
havemos de atingir com Ele, para glória de Deus e bem dos outros. Tudo
nela é sacramento e sinal da ressurreição que só desse modo nos chega,
pois com Cristo nos oferecemos a Deus e com Cristo nos devolvemos a
todos, ampliando a Missa em missão. A
Eucaristia é a memória viva e vivificante da oferta que Jesus nos fez
de si mesmo e nunca pode ser menos do que isso, para ser autêntica e
salutar. Lembrou-o também São Paulo: «Na verdade, todas as vezes que
comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do
Senhor, até que Ele venha». Vivemos
duma vida entregue, comunguemo-la inteiramente gratos e manifestemo-la
em correspondência total. Não fiquemos a meio do caminho que Ele quer
percorrer, connosco e em nós, até ao fim!
Chegamos a esta Semana Santa em condições muito especiais e exigentes,
a sair cautelosamente duma pandemia que deixará sequelas, tanto pela
saudade dos que partiram como em quem mais sofreu com o isolamento e
outros condicionalismos graves, especialmente os mais novos ou os mais
idosos e sós. Mas saímos também com a gratidão devida a quantos, no
setor público, privado ou social, tanto fizeram para responder às
necessidades que surgiram. Foi realmente muito o que se fez e grande a
solidariedade demonstrada. Em Missa Crismal como estamos, refiro com
gratidão tudo quanto foi feito pelas comunidades cristãs e os seus
pastores, conseguindo superar com empenho e criatividade os limites do
isolamento e das restrições sanitárias. Creio mesmo que algo do que se
conseguiu permanecerá na nossa prática pastoral, para chegar a quem não
venha ou não possa vir. A isto acresceu a guerra na Ucrânia, com tudo
o que de muito mau tem trazido à sua população, ainda residente ou já
refugiada em grande número. Também aqui não têm faltado exemplos de
grande solidariedade, acolhimento de quem chega e ajuda a quem permanece
na sua terra devastada. Continuaremos disponíveis e próximos,
colaborando com as entidades oficiais e participando em iniciativas
seguras, especialmente no âmbito da Cáritas Portuguesa e da nossa
Cáritas Diocesana, para maximizar os recursos. Assim também para tudo
o mais que a caridade e a justiça nos requeiram. Como no que se refere à
proteção de menores no espaço eclesial, a que hoje estamos muito
especialmente atentos. Aqui estamos, com plena consciência e
compromisso, para reconhecer e corrigir erros passados, pedir perdão por
eles e prevenir convenientemente o futuro. Como
ouvimos, a unção de Jesus manifestou-o como boa nova para os pobres,
redenção para os cativos, luz para os cegos e libertação para os
oprimidos, proclamando em tudo isto e no sentido mais alargado de cada
um desses itens o ano da graça do Senhor. Esta unção abrange
todos os batizados em Cristo, como ouviremos daqui a pouco no Prefácio,
louvando a Deus Pai nos seguintes termos: «Pela unção do Espírito Santo
constituístes o vosso Filho Unigénito pontífice da nova e eterna
aliança, e no vosso amor infinito quisestes perpetuar na Igreja o seu
único sacerdócio. Ele revestiu do sacerdócio real todo o seu povo
santo…». Havia no povo antigo sacerdotes para oferecerem a Deus
preces e imolações pelo povo. E houve também reis, que deviam lembrar a
todos que só Deus era o seu verdadeiro Senhor. Assim devia ter sido
sempre, como em Jesus acabou por ser finalmente. Em Jesus Cristo,
sacerdócio e realeza unificam-se na constante entrega ao Pai e no pleno
cumprimento da sua vontade. Assim mesmo nos ensinou a rezar e a agir,
quer ensinando o Pai Nosso quer resumindo a sua doutrina no amor de Deus
e do próximo, unindo a oração filial e o amor fraterno numa coisa só. Entretanto
e diretamente para vós, caríssimos irmãos sacerdotes, o Prefácio
continua deste modo, sempre dirigido a Deus Pai: «[O vosso Filho
Unigénito] de entre os seus irmãos, escolheu homens que, mediante a
imposição das mãos, participam do seu ministério sagrado». Detenhamo-nos
um pouco nesta frase, que refere a nossa eleição pessoal por Cristo e a
nossa ordenação sacramental para a Igreja. Isto vos define aqui, a
vós que fostes chamados ao sacerdócio ministerial. Não foi escolha
vossa, mas de Cristo, que vos chegou pelo modo que cada um guarda na sua
memória e no seu coração. E tal sucede para que todo o Povo de Deus
faça hoje a experiência original da Igreja, quando na vida concreta do
seu Fundador aprendia a retribuir-se filialmente a Deus Pai e a viver
fraternalmente com todos. Foi no rosto, nas palavras e nos gestos de
Jesus Cristo, Verbo de Deus encarnado, que conheceram este sacerdócio
novo; e é pelo rosto, palavras e gestos dos que Ele escolheu e uniu
sacramentalmente a si que tal continua a acontecer, agora e com cada um
de vós. É esse o mistério que vos garante e é esse o serviço que
prestais. É também o que o Povo de Deus espera fundamentalmente dos seus
padres. Palavras e gestos sacerdotais de Cristo, que o Prefácio
enumera a seguir e preenchem também a vossa vida, dirigindo-se sempre a
Deus Pai: «[Os ministros sagrados] renovam em seu nome o sacrifício da
redenção humana, preparando para os vossos filhos o banquete pascal;
dirigem com amor fraterno o vosso povo santo, alimentam-no com a palavra
e fortalecem-no com os sacramentos». Na verdade, seja qual for a
missão específica dum padre, tudo se orienta para a celebração do
banquete pascal. De Domingo a Domingo e mesmo em cada dia da semana,
tudo se encaminha para a Santa Missa, na vida do sacerdote e de todo o
povo com ele e através dele. Quando esta orientação se esvanece, tudo o
mais declina e a própria identidade se questiona. Meditar e rezar a
Palavra, para bem a partilhar em todos os momentos sacramentais, é o
primeiro serviço que devemos aos outros. Não para lhes dizermos palavras
meramente nossas, mas para ecoarmos o que a Jesus ouvimos. Lembremos
que foi essa a prioridade dos primeiros apóstolos, assim expressa:
«Quanto a nós, entregar-nos-emos assiduamente à oração e ao serviço da
palavra» (At 6, 4). Falo da nossa experiência concreta e da nossa missão sacerdotal propriamente dita.
O que as pessoas esperam de nós é a atualização de quanto ligam ao
próprio Cristo, Palavra dita e feita, precisamente como foi e a Tradição
eclesial a guardou. A nossa teologia é a que Jesus nos transmite da
parte de Deus Pai. A nossa oração é a que que siga inteiramente o Pai
Nosso. O nosso serviço é o que Jesus fez e ilustrou em parábolas como a
do Bom Samaritano. Quando não transmitimos isso mesmo, podemos distrair
alguma vez mas acabamos por desiludir tarde ou cedo. Nós próprios o
sentimos e sofremos. É ainda o Prefácio desta Missa a apresentar-nos
assim: «Como verdadeiras testemunhas da fé e da caridade [os ministros
sagrados] comprometem-se generosamente a cumprir a sua missão, prontos,
como Cristo, a dar a vida por Vós [Pai Santo] e pelos homens seus
irmãos». A revitalização sinodal que prosseguimos com o Papa
Francisco – continuando o que procurámos antes com o nosso Sínodo
Diocesano – relança-nos ainda mais, a nós sacerdotes, como homens da
Igreja e para a Igreja. Somo-lo num serviço próprio que não apropria,
antes reconhece e valoriza o de todos os irmãos e irmãs, na variedade
carismática e ministerial que o Espírito oferece para a missão que é de
todos. Em tempo de profunda transição social e cultural, é-nos exigida
uma atenção redobrada aos “sinais dos tempos”, que só podem ser
compreendidos e correspondidos pelo conjunto eclesial na variedade de
situações de cada um: nos diversos grupos etários, vivendo em matrimónio
ou celibato consagrado, ministros ordenados ou laicais, exercendo esta
ou aquela profissão… Pode acontecer que diante da magnitude dos
desafios que se enfrentam, rondem tentações de desistência e mesmo fuga.
Bem pelo contrário e em Missa Crismal, move-nos, isso sim, a certeza de
que o Espírito que ungiu a Cristo nos unge agora a nós e nos levará em
frente e, quando preciso, doutro modo. Relembro a frase com que
Chesterton resumia o nosso ressurgimento cíclico, após cada época de
crise: «O cristianismo morreu e renasceu muitas vezes, porque tinha um
Deus que sabia ressuscitar» (O homem eterno, Lisboa, Aletheia, 2009, p. 341). É o mesmo Deus que nos transporta agora. Temos
diante de nós, num horizonte cada vez mais próximo, a Jornada Mundial
da Juventude, da qual o Papa Francisco tanto espera, como momento forte
de Evangelho vivo e revitalizador para a gente nova e para todos. A
preparação prossegue e acelera-se, com grande empenho de um número
crescente e motivado de colaboradores, do espaço eclesial e além dele. A
Jornada há de ser palavra viva, eco bem audível do que Deus nos diz em
Cristo e agora ressoa em tantos jovens que o querem transmitir a muitos
outros. De nós, ministros ordenados, esperam o apoio que só o Evangelho
escutado, proclamado e convivido pode dar. Não falharemos por eles e por
todos. Tomemos esta ocasião como estímulo para nos renovarmos também
nós, na colaboração pastoral que nos pertence.
- Nossa Senhora nos transmitirá a pressa de alma que a levou ao encontro de Isabel, nessa primeiríssima evangelização que fez!