12 dezembro 2023
OVELHAS DESGARRADAS
10 dezembro 2023
Papa: rumo ao Natal, valorizar o silêncio e a sobriedade, inclusive nas redes sociais
Vatican News
Libertar-me do supérfluo para compreender aquilo que é realmente importante diante de Deus: para o Papa Francisco, esta é a mensagem principal que o Evangelho nos apresenta neste II Domingo do Advento.
Já com a Praça de São Pedro enfeitada para o Natal, o Pontífice rezou com milhares de fiéis a oração do Angelus e comentou o trecho do evangelista Marcos, que fala de João Batista, o precursor de Jesus. O Papa deteve-se no versículo em que o Batista é descrito como "voz daquele que grita no deserto", para refletir sobre as palavras "voz" e "deserto".
O deserto é o local do silêncio e da essencialidade, onde não é permitido divagar sobre coisas inúteis, mas é preciso concentrar-me no que é indispensável para viver.
"Eis um chamamento sempre atual: para proceder no caminho da vida, é necessário despir-me do 'a mais', porque viver bem não quer dizer encher-me de coisas inúteis, mas libertar-me do supérfluo, para cavar em profundidade dentro de mim, para compreender aquilo que é realmente importante diante de Deus."
Para Francisco, somente se dermos espaço a Jesus através do silêncio e da oração, saberemos libertar-nos da poluição das palavras vãs e dos falatórios. Nesse sentido, o silêncio e a sobriedade – nas palavras, no uso das coisas, nos média e nas redes sociais – não são só “promessas” ou virtude, mas elementos essenciais da vida cristã.
Já a voz é o instrumento com o qual manifestamos o que pensamos e levamos no coração, e está intimamente relacionada ao silêncio, porque expressa aquilo que amadurece dentro, da escuta daquilo que o Espírito sugere.
"Se não se é capaz de calar, é difícil que se tenha algo de bom a dizer; enquanto, mais atento é o silêncio, mais forte é a palavra", disse o Papa.
Francisco então convida os fiéis a questionarem-se: que lugar ocupa o silêncio nos meus dias? É um silêncio vazio, talvez opressor, ou um espaço de escuta, de oração, onde custodiar o coração? A minha vida é sóbria ou repleta de coisas supérfluas?
Mesmo que signifique ir contracorrente, exortei, valorizei o silêncio, a sobriedade e a escuta?
"Que a Maria, Virgem do silêncio, nos ajude a amar o deserto, para nos tornarmos vozes críveis que anunciam o seu Filho que vem."
VN
08 dezembro 2023
Papa: confiemos a Maria a paz na Ucrânia, Palestina e Israel
Vatican News
Nesta Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, o Papa Francisco volta a encontrar os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para o Angelus, fazendo a sua reflexão e apelos da janela do apartamento pontifício. A melhoria no seu quadro de saúde permite-o também sair do Vaticano para rezar na Basílica de Santa Maria Maior e na sequência na Piazza di Spagna, centro de Roma:
Peço a todos, especialmente aos fiéis de Roma, que se unam espiritualmente a mim nestes gestos de entrega à nossa Mãe, rezando em particular pela paz, pela paz na Ucrânia, pela paz na Palestina e em Israel, e em todas as terras feridas pelas guerras. Peçamos a paz, que os corações sejam pacificados, que haja paz!
As felicitações pelo Jubileu da Diocese de Quebec
Antes de anunciar a primeira Jornada Mundial da Criança, em maio próximo, o Santo Padre saudou os fiéis da Diocese de Quebec, no Canadá, que no dia da Imaculada Conceição, a sua padroeira, inauguram o Jubileu pelo 350º aniversário da sua fundação:
Quebec foi a primeira diocese fundada no Canadá. Feliz Ano Jubilar e que a Virgem Maria vos acompanhe!
O encorajamento à Ação Católica
O Pontífice, ao saudar afetuosamente os romanos e os peregrinos vindos da Itália e de vários países do mundo, dirige o seu pensamento aos membros da Ação Católica, que nestes dias renovam a sua adesão. O incentivo é que todos os membros, “das crianças aos idosos”, possam ser “pedras vivas na Igreja e bom fermento na sociedade”.
VN
Papa: como Maria, acolher os grandes dons de Deus com admiração e simplicidade
Thulio Fonseca - Vatican News
Nesta sexta-feira (08/12), Solenidade da Imaculada Conceição, o Papa Francisco voltou a rezar a oração mariana do Angelus da janela do Palácio Apostólico, após duas semanas em que, por recomendações médicas, a pronunciou na Capela da Casa Santa Marta.
Aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Pontífice
destacou duas atitudes da Virgem Maria que lhe permitiram ter um coração
totalmente livre do pecado. Em primeiro lugar, a surpresa quando ouve
ser chamada de "cheia de graça":
“Esta é uma atitude importante: saber maravilhar-se diante dos dons do Senhor, nunca os considerando como óbvios, apreciar o seu valor, alegrar-se pela confiança e ternura que trazem consigo.”
O Papa sublinhou que “é também importante testemunhar esse
maravilhamento diante dos outros, falando com humildade dos dons de
Deus, do bem recebido, e não somente dos problemas quotidianos”. E
convida os fiéis a uma reflexão:
“Podemos perguntar a nós mesmos: eu sei maravilhar-me com as obras de Deus?
Às vezes acontece comigo ficar maravilhado com isso e
compartilhar com alguém?”
A fidelidade nas coisas simples
Maria, enfatiza o Santo Padre, é uma “uma jovem, que precisamente graças à sua simplicidade conservou puro aquele Coração Imaculado com o qual, pela graça de Deus, foi concebida”:
“Para acolher os grandes dons de Deus, é fundamental saber valorizar aqueles mais quotidianos e menos evidentes.”
“Sim" a Deus
Através da simplicidade, disse o Pontífice, a Virgem cultivou o imenso dom da sua Imaculada Conceição e acolheu as oportunidades de crescimento do seu tempo: a Palavra de Deus, a fé para a qual foi educada pelos pais, a generosidade e a prontidão com que se comportou. "Foi por meio da fidelidade quotidiana no bem que Nossa Senhora permitiu ao dom de Deus crescer nela; foi assim que ela se preparou para responder ao Senhor, para dizer “sim” a Ele com toda a sua vida”.
VN
06 dezembro 2023
O Papa: apelo a favor da paz na Ucrânia, Israel e Palestina e proximidade ao México
Raimundo de Lima - Vatican News
Ao término da audiência geral desta quarta-feira, 6 de dezembro, ao saudar os vários grupos de fiéis e peregrinos, o Santo Padre cumprimentou os membros da Fundação Telethon presentes na Sala Paulo VI, provenientes do México. Dirigindo-se aos mexicanos, convidou-os "a colaborar com as vítimas de Acapulco", duramente atingidas há mais de um mês pelo furacão Otis, e "para incluir todas as pessoas com deficiência no México". "Lutemos contra a sociedade do descarte, defendamos a dignidade de cada pessoa", foi o apelo de Francisco.
A guerra é sempre uma derrota
Seguidamente, o Papa voltou mais uma vez o seu pensamento para as muitas situações de conflitos no mundo, com um olhar particular para a Ucrânia e a Terra Santa, pedindo orações, ressaltando que a guerra é sempre uma derrota.
Não nos esqueçamos de rezar por aqueles que sofrem a tragédia da guerra, particularmente, pelas populações da Ucrânia, de Israel e da Palestina. A guerra é sempre uma derrota. Ninguém ganha, todos perdem. Somente os fabricantes de armas ganham.
Imaculada Conceição
Lembrando a proximidade da solenidade da Imaculada Conceição, que celebraremos na próxima sexta-feira, 8 de dezembro, o Santo Padre ressaltou que Maria "acreditou" no amor de Deus e respondeu coo seu "sim". Aprendamos com Ela a confiar plenamente no Senhor para dar testemunho, em todos os lugares, da bondade e do amor do Evangelho.
VN
Papa: a missão não é um manual a ser aplicado, mas obra do Espírito Santo
Thulio Fonseca - Vatican News
Francisco entrou caminhando na Sala Paulo VI enquanto os milhares de fiéis e peregrinos o saudavam. Ainda um pouco ofegante, o Papa deu início à Audiência Geral desta quarta-feira, 6 de dezembro, fazendo o sinal da cruz.
“Irmãs e irmãos, bom dia, bem-vindos a todos. Também hoje pedi ao monsenhor Ciampanelli para ler porque ainda estou com dificuldade. Estou muito melhor, mas tenho dificuldades se falo demais. É por isso que ele vai ler.”, foram as palavras introdutórias do Santo Padre, em seguida, Monsenhor Filippo Ciampanelli, colaborador da Secretaria de Estado, proferiu a catequese sobre a quarta dimensão do zelo apostólico, “o anúncio é movido pelo Espírito Santo”:
“Nas catequeses anteriores, vimos que o anúncio do Evangelho é alegria, é para todos e deve ser dirigido ao hoje. Descubramos agora uma última característica essencial: o anúncio deve realizar-se no Espírito Santo. Com efeito, para 'comunicar Deus' não bastam a alegre credibilidade do testemunho, a universalidade do anúncio e a atualidade da mensagem. Sem o Espírito Santo todo o zelo é vão e falsamente apostólico: seria apenas nosso e não daria frutos”.
O Espírito Santo protagonista
No texto, o Papa recorda que, como escreveu na Evangelii gaudium,
“Jesus é o primeiro e o maior evangelizador”; que “em qualquer forma de
evangelização, o primado é sempre de Deus”, que “quis chamar-nos para
cooperar com Ele e impelir-nos com a força do seu Espírito”.
“O Espírito é o protagonista, precede sempre os missionários e faz brotar os frutos. Essa consciência consola-nos muito! E ajuda-nos a esclarecer outra, igualmente decisiva: isto é, que no seu zelo apostólico a Igreja não anuncia si mesma, mas uma graça, um dom, e o Espírito Santo é precisamente o Dom de Deus”.
Segundo Francisco, a primazia do Espírito não deve levar-nos à indolência:
“O Senhor não nos deixou folhetos teológicos ou um manual de pastoral para aplicar, mas o Espírito Santo que inspira a missão. E a desenvoltura corajosa que o Espírito infunde leva-nos a imitar o seu estilo, que tem sempre duas características: a criatividade e a simplicidade.”
Criatividade pastoral
No texto lido por mons. Ciampanelli, o Papa destaca que a
criatividade é necessária para anunciar Jesus com alegria, a todos e no
hoje.
“Nesta nossa época, que não nos ajuda a ter uma visão
religiosa da vida e em que o anúncio se tornou mais difícil, cansativo e
aparentemente infrutífero em vários lugares, pode surgir a tentação de
desistir do serviço pastoral. Talvez nos refugiemos em zonas de
segurança, como na repetição habitual de coisas que sempre fazemos, ou
nos apelos tentadores de uma espiritualidade íntima, ou mesmo num
sentido incompreendido da centralidade da liturgia. São tentações que se
disfarçam de fidelidade à tradição, mas muitas vezes, em vez de
respostas ao Espírito, são reações às insatisfações pessoais.”
“A criatividade pastoral, o ser ousados no Espírito, ardentes com o seu fogo missionário, é prova de fidelidade a Ele. Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual.”
A simplicidade evangelizadora
A segunda característica que Francisco enfatiza é a simplicidade, “precisamente porque o Espírito nos leva à fonte, ao primeiro anúncio, que deve ocupar o centro da atividade evangelizadora e de toda a tentativa de renovação eclesial”.
“Irmãos e irmãs, deixemo-nos cativar pelo Espírito e invoquemo-lo todos os dias: seja Ele o princípio do nosso ser e do nosso agir; esteja no início de cada atividade, reunião, encontro e anúncio. Ele vivifica e rejuvenesce a Igreja: com Ele não devemos temer, porque Ele, que é a harmonia, mantém sempre juntas a criatividade e a simplicidade, inspira a comunhão e envia em missão, abre à diversidade e reconduz à unidade. Ele é a nossa força, o sopro do nosso anúncio, a fonte do zelo apostólico. Vinde, Espírito Santo!”
VN
03 dezembro 2023
Cop28, Papa: necessária conversão ecológica global, comprometer-se todos agora
Salvatore Cernuzio – Vatican News
Postagens no X, mensagens em vídeo e discursos (lidos pelo cardeal Pietro Parolin, chefe da delegação da Santa Sé no Dubai), mas o Papa ainda faz questão de enfatizar a sua proximidade com o trabalho da Cop28, o evento da Onu sobre clima no qual ele deveria estar presente - o primeiro Pontífice a fazê-lo - do dia 1 a 3 de dezembro. Impossibilitado de sair devido a uma bronquite aguda da qual está a recuperar lentamente, Francisco, no Angelus, recitado este domingo no salão da Casa de Santa Marta, dirigiu um novo pensamento juntamente com um apelo para esse encontro internacional que - como escreveu na exortação Laudate Deum - espera que possa ser "um ponto de viragem" para uma ação global eficaz contra a crise climática.
Embora à distância, estou acompanhando de perto o trabalho do Cop28 em Dubai. Renovo o meu apelo para que as mudanças climáticas sejam enfrentadas com mudanças políticas concretas.
Comprometer todos agora
O Papa - entre os signatários neste domingo de uma declaração de todos os líderes religiosos que convidam os diferentes credos a unirem-se para "curar o nosso mundo ferido" - renova o convite já expresso no longo discurso que ele deveria proferir no terceiro dia de trabalhos da Cop e que foi lido neste sábado pelo secretário de Estado Parolin. O convite, isto é, para sair dos "estreitos limites do particularismo e do nacionalismo", que são "padrões do passado" e que representaram, em alguns casos, um obstáculo para conter a ganância, a exploração e as ilusões de omnipotência.
Vamos abraçar uma visão comum, comprometendo-nos todos e agora, sem demora, com uma necessária conversão ecológica global.
Acolhimento e inclusão dos deficientes
O Bispo de Roma também pediu um compromisso coletivo para uma maior inclusão das pessoas com deficiência, no dia em que celebramos o Dia internacional dedicado a elas. "Acolher e incluir aqueles que vivem essa condição ajuda toda a sociedade a tornar-sr mais humana", assegurou Francisco.
Nas famílias, nas paróquias, nas escolas, no trabalho, no desporto, aprendamos a valorizar cada pessoa com as suas qualidades e habilidades e a não excluir ninguém.
VN
Francisco: trégua rompida em Gaza significa morte, urgente um novo cessar-fogo
Salvatore Cernuzio – Vatican News
"Morte, destruição, miséria". É isto que significa para o Papa a rutura da trégua entre Israel e o Hamas e a retoma dos combates que, de acordo com informações divulgadas pelas autoridades da Faixa de Gaza, mataram 700 cidadãos palestinos em vinte e quatro horas. Após a recitação do Angelus, ainda na Casa de Santa Mar, devido à bronquite infecciosa que o acometeu há mais de uma semana, o Papa - embora ele mesmo não tenha lido o apelo após a oração mariana - deu a conhecer a sua profunda dor pelo Médio Oriente, onde "a situação é grave", juntamente com a esperança de um restabelecimento imediato de um acordo para uma trégua.
É triste que a trégua tenha sido rasgada, isto significa morte, destruição e miséria.
O pensamento nos reféns, a esperança de um novo acordo
Francisco voltou o seu pensamento para os reféns, ainda nas mãos do Hamas após o dramático 7 de outubro. Muitos foram libertados, mas muitos ainda estão em Gaza. "Pensemos neles e nas suas famílias, que viram uma luz, uma esperança de reencontrar os seus entes queridos", exortou o Pontífice.
Seguidamente, o eu pensamento voltou-se para Gaza, onde, enfatizou, "há tanto sofrimento, faltam bens de primeira necessidade". Além de comida e água, os equipamentos necessários para emergências militares estão cada vez mais em falta. Um navio da Marinha partiu este domingo da Itália para o Egito com salas de cirurgia e clínicas a bordo para tratar os feridos. A situação, no entanto, está a piorar a cada hora. O Papa então lançou o seu apelo.
Espero que todos os envolvidos possam chegar a um novo acordo de cessar-fogo o mais rápido possível e encontrar soluções que não sejam as armas, tentando seguir caminhos corajosos para a paz.
Na última quinta-feira, Israel concordou em estender a trégua na Faixa de Gaza por um oitavo dia, num acordo que visava à libertação de mais dez reféns, principalmente mulheres e crianças. No entanto, enquanto os EUA, o Egito e o Catar se reuniam em Doha para tentar chegar a um acordo sobre uma nova prorrogação, as Forças Armadas de Israel anunciaram que tinham lançado ataques aéreos contra locais no território palestino, sem fornecer mais detalhes. Imagens transmitidas pela emissora pan-árabe "al Jazeera" mostram colunas de fumaça cinza a sair de áreas povoadas de Gaza, acompanhadas pelo barulho de bombardeios e tiros.
Próximo das famílias das vítimas em Mindanao
Com a mesma apreensão, Francisco assegurou as suas orações pelas vítimas do atentado ocorrido na manhã deste domingo nas Filipinas, no Estado de Mindanao, em Marawi, uma área no sul do país, onde uma bomba explodiu no ginásio de uma universidade enquanto uma Missa estava a ser celebrada. O Papa faz-se próximo das famílias dos mortos - quatro, incluindo três mulheres - e dos mais de 40 feridos, bem como dos habitantes de Mindanao, uma cidade que no passado foi palco de uma batalha entre as forças do governo e militantes ligados ao Estado islâmico.
Faço-me próximo das famílias, do povo de Mindanao, que já sofreu tanto.
VN
O Papa no Angelus: no Advento, encontrar nos necessitados, Jesus que vem
Raimundo de Lima – Vatican News
Eis um belo programa para o Advento: encontrar Jesus que vem em cada irmão e irmã que precisa de nós e compartilhar com eles o que pudermos: escuta, tempo, ajuda concreta. Foi a exortação do Papa no Angelus deste domingo, 3 de dezembro, início do Advento, tempo de preparação para o Natal que se aproxima.
Como no domingo anterior, a oração mariana foi rezada da Casa de Santa Marta, para não expor o Santo Padre a mudanças bruscas de temperatura, uma vez que está a recuperar de uma inflamação pulmonar que o acometeu há mais de uma semana. O texto foi lido por monsenhor Paolo Braida, chefe de escritório na Secretaria de Estado.
Advento, tempo de espera vigilante
Na alocução que precedeu a oração mariana, Francisco destacou que o breve Evangelho que a liturgia nos propõe neste I Domingo do Advento Jesus dirige-nos três vezes uma exortação simples e direta. Vigiai. Portanto, o tema é a vigilância.
Como devemos entendê-la? – perguntou o Pontífice, acrescentando: às vezes, pensamos nessa virtude como uma atitude motivada pelo medo de um castigo iminente, como se um meteorito estivesse prestes a cair do céu e ameaçasse, se não o evitássemos a tempo, nos esmagar. Mas esse certamente não é o significado da vigilância cristã!
Jesus ilustra isto com uma parábola, falando de um senhor que está a voltar e dos seus servos que o estão a esperat. Na Bíblia, o servo é a "pessoa de confiança" do patrão, com quem muitas vezes há uma relação de cooperação e afeto. Pensemos, por exemplo, que Moisés é definido servo de Deus e que também Maria diz de si mesma: "Eis aqui a serva do Senhor".
Receber Jesus especialmente nos mais necessitados
Portanto, observou, a vigilância dos servos não é de medo, mas de anseio, esperando encontrar o seu senhor que vem. Eles mantêm-se prontos para o seu retorno porque lhe querem bem, porque têm em mente que, quando ele chegar, encontrará uma casa acolhedora e organizada.
É com esta expetativa cheia de afeto que também queremos preparar-nos para receber Jesus: no Natal, que celebraremos daqui a algumas semanas; no fim dos tempos, quando voltará em glória; todos os dias, quando Ele vier ao nosso encontro na Eucaristia, na sua Palavra, nos nossos irmãos e irmãs, especialmente nos mais necessitados.
De modo especial durante estas semanas, exortou Francisco, preparemos cuidadosamente a casa do coração, para que ela seja organizada e hospitaleira. A vigilância, de facto, significa manter o coração preparado. É a atitude do vigia que, durante a noite, não se deixa tentar pelo cansaço, não adormece, mas permanece acordado na expectativa da luz que se aproxima.
Cristo é a nossa luz
O Senhor é a nossa luz e é bom preparar o coração para recebê-lo com a oração e hospedá-lo com a caridade, os dois preparativos que, por assim dizer, o deixam confortável. A este respeito, diz-se que São Martinho de Tours, um homem de oração, depois de dar metade de seu manto a um pobre, sonhou com Jesus vestido exatamente com aquela parte do manto que ele tinha dado.
Queridos, é bom perguntarmos hoje a nós mesmos, como podemos preparar um coração acolhedor para o Senhor. Podemos fazê-lo aproximando-nos do seu Perdão, da sua Palavra, da sua Mesa, encontrando espaço para a oração, acolhendo-o naqueles que precisam.
Cultivemos a sua espera sem nos distrairmos com tantas coisas inúteis e sem reclamar o tempo todo, mas mantendo o nosso coração alerta, ou seja, ansioso por Ele, desperto e pronto, impaciente para encontrá-Lo. Que a Virgem Maria, mulher da espera, nos ajude a recebero seu Filho que vem, concluiu.
VN
30 novembro 2023
EXALTAÇÃO
29 novembro 2023
Audiência Geral: o Evangelho está vivo hoje para nós
Francisco não deixou de estar presente na Audiência Geral desta quarta-feira (29/11). A entrada do Papa na Sala Paulo VI foi aclamada pelos fiéis e peregrinos. No início da catequese o Pontífice saudou os fiéis e passou a palavra ao monsenhor Ciampanelli, que leu o texto preparado para a ocasião.
Realizada na Sala Paulo VI, devido às quedas da temperatura que
antecedem o inverno no hemisfério norte, a Audiência Geral desta
quarta-feira, 29 de novembro, contou com a presença de inúmeros fiéis e
peregrinos que acolheram o Santo Padre com muito afeto durante o seu
ingresso para a Audiência Geral.
O Papa Francisco, que ainda recupera de uma infeção pulmonar, ao saudar os fiéis, afirmou: "ainda não estou bem com esta gripe e a voz não está boa”, e passou a palavra a monsenhor Filippo Ciampanelli, colaborador da Secretaria de Estado, que leu o discurso preparado para o ciclo de catequeses sobre a Paixão pela evangelização: o zelo apostólico do crente.
A proclamação é para hoje
“Quase sempre ouvimos coisas más sobre o hoje” - destaca o texto lido por mons. Ciampanelli - “entre guerras, alterações climáticas, injustiças planetárias e migrações, crise da família e da esperança, não faltam motivos de preocupação. De uma forma geral, o hoje parece habitado por uma cultura que coloca o indivíduo acima de tudo e a tecnologia no centro de tudo, com a sua capacidade de resolver muitos problemas e o seu progresso gigantesco em muitos campos”.
O texto do Papa sublinha que a cultura do progresso técnico-individual leva à afirmação de uma liberdade que não quer impor limites e parece indiferente para com aqueles que ficam para trás. E ao ilustrar a catequese com a história da cidade de Babel, Francisco destaca:
“Ainda hoje a coesão, mais do que a fraternidade e a paz, baseia-se muitas vezes na ambição, nos nacionalismos, na homologação, em estruturas técnico-económicas que inculcam a crença de que Deus é insignificante e inútil: não tanto porque procuramos mais conhecimento, mas sobretudo porque procuramos mais poder. É uma tentação que permeia os grandes desafios da cultura atual.”
Não ter medo do diálogo
“Na Evangelii gaudium”, ressalta o texto do Papa, “apelei a uma evangelização que ilumine os novos modos de te relacionares com Deus, com os outros e com o ambiente, e que suscite os valores fundamentais”.
“O zelo apostólico nunca é uma simples repetição de um estilo adquirido, mas um testemunho de que o Evangelho está vivo aqui para nós hoje.”
“Conscientes disto, olhemos, portanto, para a nossa época e para a nossa cultura como uma dádiva. Elas são nossas e evangelizá-las não significa julgá-las de longe, nem ficar numa varanda gritando o nome de Jesus, mas sair às ruas, ir aos lugares onde moramos, frequentar os espaços onde sofremos, trabalhamos, estudamos e refletimos, habitar as encruzilhadas onde os seres humanos partilham o que faz sentido para as suas vidas. Significa ser, como Igreja, «um fermento de diálogo, de encontro, de unidade. Afinal, as nossas próprias formulações de fé são o resultado de um diálogo e de um encontro entre diferentes culturas, comunidades e instâncias. Não devemos ter medo do diálogo: na verdade, são precisamente a comparação e a crítica que nos ajudam a evitar que a teologia se transforme em ideologia»”
“Precisamos de permanecer nas encruzilhadas do hoje. Abandoná-las significaria empobrecer o Evangelho e reduzir a Igreja a uma seita. Frequentá-las, porém, ajuda a nós, cristãos, a compreender de forma renovada as razões da nossa esperança, para extrair e partilhar «coisas novas e velhas» do tesouro da fé.”
Uma pastoral que incorpore melhor o Evangelho
Na conclusão do texto Francisco ressalta: “em vez de querer reconverter o mundo de hoje, precisamos de converter a pastoral para que ela incorpore melhor o Evangelho”.
“Façamos nosso o desejo de Jesus: ajudar os nossos companheiros de viagem a não perder o desejo de Deus, para que lhes abra o coração e encontrem o único que, hoje e sempre, dá paz e alegria ao homem.”
VN
27 novembro 2023
ADVENTO 2023
26 novembro 2023
Angelus, Papa: amar Jesus significa servi-lo nos pequeninos e nos pobres
Silvonei José – Vatican News
"Hoje não posso assomar à janela porque tenho este problema de inflamação nos pulmões". Foi o que disse o Papa Francisco, em conexão vídeo da Capela da Casa de Santa Marta, para a recitação do Angelus neste domingo, explicando que monsenhor Braida "lerá a reflexão, que a conhece bem porque é ele quem a faz, e sempre a faz muito bem. Muito obrigado pela sua presença". Monsenhor Paolo Braida é chefe do escritório da Secretaria de Estado.
"De acordo com os critérios do mundo, -
destaca o texto lido por mons. Braida - os amigos do rei devem ser
aqueles que lhe deram riqueza e poder, que o ajudaram a conquistar
territórios, a vencer batalhas, a tornar-se grande entre outros
governantes, talvez aparecer como uma estrela nas primeiras páginas dos
jornais ou nos médias sociais, e a eles ele deveria dizer: "Obrigado,
porque vocês me tornaram rico e famoso, invejado e temido". Isto de
acordo com os critérios do mundo.
"No entanto, de acordo com os critérios de Jesus, os amigos são outros: são aqueles que o serviram nas pessoas mais frágeis", afirma o Papa, comentando o Evangelho da Solenidade de Cristo Rei, que "nos fala do juízo final e nos diz que será sobre a caridade".
"O Filho do Homem", explicou Francisco, "é um Rei completamente diferente, que chama os pobres de 'irmãos', que se identifica com os famintos, os sedentos, os estrangeiros, os doentes, os presos". "Ele é um Rei que é sensível ao problema da fome, à necessidade de uma casa, à doença e à prisão – continuou - todas realidades que, infelizmente, são sempre muito atuais".
Angelus - 26 de novembro de 2023
"Pessoas famintas, sem-teto, muitas
vezes vestidas como podem, enchem as nossas ruas: nós encontramo-las todos
os dias. E também em relação à enfermidade e à prisão, todos nós
sabemos o que significa estar doente, cometer erros e arcar com as
consequências".
O Papa enfatizou no texto lido que "o
Evangelho de hoje diz-nos que somos 'benditos' se respondemos a estas
pobrezas com amor, com serviço: não olhando para o outro lado, mas dando
de comer e beber, vestindo, hospedando, visitando, numa palavra,
estando perto dos necessitados".
E isto porque "Jesus, nosso Rei que se
define Filho do Homem, tem as suas irmãs e irmãos prediletos nas mulheres e
homens mais frágeis". "E o estilo com o qual os seus amigos são
chamados a distinguirem-se, aqueles que têm Jesus como Senhor, é o seu
próprio estilo", acrescentou: compaixão, misericórdia, ternura".
"Então, irmãos e irmãs, perguntemos a nós mesmos", insistiu o Pontífice - acreditamos que a verdadeira realeza consiste na misericórdia? Acreditamos no poder do amor? Acreditamos que a caridade é a manifestação mais real do homem e é uma exigência indispensável para o cristão? E, enfim, uma pergunta particular: sou um amigo do Rei, ou seja, sinto-me envolvido na primeira pessoa nas necessidades dos sofredores que encontro no meu caminho? O convite final do Papa foi, portanto, "amar Jesus nosso Rei nos seus irmãos mais pequeninos”.
VN
19 novembro 2023
IDOSOS?!
O Papa exorta a superar o medo que paralisa e a ançarmo-nos com confiança em Deus
Jackson Erpen – Cidade do Vaticano
“O medo paralisa, a confiança liberta”. Medo ou confiança, duas posturas que podemos ter diante de Deus e que serão determinantes na nossa relação com Ele e por consequência na multiplicação ou não dos talentos que gratuitamente d'Ele recebemos.
Dirigindo-se aos milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, neste XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Papa falou das duas maneiras diferentes de nos aproximarmos de Deus. Para tal, inspirou-se na Parábola dos Talentos narrada no Evangelho de Mateus 25, 14-30.
Francisco começa por explicar que os talentos confiados aos seus servos, por um senhor que sai em viagem “eram os seus bens, um capital", e foram distribuídos “de acordo com as capacidades de cada um”.
Ao retornar, este senhor pede contas aos servos. Dois deles dobraram os talentos que receberam, o que é elogiado pelo senhor, enquanto o terceiro, por medo, enterrou o seu, devolvendo o mesmo que tinha recebido, atitude que recebe uma repreensão.
O medo que bloqueia
O Santo Padre então, explica a primeira maneira de nos aproximarmos de Deus, que é aquela movida pelo medo de alguém que não confia na sua bondade e por isso fica bloqueado:
É aquela daquele que enterra o talento recebido, que não sabe ver as suas riquezas dadas por Deus: ele não confia nem no patrão, nem em si mesmo (...). Ele sente medo dele, não vê a estima, não vê a confiança que o senhor deposita nele, mas vê somente o agir de um patrão que exige mais do que dá, de um juiz. E esta é a sua imagem de Deus: não consegue acreditar na sua bondade, não consegue acreditar na bondade do Senhor em relação a nós. Por isso fica bloqueado e não se deixa envolver na missão recebida.
A atitude de confiança que liberta
Atitude diferente, por sua vez, têm os outros dois protagonistas, “que retribuem a confiança do seu senhor, confiando por sua vez nele”:
Esses dois investem tudo o que receberam, mesmo que inicialmente não saibam se tudo irá correr bem: estudam, veem as possibilidades e prudencialmente pçrocuram o melhor; aceitam o risco de se envolverem. Confiam, estudam e arriscam. Assim, têm a coragem de agir com liberdade, de forma criativa, gerando nova riqueza.
E diante de Deus, temos esses dois caminhos a seguir, observa o Papa, “medo ou confiança. Ou tens medo diante de Deus ou tens confiança no Senhor". E a exemplo dos protagonistas da parábola, também nós, recorda Francisco, “recebemos talentos, todos, muito mais preciosos do que o dinheiro. Mas muito do modo como os investimos depende da nossa confiança no Senhor, que liberta o coração, torna-nos ativos e criativos na prática do bem”:
Superar o medo e confiar em Deus
Não esqueçamos isto: a confiança liberta, sempre, o medo paralisa. Recordemos: o medo paralisa, a confiança liberta. E isto também se aplica à educação dos filhos. E perguntemo-nos: acredito que Deus é Pai e me confia dons porque confia em mim? E eu, confio n'Ele ao ponto de me lançar sem desanimar, mesmo quando os resultados não são certos nem óbvios? Sei dizer em cada dia na oração: ‘Senhor, eu confio em Ti, dá-me forças para seguir em frente: confio em Ti, nas coisas que me deste. Deixe-me saber como, como levá-las em frente...'. Por fim, também como Igreja: cultivamos nos nossos ambientes um clima de confiança e de estima recíproca, que nos ajuda a seguir em frente juntos, que desbloqueia as pessoas e estimula a criatividade do amor em todos? Pensemos nisto.
Que a Virgem Maria, disse ao concluir, nos ajude a superar o medo e a confiar em Deus - nunca ter medo de Deus! Temor sim, medo não - e a confiar no Senhor.
VN
15 novembro 2023
Papa: o Evangelho não é uma ideologia, é o anúncio da alegria
Thulio Fonseca - Vatican News
“Após falar sobre diversas testemunhas do anúncio do Evangelho,
proponho, como síntese destas catequeses sobre o zelo apostólico, quatro
pontos baseados na Exortação Apostólica Evangelii gaudium,
que completa neste mês dez anos. O primeiro ponto, que examinamos hoje,
só pode dizer respeito à atitude da qual depende a substância do gesto
evangelizador: a alegria.”
Com estas palavras, Francisco iniciou a sua catequese durante a Audiência Geral desta quarta-feira (15). Diante dos fiéis reunidos na Praça de São Pedro, o Papa enfatizou que "a mensagem cristã, conforme ouvimos nas palavras do anjo aos pastores, é o anúncio de uma 'grande alegria'".
"E qual é o motivo dessa grande alegria? Uma boa notícia, uma surpresa, um belo acontecimento?”, questionou o Pontífice, para então responder: “É muito mais do que isso, é uma Pessoa: Jesus! Ele é o Deus feito homem que nos ama sempre, que deu a sua vida por nós e deseja-nos conceder a vida eterna! Ele é o nosso Evangelho, a fonte de uma alegria perene!”
“Ou proclamamos Jesus com alegria, ou não o proclamamos, porque qualquer outra forma de anunciá-Lo não é capaz de trazer a verdadeira realidade de Jesus.”
A evangelização não é uma ideologia
Seguidamente, o Papa faz um alerta aos fiéis: "um cristão que está descontente, triste, insatisfeito ou, pior ainda, ressentido e rancoroso não tem credibilidade". Segundo Francisco, a evangelização funciona de forma gratuita, porque vem da plenitude, não da pressão.
O Papa enfatizou que "quando se evangeliza com base em ideologias,
isso não é evangelizar, isso não é o Evangelho. O Evangelho não é uma
ideologia: o Evangelho é um anúncio de alegria. As ideologias são frias,
todas elas. O Evangelho tem o calor da alegria. As ideologias não sabem
sorrir, o Evangelho é um sorriso, ele faz-te sorrir porque toca a tua
alma com a Boa Nova", sublinhou Francisco.
A humanidade aguarda o anúncio do Evangelho
"Portanto, os primeiros a serem evangelizados somos nós, os cristãos, e isso é muito importante", lembrou o Pontífice. Mesmo quando frequentemente nos encontramos imersos no ritmo acelerado e confuso do mundo atual, "também podemo-nos ver a viver a fé com um subtil senso de renúncia, convencidos de que o Evangelho não é mais ouvido e que não vale mais a pena o esforço de proclamá-lo".
“Podemos até ser tentados pela ideia de deixar os 'outros' seguirem o seu próprio caminho. Em vez disso, este é exatamente o momento de voltar ao Evangelho para descobrir que Cristo é sempre jovem, é sempre uma fonte constante de novidade.”
O Papa destacou que o Evangelho ainda é esperado nos dias atuais, e a humanidade de todos os tempos necessita do seu anúncio, inclusive a civilização imersa na descrença planeada e na secularidade institucionalizada. Especialmente numa sociedade que negligencia os espaços do sentimento religioso, o Evangelho é aguardado.
Na conclusão da catequese, o Papa convidou cada cristão a renovar o seu encontro pessoal com Jesus Cristo:
"Não nos esqueçamos disso. E se algum de nós não perceber essa alegria, perguntemos a nós mesmos se encontramos Jesus. É uma alegria interior. O Evangelho percorre o caminho da alegria, sempre, é o grande anúncio. Convido todos os cristãos, em qualquer lugar e situação em que se encontrem, a renovar o seu encontro pessoal com Jesus Cristo hoje. Que cada um de nós, neste dia, pare um pouco e pense: Jesus, Tu estás dentro de mim: quero encontrar-Te todos os dias. Tu és uma Pessoa, não uma ideia; Tu és um companheiro, não um programa. Tu és o Amor que resolve tantos problemas. Tu és o início da evangelização. Tu, Jesus, és a fonte da alegria."
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