11 junho 2023

VER COM AMOR

 

 
«Naquele tempo, Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus …»

Realmente percebemos a diferença entre o olhar, o acolher, o chamar de Jesus e o nosso modo de olhar os outros, até mesmo aqueles que nos são próximos.

Jesus viu um homem chamado Mateus, não viu um cobrador de impostos, um homem que trabalhava para o opressor daquele tempo.
Jesus quis ver quem era aquele homem Mateus, não quis ver o que era aquele homem, como ele se portava ou o que ele fazia.
Jesus quis amar e acolher aquele homem e assim poder, pelo amor, libertar aquele homem de tudo o que nele era errado.

Nós veríamos, em primeiro lugar, o tal odiado cobrador de impostos, o tal traidor que colaborava com o opressor, veríamos um pecador, sem cuidarmos de nos lembrarmos que também nós somos pecadores.
E por o vermos assim e assim tantas vezes vermos os outros nos seus defeitos, é que em vez de acolhermos e amarmos, ou melhor, de amarmos e acolhermos, é que não ajudamos ou somos ocasião para também os outros encontrarem o Jesus que amamos e queremos nas nossas vidas, porque só Ele nos dá a vida em abundância.

Mais à frente, na narração do Evangelho, e perante a forma como os fariseus vêem Mateus, (ou como nós vemos os outros, às vezes até mesmo em Igreja), Jesus diz-lhes que percebam bem o que quer dizer «prefiro a misericórdia ao sacrifício».

Realmente quantas vezes fazemos o que fazemos em Igreja por preceito apenas, e não o fazemos em primeiro lugar por amor a Deus e aos outros?

Interpretando literalmente a frase «prefiro a misericórdia ao sacrifício», pergunto-me o que me é mais difícil: Fazer um sacrifício de jejum, (que posso e devo fazer, sem dúvida), ou perdoar a quem me ofendeu?

Claro que uma não invalida a outra, mas de que vale o sacrifício se não faço a paz com o meu irmão, se não amo o meu irmão vivendo o mandamento de amor que Cristo nos deixou: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.»?

Uma coisa Te peço, Senhor, que me faças sempre ver no meu próximo, um irmão, que quero amar em vez de julgar.



Marinha Grande, 11 de Novembro de 2023
Joaquim Mexia Alves


Nota: Texto suscitado pela homilia do Padre Patrício Oliveira, pároco da Marinha Grande, na Missa das onze horas deste Domingo.
 

Acompanhado espiritualmente pelos fiéis, o Papa rezou o Angelus de forma privada

 

  Fiéis unidos ao Papa diante do Gemelli na hora do Angelus  (ANSA)  
 

Diante da Policlínica Gemelli, formou-se uma pequena multidão de fiéis, que rezaram o Angelus unidos espiritualmente ao Santo Padre.
 

Vatican News

Como antecipado no comunicado médico de sábado, 10, para "evitar movimentos que pudessem tensionar a parede abdominal", o Papa Francisco rezaria o Angelus deste domingo de forma privada, unindo-se no entanto espiritualmente, "com afeto e gratidão, aos fiéis que desejam acompanhá-lo, onde quer que estivessem".

E assim o foi, como confirmado pelo comunicado do diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé. Matteo Bruni informou que durante a manhã deste domingo, o Papa "acompanhou a Santa Missa ao vivo pela televisão e recebeu a Eucaristia". Então, "dirigiu-se à pequena capela do apartamento privado, onde se recolheu em oração para a recitação do Angelus."

Francisco então almoçou "juntamente com os que o assistem nestes dias de hospitalização no apartamento privado (médicos, auxiliares de saúde, enfermeiras, auxiliares e pessoal do Corpo de Gendarmaria)."

Bruni comunicou ainda que a equipe médica informou "que o pós-operatório do Papa Francisco é regular. O Santo Padre continua afebril e hemodinamicamente estável; ela fez fisioterapia respiratória e continuou a se movimentar."

A recordar que no dia 4 de julho de 2021, sete dias após a operação para retirada de uma parte de intestino com divertículos, Francisco tinha recitado o Angelus da janela do apartamento no Gemelli. Mas naquela ocasião - precisou no sábado o Dr. Sergio Alfieri que o acompanha - já se tinha passado uma semana“. No quadro atual – observou o médico - o Papa aceitou o conselho dos médicos de descansar e não fazer mais esforços que pudessem comprometer a malha protética implantada e o reparo da fáscia muscular para uma cicatrização ideal".

VN

08 junho 2023

CORPO DE DEUS PÃO DE DEUS

 

 

Que Pão é este

que vindo dos Céus

alimenta o homem

e o faz eternidade em Deus.

 

Não é Pão de um momento

nem de existência efémera

é Pão de divino alimento

que leva à vida eterna.

 

Este é um Pão consagrado,

no sacrifício da Cruz,

é um Pão que nos é dado

prometido por Jesus.

 

Não é um qualquer maná

que perece brevemente

é Pão que Deus nos dá

por amor tão simplesmente.

 

Este Pão mata a fome

afasta a tristeza e a dor

é um Pão que se consome

como puro e eterno amor.

 

Dá-nos sempre deste Pão

nosso Deus, nosso Senhor

para que em cada coração

viva sempre o Teu amor.

 

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

Marinha Grande, 8 de Junho de 2023

Joaquim Mexia Alves

 

04 junho 2023

Papa: o sinal da cruz é o abraço de Deus que jamais nos abandona

 
 
Na Solenidade da Santíssima Trindade, o Papa falou da "comunhão de amor" que une o Pai, o Filho e o Espírito Santo numa única família na qual a Igreja deve-se espelhar.
 

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

O Papa rezou o Angelus com milhares de fiéis na Praça de São Pedro neste Domingo em que a Igreja celebra a Solenidade da Santíssima Trindade.

O Evangelho é extraído do diálogo de Jesus com Nicodemos, membro do Sinédrio. Apaixonado pelo mistério de Deus, Nicodemos reconhece em Jesus um mestre divino e, sem que o vejam, vai falar com Ele. Jesus ouve-o e revela-lhe o coração do mistério, dizendo que Deus amou tão profundamente a humanidade ao ponto de enviar o seu Filho ao mundo. Jesus, portanto, o Filho, fala-nos do Pai e do seu amor imenso.

Francisco ressaltou a relação familiar de Pai e Filho. "É uma imagem familiar que, se pensarmos, desequilibra o nosso imaginário sobre Deus. A própria palavra 'Deus', com efeito,  sugere-nos uma realidade singular, majestosa e distante, enquanto ouvir falar de um Pai e de um Filho leva-nos e volta para casa."

Para o Pontífice, podemos pensar Deus através da imagem de uma família reunida à mesa, onde se compartilha a vida, já que a mesa é ao mesmo tempo um altar, símbolo com o qual alguns ícones representam a Trindade.

"Mas não é somente uma imagem, é uma realidade! É realidade porque o Espírito Santo faz-nos degustar a presença de Deus: presença próxima, compassiva e terna. O Espírito Santo faz connosco o mesmo que Jesus faz com Nicodemos: introduz-nos no mistério do novo nascimento, revela-nos o coração do Pai e torna-nos partícipantes da própria vida de Deus."

O convite, portanto, explicou o Papa, é estar à mesa com Deus para partilhar o seu amor. Isto é o que acontece em cada Missa, no altar do banquete eucarístico, onde Jesus se oferece ao Pai e se oferece por nós.

"Sim, irmãos e irmãs, o nosso Deus é comunhão de amor: assim Jesus revelou-nos. E sabem como podemos fazer para recordá-lo? Com o gesto mais simples que aprendemos desde crianças: o sinal da cruz. Traçando a cruz sobre o nosso corpo recordamo-nos quanto Deus nos amou, ao ponto de dar a vida por nós; e repetimos a nós mesmos que o seu amor envolve-nos completamente, de cima a baixo, da esquerda à direita, como um abraço que jamais nos abandona. E, ao mesmo tempo, comprometemo-nos a testemunhar Deus-amor, criando comunhão em seu nome."

Antes de concluir, Francisco propôs algumas perguntas aos fiéis: Testemunhamos Deus-amor? Ou Deus-amor tornou-se, por sua vez, um conceito, algo já conhecido, que não estimula e não provoca mais a vida? Se Deus é amor, as nossas comunidades testemunham-no? Sabem amar? São famílias? Mantemos a porta sempre aberta, sabemos acolher todos, ressalto todos, como irmãos e irmãs? Oferecemos a todos o alimento do perdão de Deus e o vinho da alegria evangélica? Respira-se uma atmosfera doméstica ou parecemos mais um escritório ou um lugar reservado onde entram somente os eleitos?

"Que Maria nos ajude a viver a Igreja como aquela casa em que se ama de modo familiar, a glória de Deus Pai e Filho e Espírito Santo", foi a exortação final do Pontífice.

VN

01 junho 2023

EM ADORAÇÃO


 
 
Ajoelhas-te no chão duro, baixas a cabeça, despes-te de ti, fazes silêncio em ti e entregas-te ao Espírito Santo, insistindo ternamente que Ele venha, te ilumine e guie.

Docemente deixas-te envolver no momento, abres os teus olhos e fixas longamente a Hóstia Consagrada, deixando que o Espírito Santo te mostre o Cristo vivo que ali está.

Não sabes o que dizer, o que orar, mas ao teu coração vem a certeza de que Ele te está a ouvir e a abraçar.

Percebes então que as tuas palavras têm pouca importância, porque o que importa verdadeiramente é o teu coração aberto a Cristo, é o teu ser todo inteiro desejar ardentemente estar totalmente na Sua presença, como naquela Última Ceia.

Deixas-te levar pelo Espírito Santo e vais até ao Monte das Oliveiras onde adormeces enquanto Ele ora ao Pai.

Ouves a sua voz e levantas-te apressado, mas depressa te afastas porque O vês ser preso e tens medo.

À distância segue-lO e juntas-te a outros que ali estão também, enquanto o interrogam, a Ele que é inocente.

Quando os que te rodeiam te perguntam se O segues, negas, porque tens medo, mas o olhar de compaixão com que Ele te olha faz-te arrepender e chorar amargamente.

Vê-lO carregar a cruz, mas mais uma vez o medo tolhe-te e não te aproximas para O ajudar.

Crucificam-nO à tua frente e quando Ele baixa a cabeça e num murmúrio diz que tudo está consumado, percebes então, porque o Espírito Santo to mostra, que Ele morreu por ti, que Ele morreu por todos nós.

Um silêncio maior toma conta de ti e agora nem sequer ousas olhar para o Jesus Sacramentado e murmurando baixinho vais dizendo: Perdão, Senhor, perdão!

Mas o Espírito Santo vem mais uma vez em teu auxílio e levanta-te a cabeça para que vejas no Sacramento da Eucaristia o Cristo glorioso que se faz ali presente, abrindo os braços para ti, chamando-te pelo teu nome, e dizendo-te que te ama com amor eterno.

Então surge em ti um grito abafado que te enche por completo e apenas podes dizer, repetindo sem cessar:

Obrigado, Senhor, obrigado!
Glória a Ti por todo o sempre!
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo pelos séculos sem fim!

Levantas-te e partes entusiasmado, com essa vontade dentro de ti de testemunhar a todos a alegria, a paz e o amor que vivem em ti porque Ele te ama e te faz amor para os outros.



Monte Real, 30 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves


Nota: Na terça feira recebi a comunicação do grupo dos Irmãos Nómadas a que pertenço, à distância, visto que reúnem todas as quarta feira em Lisboa.
Nesta quarta feira fizeram adoração ao Santíssimo e, quando recebi a comunicação na terça feira, escrevi este texto que lhes enviei, como participação/união minha em oração.
 

O Papa: Matteo Ricci seguiu o caminho do diálogo e da amizade com todas as pessoas

 
 
O estudo e a formação despertam interesse e admiração, mas é a coerência da vida cristã que atrai, disse Francisco na Audiência Geral referindo-se à missão do jesuíta que, superando dificuldades e perigos, conseguiu entrar no grande país asiático há 500 anos e anunciar a fé cristã, modelo de inculturação
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

A catequese do Papa Francisco na Audiência Geral, desta quarta-feira (31/07), teve como exemplo de zelo apostólico o pe. Matteo Ricci, italiano que foi à China.

"Natural de Macerata, na região das Marcas, depois de ter estudado nas escolas dos jesuítas e de ter entrado na Companhia de Jesus, entusiasmado pelos relatórios dos missionários, como muitos outros jovens, seus companheiros, pediu para ser enviado para as missões do Extremo Oriente. Depois da tentativa de Francisco Xavier, mais vinte e cinco jesuítas procuraram, sem sucesso, entrar na China", sublinhou o Papa.

De acordo com Francisco, "Matteo Ricci e um dos seus confrades prepararam-se muito bem, estudando cuidadosamente a língua e os costumes chineses, e no final conseguiram estabelecer-se no sul do país. Foram necessários dezoito anos, com quatro etapas em quatro cidades diferentes, antes de chegar a Pequim, que era o centro. Com constância e paciência, animado por uma fé inabalável, Matteo Ricci conseguiu superar dificuldades e perigos, desconfianças e oposições".

“Ele seguiu sempre o caminho do diálogo e da amizade com todas as pessoas que encontrou, e isto abriu-lhe muitas portas para o anúncio da fé cristã.”

Comportamento de inculturação

A sua primeira obra em língua chinesa foi precisamente um tratado "Sobre a amizade", que teve grande ressonância. Para se integrar na cultura e na vida chinesas, num primeiro período vestia-se como os bonzos budistas, conforme o costume do país, mas depois compreendeu que a melhor maneira era assumir o estilo de vida e os trajes dos eruditos. Estudou profundamente os seus textos clássicos, a fim de poder apresentar o cristianismo em diálogo positivo com a sua sabedoria confucionista e os usos e costumes da sociedade chinesa. Isto chama-se um comportamento de inculturação. Estes missionários souberam “inculturar” a fé cristã em diálogo com a cultura grega.

Segundo o Papa, "a sua excelente preparação científica suscitava o interesse e a admiração dos homens cultos, começando pelo seu famoso mapa-múndi, o mapa de todo o mundo então conhecido, com os diferentes continentes, que revela aos chineses, pela primeira vez, uma realidade fora da China muito mais vasta do que pensavam". 

 

 

De acordo com o Papa, "os conhecimentos matemáticos e astronómicos de Ricci e dos seus seguidores missionários contribuíram para um encontro fecundo entre a cultura e a ciência do Ocidente e do Oriente, que então viverá uma das suas épocas mais felizes, no sinal do diálogo e da amizade. Com efeito, a obra de Matteo Ricci nunca teria sido possível sem a colaboração dos seus grandes amigos chineses, como os famosos “Doutor Paulo” (Xu Guangqi) e o “Doutor Leão” (Li Zhizao)".

A coerência dos evangelizadores

"No entanto, a fama de Ricci como homem de ciência não deve obscurecer a motivação mais profunda de todos os seus esforços: o anúncio do Evangelho. A credibilidade obtida mediante o diálogo científico conferia-lhe autoridade para propor a verdade da fé e da moral cristã, que ele debate de modo aprofundado nas suas principais obras chinesas, como O verdadeiro significado do Senhor do Céu", sublinhou Francisco. "Esses missionários rezavam, pregavam, moviam-se, faziam jogadas políticas, tudo isto, mas rezavam. É o que alimenta a vida missionária, uma vida de caridade, ajudavam os outros, humildade e um total desinteresse por honras e riquezas que levam muitos dos seus discípulos e amigos a aceitar a fé católica porque viam um homem tão inteligente, tão sábio, tão astuto, no bom sentido da palavra, para fazer as coisas e tão fiel, que diziam: O que prega é verdadeiro, é uma personalidade que dá testemunho", disse ainda o Papa.

“Testemunha com a própria vida o que anuncia. Esta é a coerência dos evangelizadores. Isto cabe a todos nós cristãos que somos evangelizadores. Eu posso rezar o Credo de cor, posso dizer todas as coisas que acreditamos, mas se a vida não for coerente com isso, não serve a nada. O que atrai as pessoas é o testemunho de coerência. Nós cristãos, vivemos o que pregamos. Não fazer de conta viver como cristãos e depois viver como mundanos. Fiquem atentos! Olhando para estes missionários, este era italiano, a força maior é a coerência. Eles são coerentes.”

"Matteo Ricci faleceu em Pequim, em 1610, aos 57 anos. Um homem que dedicou toda a sua vida à missão. O espírito missionário de Mateo Ricci é um modelo vivo atual. O seu amor pelo povo chinês é um modelo, mas o que é uma estrada atual é a coerência de vida, o testemunho de sua vida como cristão.

“Ele levou o cristianismo à China. Ele é grande porque é um grande cientista, ele é grande porque é corajoso, ele é grande porque escreveu muitos livros, mas sobretudo é grande porque foi coerente com a sua vocação, coerente com o desejo de seguir Jesus Cristo.”

Irmãos e irmãs, hoje, nós, cada um de nós, interrogue-se: "Sou coerente ou sou um pouco mais ou menos?", concluiu Francisco.

VN

28 maio 2023

Papa no Pentecostes: diante das divisões do mundo, acolher e invocar o Espírito todos os dias

 
  O Pontífice presidiu a missa de Pentecostes neste domingo (28), no Vaticano  
 
Na Basílica de São Pedro, Francisco presidiu a missa de Pentecostes na manhã deste domingo (28) e refletiu sobre a ação do Espírito Santo em três momentos: na criação do mundo, na Igreja e nos nossos corações. 
 

Andressa Collet – Vatican News

Neste domingo (28) de Pentecostes, o Papa presidiu a missa na Basílica de São Pedro enaltecendo a ação do Espírito Santo, “fonte inesgotável de harmonia”, em três diferentes momentos: no mundo que criou, na Igreja e nos nossos corações. O celebrante foi o cardeal brasileiro João Braz de Aviz, prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

O Espírito Santo opõe-se ao espírito divisor

Em primeiro lugar, na criação do mundo, Francisco coloca o questionamento que muitos podem fazer pessoalmente: “se tudo tem a sua origem no Pai, se tudo é criado por meio do Filho, qual é o papel específico do Espírito?”. Partindo de São Basílio, o Papa explica numa palavra: dar harmonia ao mundo, dando ordem à desordem e coesão à dispersão, mas não “mudando a realidade, harmonizando-a”. Sobretudo no mundo de hoje, de tanta discórdia e divisão, anestesiados pela indiferença apesar de tanta conexão. De tantas guerras e conflitos, tudo alimentado pelo “espírito da divisão, o diabo”, descreve o Pontífice ao desafogar: “parece incrível o mal que o homem pode fazer…”.

“E sabendo o Senhor que, perante o mal da discórdia, os nossos esforços para construir a harmonia não são suficientes, Ele, no momento mais alto da sua Páscoa, no ponto culminante da salvação, derrama sobre o mundo criado o seu Espírito bom, o Espírito Santo, que Se opõe ao espírito divisor, porque é harmonia, Espírito de unidade que traz a paz. Invoquemo-Lo todos os dias sobre o nosso mundo, sobre a nossa vida e diante de todo o tipo de divisão!”

O Espírito Santo é o coração da sinodalidade

Seguidamente, o Papa reflete sobre a ação do Espírito Santo na Igreja, a partir do Pentecostes, quando desce sobre cada um dos Apóstolos. Num contexto plural de “graças particulares e carismas diversos”, em vez da confusão, o Espírito cria harmonia, “sem homogeneizar nem uniformizar”. Como disse São Paulo, «há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo» (1 Cor 12, 4.13).

E o Sínodo em curso, destaca o Papa, “é – e deve ser – um caminho segundo o Espírito: não um parlamento para reclamar direitos e exigências à maneira das agendas de trabalho no mundo, nem ocasião de se deixar levar ao sabor de qualquer vento. Mas o Sínodo é uma oportunidade para sermos dóceis ao sopro do Espírito”. O “coração da sinodalidade” é o próprio Espírito Santo, afirma Francisco, ao reforçar:

“Sem Ele, a Igreja fica inerte; a fé não passa duma doutrina, a moral dum dever, a pastoral dum trabalho. Com Ele, pelo contrário, a fé é vida, o amor do Senhor conquista-nos e a esperança renasce. Coloquemos de novo o Espírito Santo no centro da Igreja; caso contrário, o nosso coração não arderá de amor por Jesus, mas por nós mesmos. Ponhamos o Espírito no início e no coração dos trabalhos sinodais.”

Acolher e invocar o Espírito nos corações

Por fim, o Pontífice analisa a ação do Espírito nos nossos corações, que procura perdoar os pecados com harmonia. Assim, o Papa finaliza a homilia na missa de Pentecostes, convidando a invocar diariamente o Espírito Santo: “comecemos o dia rezando-Lhe, tornemo-nos dóceis ao Espírito Santo!”, encoraja Francisco, ao semear em todos, também, esse acolhimento à força criadora do Espírito:

“E hoje, na sua festa, questionemo-nos: Sou dócil à harmonia do Espírito? Ou corro atrás dos meus projetos, das minhas ideias sem me deixar moldar, sem me fazer mudar por Ele? O meu modo de viver a fé é dócil ao Espírito ou é teimoso? Teimoso com as letras, teimoso com as chamadas doutrinas que são apenas expressões frias de uma vida? Sou precipitado ao julgar, acuso e bato a porta na cara dos outros, considerando-me vítima de tudo e de todos? Ou acolho a harmoniosa força criadora do Espírito, acolho a «graça de estar juntos» que Ele inspira, o seu perdão que dá paz? E, por minha vez, perdoo? O perdão é dar espaço para que venha o Espírito... Promovo a reconciliação e crio comunhão ou estou sempre procurando, metendo o nariz onde existem as dificuldades, para bisbilhotar, para dividir, para destruir? Perdoo, promovo reconciliação, crio comunhão? Se o mundo está dividido, se a Igreja se polariza, se o coração se fragmenta, não percamos tempo a criticar os outros e a zangar-nos connosco mesmos, mas invoquemos o Espírito: Ele é capaz de resolver essas coisas.”

VN

26 maio 2023

PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES II

 

 

PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES (3)

«Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito e o Sangue permanece nas «obras mortas», no pecado. E a «blasfémia contra o Espírito Santo» consiste exactamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que Ele é o dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por Ele operada na consciência. Se Jesus diz que o pecado contra o Espírito Santo não pode ser perdoado nem nesta vida nem na futura, é porque esta «não-remissão» está ligada, como à sua causa, à «não-penitência», isto é, à recusa radical a converter-se. Isto equivale a uma recusa radical de ir até às fontes da Redenção; estas, porém, permanecem «sempre» abertas na economia da salvação, na qual se realiza a missão do Espírito Santo. Este tem o poder infinito de haurir destas fontes: «receberá do que é meu», disse Jesus. Deste modo, Ele completa nas almas humanas a obra da Redenção, operada por Cristo, distribuindo os seus frutos. Ora a blasfémia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica o seu pretenso «direito» de perseverar no mal — em qualquer pecado — e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, consequentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida. É uma situação de ruína espiritual, porque a blasfémia contra o Espírito Santo não permite ao homem sair da prisão em que ele próprio se fechou e abrir-se às fontes divinas da purificação das consciências e da remissão dos pecados.»

Encíclica DOMINUM ET VIVIFICANTEM do Papa João Paulo II sobre o Espírito Santo (46)


Lemos nos Evangelhos como Jesus Cristo nos fala sobre o pecado contra o Espírito Santo e como esse pecado não tem perdão nem agora, nem sempre.

São João Paulo II explica-nos que pecado é esse nesta passagem da sua Encíclica Dominum et Vivicantem.

É o Espírito Santo que nos dá a consciência do pecado, o reconhecermos o pecado em nós, seja ele qual for do mais “pequeno” ao “maior”.

Mas também nos dá a consciência, mais do que a consciência a certeza na fé, de que o amor de Deus é sempre maior do que o nosso pecado, seja ele qual for, que o Seu perdão é constante perante o nosso arrependimento e propósito de emenda, confessando o nosso pecado.

Mas se recusamos esse amor, se recusamos esse perdão, como pode Deus actuar em nós, Ele que nos criou em inteira liberdade?

Deus nada faz contra a nossa vontade e se a nossa vontade é recusar o Espírito Santo, porque nos dá a consciência do nosso pecado, então fechamos a porta a Deus e Ele nada pode fazer, porque nunca viola a liberdade que nos deu.

A fé, que o Espírito Santo nos dá e faz crescer em nós, depende da nossa vontade de querer acreditar, mais do que querer, a vontade de nos abrirmos inteiramente a Deus para que o Espírito Santo faça a Sua obra em nós.

Se recusamos o Espírito Santo, recusamos também o Pai e o Filho, porque se rejeitamos Um rejeitamos a unidade perfeita que é Deus.

E se rejeitamos o Espírito Santo não temos a consciência do pecado e não tendo a consciência do pecado somos tomados pelo pecado e fechamo-nos nele até à nossa total perdição.

Por isso, agora e sempre, abramo-nos ao Espírito Santo derramado nos nossos corações, para que, guiados por Ele, reconhecendo-nos pecadores, acreditemos sempre que o amor de Deus e o Seu perdão, estão sempre ao nosso alcance, porque «Ele permanece fiel» (2 Tm 2, 13), mesmo na nossa infidelidade.

Vem Espírito Santo, leva-nos à consciência do sermos pecadores e enche-nos do teu amor, para que saibamos sempre reconhecer o nosso pecado, dele nos arrependermos, confessando-o, abrindo-nos ao perdão e à misericórdia de Deus.



Marinha Grande, 25 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves


PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES (4)

Baixamos a cabeça, fechamos os olhos, abrimos os braços, levantamos as mãos para o céu e dentro de nós em surdina vamos repetindo:
Vem Espírito Santo! Vem Espírito Santo! Vem Espírito Santo!

Não sabemos como pedir, como rezar, mas o nosso desejo de receber o Espírito Santo é imenso e Deus lê os nossos corações e sabe das nossas intenções.

Há uma melodia, um qualquer som que não entendemos, mas sai de nós, da nossa boca, quase inaudível, mas repousante, terno, amoroso, que se vai repetindo quase sem darmos conta.

Parece que os limites do local em que estamos se abrem de tal modo que já não são limites, mas apenas um estar, um ser, um pertencer, um receber para dar.

Chega-nos um cântico ao coração e, interiormente, apenas com a voz do amor, vamos cantando:

Vem agora Santo Espírito
vem e habita em todo o meu ser
leva-me ao silêncio
ensina-me a rezar
mostra-me a glória de Deus.*

Lentamente o peso do “nós” em nós vai desaparecendo, e no seu lugar um vazio doce preenchido de amor, vai tomando conta de nós.

Uma leve brisa na face, um calor puro no coração, um frémito que nos percorre, e vamos tomando consciência de que o Espírito Santo nos preenche.

Há uma alegria tranquila que não sabemos explicar, umas lágrimas de amor que rolam nas nossas faces, um sentir tão profundo e intenso de amor, que nos deixamos levar, e assim repousamos no Espírito Santo que se faz vida em nós.

Nem sequer conseguimos pedir nada, mas apenas louvar, dar glória, cantar as maravilhas de Deus, deixando-se encantar.

Queremos ficar naquele momento e não mais o deixar, mas o Espírito Santo sussurra-nos ao coração:

Agora abre os olhos, levanta a cabeça e vai!
Vai levar o amor que te dei aos outros!
Vai testemunhar o amor do Pai, do Filho, do Espírito Santo até onde Eu te levar!



*Cântico do Renovamento Carismático Católico


Marinha Grande, 26 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves

 

24 maio 2023

PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES I

 


REPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES (1)


Tomar a consciência da presença do Espírito Santo em nós, é abrirmo-nos a Ele e deixar que Ele faça a Sua obra em nós.

Se assim fizermos as orações deixam de ser nossas para passarem a ser dEle, que ora em nós.

Mesmo quando não soubermos o que rezar ou como rezar, quando nos abrimos ao Espírito Santo, Ele reza em nós «como deve ser», por vezes com «gemidos inefáveis». (Rm 8, 26)

Só guiados pelo Espírito Santo o nosso testemunho é verdadeiro e, assim sendo, toca os outros que o vêem e sentem.

Só entregues ao Espírito Santo as nossas palavras são verdadeiras e testemunham Cristo em nós, porque o Espírito Santo «falará em nós». (Mt 10, 20)

Por isso devemos todos os dias rezar com o coração, com a boca, com todo o nosso ser:
Vem Espírito Santo, e faz a Tua obra em mim e em todos nós.



Marinha Grande, 23 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves


PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES (2)

«Ninguém pode dizer "Jesus é o Senhor" a não ser pela acção do Espírito Santo» (1Cor 12, 3). «Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: "Abbá! Pai!'» (Gl 4, 6).
«Este conhecimento da fé só é possível no Espírito Santo. Para estar em contacto com Cristo, é preciso primeiro ter sido tocado pelo Espírito Santo. É Ele que nos precede e suscita em nós a fé. Em virtude do nosso Baptismo, primeiro sacramento da fé, a Vida, que tem a sua fonte no Pai e nos é oferecida no Filho, é-nos comunicada, íntima e pessoalmente, pelo Espírito Santo na Igreja.» 
Catecismo da Igreja Católica


É afinal tão claro o Catecismo sobre o Espírito Santo, que nos devemos perguntar porque existe ainda um tão grande desconhecimento, ou melhor, uma tão pequena consciência do Espírito Santo em nós, cristãos católicos?

Nesta preparação para o Pentecostes será muito mais importante tomarmos essa consciência do Espírito Santo em nós, do que as causas para que essa consciência não seja uma realidade diária em nós.
Percebermos que sem o Espírito Santo a fé não passa de uma “crendice”, porque é algo que sai apenas de nós e não de Deus.

Só Deus se pode revelar a Si próprio àqueles que O quiserem conhecer.

É o Pai que nos ama com amor eterno que nos dá o Filho, Jesus Cristo.
É Jesus Cristo, o Filho de Deus Vivo, que nos dá a plenitude da revelação de Deus e a Vida.
É o Espírito Santo que inspira as Sagradas Escrituras que nos levam à revelação de Deus, e é Ele mesmo que desperta em nós a fé que nos leva a acreditar e sobretudo a viver.

E, se o Espírito Santo desperta em nós a fé, então é o Espírito Santo que nos leva ao encontro pessoal com Jesus Cristo, a vivermos o amor do Pai e do Filho, a termos Vida em nós e Vida que permanece para sempre.

E essa Vida que nos é dada, tem de ser “alimentada” e, por isso mesmo, é o Espírito Santo em nós que nos leva a ser Igreja, que nos dá Cristo nos sacramentos, que nos leva à oração, que nos leva à missão.

E não há “separação”, porque onde está o Pai, está o Filho e o Espírito Santo, na unidade perfeita, a qual somos chamados a acreditar e a viver.

Sem a consciência do Espírito Santo em nós, poderemos afirmar que a nossa fé é morta, exactamente porque será “nossa” fé, e não o dom da Fé que Deus suscita em nós, pelo Espírito Santo.

Por tudo isso devemos pedir constantemente, todas as manhãs, durante o dia, ao adormecer, o Espírito Santo, para que, iluminados e conduzidos por Ele sejamos habitação permanente do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Vem Espírito Santo, enche os nossos corações, as nossas mentes, as nossas vidas, faz de nós habitação permanente do Pai, do Filho e do Espírito Santo.


Marinha Grande, 24 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves

 

21 maio 2023

O Papa: Jesus está sempre connosco e intercede por nós junto ao Pai

 
 
 
Com a Ascensão, algo novo e belo aconteceu: Jesus levou a nossa humanidade para o céu, para Deus. Essa humanidade, que Ele assumiu na terra, não permaneceu aqui, ela ascendeu a Deus e estará lá para sempre: disse o Papa Francisco no Regina Caeli neste VII Domingo da Páscoa, em que celebramos a Ascensão do Senhor
 

Raimundo de Lima – Vatican News

A partir do dia da Ascensão, o próprio Deus, poderíamos dizer, "mudou": desde então, não é mais apenas espírito, mas, pelo tanto que nos ama, carrega em si a nossa própria carne, a nossa humanidade! Assim, o nosso lugar de direito é indicado, o nosso destino está lá. Foi o que disse o Papa Francisco no Regina Caeli deste domingo, 21 de maio, VII Domingo do Tempo Pascal, na alocução que precedeu a oração mariana rezada com milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça de São Pedro.

Na alocução que precedeu o Regina Caeli, o Santo Padre ressaltou que celebramos a Ascensão do Senhor, uma festa que conhecemos bem, mas que pode suscitar algumas perguntas, ao menos duas.

A primeira: por que festejar a partida de Jesus da terra? A sua partida parece ser um momento triste, não algo para nos alegrar! E uma segunda pergunta: o que Jesus está a fazer no céu agora, por que é importante que esteja lá? Por que festejamos e o que Jesus está a fazer agora: estas são duas perguntas que nos ajudam a entender aquilo que celebramos.

Jesus levou a nossa humanidade para o céu

Por que festejamos?

Porque, com a Ascensão, algo novo e belo aconteceu: Jesus levou a ossa humanidade para o céu, para Deus. Essa humanidade, que Ele assumiu na terra, não permaneceu aqui, ela ascendeu a Deus e estará lá para sempre.

Francisco citou um antigo Padre na fé: "Esplêndida notícia! Aquele que se fez homem por nós [...], para nos fazer seus irmãos, apresenta-se como homem diante do Pai, para levar consigo todos os que estão unidos a ele".

A intercessão é fundamental

A segunda pergunta, repetiu: o que está Jesus a fazer no céu? Ele está para nós diante do Pai, mostra-Lhe continuamente a nossa humanidade, as feridas.

Gosto de pensar que Jesus, diante do Pai, ora assim: fazendo-o ver as feridas. "Isto é o que eu sofri pelos homens: fazei alguma coisa!". Ele mostra-lhe o preço da redenção. O Pai fica comovido. Isto é algo que eu gosto de pensar... mas pensem também vós, é assim que Jesus ora. Ele.

A intercessão é fundamental. Essa fé também nos ajuda: não perder a esperança, não desanimar. Diante do Pai, há alguém que lhe mostra as feridas e intercede, ressaltou o Pontífice. Francisco concluiu pedindo que a Rainha do Céu nos ajude a interceder com o poder da oração.

VN