21 maio 2021

Terra Santa: o Papa pede a toda a Igreja para rezar pela paz

 
 Terra Santa 
 
 
Francisco convida todos os pastores do mundo a unirem-se à Vigília de Pentecostes celebrada pelos Ordinários Católicos na Igreja de Santo Estêvão, em Jerusalém
 

VATICAN NEWS

A Igreja inteira unida com a Vigília de Pentecostes celebrada em Jerusalém. Foi o que anunciou o Papa Francisco, na manhã desta sexta-feira (21/05), no final do seu discurso aos novos embaixadores não-residentes credenciados junto à Santa Sé. O Papa convidou as Igrejas de todo o mundo a rezar e implorar a paz na Terra Santa, unindo-se à celebração promovida pelos Ordinários católicos na Cidade Santa.

"O meu pensamento", disse Francisco, "é para o que está a acontecer nestes dias na Terra Santa. Agradeço a Deus pela decisão de deter os confrontos armados e espero que se percorram os caminhos do diálogo e da paz. Amanhã à noite, os Ordinários católicos da Terra Santa celebrarão junto com os seus fiéis a Vigília de Pentecostes na Igreja de Santo Estêvão, em Jerusalém, implorando o dom da paz".

"Aproveito a ocasião", acrescentou o Papa, "para pedir a todos os pastores e fiéis da Igreja católica que se unam a eles, na oração. Que se eleve em cada comunidade a súplica ao Espírito Santo para que israelitas e palestinianos encontrem o caminho do diálogo e do perdão, para serem pacientes construtores de paz e da justiça, abrindo-se, passo a passo, a uma esperança comum, a uma convivência entre irmãos".

Estas últimas palavras que ecoam o apelo pela paz na Terra Santa, já feito no domingo passado.

VN

Novidades para o Sínodo: tem início a partir das Igrejas locais

 

 

 
 
Em outubro próximo, o Papa dará início a um caminho sinodal de três anos e articulado em três fases (diocesana, continental, universal), feito de consultas e discernimento, que culminará com a assembleia de outubro de 2023, em Roma.
 

Salvatore Cernuzio – Vatican News

"Um à escuta dos outros; e todos à escuta do Espírito Santo." Para tornar concreta e visível aquela sinodalidade desejada por Francisco desde o início do seu pontificado, o próximo Sínodo dos Bispos será celebrado não somente no Vaticano, mas em cada Igreja particular dos cinco continentes, seguindo um itinerário trienal articulado em três fases, feito de escuta, discernimento, consulta. Leigos, sacerdotes, missionários, consagrados, bispos, cardeais, mesmo antes de discutir, refletir e questionar-se sobre a sinodalidade na assembleia de outubro de 2023 no Vaticano, encontrar-se-ão, portanto, vivendo-a na primeira pessoa. Cada um na sua diocese, cada um com o seu papel, com as suas instâncias.

Um processo sinodal integral

O itinerário sinodal, que o Papa aprovou, é anunciado num documento da Secretaria do Sínodo no qual são explicadas as suas modalidades. "Um processo sinodal integral só será realizado de forma autêntica se as Igrejas particulares estiverem envolvidas nele", diz o texto. Além disto, também será importante a participação dos "órgãos intermediários da sinodalidade, isto é, os Sínodos das Igrejas católicas orientais, os Conselhos e Assembleias das Igrejas sui iuris e as Conferências episcopais, com as suas expressões nacionais, regionais e continentais".

Pela primeira vez, um Sínodo descentralizado

Esta é a primeira vez, na história desta instituição querida por Paulo VI em resposta ao desejo dos padres conciliares de manter viva a experiência colegial do Concílio Vaticano II, que um Sínodo começa descentralizado. Em outubro de 2015, o Papa Francisco, comemorando o 50º aniversário desta instituição, expressou o desejo de um caminho comum de "leigos, pastores, Bispo de Roma" através do "fortalecimento" da assembleia dos bispos e "uma descentralização salutar". O desejo agora torna,se realidade.

Abertura solene no Vaticano com o Papa

Superando qualquer "tentação de uniformidade", mas visando uma "unidade na pluralidade", a abertura do Sínodo terá lugar tanto no Vaticano como em cada diocese. O caminho será inaugurado pelo Papa no Vaticano nos dias 9 e 10 de outubro. Seguir-se-ão três fases - diocesana, continental, universal - que visam tornar possível uma verdadeira escuta do povo de Deus e, ao mesmo tempo, envolver todos os bispos em diferentes níveis da vida eclesial.

Fase diocesana: consulta e participação do Povo de Deus

Seguindo o mesmo esquema, ou seja, com um momento de encontro/reflexão, oração e celebração eucarística, as Igrejas particulares começarão o seu caminho no domingo 17 de outubro, sob a presidência do bispo diocesano. "O objetivo desta fase é a consulta do povo de Deus para que o processo sinodal se realize na escuta da totalidade dos batizados", lê-se no documento. Para facilitar a participação de todos, a Secretaria do Sínodo enviará um texto preparatório acompanhado de um questionário e um vade-mécum com as propostas para a realização da consulta. O mesmo texto será enviado a Dicastérios da Cúria, Uniões dos Superiores e das Superioras Maiores, Uniões ou Federações de Vida Consagrada, Movimentos leigos internacionais, Universidades ou Faculdades de Teologia.

Um responsável diocesano

Cada bispo, antes de outubro de 2021, nomeará um responsável diocesano como ponto de referência e conexão com a Conferência episcopal, que acompanhará a consulta na Igreja particular a cada passo. Por sua vez, a Conferência episcopal nomeará um responsável ou uma equipe como ponto de referência junto dos responsáveis diocesanos e à Secretaria Geral do Sínodo. O discernimento diocesano culminará numa "Reunião pré-sinodal" no final da consulta. As contribuições serão enviadas à sua própria Conferência episcopal, até uma data determinada por esta última.

O discernimento dos pastores

Caberá então aos bispos reunidos em assembleia abrir um período de discernimento para "escutar o que o Espírito suscitou nas Igrejas a eles confiadas" e fazer uma síntese das contribuições. A síntese será enviada para a Secretaria do Sínodo, assim como as contribuições de cada Igreja em particular. Tudo isto será feito antes de abril de 2022. Da mesma forma, também serão recebidas contribuições enviadas por Dicastérios, Universidades, União de Superiores Gerais, Federações de Vida Consagrada, Movimentos. Uma vez obtido o material, a Secretaria Geral do Sínodo elaborará o primeiro Instrumentum laboris, que servirá de esboço de trabalho para os participantes na assembleia no Vaticano e que será publicado em setembro de 2022 e enviado às Igrejas particulares.

Fase continental: diálogo e discernimento

Assim tem início a segunda fase do caminho sinodal, o caminho "continental", programado para durar até março de 2023. O objetivo é dialogar a nível continental sobre o texto do Instrumentum laboris e realizar, srguidamente, "um ato ulterior de discernimento à luz das particularidades culturais específicas de cada continente". Cada reunião continental dos episcopados nomeará, por sua vez, antes de setembro de 2022, um responsável que atuará como referência junto dos próprios episcopados e à Secretaria do Sínodo. Nas Assembleias continentais será elaborado um documento final, a ser enviado em março de 2023 para a Secretaria do Sínodo. Ao mesmo tempo das reuniões continentais, também deverão realizar-se assembleias internacionais de especialistas, que poderão enviar as suas contribuições. Por fim, será elaborado um segundo Instrumentum laboris, cuja publicação está prevista para junho de 2023.

Fase universal: os bispos do mundo em Roma

Este longo percurso, que quer configurar "um exercício da colegialidade dentro do exercício da sinodalidade", culminará em outubro de 2023 com a celebração do Sínodo em Roma, de acordo com os procedimentos estabelecidos na Constituição promulgada em 2018 pelo Papa Francisco Episcopalis Communio.

VN

19 maio 2021

Oração do Terço vai juntar, este Domingo, os cinco continentes

 

 

O sector de Animação Missionária do Patriarcado de Lisboa está a organizar, para este Domingo, às 17h30, a iniciativa “Terço no mundo” – um momento de oração do Terço, em que cada mistério é rezado por uma comunidade ou movimento, presente em cada um dos cinco continentes. Segundo a organização, esta iniciativa que vai decorrer online, através das páginas do Patriarcado de Lisboa e do sector de Animação Missionária no Facebook, pretende “assinalar o mês mariano e o Domingo de Pentecostes” e “mostrar a realidade missionária” onde estão presentes missionários portugueses. O “Terço no mundo” vai contar também com a participação do Serviço da Juventude do Patriarcado de Lisboa. 

Patriarcado de Lisboa

Pizzaballa: "A solução não pode ser imposta, deve ser fruto do diálogo entre israelitas e palestinianos"

 
  Patriarca Latino de Jerusalém Pierbattista Pizzaballa  (AFP or licensors)  
 

"Uma explosão de ódio que há algum tempo estava latente, fruto de anos de linguagem política violenta, rejeições e desprezo". "Para reconstruir as relações é necessária uma nova aliança com pessoas de boa vontade". Nota do Patriarca Latino de Jerusalém Pierbattista Pizzaballa 
 

Vatican News

"Jerusalém é o coração do problema e desta vez foi a centelha que incendiou o país. A presente crise indica que esta metodologia não funciona e que nenhuma solução pode ser imposta a Jerusalém. A solução só pode ser o fruto do diálogo entre israelitas e palestinos, que deverão assumir a sua própria vocação aberta, multireligiosa e multicultural da cidade". Assim escreveu o Patriarca Latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa, numa nota enviada à Agência Sir, na qual propõe uma interpretação dos confrontos e da violência que há vários dias têm vindo a  ocorrer em Jerusalém, Gaza e muitas cidades israelitas e na Cisjordânia.

Ferida aberta e dolorosa

"Tudo nasceu da questão de Shekh Jarrah", escreveu o Patriarca, "que é apresentada como uma questão jurídica. No entanto, é também, evidentemente, uma decisão política para expandir ainda mais os assentamentos judeus em Jerusalém Oriental. É uma decisão que abala o frágil equilíbrio, já interrompido várias vezes, entre as duas partes da cidade e uma fonte de tensões e dor". Para o Patriarca o que foi dito sobre Jerusalém, "pode ser estendido" a toda a questão israelo-palestina que deve retornar "ao centro da agenda internacional". Trata-se de "uma ferida aberta e dolorosa, escondida, mas nunca curada". Uma vez removido o curativo que a cobria, torna-se novamente visível e dolorosa, talvez até mais do que no passado". "O povo palestino - lembra o Patriarca - espera há anos por uma solução digna, um futuro pacífico na sua terra, no seu país. Enquanto que, parece não haver lugar no mundo para eles e, antes de poderem viver com dignidade nas suas casas, são continuamente convidados pelas diversas forças do poder a esperar por um futuro desconhecido e continuamente adiado".

 

  

Explosão de ódio latente

Ainda mais "preocupante", escreve Pizzaballa, "foi a explosão de violência nas cidades mistas de Israel, onde judeus e árabes sempre viveram juntos e sobre a qual pouco tem sido dito na mídia internacional. Vimos violências, patrulhas organizadas, tentativas de linchamento de ambos os lados, judeus e árabes. Uma explosão de ódio e de rejeição do outro que provavelmente já estava latente há algum tempo e que agora surgiu violentamente e encontrou todos despreparados e assustados". Tudo isso, escreve o Patriarca, "é fruto de anos de linguagem política violenta, da cultura e da política de rejeição do outro, de desprezo".

Mesmo impopular, não permitir sentimentos de ódio

Pouco a pouco, estas atitudes criaram uma separação cada vez mais profunda entre os dois povos, que talvez não tenhamos percebido até agora. Será preciso muito tempo para reconstruir estas relações, hoje, profundamente feridas. Teremos que trabalhar com as pessoas de todas as fés, que ainda acreditam em um futuro juntos e se comprometem por isso. Há muita gente assim. Mas precisam de apoio, de alguém que saiba como levar sua voz ao mundo inteiro". A fim de reconstruir as relações "será prioritário partir da dolorosa descoberta destes dias, ou seja, do ressentimento que estava latente especialmente no coração dos jovens. Mesmo que seja impopular falar sobre isso nestes dias, não devemos cultivar ou permitir que se desenvolvam sentimentos de ódio. Devemos garantir que ninguém, seja judeu ou árabe, se sinta rejeitado. Teremos que ser mais claros na denúncia das coisas que dividem”.

Precisamos de uma nova aliança

"Não poderemos considerar-nos satisfeitos com encontros inter-religiosos de paz, pensando qu, desta maneira resolvemos o problema da convivência - afirma Pizzaballa em termos inequívocos - mas teremos realmente que nos comprometer para que nas nossas escolas, nas nossas instituições, na média, na política, nos lugares de culto, ressoem o nome de Deus, de irmão e de companheiro de vida. Teremos que aprender a estar mais atentos à linguagem que usamos e a tomar consciência de que a reconstrução de um modelo sério de relações entre nós exigirá muito tempo, paciência e coragem. Vamos precisar de uma nova aliança, entre pessoas de boa vontade que, independentemente da fé, identidade e visão política, sintam o outro como parte de si mesmas e desejem comprometerem-se a viver com essa consciência". Daqui o convite para rezar pela Igreja de Jerusalém, "para que seja uma Igreja que supera muros e portas fechadas; que acredita, proclama, constrói a paz". Já testemunhamos muitas vezes anúncios de paz traídos e ofendidos".

(Fonte: Agência Sir)

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18 maio 2021

Comunicação ao Conselho Presbiteral

 

 

Caríssimos irmãos e amigos 

Foi precisamente há oito anos que o Papa Francisco me nomeou Patriarca de Lisboa. Mantendo-me ainda algum tempo no Porto, posso dizer que nesse mesmo dia “voltei” a Lisboa, onde já exercera o ministério episcopal por sete anos, com o saudoso Cardeal Policarpo. Voltei enriquecido com a experiência portuense, designadamente com o que lá fizéramos em conjunto, em torno da “Missão 2010” e das “Jornadas Vicariais da Fé” (2012-2013).
Evoco isto para vos dizer que, logo que aqui voltei, comecei a delinear com os meus colegas bispos e nos vários orgãos de corresponsabilidade pastoral, como se foram retomando, o modo de acertarmos em horizontes comuns de evangelização, em torno de datas marcantes e sugestivas, que se costumam revelar mobilizadoras para os fiéis em geral.
Sabemos que nunca se consegue interessar e envolver a todos e a cada um nestes objetivos gerais. Seja como for, não devemos desistir deles, dado o resultado que acabam por alcançar, reforçando a convivência eclesial, insistindo em pontos concretos de evangelização e abrindo futuro.
Na altura não foi difícil definir objetivos. O Papa Francisco tinha-nos oferecido a exortação apostólica Evangelii Gaudium, com o “sonho missionário de chegar a todos” e pedido que em cada diocese se convocassem instâncias de corresponsabilidade para porem em prática o que apresentava como “programa” do seu pontificado. Entre elas incluía-se o sínodo diocesano.
Foi assim que propus ao Conselho Presbiteral, em janeiro de 2014, a realização duma assembleia sinodal, a coincidir também com o tricentenário da qualificação patriarcal de Lisboa (1716 – 2016). A proposta foi aprovada com unanimidade e entusiasmo e anunciada à Diocese na Solenidade São Vicente de 24 de janeiro de 2014, suscitando muito interesse, dentro e mesmo além do âmbito eclesial. 
A partir daí e até novembro de 2016, o Secretariado do Sínodo, promoveu o estudo dos vários capítulos da Evangelii Gaudium por parte de grupos sinodais, organizados em paróquias, movimentos, institutos e iniciativas ad hoc, ao longo de cinco trimestres. Foram centenas os grupos e muitos milhares os que de algum modo participaram. Com as conclusões que fizeram chegar ao Secretariado elaborou-se o documento que, depois de debatido e aprovado na assembleia sinodal de novembro-dezembro de 2016, resultou na Constituição Sinodal de Lisboa.
Nos anos seguintes – ampliados em mais um por causa da pandemia que interrompeu e adiou muitas ações programadas –, prosseguimos na aplicação de alguns pontos fulcrais da Constituição Sinodal de Lisboa, atinentes à Palavra de Deus, à Liturgia e à Caridade, além do incremento da corresponsabilidade comunitária. Estamos agora em plena avaliação desta caminhada conjunta, como a concluiremos na assembleia sinodal de 18-19 de junho.
Desde já – e também como eco do recente Congresso da Pastoral Socio-caritativa – posso acrescentar ter-se tornado ainda mais evidente que a pastoral que prosseguirmos em todos os níveis – local, vicarial ou diocesano - tem de integrar sempre e cada vez mais cada um daqueles pontos. Não há verdadeira iniciação cristã que não provenha da Palavra anunciada e escutada, da Liturgia autenticamente vivida e convivida e da Caridade praticamente atuada, tudo em comunhão corresponsável e fraterna. Como São Paulo, tanto acentua, trata-se de incorporação eclesial em Cristo, num único corpo onde carismas e ministérios confluem e se projeta em missão permanente.

Seguem-se a partir de agora dois anos de objetivo ainda mais alargado e muito bem definido: a Jornada Mundial da Juventude, marcada pelo Papa Francisco para Lisboa no verão de 2023.
Já se trabalha intensamente na sua realização, como amanhã escutaremos. O interesse e o entusiasmo são crescentes, nas dioceses portuguesas e por esse mundo além. O próprio facto de ser, como esperamos, “a Jornada pós-pandemia”, faz dela uma ocasião por excelência de relançar o mundo em caminhos novos de solidariedade, de justiça e de paz, tão urgentes como coincidentes com as aspirações da juventude. 
Nos trabalhos de hoje, peço-vos a colaboração especial para concretizarmos desde já este desiderato na preparação dos jovens que participarão na Jornada. Quer no âmbito catequético, onde já estão em prática as catequeses Say Yes e Rise Up; quer no âmbito comunitário, pela maior participação e protagonismo dos jovens de paróquias e movimentos; quer no âmbito socio-caritativo, que, além de essencial, se demonstra muito propício à descoberta de Cristo vivo na caridade exercitada. Os textos da exortação apostólica pós-sinodal Christus Vivit, que vos foram entregues para o trabalho de grupos, são boa inspiração nesse sentido. As vossas sugestões práticas serão muito úteis para a preparação da JMJ Lisboa 2023!

Amigo e grato, 

+ Manuel, Cardeal-Patriarca

Patriarcado de Lisboa

JMJ diocesana. Experiência de peregrinação e fraternidade universal

 
 Jovens com a cruz da JMJ 
 
 
Apresentadas hoje, no Vaticano, as Orientações pastorais para a celebração da Jornada Mundial da Juventude nas Igrejas particulares.
 

Davide Dionisi/Mariangela Jaguraba – Vatican News

"Um subsídio que apresenta as motivações ideais e possíveis implementações práticas para que a JMJ diocesana/eparquial se torne uma ocasião para fazer emergir o potencial de bem, a generosidade, a sede de valores autênticos e de grandes ideais que cada jovem carrega dentro de si." Este é o objetivo das Orientações pastorais para a celebração da Jornada Mundial da Juventude nas Igrejas particulares, o documento do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida apresentado, nesta terça-feira (18/05), na Sala de Imprensa da Santa Sé.

Solenidade de Cristo Rei

As dioceses são convidadas a celebrar a JMJ na Solenidade de Cristo Rei. "De facto, é desejo do Santo Padre que, neste dia, toda a Igreja coloque os jovens no centro da sua atenção pastoral, reze por eles, faça gestos que tornem os jovens protagonistas e promova campanhas de comunicação", lê-se no documento. Como se sabe, enquanto as celebrações internacionais do evento são geralmente realizadas em cada três anos com a participação do Papa, a celebração ordinária da Jornada ocorre em cada ano nas Igrejas particulares, que se encarregam de organizar tal evento.

Missão com os jovens, uma prioridade

É um compromisso que tem "grande significado e valor não só para os jovens que vivem naquela determinada região, mas para toda a comunidade eclesial local", continua o texto dirigido às Conferências Epais, aos Sínodos das Igrejas Patriarcais e Arquiepiscopais Maiores, às dioceses/eparquias, aos movimentos e associações e, por último, mas não menos importante, aos jovens de todo o mundo. "Estas Orientações pastorais têm o objetivo de encorajar as Igrejas particulares a valorizar cada vez mais a celebração diocesana da JMJ e a considerá-la uma ocasião propícia para planear e realizar criativamente iniciativas que mostrem que a Igreja considera a sua missão com os jovens como uma prioridade pastoral epocal, na qual investir tempo, energia e recursos", destaca o documento.

Experiência eclesial e missionária

O documento indica os pontos-chave da JMJ para que o evento seja uma "festa da fé", uma "experiência eclesial e missionária, uma ocasião de discernimento vocacional e um chamado à santidade. Além disso, a Jornada da Juventude deverá ser uma experiência de peregrinação e fraternidade universal. A celebração da JMJ oferece aos jovens uma experiência viva e alegre de fé e de comunhão, um espaço para experimentar a beleza do rosto do Senhor", destacam as Orientações, sublinhando que "é importante que a celebração se torne uma ocasião para que os jovens possam fazer experiência de comunhão eclesial e crescerem na consciência de serem parte integrante da Igreja". Tudo isto tendo em mente que "a primeira forma de envolver os jovens deve ser a escuta".

"Convidados especiais"

A JMJ diocesana/eparquial", observa o documento, "pode ser uma bela ocasião para destacar a riqueza da Igreja local, evitando que os jovens menos presentes e menos ativos nas estruturas pastorais já consolidadas se sintam excluídos". E acrescenta: "Todos devem sentir-se convidados especiais, todos devem sentir-se esperados e bem-vindos, na sua singularidade irrepetível e riqueza humana e espiritual. Portanto, o evento diocesano/eparquial pode ser uma ocasião propícia para estimular e acolher todos aqueles jovens que talvez procuram o seu lugar na Igreja e que ainda não o encontraram". O documento conclui salientando que "a celebração diocesana/eparquial da JMJ é sem dúvida uma etapa importante na vida de cada Igreja particular, um momento privilegiado de encontro com as novas gerações, um instrumento de evangelização do mundo dos jovens e de diálogo com eles".

VN

17 maio 2021

Papa, à Vida Consagrada: para não se tornar estéril, manter diálogo com a realidade

 
 
 
O percurso vivido pela Vida Consagrada é enaltecido pelo Papa Francisco numa mensagem em vídeo divulgada nesta segunda-feira (17), compreende-se “no diálogo com a realidade” e “consagrando-se todos os dias” para não “se tornar estéril”, como já acontece com alguns institutos. Ao dirigir-se aos participantes da 50ª Semana Nacional para Institutos de Vida Consagrada de Espanha, com conferencistas internacionais, o Pontífice alerta para se ter “coragem apostólica” ao manter o carisma fundacional, sem se perder “em formalismos, ideologias, medos e diálogos” que não sejam com o Espírito Santo.
 

Andressa Collet - Vatican News

A 50ª Semana Nacional para Institutos de Vida Consagrada começa nesta segunda-feira (17) com uma mensagem especial em vídeo, do Papa Francisco. O evento, um dos principais de aprofundamento dirigido à Vida Consagrada, será realizado em modalidade on-line até ao próximo sábado (22) em análise ao tema “Consagrados para a vida do mundo”.

O agradecimento do Papa a card. Aquiloso

O Pontífice, falando em espanhol, começa por agradecer publicamente ao cardeal Aquiloso Bocos Merino, da revista “Vida Religiosa”, que “nunca deixou de ser religioso e sacerdote”,  servindo sempre “a Igreja desta maneira”, pela iniciativa de movimentar todo este ambiente. Francisco comentou que foi um “semear contínuo” sobre a “inquietação de compreender a riqueza da Vida Consagrada e de fazê-la frutificar. Não apenas compreendê-la, mas vivê-la. Não apenas teoria, não, prática. Em qualquer caso, catequese para praticá-la melhor”.

O diálogo com a realidade

Ao analisar o programa do evento, que convida a recordar os primeiros 50 anos de caminhada à luz do Concílio Vaticano II e conta com conferências internacionais de primeiro nível, o cardeal João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica –, o Papa confere o elenco dos participantes que têm “muita experiência de vida religiosa, e experiência universal, e experiência do limite”. O Pontífice confirma o apreço das atividades previstas, inclusive com participações que tratam da América Latina e do mundo islâmico, dialogando com a realidade e “consagrando-se todos os dias”:

“Quando a Vida Consagrada perde esta dimensão de diálogo com a realidade e de reflexão sobre o que acontece, começa a tornar-se estéril. Eu interrogo-me sobre a esterilidade de alguns institutos de Vida Consagrada, ver a causa: geralmente está na falta de diálogo e engajamento com a realidade. Não se esqueçam disto, a Vida Consagrada é sempre um diálogo com a realidade.”

Manter o carisma com coragem apostólica

Mesmo diante das reformas, acrescenta o Papa, o contacto com a realidade existe sempre e sob a luz do carisma. Encontros como este, que começa nesta segunda-feira (17), ajudam a perder o medo, afirma Francisco, reforçando o alerta:

“É triste ver como alguns institutos, a fim de procurarem uma certa segurança, para se poderem controlar, caíram em ideologias de qualquer tendência, de esquerda, de direita, de centro, qualquer tendência. Quando um instituto se reformula do carisma numa ideologia perde a sua identidade, perde a sua fecundidade. Manter vivo o carisma fundacional é mantê-lo em movimento e em crescimento, em diálogo com o que o Espírito nos vem dizendo na história dos tempos, nos lugares, nas diferentes épocas, em diferentes situações. Isto pressupõe discernimento e pressupõe oração. Não se pode manter um carisma fundacional sem coragem apostólica, ou seja, sem caminhar, sem discernimento e sem oração.”

Francisco finaliza a mensagem encorajando todos os que participam na 50ª Semana Nacional para Institutos de Vida Consagrada, organizada pelo Instituto Teológico de Madrid, a tentarem juntos não se perderem “em formalismos, em ideologias, em medos, em diálogos connosco mesmos e não com o Espírito Santo”:

“Não tenham medo dos limites! Não tenham medo das fronteiras! Não tenham medo das periferias! Porque ali o Espírito vai falar convosco. Coloquem-se ‘dentro do alcance’ do Espírito Santo. E estas semanas certamente irão ajudar a ficar ‘dentro do alcance’.”

Para conseguir participar no evento em modalidade on-line, procure se inscrever-se pelo site!

Veja o programa completo do evento on-line:

http://www.itvr.org/sites/default/files/pictures/PROGRAMA%20SNVC%202021_0.pdf

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16 maio 2021

“Os pobres, mais do que imperativo moral, são lugar teológico”

 

 

O Cardeal-Patriarca afirmou, este sábado, no encerramento do Congresso Diocesano de Pastoral Sócio-Caritativa que os pobres são “o verdadeiro lugar teológico” e pediu que se organizem jornadas vicariais sócio-caritativas.

“Jesus identificou-se com os pobres. Não é apenas um imperativo moral, de solidariedade, mas um imperativo teológico, com os que Jesus se identificou”, disse  D. Manuel Clemente no Centro de Pastoral de Torres Vedras. Durante a reflexão que encerrou o encontro, sob o tema «As periferias como lugar privilegiado da presença da Igreja», D. Manuel Clemente assinalou a diversidade de nacionalidades que compõem a sociedade portuguesa: “para podermos responder às necessidades sócio-caritativas de hoje temos de olhar para este ‘nós’ de hoje, não de ontem”. “Proponho que fique como hábito vicarial para o futuro as jornadas sócio-caritativas. Será uma sinodalidade caritativa em que podemos crescer”, pediu.

“Reúnam-se, olhem, e retenham informação sobre o que é mais urgente, vamos ensaiar uma ação conjunta. Parece pouco mas é muito porque desperdiçamos muito, desaproveitamos muito”, lamentou.

Oração, palavra e caridade são três dimensões valorizadas por D. Manuel Clemente, e exemplificou com a vivência das Missões País, onde “há tempo para rezar, refletir e apoiar”. Para o Cardeal-Patriarca de Lisboa as comunidades paroquiais irão crescer, desta forma, “em verdadeira iniciação cristã”: “Não há outro modo de encontrar Cristo vivo se não for onde ele nos espera, nos locais de misericórdia, caso contrário, apenas se encontrará a si mesmo, entre frustrações e ilusões”. 

“Durante a atual pandemia muitas comunidades e instituições redobraram-se para respostas em contacto com pessoas sós, apoio a lares, e demais respostas. A pandemia vai passar, mas a ação redobrada não pode passar, não só porque as necessidades persistem, mas também porque só assim continuamos a ser sinal eloquente e experiência de Cristo”, afirmou.


“O mundo é diferente, na maneira de conviver, na grande variedade de situações e percursos, nos modos novos de aprender e comunicar. Tudo é diferente. Mas pede-se para anunciar Cristo na novidade do tempo”, afirmou. D. Manuel Clemente pediu que cada comunidade seja “um oásis de misericórdia”.

 

Ecclesia

 

Veja aqui as transmissões do Congresso da Pastoral Sócio-Caritativa:
 

 

Patriarcado de Lisboa

Apelo do Papa pela paz entre israelitas e palestinianos

 
 Operação de socorro à procura de sobreviventes em escombros de prédio bombardeado em Gaza 
 
 
Francisco acompanha nestes dias com "grande preocupação" as violências na Terra Santa e apela para aqueles que têm papéis de "responsabilidade" para fazer cessar o ribombar das armas. O Santo Padre também expressa o seu pesar pelos confrontos entre árabes e judeus nas cidades israelitas e define como "inaceitável" o assassinato de crianças
 

Vatican News

Um premente apelo às partes em conflito e a quem tem a responsabilidade de fazer cessar o ribombar das armas, e uma exortação a rezar para que israelitas e palestinianos possam procurar o caminho para a paz. Após o Regina Caeli, o Papa deteve-se longamente sobre a dramática escalada da violência no Médio Oriente:

“Acompanho com grande preocupação o que está a acontecer na Terra Santa. Nestes dias, violentos confrontos armados entre a Faixa de Gaza e Israel impuseram-se, e correm o risco de degenerar numa espiral de morte e destruição. Numerosas pessoas foram feridas e muitos inocentes morreram. Entre eles estão as crianças, e isto é terrível e inaceitável. A morte delas é um sinal de que não querem construir o futuro, mas querem destruí-lo.

Fraternidade em Israel ferida

O Pontífice expressa a sua preocupação também com a escalada das tensões nas cidades israelitas:

“Além disto, o aumento de ódio e violência que está a envolver várias cidades em Israel é uma ferida grave para a fraternidade e a convivência pacífica entre os cidadãos, o que se tornará difícil de curar se não houver uma abertura imediata para o diálogo. Eu interrogo-me: aonde o ódio e a vingança irão levar? Pensamos realmente que podemos construir a paz destruindo o outro? ‘Em nome de Deus que criou todos os seres humanos iguais em direitos, deveres e dignidade, e os chamou a viverem juntos como irmãos e irmãs entre si" (cf. Documento sobre a Fraternidade Humana) apelo à calma e, àqueles que têm responsabilidade para tal, fazerem cessar o ribombar das armas e a percorrer os caminhos da paz, também com a ajuda da comunidade internacional.

O caminho do diálogo

A exortação é a rezar, especialmente pelas crianças que são vítimas do conflito:

“Rezemos incessantemente para que israelitas e palestinianos possam encontrar o caminho do diálogo e do perdão, para serem pacientes construtores da paz e da justiça, abrindo-se, passo a passo, a uma esperança comum, a uma coexistência entre irmãos. Oremos pelas vítimas, especialmente pelas crianças; oremos pela paz à Rainha da Paz pela paz. Ave Maria...”

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O Papa no Regina Caeli: sejamos testemunhas corajosas do Ressuscitado

 
 Regina Caeli deste Domingo da Ascensão do Senhor (16.05.21) Vatican Media 
 
“A Ascensão completa a missão de Jesus entre nós. Na verdade, se foi por nós que Jesus desceu do céu, é sempre por nós que ele sobe para lá. Depois de ter descido à nossa humanidade e tê-la redimido, ele agora sobe ao céu levando nossa carne com ele. À direita do Pai senta-se agora um corpo humano, o corpo de Jesus, e neste mistério cada um de nós contempla o próprio destino futuro,” disse Francisco no Regina Caeli deste Domingo da Ascensão do Senhor

 

Raimundo de Lima – Vatican News

“A evangelização, por mais empenhativa, exigente e superior às capacidades humanas, será tão verdadeira e eficaz quanto cada um de nós - e toda a Igreja - deixar o Senhor agir dentro de si e por meio de si. Isso é o que o Espírito Santo faz: nos torna instrumentos por meio dos quais o Senhor pode operar.”

Foi o que disse o Papa Francisco no Regina Caeli deste VII Domingo da Páscoa - Ascensão do Senhor e 55º Dia Mundial das Comunicações Sociais – na alocução que precedeu a oração mariana deste tempo pascal.

Atendo-se ao Evangelho deste domingo, o Santo Padre destacou que a passagem do Evangelho de Marcos (16,15-20) apresenta-nos o último encontro do Ressuscitado com os discípulos antes de subir à direita do Pai.

A ascensão completa a missão de Jesus entre nós

Francisco observou que normalmente as cenas de despedida são tristes, dão aos que ficam uma sensação de perplexidade, de abandono; em vez disso, tudo isso não é o acontece aos discípulos.

“Apesar da separação do Senhor, não se mostram desconsolados, pelo contrário, estão alegres e prontos a partir como missionários pelo mundo”, frisou o Papa, prosseguindo com duas interrogações: “Porque razão os discípulos não estão tristes? Porque também nos devemos alegrar ao ver Jesus que sobe ao céu?”

“A ascensão completa a missão de Jesus entre nós. Na verdade, se foi por nós que Jesus desceu do céu, é sempre por nós que ele sobe para lá. Depois de ter descido à nossa humanidade e tê-la redimido, ele agora sobe ao céu levando a nossa carne com ele. À direita do Pai senta-se agora um corpo humano, o corpo de Jesus, e neste mistério cada um de nós contempla o próprio destino futuro.”

A oração de Jesus diante do Pai

“Não se trata de forma alguma de um abandono, Jesus permanece para sempre com os discípulos - connosco -  permanece na oração, porque ele, como homem, reza ao Pai, e como Deus: homem e Deus”, destacou. Jesus mostra ao Pai as chagas, as chagas com as quais nos redimiu.

“A oração de Jesus está ali, com a nossa carne: é um de nós, Deus homem, e reza por nós. E isto deve dar-nos uma segurança, aliás, uma alegria, uma grande alegria! E o segundo motivo de alegria é a promessa de Jesus. Ele disse-nos: "Eu vos enviarei o Espírito Santo". E ali, com o Espírito Santo, é feito aquele mandamento que Ele dá precisamente na despedida: ‘Ide pelo mundo, proclamai o Evangelho’.”

A missão guiada pelo Espírito Santo

E será o Espírito Santo que nos levará pelo mundo, para levar o Evangelho. É o Espírito Santo daquele dia, que Jesus prometeu e, nove dias depois, Ele virá na festa de Pentecostes. Foi precisamente o Espírito Santo que tornou possível que todos nós sejamos assim hoje. Uma grande alegria! Jesus se foi: o primeiro homem perante o Pai. Ele partiu com as chagas, que foram o preço de nossa salvação, e reza por nós. Depois envia.nos o Espírito Santo, promete-nos o Espírito Santo, para irmos e evangelizar. Daí a alegria de hoje, daí a alegria deste Dia da Ascensão.

Francisco concluiu exortando a pedirmos a Maria, Rainha do Céu, que nos ajude a ser no mundo testemunhas corajosas do Ressuscitado nas situações concretas da vida.

VN

15 maio 2021

Intervenção no Congresso Diocesano da Pastoral Sócio-caritativa

 

 

As periferias como lugar privilegiado da presença da Igreja 

 
O presente Congresso integra-se na caminhada sinodal de Lisboa, iniciada em 2014. É ponto de convergência de realidades socio-caritativas, mais antigas ou mais recentes, protagonizadas por comunidades, instituições e várias iniciativas, tudo mais urgido pela presente pandemia. 
Quando nos abeiramos da conclusão da receção sistemática da Constituição Sinodal de Lisboa (2016), cabe-nos fazer este “ponto da situação”, para melhor percebermos onde chegámos e como havemos de continuar para diante. 
Tudo em torno do número 53 da Constituição Sinodal de Lisboa, que nos motiva a “Sair com Cristo ao encontro de todas as periferias sociais e geográficas”. Propósito que afirma ser “uma prioridade da ação evangelizadora da Igreja” e “implica uma opção preferencial pelos pobres e uma proximidade aos excluídos em ordem à promoção da sua dignidade, nos seus diversos níveis (saúde, educação, habitação, emprego)”. 
Tudo isto é essencial e urgente, comprometendo a sociedade em geral, onde os cristãos se incluem de parte inteira e em concidadania ativa. Reparemos, porém, que o enunciado da CSL especifica, que, para nós, tal se configura muito especialmente como “uma prioridade da ação evangelizadora da Igreja”. Como acontecia com Cristo, a atenção aos pobres concretiza o anúncio do Reino: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres» (Lc 4, 18). Assim o ilustra cada página dos Evangelhos, máxima inspiração que nos move, pessoal ou comunitariamente que seja. 
O mesmo número da CSL desdobra este dever em três pontos igualmente importantes: 1º) Uma aposta no trabalho formativo com as famílias e contextos sociais mais vulneráveis; 2º) Uma sensibilização da comunidade eclesial para ouvir o clamor do pobre e o fortalecimento da sua responsabilidade social; 3º) A necessidade de se acompanharem as constantes formas de reorganização social, decorrentes de transformações geográficas e urbanas, e as rápidas mudanças ao nível das condições de mobilidade das populações.
Para todos os que participámos na assembleia sinodal de novembro-dezembro de 2016, é claro que este enunciado concentra em breves linhas muito do que se refletiu antes nos grupos sinodais e na última redação lá votada. Podemos traduzi-lo de modo essencial e simples: Não há mudança social sem uma formação que ultrapasse, mental e praticamente, situações de carência grave e persistente; a qualidade cristã duma comunidade mede-se pela sua sensibilidade aos vários tipos de pobreza e pela resposta que concretamente lhes dê; e é preciso estar atento à reorganização social que a mobilidade populacional acarreta. Como sabemos, este último ponto reflete-se na própria alteração do nosso quadro comunitário, muito mais fluido hoje em dia. 
Sem a devida atenção a cada um destes pontos, não encontraremos a resposta certa aos desafios socio-caritativos que enfrentamos. Lembremos como Cristo compreendia e correspondia ao contexto daqueles que salvava, de corpo e de espírito. Não faltam detalhes evangélicos a ilustrá-lo. Reparemos, por exemplo, como, ao curar um leproso, teve em conta o que estava previsto para que a respetiva reintegração social e religiosa fosse perfeita: «Vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que foi estabelecido por Moisés, a fim de lhes servir de testemunho» (Mc 2, 44); ou como esteve atento à necessidade imediata de quem viera de longe: «Tenho compaixão desta multidão. Há já três dias que permanecem junto de mim e não têm que comer. Se os mandar embora em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho, e alguns vieram de longe» (Mc 8, 2-3). Idêntica atenção, tão global como precisa, é pedida aos seus discípulos de hoje, para que o Evangelho continue a acontecer. 
Aliás, foi isto mesmo que se pretendeu com as Jornadas Vicariais da Caridade e nalgumas se realizou convictamente. Juntar paróquias e outras agregações crentes duma determinada zona para apurarem uma necessidade social mais urgente e ensaiarem uma resposta conjugada a essa mesma, do modo socio-caritativo mais capaz. Proponho que fique como hábito vicarial para o futuro, com benefício de quem o pratica e de quem beneficia diretamente com ele. Digamos que será uma sinodalidade caritativa em que todos crescerão de facto.

Crescerão de facto, mesmo em termos de verdadeira iniciação cristã. Como corpo eclesial de Cristo, cada comunidade tem de conformar os seus membros ao que Ele próprio foi e realizou. Para isso nos deu o seu Espírito. Transmitindo a sua palavra, rezando como Ele rezou e cuidando como Ele cuidou de todos, com especial atenção aos que mais precisam. 
E não só por imperativo moral, que também é. Sobretudo porque não há outro modo de encontrar Cristo vivo, senão aí mesmo onde Ele nos espera: «Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolheste-me, estava nu e destes-me de vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo» (Mt 25, 35-36). Cada um destes lugares, como se configurarem agora, são outros tantos “lugares teológicos”, em que Cristo nos reclama. Quem não os frequentar, não encontrará o próprio Deus. Apenas se encontrará a si mesmo, entre ilusões e frustrações.
Daqui que, seja na Igreja doméstica de cada família, seja na comunidade cristã como “família de Deus” (Ef 2, 19), não haverá iniciação cristã autêntica sem simbiose total entre a palava ouvida, a oração filial e fraterna e a caridade realizada. Temos sempre de progredir neste rumo, não separando uma dimensão das outras. Trata-se, afinal, de ampliar em Igreja e reforçar em Cristo o que já sabemos das relações humanas, que não se realizam sem escuta mútua, sem entreajuda espiritual e sem resposta concreta às necessidades do outro.
Na sua recente encíclica Fratelli Tutti, sobre a fraternidade e a amizade social, o Papa Francisco insiste também neste ponto: «… é importante que a catequese e a pregação incluam, de forma mais direta e clara, o sentido social da existência, a dimensão fraterna da espiritualidade, a convicção sobre a dignidade inalienável de cada pessoa e as motivações para amar e acolher a todos» (FT, 86). 
Nem todos fazemos tudo, na comunidade cristã e na missão de a alargar para além dela, como oferta de vida em Cristo. Mas não esqueçamos que vocações e carismas têm sempre em vista o bem comum, espiritual ou social que seja Uma comunidade em que não se acompanhem com atenção e gosto os progressos sacramentais de cada um, do Batismo ao Crisma, da Eucaristia à Reconciliação e à Unção dos enfermos, dos Matrimónios às Ordenações e Profissões religiosas, e em que não se ganhe o gosto de rezar cristãmente e celebrar em conjunto; ou em que não se assumam as iniciativas socio-caritativas como algo que nos interessa a todos, seja nos centros sociais e lares, seja nas cáritas ou nas conferências vicentinas – para mencionar as mais comuns – não inicia nem cresce, cristãmente falando.
Muito pelo contrário, quando integramos bem estas dimensões, através da comunicação e da corresponsabilidade, realizamo-nos como corpo eclesial de Cristo e assim mesmo nos alargamos em missão. Disse-o o Papa Francisco num passo muito sugestivo e mobilizador da sua exortação apostólica Gaudete et Exsultate, sobre o chamamento à santidade no mundo atual: «Partilhar a Palavra e celebrar juntos a Eucaristia torna-nos mais irmãos e vai-nos transformando pouco a pouco em comunidade santa e missionária» (GE, 142). Reparemos como junta Palavra, Eucaristia, fraternidade e missão. Quando falta um destes pontos, reduz-se e desdiz-se a autenticidade dos outros.
De modo ainda mais incisivo, escrevera o Papa na exortação apostólica Evangelii Gaudium – essa mesma que motivou o nosso percurso sinodal de Lisboa: «Qualquer comunidade da Igreja, na medida em que pretender subsistir tranquila sem se ocupar criativamente nem cooperar de forma eficaz para que os pobres vivam com dignidade e haja a inclusão de todos, correrá também o risco da sua dissolução […]. Facilmente acabará submersa pelo mundanismo espiritual, dissimulado em práticas religiosas, reuniões infecundas ou discursos vazios» (EG, 207).
É uma advertência grave, que devemos tomar muito a sério e em permanente conversão socio-caritativa. Aliás, durante a atual pandemia, muitas comunidades e instituições se desdobraram em respostas às necessidades acrescidas da população, quer na distribuição de géneros alimentares e outros, quer em contactos com pessoas sós, quer no apoio a lares e a imigrantes. A pandemia vai passar, como sempre acontece – e tanto mais depressa quanto mais cautelosos e solidários formos. Mas esta ação redobrada não pode atenuar-se, não só porque muitas necessidades permanecem e muitas periferias subsistem, mas também porque só assim seremos, para nós e para os outros, sinal eloquente e experiência viva de Cristo no mundo.

A isto se liga o tema da “nova evangelização”, muito presente na vida da Igreja desde São João Paulo II, que a queria “nova no ardor, nos métodos e nas expressões”. A grande mudança social e cultural que vivemos requere-a certamente. Quer na maneira de viver e conviver, quer na concentração urbana e na mobilidade interurbana, quer na grande variedade de situações e percursos, quer nos novos modos de comunicar, aprender e trabalhar, tudo é diferente do que era ainda há pouco e pede-nos para anunciar o Evangelho de sempre na novidade do tempo. 
Também o Papa Francisco nos fala da “nova evangelização”. Um breve relance sobre algumas das suas afirmações neste sentido, faz-nos concluir que ela tem em conta as referidas mudanças sociais e culturais e se foca muito especialmente na atenção aos pobres, materiais ou espirituais que sejam. 
Logo no texto programático do seu pontificado, que assumimos convictamente para o nosso percurso sinodal de Lisboa, resume assim o quadro em que nos movemos: «Uma cultura inédita palpita e está em elaboração na cidade. O Sínodo [Sínodo dos Bispos sobre a nova evangelização, 2012] constatou que as transformações destas grandes áreas e a cultura que exprimem são, hoje, um lugar privilegiado da nova evangelização. Isto requer imaginar espaços de oração e de comunhão com caraterísticas inovadoras, mais atraentes e significativas para as populações urbanas» (EG, 73).
«Imaginar espaços de oração e de comunhão», pede-nos o Papa. Reparemos que oração e comunhão andam ligadas, relacionando-nos com Deus e com os outros a partir de Deus. Percorrendo tantos lugares do nosso Patriarcado, verifico e agradeço o facto de não faltarem comunidades em que isto mesmo vai acontecendo na simplicidade do dia-a-dia, na vida litúrgica e na atenção aos pobres. Nem quero imaginar quanto perderíamos, como sociedade em geral, se não contássemos com a nossa rede paroquial e comunitária e a sua atividade catequética, litúrgica e socio-caritativa… 
Quando se fala em evangelização, só se pode defini-la no modo como Cristo a realizou, retomando “com novo ardor, novos métodos e novas expressões”, o sentido que Ele próprio lhe deu, ou seja, anunciar o Evangelho aos pobres, de toda a pobreza que seja e nas suas novas formas também. Isso mesmo acentua o Papa Francisco, afirmando que tal atitude, além de corresponder a uma necessidade indesmentível é também o único modo de encontrarmos realmente a Cristo, que neles nos espera: «A nova evangelização é um convite a reconhecer a força salvífica das suas vidas e a colocá-las no centro do caminho da Igreja. Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles» (EG, 198). Concluamos que centralizar as periferias começa por estar atento a elas e tomá-las como lugar pessoal ou social onde Deus nos espera e reclama. 
Mas é muito mais do que simples voluntarismo. Falando-nos do “espírito da nova evangelização”, o Papa alia ação e oração, como um movimento de coração que leva à prática. Dizendo, entre muito mais, o seguinte: «Evangelizadores com espírito quer dizer evangelizadores que rezam e trabalham. Do ponto de vista da evangelização, não servem as propostas místicas desprovidas de um vigoroso compromisso social e missionário, nem os discursos e ações sociais e pastorais sem uma espiritualidade que transforme o coração» (EG, 262).
De que transformação do coração se trata, explicará depois o Papa na bula Misericordiae Vultus, de proclamação do Jubileu da Misericórdia, que vivemos em 2015-2016. Escreveu assim: «No nosso tempo, em que a Igreja está comprometida na nova evangelização, o tema da misericórdia exige ser reproposto com novo entusiasmo e uma ação pastoral renovada. É determinante para a Igreja, e para a credibilidade do seu anúncio, que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia. A sua linguagem e os seus gestos para penetrarem o coração das pessoas e desafiá-las a encontrar novamente o caminho para regressar ao Pai, deve irradiar misericórdia. […] Nas nossas paróquias, nas comunidades, nas associações e nos movimentos – em suma, onde houver cristãos -, qualquer pessoa deve poder encontrar um oásis de misericórdia» (MV, 12).
Reparemos bem na palavra “misericórdia” e no seu sentido mais profundo. Significa ter o coração no que é “mísero”, isto é, mais frágil e carente. Só assim coincidiremos com o próprio coração divino, como se revelou nos sentimentos e gestos de Jesus Cristo. Não fez grandes discursos sobre o tema, ainda que o tenha magnificamente ilustrado em parábolas como a do “pai misericordioso”, mais conhecida como do “filho pródigo” (cf. Lc 15, 11 ss). Não precisou de fazer grandes discursos, porque as suas atitudes falavam bem por si.
Concluamos: O “oásis de misericórdia” que cada comunidade deve ser, para se chamar legitimamente cristã, tanto responde à procura dos pobres como “localiza” a presença de Deus.     

+ Manuel, Cardeal-Patriarca

Torres Vedras, 15 de maio de 2021 

Patriarcado de Lisboa