16 junho 2022

Homilia na Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

 


Uma presença real, de consequências precisas


Nesta Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo há muito a considerar, meditar e aprender. Tanto que nunca se abarca duma vez e cada ano nos revela algo de novo e mais profundo. Podemos considerá-la como compêndio do realismo cristão. Realismo, como São Paulo escreveu aos Colossenses, distraídos que andavam com muita coisa secundária ou imaginária: «A realidade está em Cristo!» (Cl 2, 17).
Hoje como então, corremos o risco de nos dispersarmos por aspetos marginais do cristianismo, buscando coisas extraordinárias e miraculosas, no sentido vulgar do termo… Porém - e muito pelo contrário – o que o cristianismo tem de extraordinário e miraculoso é o facto de acontecer no que há de mais simples e corrente, como apareceu na humanidade de Jesus, enquanto Verbo de Deus encarnado. Ninguém esperaria Deus desse modo, mas nós sabemos e confessamos que assim mesmo foi e continua a ser.
É a substância do realismo cristão. A imensidão divina diz-se e revela-se no pouco mais de trinta anos da vida humana de Jesus. Como a Carta aos Hebreus nos sugere o diálogo entre Jesus e Deus Pai: «Não quiseste sacrifício nem oferenda, mas preparaste-me um corpo» (Hb 10, 5).
Um corpo, precisamente, que é o Corpo de Deus Filho entre nós. Corpo infantil do Filho de Maria, que José adotou: um menino a brincar entre os mais, como lembraria depois (cf Lc 7, 32). Corpo já adulto, que em tudo traduziu a misericórdia que trazia. Rosto definido, palavras concretas e gestos transparentes, como sempre teve.

Assim foi, Jesus, “corpo de Deus” neste mundo. Porque dizer corpo é dizer manifestação da pessoa que se é, como ser em relação. E porque, sem confundirmos Jesus e Deus Pai, reconhecemos que expressava e concretizava a aproximação divina a cada um, como perfeito Verbo de Deus. Tanto que pôde responder a um discípulo; «Quem me vê, vê o Pai» (Jo 14, 9). Mesmo na cruz, tanto se contempla a oferta do Filho como as mãos do Pai e o sopro do Espírito: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! (Lc 23, 46)»
Em suma, encontramos tudo o que há de mais real e concreto na revelação de Deus em Cristo. Tudo o que há de mais corpóreo, de Deus para nós, quando o vemos assim.
Creio que é precisamente este realismo cristão o que mais influiu no melhor da cultura de tanto tempo já somado. Assim foi até há dois mil anos como profecia e de então para cá como realização. Identificamos a nossa realidade vivida ou sofrida com a que Cristo viveu e sofreu também. Social e culturalmente, cada passo do seu percurso terreno tornou-se um padrão criativo de identificação absoluta para todos nós. Em Cristo, Deus encontra-nos aí mesmo, no drama comum que a todos nos toca. E é por isso mesmo que consola e salva.
Também deste modo quis ficar connosco. Ouvimo-lo há pouco: «Isto é o meu corpo, entregue por vós!» Maior realismo não podia haver, sendo Deus tão grande em sinais tão nossos: o Corpo de Deus na espécie do pão. O corpo eucarístico de Cristo, como daqui a pouco estará sobre o altar, pelos próprios gestos que nos mandou repetir: «Fazei isto em memória de mim!» Esse mesmo que comungamos e adoramos no Santíssimo Sacramento, coração da Igreja no coração do mundo.
Que importante, que inadiável mesmo, é intensificarmos e afervorarmos a devoção eucarística, acompanhando Aquele que nos quer acompanhar a nós, no realismo sacramental com que a todos e por todos se oferece.

Uma presença real de consequências bem precisas. Se, em Cristo, Deus nos incorpora a nós, é também nos outros que tocamos Deus.
Por isso falamos de Corpo de Cristo em várias aceções que se alargam. O corpo humano do Filho de Maria, como foi concebido e depois nasceu, cresceu e morreu; o seu corpo ressuscitado, como sabemos e dizemos: “Ele está no meio de nós!”; o seu corpo eclesial, que constitui connosco, n’Ele batismalmente incorporados e por Ele eucaristicamente alimentados; e o corpo daqueles em que nos espera, na humanidade total que assumiu, para ser sustentado, dessedentado, acolhido ou visitado. Também aqui ecoa a ordem de Cristo que ouvimos há pouco: «Dai-lhes vós mesmos de comer!» (Lc 9, 13).
Correspondendo na prática ao que proclamamos, compreendemos também que celebrar a Solenidade de hoje é levá-la à consequência necessária em tudo quanto cada pessoa nos requer, da vida à saúde, do pão à morada, do trabalho ao descanso. Estas mesmas circunstâncias humanas são também divinas, pela presença de Cristo que nos incorpora. É por isso que, juntando de novo a nossa voz à de tantas pessoas e instituições da sociedade civil e diversos credos, que requerem respeito legal e apoio concreto à vida mais frágil, só podemos e devemos rejeitar o aborto e a eutanásia e tudo quanto a tal possa levar, por falta de resposta solidária e pública a quem precisar de apoio e companhia.
Contrariamente ao que se diz, mais como os antigos gnósticos do que como cristãos autênticos, ninguém tem propriamente um corpo, porque já é em si mesmo um corpo, como polo de relação com os outros. Sabê-lo é também evitar muita distorção, no que se faça a si mesmo ou a quem quer que seja. Porque dizer “corpo” é dizermo-nos a nós e dizermos os outros, com toda a dignidade pessoal de cada um, da conceção à morte natural, saudável ou mais carente de cuidados, inviolável sempre. Ninguém desistirá de viver se nós todos, pessoal e comunitariamente, não desistirmos de quem sofre.
É sempre do realismo cristão que falamos, nas várias aceções que comporta. Corresponder-lhe mais e concretizá-lo melhor é o sentido da Solenidade de hoje, como esta tarde a levaremos à cidade. Adorar a Cristo no seu corpo eucarístico é fonte abundante de serviço à vida dos que Ele incorpora. Souberam-no e sabem-no os heróis e heroínas da caridade cristã, que graças a Deus não faltaram ontem como não faltam agora e a todos estimulam. Celebremos, adoremos e sirvamos o Corpo de Deus, na constante procissão das vidas.


Sé de Lisboa, 16 de junho de 2022

+ Manuel, Cardeal-Patriarca

 Patriarcado de Lisboa

Francisco: a Eucaristia convida-nos a levar Deus para a vida quotidiana

 
  O Papa Francisco entre os fiéis na Praça de S. Pedro, durante a Audiência Geral  (Vatican Media)  
 
Nas saudações aos fiéis reunidos na Praça de S. Pedro para a Audiência Geral, o Papa lembrou que nesta quinta-feira, no Vaticano, será celebrada a Solenidade de Corpus Christi e exortou a pedir a Deus a capacidade de nos doarmos aos outros, servindo com alegria especialmente os que mais precisam.
 

Tiziana Campisi – Vatican News

Após a catequese da Audiência Geral, ao saudar os peregrinos presentes na Praça de  S. Pedro, Francisco falou sobre a Solenidade de Corpus Christi, celebrada nesta quinta-feira (16/06), no Vaticano.

Na Basílica de S. Pedro, no Altar da Cátedra, às 10h30 locais, o arcipreste da Basílica e vigário geral do Papa para a Cidade do Vaticano, cardeal Mauro Gambetti, presidirá a solene celebração litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo.

"A Solenidade de Corpus Christi convida-nos a sair e levar o Senhor para a vida quotidiana: levá-lo onde a vida se desenvolve com todas as suas alegrias e sofrimentos", disse o Papa na saudação aos fiéis de língua alemã.

Na saudação aos peregrinos de língua espanhola, Francisco acrescentou o convite a pedir a Deus "para que nos conceda ser pessoas "eucarísticas", "gratas pelos dons recebidos" e capazes de se doar aos outros "servindo com alegria, especialmente os que mais precisam".

Experimentar o amor de Deus graças ao Corpo e Sangue de Cristo

Na saudação aos peregrinos polacos, o Papa explicou que a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo "recorda-nos a presença real de Deus na Eucaristia na forma de pão e vinho".

Que os concertos de evangelização que se realizam em seu país nesta festa, despertem a fé em todos, para que recebendo o Corpo e o Sangue de Cristo, se possa experimentar o seu amor cada vez mais profundamente. Eu vos abençoo de coração.

Por fim, Francisco lembrou que em Itália a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo será celebrada no domingo e concluiu: "Que a Eucaristia, mistério do amor, seja para todos vós fonte de graça e de luz que ilumina os caminhos da vida, sustento nas dificuldades, e conforto sublime no sofrimento de cada dia."

VN

15 junho 2022

Francisco: não nos esqueçamos do povo atormentado da Ucrânia em guerra

 
  Papa Francisco  (Vatican Media)  
 
O Papa no final da audiência geral desta quarta-feira retornou a falar sobre a guerra no leste europeu e pediu para não a considerar "uma coisa distante", mas o tormento de uma nação à qual devemos estar próximos com ajuda e orações. 
 

Silvonei José – Vatican News

A recordação desvanece-se, a dor corre o risco de esfriar-se. O Papa Francisco usa esta expressão para descrever a condição que a população ucraniana vem experimentando há quase quatro meses. Ele  fê-lo no final da audiência geral desta quarta-feira, no decorrer das saudações aos peregrinos de língua italiana. Do Papa, mais uma vez, o convite para não esquecermos o drama da guerra:

Por favor, não esqueçamos o povo atormentado da Ucrânia em guerra. Não nos acostumemos a viver como se a guerra fosse uma coisa distante. A nossa recordação, o nosso afeto, a nossa oração e a nossa ajuda vão sempre para este povo que tanto sofre e que está a levar avante um verdadeiro martírio.

Não nos acostumarmos à guerra

Não nos acostumemos com a realidade da guerra. Um conceito, este, que o Papa reiterou várias vezes desde o início do conflito, destacando, por exemplo, a importância da ajuda humanitária que - disse ele em março passado - não deve ser interrompida. Também no domingo passado, Francisco, nas saudações que se seguiram à oração do Angelus, voltou o seu pensamento para o conflito na Ucrânia, invocando orações por essas populações e exortando os fiéis a não se esquecerem do que está a acontecer:

Sempre vivo no meu coração é o pensamento sobre o povo da Ucrânia, afligido pela guerra. O tempo que passa não arrefeça a nossa dor e a nossa preocupação com aquelas pessoas atormentadas. Por favor, não nos acostumemos a esta trágica realidade! Tenhamo-la sempre nos nossos corações. Rezemos e lutemos pela paz.

VN

O Papa na Audiência Geral: os idosos têm a sabedoria da vida

 
 
Segundo Francisco, "o diálogo entre jovens, crianças e avós é fundamental, é fundamental para a sociedade, é fundamental para a Igreja, é fundamental para a saúde da vida. Onde não há diálogo entre jovens e idosos, falta alguma coisa e cresce uma geração sem passado, ou seja, sem raízes".
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

"O serviço alegre da fé que se aprende com gratidão" foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral, desta quarta-feira (15/06), realizada na Praça de S. Pedro.

Dando continuidade ao tema da velhice, Francisco recordou o episódio da cura da sogra de Simão, que ainda não é chamado Pedro, na versão do Evangelho de Marcos. "A sogra de Simão estava na cama com febre", escreve Marcos. "Não sabemos se foi uma doença leve, mas na velhice até mesmo uma simples febre pode ser perigosa. Quando se é velho, não se controla mais o corpo. É preciso aprender a escolher o que fazer e o que não fazer. O vigor do corpo falha e nos abandona, ainda que o nosso coração não pare de desejar. É preciso então aprender a purificar o desejo: ser paciente, escolher o que pedir ao corpo, à vida."

Ouvir o corpo e aceitar os limites

Quando envelhecemos não podemos fazer o mesmo que fazíamos quando éramos jovens: o corpo tem outro ritmo, e devemos ouvir o corpo e aceitar os limites. Todos nós temos, não é? Eu também tenho que caminhar com uma bengala agora, certo? A doença pesa sobre os idosos de uma maneira diferente e nova em relação a quando se é jovem ou adulto. É como um golpe duro que atinge num momento já difícil.

Segundo Francisco, "a comunidade cristã deve tomar conta dos idosos: parentes, amigos e da comunidade. A visita aos idosos deve ser feita por muitos, juntos e com frequência. Especialmente hoje em dia, o número de idosos cresceu consideravelmente, também em proporção aos jovens, porque este inverno demográfico não faz filhos. E há muito mais idosos e poucos jovens. Devemos sentir a responsabilidade de visitar os idosos que muitas vezes estão sozinhos e apresentá-los ao Senhor com as nossas orações. A vida é preciosa".

 

 

 

Os idosos têm muito para nos ensinar

A seguir, o Papa retomou um tema repetido nas catequeses: "A cultura do desperdício parece cancelar os idosos. Sim, não os mata, mas apaga-os socialmente, como se fossem um fardo a ser carregado: é melhor escondê-los."

Isto é uma traição da própria humanidade, isto é a pior coisa, isto é selecionar a vida de acordo com a utilidade, de acordo com a juventude e não com a vida como ela é, com a sabedoria do idoso, com os limites dos idosos. Os idosos têm muito para nos dar: têm a sabedoria da vida. Tanto para nos ensinar. Por isso, devemos ensinar as crianças para que cuidem deles, para que procurem os seus avós. O diálogo entre jovens, crianças e avós é fundamental, é fundamental para a sociedade, é fundamental para a Igreja, é fundamental para a saúde da vida. Onde não há diálogo entre jovens e idosos, falta alguma coisa e cresce uma geração sem passado, ou seja, sem raízes.

Deixar os idosos aproximarem-se das crianças e dos jovens

A sogra de Pedro, antes que os Apóstolos entendessem, ao longo do caminho a sequela de Jesus, mostrou-lhes também o caminho. E a especial delicadeza de Jesus, que lhe "tocou na mão" e "inclinou-se delicadamente" sobre ela, deixou claro, desde o início, a sua especial sensibilidade para com os frágeis e os doentes, que o Filho de Deus certamente tinha aprendido com a sua Mãe.

Por favor, deixemos que os idosos, que os avós estejam próximos às crianças, aos jovens para transmitir-lhes a memória da vida, para transmitir-lhes a experiência de vida, a sabedoria da vida. Na medida em que fazemos com que jovens e idosos se encontram, nesta medida haverá mais esperança para o futuro de nossa sociedade.

VN

14 junho 2022

Papa: a guerra não pode ser reduzida a uma distinção entre bons e maus

A conversa divulgada nesta terça-feira (14) é da audiência de 19 de maio  (Vatican Media)
 
Publicamos uma grande parte da conversa de Francisco com os diretores das Revistas dos Jesuítas, recebidos em audiência no Vaticano em 19 de maio. A versão íntegral do encontro foi divulgada na edição desta terça-feira (14) da revista "La Civiltà Cattolica".
 

Vatican News

A Companhia está presente na Ucrânia. Estamos a viver uma guerra de agressão. Nós escrevemos sobre isto nas nossas revistas. Qual é o seu conselho para comunicar sobre a situação que estamos a viver? Como podemos contribuir para um futuro de paz?

Para responder a essa pergunta, temos que nos afastar do esquema normal de "Chapeuzinho Vermelho": a Chapeuzinho Vermelho era boa e o lobo era o mau. Aqui não há bons e maus metafísicos, de uma forma abstrata. Algo global está a surgir, com elementos que estão muito interligados entre eles. Alguns meses antes do início da guerra encontrei um chefe de Estado, um homem sábio, que fala pouco, muito sábio mesmo. E depois de falar sobre as coisas de que ele queria apresentar, disse-me que estava muito preocupado com a maneira como a NATO estava a mover-se. Perguntei-lhe porquê, e ele disse-me: "Estão a latir às portas da Rússia. E não entendem que os russos são imperiais e não permitem que nenhuma potência estrangeira se aproxime deles". Ele concluiu: "A situação pode levar à guerra". Esta era a sua opinião. Em 24 de fevereiro, a guerra começou. Aquele chefe de Estado foi capaz de ler os sinais do que estava a acontecer.

Aquilo que estamos a ver é a brutalidade e a ferocidade com que esta guerra está a ser conduzida pelas tropas, geralmente mercenárias, utilizadas pelos russos. E os russos realmente preferem enviar chechenos, sírios, mercenários. Mas o perigo é que só vemos isto, o que é monstruoso, e não vemos todo o drama que está a desenrolar-se por trás desta guerra, que talvez tenha sido de alguma forma provocada ou não impedida. E registo o interesse em testar e vender armas. É muito triste, mas no final é isto que está em jogo.

Alguém pode dizer-me neste momento: mas o senhor está a favor do Putin! Não, não estou. Seria simplista e errado afirmar uma coisa do género. Sou simplesmente contrário a reduzir a complexidade à distinção entre os bons e os maus, sem raciocinar sobre as raízes e os interesses, que são muito complexos. Enquanto vemos a ferocidade, a crueldade das tropas russas, não devemos esquecer os problemas a fim de tentar resolvê-los. 

Também é verdade que os russos pensavam que tudo estaria terminado numa semana. Mas calcularam mal. Eles encontraram um povo corajoso, um povo que está a lutar para sobreviver e que tem uma história de luta.

Devo acrescentar também que o que agora está a acontecer na Ucrânia, vemo-lo desta forma porque está mais próximo de nós e toca mais na nossa sensibilidade. Mas há outros países distantes - pensemos em algumas partes de África, no norte da Nigéria, no norte do Congo - onde a guerra ainda está em curso e ninguém se importa. Pensem no Ruanda, há 25 anos atrás. Pensemos em Mianmar e nos Rohingya. O mundo está em guerra. Há alguns anos atrás ocorreu-me dizer que estamos a viver a terceira guerra mundial em pedaços e em bocados. Então, para mim, hoje, a Terceira Guerra com a humanidade que já teve três guerras mundiais num século? Eu vivo a Primeira Guerra na memória do meu avô no Piave. E depois a Segunda e agora a Terceira. 

E isto é mau para a humanidade, uma calamidade. É preciso pensar que num século houve três guerras mundiais, com todo o comércio de armas que tem por trás!

Há quatro anos atrás, apenas quatro anos atrás, houve a comemoração do 60º aniversário dos desembarques na Normandia. E muitos chefes de Estado e de governo comemoraram a vitória. Ninguém se lembrou das dezenas de milhares de jovens que morreram na praia naq-vos uma revelação pessoal -, chorei quando vi a idade dos soldados caídos. Quando, alguns anos depois, em 2 de novembro - em cada 2 de novembro visito um cemitério - fui a Anzio, lá também chorei quando vi a idade daqueles soldados caídos. No ano passado fui ao cemitério francês, e os túmulos dos jovens - cristãos ou islâmicos, porque os franceses também enviavam para lutar aqueles do norte da África - eram também jovens de 20, 22, 24 anos de idade. Quando fui para a Eslováquia, fiquei impressionado com o número de mulheres jovens e idosas. Faltava, porém,  os homens idosos. As avós estavam sozinhas. A guerra timha levado os seus maridos. 

Porque estou a contar-vos estas coisas? Porque gostaria que as vossas revistas abordassem o lado humano da guerra. Gostaria que as revistas mostrassem o drama humano da guerra. É muito bom fazer um cálculo geopolítico, estudar as coisas em profundidade. Vocês devem fazer isto, porque é o vosso trabalho. Mas também procurem transmitir o drama humano da guerra. O drama humano daqueles cemitérios, o drama humano das praias da Normandia ou de Anzio, o drama humano de uma mulher cuja à porta bate um carteiro e que recebe uma carta agradecendo-lhe por ter dado um filho à pátria, que é um herói da pátria... E assim ela fica sozinha. Refletir sobre isto ajudaria muito a humanidade e a Igreja. Façam as vossas reflexões sócio-políticas, mas não descuidem a reflexão humana sobre a guerra.

Vamos voltar à Ucrânia. Todos abrem os seus corações para os refugiados, para os exilados ucranianos, que geralmente são mulheres e crianças. Os homens ficaram para lutar. Na audiência da semana passada, duas mulheres de soldados ucranianos que estavam na siderúrgica Azovstal vieram pedir-me que intercedesse para que fossem salvos. Todos nós somos realmente sensíveis a estas situações dramáticas. São mulheres com filhos, cujos maridos estão a lutar lá. Mulheres jovens e bonitas. Mas eu pergunto-me: o que acontecerá quando o entusiasmo para ajudar passar? Porque as coisas estão a esfriar, quem cuidará dessas mulheres? Devemos olhar além da ação concreta do momento, e ver como vamos apoiá-las para que não caiam no tráfico, não sejam usadas, pois os abutres já estão a circular.  

A Ucrânia é perita em sofrer escravidão e guerras. É um país rico, que foi sempre cortado, dilacerado pela vontade daqueles que queriam tomar posse dele para explorá-lo. É como se a história tivesse predisposto a Ucrânia para ser um país heróico. Ver esse heroísmo toca os nossos corações. Um heroísmo que anda de mãos dadas com a ternura! De facto, quando chegaram os primeiros jovens soldados russos - depois enviaram mercenários -, enviados para fazer uma "operação militar", como diziam, sem saberem que iriam para a guerra, foram as próprias mulheres ucranianas que cuidaram deles quando se renderam. Grande humanidade, grande ternura. Mulheres corajosas. Pessoas corajosas. Um povo que não tem medo de lutar. Um povo trabalhador e, ao mesmo tempo, orgulhoso da sua terra. Tenhamos em mente a identidade ucraniana neste momento. Isto é o que nos comove: ver tal heroísmo. Gostaria realmente de enfatizar este ponto: o heroísmo do povo ucraniano. Aquela que está diante dos nossos olhos é uma situação de guerra mundial, de interesses globais, de venda de armas e de apropriação geopolítica, que está a martirizar um povo heróico. 

Gostaria de acrescentar um outro elemento. Tive uma conversa de 40 minutos com o Patriarca Kirill. Na primeira parte, ele leu-me uma declaração na qual dava os motivos para justificar a guerra. Quando terminou, eu intervim e disse-lhe: 'Irmão, nós não somos coroinhas de Estado, somos pastores do povo'. Eu deveria encontrá-lo no dia 14 de junho em Jerusalém, para falar sobre as nossas coisas. Mas com a guerra, de comum acordo, decidimos adiar a reunião para uma data posterior, para que o nosso diálogo não fosse mal entendido. Espero encontrá-lo por ocasião de uma assembleia geral no Cazaquistão, em setembro. Espero poder cumprimentá-lo e falar um pouco com ele como pastor.

Que sinais de renovação espiritual o senhor vê na Igreja? Vê algum? Há sinais de vida nova, fresca?

É muito difícil ver uma renovação espiritual usando esquemas muito antiquados. Precisamos de renovar a nossa maneira de ver a realidade, de avaliá-la. Na Igreja europeia vejo mais renovação nas coisas espontâneas que estão a surgir: movimentos, grupos, novos bispos que lembram que há um Concílio por trás deles. Porque o Concílio que alguns pastores lembram melhor é o de Trento. E o que eu estou a dizer não é bobagem.

O “restauracisonismo” chegou para amordaçar o Concílio. O número de grupos "restauradores" - por exemplo, existem muitos nos Estados Unidos - é impressionante. Um bispo argentino disse-me que lhe tinha sido pedido para administrar uma diocese que caíu nas mãos desses "restauradores". Eles nunca tinham aceitado o Concílio. Há ideias, comportamentos que nascem de um “restauracionismo” que basicamente não aceitou o Concílio. O problema é precisamente este: que em alguns contextos o Concílio ainda não foi aceite. Também é verdade que leva um século para que um Concílio crie raízes. Então ainda temos quarenta anos para criar raízes!

Sinais de renovação são também os grupos que dão um novo rosto à Igreja através do cuidado social ou pastoral. Os franceses são muito criativos neste aspeto.

Vocês ainda não tinha nascido, mas testemunhei em 1974 o calvário do Superior Geral padre Pedro Arrupe na Congregação Geral XXXII. Naquele tempo houve uma reação conservadora para bloquear a voz profética de Arrupe! Hoje para nós esse Geral é um santo, mas ele teve que sofrer muitos ataques. Ele foi corajoso porque se atreveu a dar o passo. Arrupe era um homem de grande obediência ao Papa. Uma grande obediência. E Paulo VI entendeu isso. O melhor discurso já escrito por um Papa à Companhia de Jesus é o que Paulo VI fez em 3 de dezembro de 1974. E ele escreveu-o à mão. Aí estão os originais. O profeta Paulo VI tinha a liberdade de escrevê-lo. Por outro lado, pessoas ligadas à Cúria de alguma forma alimentaram um grupo de jesuítas espanhóis que se consideravam os verdadeiros 'ortodoxos' e se opunham a Arrupe. Paulo VI nunca entrou neste jogo. Arrupe tinha a capacidade de ver a vontade de Deus, combinada com uma simplicidade infantil na adesão ao Papa. Lembro-me que um dia, enquanto tomávamos café num pequeno grupo, ele passou e disse: "Vamos, vamos! O Papa está prestes a passar, vamos cumprimentá-lo". Ele era como um jovem! Com esse amor espontâneo!

Um jesuíta da Província de Loyola tinha sido particularmente agressivo contra o padre Arrupe, lembremo-nos. Ele foi enviado a ir a vários lugares e até mesmo à Argentina, e criou sempre problemas. Uma vez ele disse-me: "Você é alguém que não entende nada. Mas os verdadeiros culpados são o padre. Arrupe e o padre Calvez. O dia mais feliz de minha vida será quando os vir pendurados na forca na Praça de S. Pedro". Porque vos estou a contafvos esta história? Para fazer-vos entender como foi o período pós-conciliar. E isto está a acontecer novamente, especialmente com os tradicionalistas. É por isso que é importante salvar estas figuras que defenderam o Concílio e a lealdade ao Papa. Devemos voltar a Arrupe: ele é uma luz daquele tempo que nos ilumina a todos. E foi ele quem redescobriu os Exercícios Espirituais como fonte, para libertar-vos das formulações rígidas dos Institutos Epitome, expressão de um pensamento fechado, rígido, mais instrutivo-acético do que místico.

Na Alemanha, temos um caminho sinodal que alguns pensam ser herético, mas que na verdade está muito próximo da vida real. Muitos deixam a Igreja porque não confiam mais nela. Um caso particular é a Arquidiocese de Colónia. O que o senhor pensa sobre isto?

Ao presidente da Conferência Episcopal alemã, dom Bätzing, eu disse: "há uma Igreja Evangélica muito boa na Alemanha. Não precisamos de duas”. O problema surge quando o caminho sinodal provém das elites intelectuais, teológicas, e é muito influenciado por pressões externas. Há algumas dioceses onde o caminho sinodal está a ser feito com os fiéis, com o povo, lentamente.

Eu quis escrever uma carta sobre o seu caminho sinodal. Eu mesmo o escrevi, e levei um mês para escrevê-la. Eu não queria envolver a Cúria. Eu fi-lo sozinho. O original está em espanhol, e em alemão é uma tradução. Ali escrevi o que penso.

Seguidamente, a questão da Arquidiocese de Colónia. Quando a situação era muito turbulenta, pedi ao arcebispo para sair por seis meses para que as coisas se acalmassem e eu pudesse ver claramente. Porque quando as águas estão agitadas, não se pode ver claramente. Quando ele voltou, pedi-lhe que escrevesse uma carta de renúncia. Ele o fez e deu-ma. E ele escreveu uma carta de desculpas à arquidiocese. Eu o deixei no seu lugar para ver o que aconteceria, mas tenho em mãos o seu pedido de renúncia.

O que está a acontecer é que existem muitos grupos de pressão, e sob pressão não é possível discernir. Depois há um problema económico para o qual estou a pensar enviar uma visita financeira. Estou a esperar até que não haja pressão para discernir. O facto de haver pontos de vista diferentes é bom. O problema é quando há pressão. Isto não ajuda. Não creio que Colónia seja a única arquidiocese do mundo onde há conflitos. E eu trato-a como qualquer outra diocese do mundo que experimenta conflitos. Vem-me à mente uma, que ainda não terminou o conflito: Arecibo em Porto Rico. Já faz anos. Há muitas dioceses assim.

Santo Padre, somos uma revista digital e também falamos aos jovens que estão à margem da Igreja. Os jovens querem opiniões e informações rápidas e imediatas. Como podemos introduzi-los no processo de discernimento?

Não devemos ficar parados. Quando se trabalha com os jovens, devemos dar sempre uma perspetiva em movimento, não estática. Devemos pedir ao Senhor de ter a graça e a sabedoria de nos ajudar a dar os passos corretos. Na minha época, o trabalho com os jovens consistia em encontros de estudo. Agora já não funciona mais dessa maneira. Devemos levá-los adiante com ideais concretos, obras, caminhos. Os jovens encontram a sua razão de ser ao longo do caminho, nunca estaticamente. Alguns podem estar hesitantes porque veem jovens sem fé, dizem que não estão na graça de Deus. Mas deixem que Deus cuide deles! a sua tarefa é colocá-los no caminho. Acho que é a melhor coisa que podemos fazer.

VN

Papa: as ameaças recíprocas dos poderosos abafam o grito de paz da humanidade

 
 A dor de uma mãe na pobreza 
 
Na sua Mensagem para o 6° Dia Mundial dos Pobres, Francisco volta a condenar a guerra na Ucrânia: "Uma ‘superpotência’, que pretende impor a sua vontade contra o princípio da autodeterminação dos povos”. O apelo: "Diante dos pobres, não serve retórica, mas arregaçar as mangas". A advertência contra o dinheiro: "Não pode tornar-se um absoluto, tal coisa ofusca o olhar".
 

Salvatore Cernuzio/Jane Nogara - Vatican News

Pobres e "empobrecidos" pela "tempestade" da pandemia, indigentes, refugiados e deslocados pela guerra na Ucrânia, onde "a intervenção direta de uma ‘superpotencia’” pretende "impor a sua vontade contra o princípio da autodeterminação dos povos". É a todos eles que o Papa Francisco dedica a sua Mensagem para o 6º Dia Mundial do Pobre, a ser celebrado em 13 de novembro. Um longo documento no qual o Papa condena desde as primeiras linhas uma das principais causas da pobreza do nosso tempo: a guerra. Um "desastre", escreve, que apareceu no horizonte pouco depois de "uma nesga de céu sereno" ter-se aberto após a pandemia. Uma tragédia "destinada a impor ao mundo um cenário diferente".

A ameaça dos poderosos e a voz da humanidade

O conflito que ocorre há mais de cem dias, afirma o Pontífice, veio "unir-se às guerras regionais que nestes anos tem produzido morte e destruição", mas "o quadro apresenta-se mais complexo".

Vemos repetir-se cenas de trágica memória e, mais uma vez, as ameaças recíprocas de alguns poderosos abafam a voz da humanidade que implora paz.

Atingidos os fracos e indefesos

"Quantos pobres gera a insensatez da guerra", exclama Francisco. " Para onde quer que voltemos o olhar, constata-se como os mais atingidos pela violência sejam as pessoas indefesas e frágeis. Deportação de milhares de pessoas, sobretudo meninos e meninas, para os desenraizar e impor-lhes outra identidade".

Milhões de mulheres, crianças e idosos veem-se constrangidos a desafiar o perigo das bombas para pôr a vida a salvo, procurando abrigo como refugiados em países vizinhos. Entretanto, aqueles que permanecem nas zonas de conflito têm de conviver diariamente com o medo e a carência de comida, água, cuidados médicos e sobretudo com a falta de afeto familiar.

Dificuldade à ajuda

Nestes momentos, “a razão fica obscurecida e quem sofre as consequências é uma multidão de gente simples, que vem juntar-se ao número já elevado de pobres. Como dar uma resposta adequada que leve alívio e paz a tantas pessoas, deixadas à mercê da incerteza e da precariedade?”. Não apenas isso: "Quanto mais se alonga o conflito, mais se agravam suas consequências", observa o Papa. Portanto, a disponibilidade que, nos últimos anos, moveu “populações inteiras” para abrir as portas a fim de acolher milhões de refugiados das guerras no Médio Oriente, na África Central e, agora, na Ucrânia, assim como o altruísmo de tantas famílias que "abriram as suas casas para dar lugar a outras famílias", colide com a dureza de uma realidade fora de controle:

“Os povos que acolhem têm cada vez mais dificuldade em dar continuidade à ajuda; as famílias e as comunidades começam a sentir o peso duma situação que vai além da emergência”

Todavia agora é “o momento de não ceder, mas de renovar a motivação inicial”, encoraja Francisco, “o que começamos precisa de ser levado a cabo com a mesma responsabilidade”. Com efeito, a solidariedade é precisamente isso: “partilhar o pouco que temos com quantos nada têm, para que ninguém sofra. Quanto mais cresce o sentido de comunidade e comunhão como estilo de vida, tanto mais se desenvolve a solidariedade”.

Não retórica, mas agir

Aliás, escreve o Papa, deve-se considerar que há países onde, nas últimas décadas, se verificou um significativo crescimento do bem-estar de muitas famílias, que alcançaram um estado de vida seguro. “Como membros da sociedade civil, mantenhamos vivo o apelo aos valores da liberdade, responsabilidade, fraternidade e solidariedade; e, como cristãos, encontremos sempre na caridade, na fé e na esperança o fundamento do nosso ser e da nossa atividade”. “Agir”, é de facto, para o Pontífice, a palavra-chave:

“No caso dos pobres, não servem retóricas, mas arregaçar as mangas e pôr em prática a fé através de um envolvimento direto, que não pode ser delegado a ninguém”

Mau uso do dinheiro

Às vezes, porém, pode sobrevir “uma forma de relaxamento que leva a assumir comportamentos incoerentes, como no caso da indiferença em relação aos pobres”. Acontece “que alguns cristãos, devido a um apego excessivo ao dinheiro, fiquem empantanados num mau uso dos bens e do património. São situações que manifestam uma fé frágil e uma esperança fraca e míope”, anota o Papa.

Sabemos que o problema não está no dinheiro em si, pois faz parte da vida diária das pessoas e das relações sociais, mas sim, sobre o valor que o dinheiro tem para nós:

Um tal apego impede de ver, com realismo, a vida de todos os dias e ofusca o olhar, impedindo de reconhecer as necessidades dos outros. Nada de mais nocivo poderia acontecer a um cristão e a uma comunidade do que ser ofuscados pelo ídolo da riqueza, que acaba por acorrentar a uma visão efémera e falhada da vida.

Não é o ativismo que salva

Portanto, acrescenta Francisco, não se trata de ter "um comportamento assistencialista" em relação aos pobres. 

“Não é o ativismo que salva, mas a atenção sincera e generosa que me permite aproximar de um pobre como de um irmão que me estende a mão para que acorde do torpor em que caí”

Novas políticas sociais

O Papa renova o seu convite "urgente" para encontrar "estradas que possam ir além da configuração daquelas políticas sociais “concebidas como uma política para os pobres, mas nunca com os pobres, nunca dos pobres, e muito menos inserida num projeto que reúna os povos".

Estamos diante dum paradoxo, que, hoje como no passado, é difícil de aceitar, porque embate na lógica humana: há uma pobreza que nos torna ricos... A experiência de fragilidade e limitação, que vivemos nestes últimos anos e, agora, a tragédia de uma guerra com repercussões globais, devem ensinar-nos decididamente uma coisa: não estamos no mundo para sobreviver, mas para que, a todos, seja consentida uma vida digna e feliz.

A pobreza que mata

Jesus mostra-nos o caminho que há “uma pobreza que humilha e mata, e há outra pobreza – a d’Ele – que liberta e nos dá serenidade”. A pobreza que mata é “a miséria, filha da injustiça, da exploração, da violência e da iníqua distribuição dos recursos. É a pobreza desesperada, sem futuro, porque é imposta pela cultura do descarte que não oferece perspetivas nem vias de saída”.

Quando a única lei passa a ser o cálculo do lucro no fim do dia, então deixa de haver qualquer freio na adoção da lógica da exploração das pessoas: os outros não passam de meios. Deixa de haver salário justo, horário justo de trabalho e criam-se novas formas de escravidão, suportada por pessoas que, sem alternativa, devem aceitar este veneno de injustiça a fim de ganhar o mínimo para comer.

A pobreza que liberta

 Ao contrário, pobreza libertadora é “aquela que se nos apresenta como uma opção responsável para alijar da estiva quanto há de supérfluo e apostar no essencial”. “Encontrar os pobres – afirma o Pontífice - permite acabar com tantas ansiedades e medos inconsistentes, para atracar àquilo que verdadeiramente importa na vida e que ninguém nos pode roubar: o amor verdadeiro e gratuito”. Na realidade, os pobres, “antes de serem objeto da nossa esmola, são sujeitos que ajudam a libertar-nos das armadilhas da inquietação e da superficialidade”.

VN

12 junho 2022

Francisco: não esqueçamos a atormentada Ucrânia

 
 Uma imagem de Severodonetsk (Foto Ansa) 
 
Nas saudações após o Angelus deste domingo, 12 de junho, a recomendação do Papa de não esquecer o sofrimento da população ucraniana e a invocação de que "o tempo não arrefeça a nossa dor". Luhansk cada vez mais fraca diante do exército russo
 

Vatican News

Não nos acostumemos com a realidade da guerra. O Papa Francisco nas suas saudações após o Angelus deste domingo, 12 de junho, voltou com o pensamento ao conflito na Ucrânia, invocando orações por aquelas populações e exortando os fiéis a não esquecerem o que está a acontecer:

Sempre vivo no meu coração é o pensamento para o povo da Ucrânia, afligido pela guerra. O tempo que passa não arrefeça a nossa dor e a nossa preocupação com aquelas pessoas atormentadas. Por favor, não nos acostumemos a esta trágica realidade! Tenhamo-la sempre nos nossos corações. Rezemos e lutemos pela paz.

A iminente queda de Luhansk

Enquanto os combates continuam, a queda dos ucranianos na região oriental de Luhansk parece cada vez mais uma realidade, pela voz do próprio governador, Serhiy Haidai, que fala de um exército agora sem armas e de ferozes combates de rua em Severodonetsk, em grande parte conquistada pelos russos. Uma hipótese que é confirmada por analistas em Washington, para quem o controle total de Luhansk ocorrerá dentro de algumas semanas, apesar do alto custo em termos de mortos e feridos para o exército de Moscou. Até hoje, Kiev ainda mantém o controle da fábrica química Azot em Severdonetsk, onde centenas de civis ainda estão bloqueados. Declarando-se certo de que o Donbas resistirá e que Moscou pagará por tudo o que está a acontecer, o presidente ucraniano Zelensky, que, tendo chegado ao 108º dia da guerra, também relata os sucessos das tropas ucranianas, falando de uma libertação gradual do território da região de Kherson e dos progressos também na região de Zaporizhzhia.

VN

Francisco: peço desculpas pela viagem adiada a África

 
 O pedido de desculpas do Papa pela viagem adida a África (Vatican Média) 
 
No pós-Angelus deste domingo, 12 de junho, o Papa falou sobre a viagem à República Democrática do Congo e ao Sudão do Sul, adiada a pedido dos médicos
 

Vatican News

Grande pesar pelo adiamento da viagem à República Democrática do Congo e ao Sudão do Sul foi expresso por Francisco nas suas saudações após o Angelus aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro, neste domingo, 12 de junho:

Gostaria de me dirigir ao povo e às autoridades da República Democrática do Congo e do Sudão do Sul. Caríssimos, com grande pesar, devido a problemas com minha perna, tive que adiar a minha visita aos vossos países, programada para os primeiros dias de julho. Eu realmente sinto um grande pesar por ter tido que adiar esta viagem, que eu tanto prezo. Peço desculpas por isto. Rezemos juntos para que, com a ajuda de Deus e dos cuidados médicos, eu possa estar entre vós o quanto antes. Estamos confiantes!

A viagem à África, agora adiada para uma data a ser definida, teria levado o Papa aos dois países na primeira semana de julho. O adiamento tinha sido anunciado na sexta-feira, 10 de junho, pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni.

VN

O Papa: Deus trino e único deve ser mostrado através do testemunho de vida

 
 
Celebrar a Santíssima Trindade não é tanto um exercício teológico, mas uma revolução em nosso modo de vida. Deus, em quem cada Pessoa vive para o outro, não para si mesmo, provoca.nos a viver com os outros e para os outros: disse o Papa no Angelus deste domingo (12/06), Solenidade da Santíssima Trindade
 

Raimundo de Lima – Vatican News

Que Nossa Senhora, filha do Pai, mãe do Filho e esposa do Espírito, nos ajude a acolher e testemunhar na vida o mistério de Deus-Amor: foi o pedido do Papa ao rezar o Angelus ao meio-dia deste domingo, 12 de junho, Solenidade da Santíssima Trindade.

Na alocução que precedeu a oração mariana, Francisco ateve-se ao Evangelho do dia (Jo 16, 12-15), em que Jesus nos apresenta as outras duas Pessoas divinas, o Pai e o Espírito Santo. Do Espírito ele diz: "Não falará de si mesmo, mas receberá o que é meu e vos anunciará". E depois, a respeito do Pai, ele diz: "Tudo o que o Pai tem é meu".

Espírito Santo fala, mas não de si mesmo

Observamos, disse o Santo Padre, que o Espírito Santo fala, mas não de si mesmo: anuncia Jesus e revela o Pai. E que o Pai, o qual possui tudo, porque é a origem de todas as coisas, dá ao Filho tudo o que possui: não guarda nada para si mesmo e dá-se inteiramente ao Filho.

E agora, exortou Francisco, olhemos para nós, para aquilo de que falamos e para o que possuímos. "Quando falamos, queremos sempre que se fale bem de nós, e muitas vezes falamos apenas de nós mesmos e do que fazemos. Quão diferente do Espírito Santo, que fala anunciando os outros! E, sobre o que possuímos, como somos ciumentos disso e como é difícil para nós compartilhá-lo com os outros, mesmo com aqueles que não têm o necessário! Em palavras, é fácil, mas na prática é muito difícil", ressaltou o Pontífice.

Celebrar Trindade, uma revolução no nosso modo de vida

O Papa destacou que celebrar a Santíssima Trindade não é tanto um exercício teológico, mas uma revolução no nosso modo de vida.

Deus, em quem cada Pessoa vive para o outro, não para si mesmo, provoca-nos a viver com os outros e para os outros. Hoje podemos perguntar a nós mesmos se a nossa vida reflete o Deus em que acreditamos: eu, que professo a fé em Deus Pai e Filho e Espírito Santo, realmente acredito que para viver preciso dos outros, preciso de me doar aos outros, preciso de servir aos outros? Afirmo isto com palavras ou com a vida?

Deus deve ser mostrado com ações antes das palavras

"O Deus trino e único, queridos irmãos e irmãs - prosseguiu Francisco -, deve ser mostrado assim, com ações antes das palavras. Deus, que é o autor da vida, é transmitido menos através dos livros e mais através do testemunho de vida."

Aquele que, como escreve o evangelista João, "é amor" (1 João 4,16), revela-se através do amor. Pensemos nas pessoas boas, generosas e mansas que conhecemos: lembrando a sua maneira de pensar e agir, podemos ter um pequeno reflexo de Deus Amor. E o que significa amar? – perguntou Francisco. "Não apenas querer o bem e fazer o bem, mas antes de tudo, na raiz, acolher os outros, dar lugar aos outros, dar espaço aos outros."

A Trindade, em cada nome há a presença do outro

Para entender melhor isto, disse, pensemos nos nomes das Pessoas divinas, que pronunciamos cada vez que fazemos o sinal da cruz: em cada nome há a presença do outro.

“O Pai, por exemplo, não o seria sem o Filho; da mesma forma, o Filho não pode ser pensado sozinho, mas sempre como o Filho do Pai. E o Espírito Santo, por sua vez, é o Espírito do Pai e do Filho. Em resumo, a Trindade ensina-nos que nunca se pode ficar sem o outro. Não somos ilhas, estamos no mundo para viver à imagem de Deus: abertos, necessitados dos outros e necessitados de ajudar os outros.”

Então, façamos a nós mesmos esta última pergunta: na vida quotidiana sou também eu um reflexo da Trindade? O sinal da cruz que faço todos os dias permanece um gesto finalizado a si mesmo, ou inspira a minha maneira de falar, de encontrar, de responder, de julgar, de perdoar? Após o Angelus, Francisco concedeu a todos a sua Bênção apostólica.

VN

08 junho 2022

Papa: cuidado com o mito da eterna juventude, rugas são símbolo da vida

 
 
Na Praça de S. Pedro, diante de milhares de fiéis, o Papa falou do ancião Nicodemos e comentou o mito da "eterna juventude", citando uma frase da atriz italiana Anna Magnani, que não queria que as suas rugas fossem tocadas, já que tinha levado uma vida inteira para tê-las. 
 

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

O Papa inspirou-se na figura do ancião Nicodemos na catequese desta quarta-feira, dando continuidade ao ciclo sobre a velhice.

Nicodemos é um dos chefes dos Judeus e está entre as pessoas idosas mais relevantes nos Evangelhos. No seu diálogo com o Mestre, manifesta-se o coração da Revelação de Jesus e da sua missão redentora: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16).

Quando Jesus lhe diz que é preciso “nascer do Alto”, Nicodemos apresenta como objeção a velhice. Mas, à luz da palavra de Jesus em resposta a esta objeção, descobrimos que a velhice não é um obstáculo a este novo nascimento, e sim o tempo oportuno para entendê-lo. O “nascimento do Alto”, que nos permite entrar no reino de Deus, é uma nova geração no Espírito.

O mito da eterna juventude

Para o Pontífice, esta objeção é muito instrutiva, pois a nossa época e a nossa cultura mostram uma tendência preocupante para considerar o nascimento de um filho como uma simples questão de produção e reprodução biológica do ser humano e cultivam então o mito da juventude eterna como a obsessão - desesperada - da carne incorruptível.

A velhice, prosseguiu o Papa, é desprezada porque traz a prova irrefutável do despedimento deste mito, que nos faria regressar ao ventre da mãe, para sermos eternamente jovens no corpo. Uma coisa é o bem-estar, disse, outra coisa é a alimentação do mito, com inúmeras cirurgias e tratamentos estéticos. O Papa citou uma frase da atriz Anna Magnani, que não queria que suas rugas fossem tocadas, já que tinha levado uma vida inteira para tê-las.

“É isto: as rugas são um símbolo da experiência, um símbolo da vida, um símbolo da maturidade, um símbolo do caminho percorrido. Não tocá-las para se tornar jovem, mas jovens no rosto: o que interessa é toda a personalidade, o que interessa é o coração, e o coração permanece com aquela juventude do vinho bom que quanto mais envelhece, melhor fica.”

Os idosos são os mensageiros da ternura

A vida na nossa carne mortal é uma belíssima obra inacabada, como algumas obras de arte que, apesar de incompletas, possuem um fascínio único. Porque a nossa vida aqui na terra é iniciação, e não consumação. A fé, que acolhe o anúncio evangélico do reino de Deus ao qual estamos destinados, torna-nos capazes de ver os sinais de esperança nesta nova vida em Deus. A velhice é a condição na qual o milagre do “nascimento do alto” pode ser assimilado intimamente e tornar-se sinal de credibilidade para a humanidade.

Nesta perspetiva, a velhice tem uma beleza única: caminhamos rumo ao Eterno. Ninguém pode voltar a entrar no ventre da mãe, nem sequer no seu substituto tecnológico e consumista. Isso seria triste, mesmo que fosse possível. O velho caminha para a frente, em direção ao destino, rumo ao céu de Deus. A velhice, por conseguinte, é um tempo especial para dissolver o futuro da ilusão tecnocrática de uma sobrevivência biológica e robótica, mas sobretudo porque se abre à ternura do útero criador e gerador de Deus.

O Papa então destacou uma palavra: a ternura dos idosos, a ternura com a qual se relacionam com os netos. Estar ternura ajuda-nos a compreender a ternura de Deus. "Deus é assim, sabe acariciar."

“Os idosos são os mensageiros do futuro, os mensageiros da ternura, os mensageiros da sabedoria de uma vida vivida. Vamos em frente e olhemos para os idosos.”

VN

07 junho 2022

X Encontro Mundial das Famílias Lisboa 2022: Uma semana de festa, oração e reflexão

 

 

Sabia que Lisboa (também) vai receber o Encontro Mundial das Famílias 2022? De 22 a 26 de junho, são muitas as iniciativas preparadas pela Pastoral Familiar do Patriarcado, com o tema ‘Famílias a caminho da JMJ’, com destaque para o Dia de Oração (dia 24, em casa e na paróquia) e a Festa da Família (dia 26, em Vialonga).

Uma semana de festa, oração e reflexão para todas as famílias. Assim vai ser o X Encontro Mundial das Famílias (EMF) 2022, que, por desejo do Papa Francisco, vai decorrer em todas as dioceses do mundo, de 22 a 26 de junho. “O encontro é multicêntrico. O Papa não quer as pessoas em Roma, quer que seja feito o X Encontro Mundial das Famílias nas nossas dioceses, de todo mundo, e por isso vamos estar em sintonia com Roma, mas temos, aqui em Lisboa, o nosso encontro local”, começa por lembrar, ao Jornal VOZ DA VERDADE, Regiani Líbano Monteiro que, juntamente com o marido, Tiago, integram a direção da Pastoral Familiar da diocese.
No Vaticano, o tema do EMF é ‘Amor em família: vocação e caminho de santidade’. No Patriarcado, o tema foi adaptado. “Nós, aqui em Lisboa, vamos também tratar desse tema, mas o tema que escolhemos para o Encontro Mundial das Famílias de Lisboa é ‘Famílias a caminho da JMJ’. Sentimos que, na nossa diocese, não fazia sentido ser de outra forma. Estamos com a JMJ à porta, e é muito importante estarmos todos unidos neste objetivo de acolher a Jornada Mundial da Juventude. Como Pastoral da Família, temos de levar esta envolvência às famílias, para estarmos todos no mesmo rumo”, deseja esta responsável.

EMF em três vertentes
O Encontro Mundial das Famílias tem sempre, nas nove edições que já aconteceram, três vertentes: a ‘festa’, a ‘oração’ e a ‘reflexão’. Em Lisboa, o X EMF não será diferente, segundo explica Regiani. “No programa, quisemos espelhar esses três momentos que sempre ocorrem nos Encontros Mundiais das Famílias, em união com Roma”, salienta esta responsável, sublinhando que, na vertente ‘oração’ do programa, são feitas propostas para serem vividas “localmente”, nas paróquias e em família: “A abertura, no dia 22 de junho, quarta-feira, será feita nas Missas nas paróquias; o dia 24, sexta-feira, é o dia de oração, para convidarmos as famílias a rezar, nas suas casas, nas suas paróquias, portanto muito localmente”.
Pelo meio, haverá o DIA 23, a proposta mensal do COD (Comité Organizador Diocesano) de Lisboa para a preparação da JMJ Lisboa 2023. “Quando percebemos que o DIA 23 estava dentro do Encontro Mundial das Famílias, achámos que era importante associarmo-nos a esse dia com os jovens”, explica. Este dia está a ser preparado pelo COV (Comité Organizador Vicarial) de Mafra, e vai decorrer a 23 de junho, pelas 21h30, na Basílica de Mafra, com transmissão online. “Eles escolheram como tema para o DIA 23: ‘JMJ a caminho das famílias’. Fizeram esse trocadilho de pegarem no nosso tema – ‘Famílias a caminho da JMJ’ – e fazerem ao contrário. Foi muito interessante”, considera Regiani, lembrando que, no último mês, a Cruz do COD de Lisboa tem percorrido as paróquias da Vigararia de Mafra e tem sido acompanhado pelo Ícone da Sagrada Família: “No dia 23 de maio, foi entregue pela Pastoral Familiar de Lisboa o Ícone da Sagrada Família à Vigararia de Mafra e esses dois símbolos estão a caminhar juntos, durante esse mês. Queremos marcar esta nossa caminhada com os jovens”.

Dois pontos altos
Na vertente da ‘reflexão’, ou ‘formação’, a Pastoral Familiar de Lisboa organizou o Congresso Teológico-Pastoral, que vai decorrer no dia 25 de junho, sábado [adiado para dia 5 e outubro], no Centro Paroquial de Santa Joana, Princesa. “Em Roma, vai decorrer um congresso ao longo de três dias. Em Lisboa, num dia, vamos aprofundar o tema que nos chegou de Roma, mas queremos focar nos jovens. Queremos que o Congresso Teológico-Pastoral chegue não só a casais que estão ligados a este tema da família, mas também a jovens que estão no namoro, que estão a fazer o seu discernimento, casados ou recém-casados. É um momento que temos como proposta de aprofundamento, formação e reflexão”, destaca.
Por último, a vertente da ‘festa’, ou ‘celebração’, será no Domingo, dia 26 de junho, com a Festa da Família, em Vialonga. “A Festa da Família é um momento tradicional do Patriarcado de Lisboa. É um encontro grande, em que queremos celebrar a família. Deslocámos esta nossa festa habitual, que era para ter acontecido em maio, para o dia 26 de junho para acompanhar o Encontro Mundial das Famílias que o Papa nos pediu para fazermos nas dioceses. Será um encerramento em grande, e presencial, em Vialonga”, deseja Regiani Líbano Monteiro.

A oitava edição

Depois de Mafra (2014), Mucifal - Sintra (2015), Casa do Gaiato, em Santo Antão do Tojal (2016), Alcobaça (2017), Penafirme - Torres Vedras (2018), Parque da Quinta das Conchas, em Lisboa (2019), e Óbidos (2021, que decorreu de forma reduzida, devido à pandemia, mas também online), será a Vialonga a receber a Festa da Família 2022. “A Festa da Família tem percorrido diferentes vigararias da diocese também para implementar a Pastoral Familiar nessas vigararias que recebem o evento. Em Vila Franca de Xira-Azambuja, encontrámos uma Pastoral Familiar muito dinâmica e em Vialonga um grupo de casais muito empenhados”, começa por salientar a responsável diocesana. “A preparação para a Festa da Família está a correr muito bem. Tivemos uma abertura e um acolhimento muito grande por parte da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e da Junta de Freguesia de Vialonga. Tem sido uma preparação com muito empenho, muito ânimo, para construir esta festa em conjunto. Sentimos o empenho de toda a região, com uma equipa vicarial da Pastoral da Família já consolidada e com um caminho feito. Tem sido bom”, acrescenta.

Ícone da Sagrada Família
Como preparação da Festa da Família (e também do X Encontro Mundial das Famílias), a Pastoral Familiar de Lisboa entregou à Vigararia de Vila Franca de Xira-Azambuja, no passado mês de março, o Ícone da Sagrada Família que, nestes últimos três meses, tem peregrinado por cada uma das 17 paróquias. “Queremos precisamente que haja um momento de oração, de divulgação, o chamar as famílias para participarem, e permitir que a Festa da Família seja de todos. Queremos que esta proposta da Pastoral da Família seja alargada, para chegar a todos daquela região e não apenas às famílias de Vialonga”, manifesta.
Neste caminho de preparação, segundo garante Regiani, tem sido possível envolver os jovens. “Como o Encontro Mundial das Famílias em Lisboa tem esta visão da JMJ, também temos muitos jovens da vigararia envolvidos na preparação. Eles estão a participar nas reuniões com a Pastoral da Família”, refere, satisfeita, esta responsável, destacando que “no próprio programa da Festa da Família há a envolvência da juventude”. “Temos os jovens na oração de abertura da festa, e um espaço grande dedicado a eles que é o Espaço JMJ. Estamos unidos a eles. Foi uma coisa boa, e era um sonho que já havia, o trazermos os jovens para a Festa da Família. Porque quando falamos em Pastoral Familiar, não podemos pensar somente no casal. Esse ‘pontapé’ que foi dado com a JMJ, essa necessidade que temos de estar todos envolvidos, também ajudou a consolidar. Esse ambiente que estamos a viver da sinodalidade é também um testemunho concreto deste trabalho em conjunto, com vários departamentos e setores, e que, com a juventude, tem sido muito forte”, assegura.
Ao longo dos cinco dias do X Encontro Mundial das Famílias Lisboa 2022, e do seu momento conclusivo, a Festa da Família, o desejo é contar com todos. “Contamos com a presença de todas as famílias!”, convida a Pastoral Familiar de Lisboa.


Jornal Voz da Verdade

Patriarcado de Lisboa