12 dezembro 2023

OVELHAS DESGARRADAS

 

 
 
 
 
No fundo somos todos ovelhas desgarradas que o Senhor veio procurar, fazendo-se Um igual a nós, excepto no pecado.

Quis nascer de Mulher, como um de nós, e percorreu os caminhos e lugares à procura do Homem, ovelha desgarrada, levando sempre cada um daqueles que se deixava encontrar para o “redil” da salvação.

E continua a estar no meio de nós e não desiste de procurar as ovelhas desgarradas que se perdem nos caminhos do mundo.

E ainda são tantas!

Por isso, o Senhor se quer servir de nós, pobres pecadores já por Ele encontrados, e nos pede, mais ainda, nos convoca, para participarmos também nessa missão de encontrar as ovelhas desgarradas neste e deste mundo.

E o “redil” da salvação é a Igreja, sempre com as portas abertas para aqueles que se deixam encontrar.

E o Senhor não nos chama a “empurrar” as ovelhas desgarradas para o “redil” da salvação, mas sim a irmos à sua frente, dando testemunho do caminho que Ele alumia para nós pelo Espírito Santo, mas e também ao lado de cada uma dessas ovelhas desgarradas, dando-lhes a mão, amparando-as, intercedendo continuamente por elas.

E não nos esqueçamos que em tantos momentos das nossas vidas nós somos também essas ovelhas desgarradas que o Senhor procura, porque, por tantas e tão variadas coisas, nos afastamos do rebanho do Único e Bom Pastor.

Vem Senhor Jesus e toca-me para que eu me deixe encontrar por Ti!



Monte Real, 12 de Dezembro de 2023
Joaquim Mexia Alves

10 dezembro 2023

Papa: rumo ao Natal, valorizar o silêncio e a sobriedade, inclusive nas redes sociais

 
 
Já com a Praça de São Pedro enfeitada para o Natal, o Pontífice rezou com milhares de fiéis a oração do Angelus e comentou o trecho do evangelista Marcos, que fala de João Batista, o precursor de Jesus. 
 

Vatican News

Libertar-me do supérfluo para compreender aquilo que é realmente importante diante de Deus: para o Papa Francisco, esta é a mensagem principal que o Evangelho nos apresenta neste II Domingo do Advento.

Já com a Praça de São Pedro enfeitada para o Natal, o Pontífice rezou com milhares de fiéis a oração do Angelus e comentou o trecho do evangelista Marcos, que fala de João Batista, o precursor de Jesus. O Papa deteve-se no versículo em que o Batista é descrito como "voz daquele que grita no deserto", para refletir sobre as palavras "voz" e "deserto". 

O deserto é o local do silêncio e da essencialidade, onde não é permitido divagar sobre coisas inúteis, mas é preciso concentrar-me no que é indispensável para viver.

"Eis um chamamento sempre atual: para proceder no caminho da vida, é necessário despir-me do 'a mais', porque viver bem não quer dizer encher-me de coisas inúteis, mas libertar-me do supérfluo, para cavar em profundidade dentro de mim, para compreender aquilo que é realmente importante diante de Deus."

Para Francisco, somente se dermos espaço a Jesus através do silêncio e da oração, saberemos libertar-nos da poluição das palavras vãs e dos falatórios. Nesse sentido, o silêncio e a sobriedade – nas palavras, no uso das coisas, nos média e nas redes sociais – não são só “promessas” ou virtude, mas elementos essenciais da vida cristã.

Já a voz é o instrumento com o qual manifestamos o que pensamos e levamos no coração, e está intimamente relacionada ao silêncio, porque expressa aquilo que amadurece dentro, da escuta daquilo que o Espírito sugere.

"Se não se é capaz de calar, é difícil que se tenha algo de bom a dizer; enquanto, mais atento é o silêncio, mais forte é a palavra", disse o Papa. 

Francisco então convida os fiéis a questionarem-se: que lugar ocupa o silêncio nos meus dias? É um silêncio vazio, talvez opressor, ou um espaço de escuta, de oração, onde custodiar o coração? A minha vida é sóbria ou repleta de coisas supérfluas?

Mesmo que signifique ir contracorrente, exortei, valorizei o silêncio, a sobriedade e a escuta?

"Que a Maria, Virgem do silêncio, nos ajude a amar o deserto, para nos tornarmos vozes críveis que anunciam o seu Filho que vem."

VN

08 dezembro 2023

Papa: confiemos a Maria a paz na Ucrânia, Palestina e Israel

 
Jovens da Imaculada, reunidos na Praça de São Pedro, foram saudados pelo Papa  (VATICAN MEDIA Divisione Foto)
 
O convite do Papa, depois da recitação do Angelus, é unir-se a ele na oração a Nossa Senhora nesta Solenidade da Imaculada Conceição. “Peçamos paz, que os corações sejam pacificados, que haja paz!”. O pensamento dirige-se também aos membros da Acção Católica e ao jubileu da Diocese de Quebec, a primeira do Canadá.
 

Vatican News

Nesta Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, o Papa Francisco volta a encontrar os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para o Angelus, fazendo a sua reflexão e apelos da janela do apartamento pontifício. A melhoria no seu quadro de saúde permite-o também sair do Vaticano para rezar na Basílica de Santa Maria Maior e na sequência na Piazza di Spagna, centro de Roma:

Peço a todos, especialmente aos fiéis de Roma, que se unam espiritualmente a mim nestes gestos de entrega à nossa Mãe, rezando em particular pela paz, pela paz na Ucrânia, pela paz na Palestina e em Israel, e em todas as terras feridas pelas guerras. Peçamos a paz, que os corações sejam pacificados, que haja paz!

As felicitações pelo Jubileu da Diocese de Quebec

Antes de anunciar a primeira Jornada Mundial da Criança, em maio próximo, o Santo Padre saudou os fiéis da Diocese de Quebec, no Canadá, que no dia da Imaculada Conceição, a sua padroeira, inauguram o Jubileu pelo 350º aniversário da sua fundação: 

Quebec foi a primeira diocese fundada no Canadá. Feliz Ano Jubilar e que a Virgem Maria vos acompanhe!

O encorajamento à Ação Católica

O Pontífice, ao saudar afetuosamente os romanos e os peregrinos vindos da Itália e de vários países do mundo, dirige o seu pensamento aos membros da Ação Católica, que nestes dias renovam a sua adesão. O incentivo é que todos os membros, “das crianças aos idosos”, possam ser “pedras vivas na Igreja e bom fermento na sociedade”.

VN

Papa: como Maria, acolher os grandes dons de Deus com admiração e simplicidade

 
 
Na solenidade da Imaculada Conceição, o Papa rezou a oração mariana do Angelus com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro. Francisco destacou a admiração pelas obras de Deus e a fidelidade nas coisas simples como as duas atitudes que permitiram a Maria manter o seu coração livre do pecado.
 

Thulio Fonseca - Vatican News

Nesta sexta-feira (08/12), Solenidade da Imaculada Conceição, o Papa Francisco voltou a rezar a oração mariana do Angelus da janela do Palácio Apostólico, após duas semanas em que, por recomendações médicas, a pronunciou na Capela da Casa Santa Marta.

Aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Pontífice destacou duas atitudes da Virgem Maria que lhe permitiram ter um coração totalmente livre do pecado. Em primeiro lugar, a surpresa quando ouve ser chamada de "cheia de graça":

“Esta é uma atitude importante: saber maravilhar-se diante dos dons do Senhor, nunca os considerando como óbvios, apreciar o seu valor, alegrar-se pela confiança e ternura que trazem consigo.”

O Papa sublinhou que “é também importante testemunhar esse maravilhamento diante dos outros, falando com humildade dos dons de Deus, do bem recebido, e não somente dos problemas quotidianos”. E convida os fiéis a uma reflexão:

“Podemos perguntar a nós mesmos: eu sei maravilhar-me com as obras de Deus? Às vezes acontece comigo ficar maravilhado com isso e compartilhar com alguém?” 

A fidelidade nas coisas simples

Maria, enfatiza o Santo Padre, é uma “uma jovem, que precisamente graças à sua simplicidade conservou puro aquele Coração Imaculado com o qual, pela graça de Deus, foi concebida”:

“Para acolher os grandes dons de Deus, é fundamental saber valorizar aqueles mais quotidianos e menos evidentes.”

 

 Fiéis reunidos na Praça São Pedro

“Sim" a Deus

Através da simplicidade, disse o Pontífice, a Virgem cultivou o imenso dom da sua Imaculada Conceição e acolheu as oportunidades de crescimento do seu tempo: a Palavra de Deus, a fé para a qual foi educada pelos pais, a generosidade e a prontidão com que se comportou. "Foi por meio da fidelidade quotidiana no bem que Nossa Senhora permitiu ao dom de Deus crescer nela; foi assim que ela se preparou para responder ao Senhor, para dizer “sim” a Ele com toda a sua vida”.

“Então perguntemos a nós mesmos: eu acredito que o importante, nas situações de cada dia como no caminho espiritual, é a fidelidade a Deus? E, se acredito nisso, encontro o tempo para ler o Evangelho, para rezar, participar na Eucaristia e receber o Perdão sacramental, para fazer algum gesto concreto de serviço gratuito? São essas pequenas escolhas decisivas para acolher a presença do Senhor.”

VN

NATAL

 

06 dezembro 2023

O Papa: apelo a favor da paz na Ucrânia, Israel e Palestina e proximidade ao México

 
  Bombardeios israelitas em Khan Younis, na Faixa de Gaza (Reuters)  
 
Na saudação aos vários grupos de fiéis e peregrinos presentes na Sala Paulo VI para a audiência geral, no Vaticano, Francisco manifestou a sua proximidade aos mexicanos convidando-os "a colaborar com as vítimas de Acapulco", duramente atingidas há mais de um mês pelo furacão Otis, e exortou-os a lutar contra a sociedade do descarte. Mais uma vez, o Pontífice pediu orações por quantos sofrem a tragédia da guerra, em particular, na Ucrânia, Israel e Palestina 
 

Raimundo de Lima - Vatican News

Ao término da audiência geral desta quarta-feira, 6 de dezembro, ao saudar os vários grupos de fiéis e peregrinos, o Santo Padre cumprimentou os membros da Fundação Telethon presentes na Sala Paulo VI, provenientes do México. Dirigindo-se aos mexicanos, convidou-os "a colaborar com as vítimas de Acapulco", duramente atingidas há mais de um mês pelo furacão Otis, e "para incluir todas as pessoas com deficiência no México". "Lutemos contra a sociedade do descarte, defendamos a dignidade de cada pessoa", foi o apelo de Francisco.

A guerra é sempre uma derrota

Seguidamente, o Papa voltou mais uma vez o seu pensamento para as muitas situações de conflitos no mundo, com um olhar particular para a Ucrânia e a Terra Santa, pedindo orações, ressaltando que a guerra é sempre uma derrota.

Não nos esqueçamos de rezar por aqueles que sofrem a tragédia da guerra, particularmente, pelas populações da Ucrânia, de Israel e da Palestina. A guerra é sempre uma derrota. Ninguém ganha, todos perdem. Somente os fabricantes de armas ganham.

Imaculada Conceição

Lembrando a proximidade da solenidade da Imaculada Conceição, que celebraremos na próxima sexta-feira, 8 de dezembro, o Santo Padre ressaltou que Maria "acreditou" no amor de Deus e respondeu coo seu "sim". Aprendamos com Ela a confiar plenamente no Senhor para dar testemunho, em todos os lugares, da bondade e do amor do Evangelho.

VN

Papa: a missão não é um manual a ser aplicado, mas obra do Espírito Santo

 
 
Na Audiência Geral desta quarta-feira (06/12), Francisco reafirmou que se sente "muito melhor", mas que sente dificuldades "quando fala demais". A reflexão, pronunciada por mons. Ciampanelli, foi dedicada à quarta dimensão do zelo apostólico: o Espírito Santo, protagonista do anúncio do Evangelho.
 

Thulio Fonseca - Vatican News

Francisco entrou caminhando na Sala Paulo VI enquanto os milhares de fiéis e peregrinos o saudavam. Ainda um pouco ofegante, o Papa deu início à Audiência Geral desta quarta-feira, 6 de dezembro, fazendo o sinal da cruz.

“Irmãs e irmãos, bom dia, bem-vindos a todos. Também hoje pedi ao monsenhor Ciampanelli para ler porque ainda estou com dificuldade. Estou muito melhor, mas tenho dificuldades se falo demais. É por isso que ele vai ler.”, foram as palavras introdutórias do Santo Padre, em seguida, Monsenhor Filippo Ciampanelli, colaborador da Secretaria de Estado, proferiu a catequese sobre a quarta dimensão do zelo apostólico, “o anúncio é movido pelo Espírito Santo”:

“Nas catequeses anteriores, vimos que o anúncio do Evangelho é alegria, é para todos e deve ser dirigido ao hoje. Descubramos agora uma última característica essencial: o anúncio deve realizar-se no Espírito Santo. Com efeito, para 'comunicar Deus' não bastam a alegre credibilidade do testemunho, a universalidade do anúncio e a atualidade da mensagem. Sem o Espírito Santo todo o zelo é vão e falsamente apostólico: seria apenas nosso e não daria frutos”.

O Espírito Santo protagonista

No texto, o Papa recorda que, como escreveu na Evangelii gaudium, “Jesus é o primeiro e o maior evangelizador”; que “em qualquer forma de evangelização, o primado é sempre de Deus”, que “quis chamar-nos para cooperar com Ele e impelir-nos com a força do seu Espírito”. 

“O Espírito é o protagonista, precede sempre os missionários e faz brotar os frutos. Essa consciência consola-nos muito! E ajuda-nos a esclarecer outra, igualmente decisiva: isto é, que no seu zelo apostólico a Igreja não anuncia si mesma, mas uma graça, um dom, e o Espírito Santo é precisamente o Dom de Deus”.

Segundo Francisco, a primazia do Espírito não deve levar-nos à indolência:

“O Senhor não nos deixou folhetos teológicos ou um manual de pastoral para aplicar, mas o Espírito Santo que inspira a missão. E a desenvoltura corajosa que o Espírito infunde leva-nos a imitar o seu estilo, que tem sempre duas características: a criatividade e a simplicidade.”

Criatividade pastoral

No texto lido por mons. Ciampanelli, o Papa destaca que a criatividade é necessária para anunciar Jesus com alegria, a todos e no hoje.
“Nesta nossa época, que não nos ajuda a ter uma visão religiosa da vida e em que o anúncio se tornou mais difícil, cansativo e aparentemente infrutífero em vários lugares, pode surgir a tentação de desistir do serviço pastoral. Talvez nos refugiemos em zonas de segurança, como na repetição habitual de coisas que sempre fazemos, ou nos apelos tentadores de uma espiritualidade íntima, ou mesmo num sentido incompreendido da centralidade da liturgia. São tentações que se disfarçam de fidelidade à tradição, mas muitas vezes, em vez de respostas ao Espírito, são reações às insatisfações pessoais.” 

“A criatividade pastoral, o ser ousados no Espírito, ardentes com o seu fogo missionário, é prova de fidelidade a Ele. Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual.”

A simplicidade evangelizadora

A segunda característica que Francisco enfatiza é a simplicidade, “precisamente porque o Espírito nos leva à fonte, ao primeiro anúncio, que deve ocupar o centro da atividade evangelizadora e de toda a tentativa de renovação eclesial”.

“Irmãos e irmãs, deixemo-nos cativar pelo Espírito e invoquemo-lo todos os dias: seja Ele o princípio do nosso ser e do nosso agir; esteja no início de cada atividade, reunião, encontro e anúncio. Ele vivifica e rejuvenesce a Igreja: com Ele não devemos temer, porque Ele, que é a harmonia, mantém sempre juntas a criatividade e a simplicidade, inspira a comunhão e envia em missão, abre à diversidade e reconduz à unidade. Ele é a nossa força, o sopro do nosso anúncio, a fonte do zelo apostólico. Vinde, Espírito Santo!”

VN

03 dezembro 2023

Cop28, Papa: necessária conversão ecológica global, comprometer-se todos agora

 
  COP28 em Dubai  
 
Francisco reitera mais uma vez a sua atenção nos trabalhos da Conferência da Onu sobre o clima em andamento em Dubai, pedindo aos participantes que saiam dos "limites do particularismo e do nacionalismo" e abracem "uma visão comum": "A mudança climática deve ser respondida com uma mudança política". No Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, o Pontífice pede que aqueles que vivem com essa condição nunca sejam excluídos, mas sim valorizados
 

Salvatore Cernuzio – Vatican News

Postagens no X, mensagens em vídeo e discursos (lidos pelo cardeal Pietro Parolin, chefe da delegação da Santa Sé no Dubai), mas o Papa ainda faz questão de enfatizar a sua proximidade com o trabalho da Cop28, o evento da Onu sobre clima no qual ele deveria estar presente - o primeiro Pontífice a fazê-lo - do dia 1 a 3 de dezembro. Impossibilitado de sair devido a uma bronquite aguda da qual está a recuperar lentamente, Francisco, no Angelus, recitado este domingo no salão da Casa de Santa Marta, dirigiu um novo pensamento juntamente com um apelo para esse encontro internacional que - como escreveu na exortação Laudate Deum - espera que possa ser "um ponto de viragem" para uma ação global eficaz contra a crise climática.

Embora à distância, estou acompanhando de perto o trabalho do Cop28 em Dubai. Renovo o meu apelo para que as mudanças climáticas sejam enfrentadas com mudanças políticas concretas.

Comprometer todos agora

O Papa - entre os signatários neste domingo de uma declaração de todos os líderes religiosos que convidam os diferentes credos a unirem-se para "curar o nosso mundo ferido" - renova o convite já expresso no longo discurso que ele deveria proferir no terceiro dia de trabalhos da Cop e que foi lido neste sábado pelo secretário de Estado Parolin. O convite, isto é, para sair dos "estreitos limites do particularismo e do nacionalismo", que são "padrões do passado" e que representaram, em alguns casos, um obstáculo para conter a ganância, a exploração e as ilusões de omnipotência.

Vamos abraçar uma visão comum, comprometendo-nos todos e agora, sem demora, com uma necessária conversão ecológica global.

Acolhimento e inclusão dos deficientes

O Bispo de Roma também pediu um compromisso coletivo para uma maior inclusão das pessoas com deficiência, no dia em que celebramos o Dia internacional dedicado a elas. "Acolher e incluir aqueles que vivem essa condição ajuda toda a sociedade a tornar-sr mais humana", assegurou Francisco.

Nas famílias, nas paróquias, nas escolas, no trabalho, no desporto, aprendamos a valorizar cada pessoa com as suas qualidades e habilidades e a não excluir ninguém.

VN

Francisco: trégua rompida em Gaza significa morte, urgente um novo cessar-fogo

 
  Ataque israelita na Faixa de Gaza  
 
Após o Angelus, o Papa expressou tristeza pela situação "muito grave" na Terra Santa, em particular pela interrupção da trégua: "Isto significa morte, destruição, miséria". O Pontífice pediu que as partes envolvidas possam logo "encontrar soluções que não sejam as armas" e "tomar caminhos corajosos de paz". Seguidamente, expressou a sua proximidade com as famílias das vítimas do ataque deste domingo nas Filipinas, onde uma bomba explodiu durante uma Missa

Salvatore Cernuzio – Vatican News

"Morte, destruição, miséria". É isto que significa para o Papa a rutura da trégua entre Israel e o Hamas e a retoma dos combates que, de acordo com informações divulgadas pelas autoridades da Faixa de Gaza, mataram 700 cidadãos palestinos em vinte e quatro horas. Após a recitação do Angelus, ainda na Casa de Santa Mar, devido à bronquite infecciosa que o acometeu há mais de uma semana, o Papa - embora ele mesmo não tenha lido o apelo após a oração mariana - deu a conhecer a sua profunda dor pelo Médio Oriente, onde "a situação é grave", juntamente com a esperança de um restabelecimento imediato de um acordo para uma trégua.

É triste que a trégua tenha sido rasgada, isto significa morte, destruição e miséria.

O pensamento nos reféns, a esperança de um novo acordo

Francisco voltou o seu pensamento para os reféns, ainda nas mãos do Hamas após o dramático 7 de outubro.  Muitos foram libertados, mas muitos ainda estão em Gaza. "Pensemos neles e nas suas famílias, que viram uma luz, uma esperança de reencontrar os seus entes queridos", exortou o Pontífice.

Seguidamente, o eu pensamento voltou-se para Gaza, onde, enfatizou, "há tanto sofrimento, faltam bens de primeira necessidade". Além de comida e água, os equipamentos necessários para emergências militares estão cada vez mais em falta. Um navio da Marinha partiu este domingo da Itália para o Egito com salas de cirurgia e clínicas a bordo para tratar os feridos. A situação, no entanto, está a piorar a cada hora. O Papa então lançou o seu apelo.

Espero que todos os envolvidos possam chegar a um novo acordo de cessar-fogo o mais rápido possível e encontrar soluções que não sejam as armas, tentando seguir caminhos corajosos para a paz.

Na última quinta-feira, Israel concordou em estender a trégua na Faixa de Gaza por um oitavo dia, num acordo que visava à libertação de mais dez reféns, principalmente mulheres e crianças. No entanto, enquanto os EUA, o Egito e o Catar se reuniam em Doha para tentar chegar a um acordo sobre uma nova prorrogação, as Forças Armadas de Israel anunciaram que tinham lançado ataques aéreos contra locais no território palestino, sem fornecer mais detalhes. Imagens transmitidas pela emissora pan-árabe "al Jazeera" mostram colunas de fumaça cinza a sair de áreas povoadas de Gaza, acompanhadas pelo barulho de bombardeios e tiros.

Próximo das famílias das vítimas em Mindanao

Com a mesma apreensão, Francisco assegurou as suas orações pelas vítimas do atentado ocorrido na manhã deste domingo nas Filipinas, no Estado de Mindanao, em Marawi, uma área no sul do país, onde uma bomba explodiu no ginásio de uma universidade enquanto uma Missa estava a ser celebrada. O Papa faz-se próximo das famílias dos mortos - quatro, incluindo três mulheres - e dos mais de 40 feridos, bem como dos habitantes de Mindanao, uma cidade que no passado foi palco de uma batalha entre as forças do governo e militantes ligados ao Estado islâmico.

Faço-me próximo das famílias, do povo de Mindanao, que já sofreu tanto.

VN

O Papa no Angelus: no Advento, encontrar nos necessitados, Jesus que vem

 
 
É bom perguntarmos hoje a nós mesmos, como podemos preparar um coração acolhedor para o Senhor. Podemos fazer isto aproximando-nos do seu Perdão, da sua Palavra, da sua Mesa, encontrando espaço para a oração, acolhendo-o naqueles que precisam. Cultivemos a sua espera sem nos distrairmos com tantas coisas inúteis e sem reclamar o tempo todo, mas mantendo o nosso coração alerta, ou seja, ansioso por Ele, desperto e pronto, impaciente para encontrá-Lo: disse o Papa no Angelus deste domingo, início do Advento

Raimundo de Lima – Vatican News

Eis um belo programa para o Advento: encontrar Jesus que vem em cada irmão e irmã que precisa de nós e compartilhar com eles o que pudermos: escuta, tempo, ajuda concreta. Foi a exortação do Papa no Angelus deste domingo, 3 de dezembro, início do Advento, tempo de preparação para o Natal que se aproxima.

Como no domingo anterior, a oração mariana foi rezada da Casa de Santa Marta, para não expor o Santo Padre a mudanças bruscas de temperatura, uma vez que está a recuperar de uma inflamação pulmonar que o acometeu há mais de uma semana. O texto foi lido por monsenhor Paolo Braida, chefe de escritório na Secretaria de Estado.

Advento, tempo de espera vigilante

Na alocução que precedeu a oração mariana, Francisco destacou que o breve Evangelho que a liturgia nos propõe neste I Domingo do Advento Jesus dirige-nos três vezes uma exortação simples e direta. Vigiai. Portanto, o tema é a vigilância.

Como devemos entendê-la? – perguntou o Pontífice, acrescentando: às vezes, pensamos nessa virtude como uma atitude motivada pelo medo de um castigo iminente, como se um meteorito estivesse prestes a cair do céu e ameaçasse, se não o evitássemos a tempo, nos esmagar. Mas esse certamente não é o significado da vigilância cristã!

Jesus ilustra isto com uma parábola, falando de um senhor que está a voltar e dos seus servos que o estão a esperat. Na Bíblia, o servo é a "pessoa de confiança" do patrão, com quem muitas vezes há uma relação de cooperação e afeto. Pensemos, por exemplo, que Moisés é definido servo de Deus e que também Maria diz de si mesma: "Eis aqui a serva do Senhor".

Receber Jesus especialmente nos mais necessitados

Portanto, observou, a vigilância dos servos não é de medo, mas de anseio, esperando encontrar o seu senhor que vem. Eles mantêm-se prontos para o seu retorno porque lhe querem bem, porque têm em mente que, quando ele chegar, encontrará uma casa acolhedora e organizada.

É com esta expetativa cheia de afeto que também queremos preparar-nos para receber Jesus: no Natal, que celebraremos daqui a algumas semanas; no fim dos tempos, quando voltará em glória; todos os dias, quando Ele vier ao nosso encontro na Eucaristia, na sua Palavra, nos nossos irmãos e irmãs, especialmente nos mais necessitados.

De modo especial durante estas semanas, exortou Francisco, preparemos cuidadosamente a casa do coração, para que ela seja organizada e hospitaleira. A vigilância, de facto, significa manter o coração preparado. É a atitude do vigia que, durante a noite, não se deixa tentar pelo cansaço, não adormece, mas permanece acordado na expectativa da luz que se aproxima.

Cristo é a nossa luz

O Senhor é a nossa luz e é bom preparar o coração para recebê-lo com a oração e hospedá-lo com a caridade, os dois preparativos que, por assim dizer, o deixam confortável. A este respeito, diz-se que São Martinho de Tours, um homem de oração, depois de dar metade de seu manto a um pobre, sonhou com Jesus vestido exatamente com aquela parte do manto que ele tinha dado.

Queridos, é bom perguntarmos hoje a nós mesmos, como podemos preparar um coração acolhedor para o Senhor. Podemos fazê-lo aproximando-nos do seu Perdão, da sua Palavra, da sua Mesa, encontrando espaço para a oração, acolhendo-o naqueles que precisam.

Cultivemos a sua espera sem nos distrairmos com tantas coisas inúteis e sem reclamar o tempo todo, mas mantendo o nosso coração alerta, ou seja, ansioso por Ele, desperto e pronto, impaciente para encontrá-Lo. Que a Virgem Maria, mulher da espera, nos ajude a recebero seu Filho que vem, concluiu.

VN

30 novembro 2023

EXALTAÇÃO


 
 
 
 
Comecei o dia como sempre em oração, mas pouco depois uma série de problemas que surgiram levaram-me a um estado de ansiedade, de frustração, quase de irritação.

Rezei, sim rezei, para que a minha confiança estivesse em Deus que nunca me faltou, mas o meu coração, a minha mente, não descansavam e o incómodo, para lhe chamar apenas isso, ia continuando.

Lembrei-me do Advento, e à minha memória veio uma oração em verso escrita há alguns anos atrás.
Procurei-a, encontrei-a, li-a, e fui-me deixando tocar pela certeza de que a espera de Deus é uma espera concretizada, porque Ele já veio e está no meio de nós e em nós.

E algo foi mudando em mim.
A ansiedade acalmou, a frustração desapareceu, a irritação deu lugar à paz e a certeza da presença de Deus na minha vida, foi-se tornando cada vez mais forte e sensível.

E surgiram como sempre aquelas interrogações que eu me faço, ou melhor, que Ele me leva a fazer, tais como: mas Ele nunca te faltou, porque faltaria agora; porque queres tu as coisas resolvidas no teu tempo, quando o tempo d’Ele é com certeza o tempo mais certo; porque confias tanto, ou não confias, no que podes ou queres controlar, em vez de confiar que Ele sabe bem do que precisas e to concede se for o melhor para ti?

E a bonança foi tomando conta de mim.

Depois veio ao meu coração uma canção de Natal e perante uma letra bela, primorosamente cantada, os “glória” nela cantados, foram enchendo o meu coração de paz, de alegria, de vontade de dar glória ao Deus que se fez Homem como nós, que nasceu de uma mulher como nós e se entregou na Cruz para nos salvar.

Então dei por mim a dar graças pelas contrariedades do início do dia que, afinal, foram o motivo para mais uma vez tomar consciência da Sua presença em mim, do Seu amor por mim, e de como a vida só tem sentido vivida por Ele, com Ele e n’Ele.

E então sim, pude cantar em silêncio dentro de mim, alegremente:
Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados.



Monte Real, 29 de Novembro de 2023
Joaquim Mexia Alves
 

29 novembro 2023

Audiência Geral: o Evangelho está vivo hoje para nós

 

Francisco não deixou de estar presente na Audiência Geral desta quarta-feira (29/11). A entrada do Papa na Sala Paulo VI foi aclamada pelos fiéis e peregrinos. No início da catequese o Pontífice saudou os fiéis e passou a palavra ao monsenhor Ciampanelli, que leu o texto preparado para a ocasião.

Realizada na Sala Paulo VI, devido às quedas da temperatura que antecedem o inverno no hemisfério norte, a Audiência Geral desta quarta-feira, 29 de novembro, contou com a presença de inúmeros fiéis e peregrinos que acolheram o Santo Padre com muito afeto durante o seu ingresso para a Audiência Geral.  

O Papa Francisco, que ainda recupera de uma infeção pulmonar, ao saudar os fiéis, afirmou: "ainda não estou bem com esta gripe e a voz não está boa”, e passou a palavra a monsenhor Filippo Ciampanelli, colaborador da Secretaria de Estado, que leu o discurso preparado para o ciclo de catequeses sobre a Paixão pela evangelização: o zelo apostólico do crente.

A proclamação é para hoje

“Quase sempre ouvimos coisas más sobre o hoje” - destaca o texto lido por mons. Ciampanelli -   “entre guerras, alterações climáticas, injustiças planetárias e migrações, crise da família e da esperança, não faltam motivos de preocupação. De uma forma geral, o hoje parece habitado por uma cultura que coloca o indivíduo acima de tudo e a tecnologia no centro de tudo, com a sua capacidade de resolver muitos problemas e o seu progresso gigantesco em muitos campos”.

O texto do Papa sublinha que a cultura do progresso técnico-individual leva à afirmação de uma liberdade que não quer impor limites e parece indiferente para com aqueles que ficam para trás. E ao ilustrar a catequese com a história da cidade de Babel, Francisco destaca:

“Ainda hoje a coesão, mais do que a fraternidade e a paz, baseia-se muitas vezes na ambição, nos nacionalismos, na homologação, em estruturas técnico-económicas que inculcam a crença de que Deus é insignificante e inútil: não tanto porque procuramos mais conhecimento, mas sobretudo porque procuramos mais poder. É uma tentação que permeia os grandes desafios da cultura atual.”

 

Não ter medo do diálogo

“Na Evangelii gaudium”, ressalta o texto do Papa, “apelei a uma evangelização que ilumine os novos modos de te relacionares com Deus, com os outros e com o ambiente, e que suscite os valores fundamentais”.

“O zelo apostólico nunca é uma simples repetição de um estilo adquirido, mas um testemunho de que o Evangelho está vivo aqui para nós hoje.”

“Conscientes disto, olhemos, portanto, para a nossa época e para a nossa cultura como uma dádiva. Elas são nossas e evangelizá-las não significa julgá-las de longe, nem ficar numa varanda gritando o nome de Jesus, mas sair às ruas, ir aos lugares onde moramos, frequentar os espaços onde sofremos, trabalhamos, estudamos e refletimos, habitar as encruzilhadas onde os seres humanos partilham o que faz sentido para as suas vidas. Significa ser, como Igreja, «um fermento de diálogo, de encontro, de unidade. Afinal, as nossas próprias formulações de fé são o resultado de um diálogo e de um encontro entre diferentes culturas, comunidades e instâncias. Não devemos ter medo do diálogo: na verdade, são precisamente a comparação e a crítica que nos ajudam a evitar que a teologia se transforme em ideologia»”

“Precisamos de permanecer nas encruzilhadas do hoje. Abandoná-las significaria empobrecer o Evangelho e reduzir a Igreja a uma seita. Frequentá-las, porém, ajuda a nós, cristãos, a compreender de forma renovada as razões da nossa esperança, para extrair e partilhar «coisas novas e velhas» do tesouro da fé.”

 Uma pastoral que incorpore melhor o Evangelho

Na conclusão do texto Francisco ressalta: “em vez de querer reconverter o mundo de hoje, precisamos de converter a pastoral para que ela incorpore melhor o Evangelho”.

“Façamos nosso o desejo de Jesus: ajudar os nossos companheiros de viagem a não perder o desejo de Deus, para que lhes abra o coração e encontrem o único que, hoje e sempre, dá paz e alegria ao homem.”

VN

27 novembro 2023

ADVENTO 2023


 
 
Tinham combinado encontrar-se naquele sítio ermo a uma determinada hora, mas o seu amigo estava muito atrasado.
Realmente o local de encontro não era o mais aconselhável e ele, ali sozinho e com o cair da tarde, ia ficando muito apreensivo, para não reconhecer que no fundo tinha algum medo.

Já se podia ter ido embora, mas tinha ficado num impasse entre esperar e ter companhia e ir embora sozinho, o que não lhe agradava de todo, pois o caminho de regresso estava cheio de eventuais perigos.
Chamou a si todas as suas forças e argumentos racionais e tentou descansar o seu coração, mas a ansiedade e o receio estavam mesmo a tomar conta dele.

Sentiu no peito balançar a cruz que sempre trazia num fio, muito mais por rotina do que por devoção, e pensou que era bem bom se Deus ali estivesse com ele.

Um pouco mais de espera e “arriscou” uma oração, coisa a que nem sequer estava habituado.
“Ó Jesus, se me ouves, vem fazer-me companhia e traz-me paz e alento ao coração, porque eu sinto-me sozinho aqui neste fim de tarde.”

Estranhamente, pensou ele, sentiu uma espécie de tranquilidade, uma espécie de força que, embora não tivesse afastado todo o receio que ele sentia, lhe dava alento para continuar a esperar.
Curiosamente parecia-lhe agora não estar ali sozinho, mas esse pensamento longe de ser assustador, era calmante e acolhedor, por isso rezou novamente.
“Ó Jesus não sei o que fizeste nem como fizeste, mas sinto-me agora mais calmo e até parece que estás aqui junto de mim.”

Bem, pensou mais uma vez, se o meu amigo não vier entretanto, vou-me embora porque já esperei tempo que chegasse por ele.
Passado cerca de um quarto de hora, decidiu que já chegava de espera, e começou a caminhar no regresso a sua casa.

À medida que caminhava e se aproximava de locais onde já não havia tanto a temer, ia reflectindo para si próprio, dizendo interiormente:
Afinal o amigo por quem esperava não apareceu, mas parece-me que Jesus, a quem eu não esperava, se fez presente, não sei como, e fez-me companhia dando-me paz e descanso.

Sentiu uma voz dentro de si que lhe dizia:
Tens a certeza de que não Me esperavas? Não tens andado ultimamente, agora que se aproxima o Natal, a perguntar-te se realmente Eu existo e se estou convosco?

Cada vez mais agradavelmente admirado, respondeu:
Realmente tenho pensado muito nisso e até esperado que no Natal alguma coisa mudasse em mim, e na minha relação conTigo, Jesus.

E a resposta logo surgiu:
Vês, quem espera por Mim sempre alcança, porque Eu me faço sempre presente para todos os que por Mim esperam. Dá-me a mão e caminhemos juntos o teu caminho da vida.

Sentiu de uma forma inexplicável a presença de Jesus junto de si e consigo, mas assustou-se quando percebeu que alguém lhe tocava num ombro.

Voltou-se surpreendido e deu de caras com o seu amigo por quem tanto tempo tinha esperado.

Abraçou-o fortemente, coisa que deixou o outro surpreendido, e disse-lhe:
Obrigado por me teres feito esperar tanto tempo, porque durante esse tempo de espera, Aquele que eu julgava não esperar, veio afinal ter comigo e fez-se presente em mim.




Monte Real, 27 de Novembro de 2023
Joaquim Mexia Alves

26 novembro 2023

Angelus, Papa: amar Jesus significa servi-lo nos pequeninos e nos pobres

 
Papa Francisco no Angelus da Capela da Casa de Santa Marta. Ao seu lado monsenhor Paolo Braida 
 
 Papa Francisco convida a não te voltares para o outro lado diante dos pobres, dos doentes, dos presos, dos mais fracos. A reflexão que precedeu o Angelus deste domingo foi lida por monsenhor Braida, na Capela da Casa Santa Marta. 
 

Silvonei José – Vatican News

"Hoje não posso assomar à janela porque tenho este problema de inflamação nos pulmões". Foi o que disse o Papa Francisco, em conexão vídeo da Capela da Casa de Santa Marta, para a recitação do Angelus neste domingo, explicando que monsenhor Braida "lerá a reflexão, que a conhece bem porque é ele quem a faz, e sempre a faz muito bem. Muito obrigado pela sua presença". Monsenhor Paolo Braida é chefe do escritório da Secretaria de Estado.

"De acordo com os critérios do mundo, - destaca o texto lido por mons. Braida - os amigos do rei devem ser aqueles que lhe deram riqueza e poder, que o ajudaram a conquistar territórios, a vencer batalhas, a tornar-se grande entre outros governantes, talvez aparecer como uma estrela nas primeiras páginas dos jornais ou nos médias sociais, e a eles ele deveria dizer: "Obrigado, porque vocês me tornaram rico e famoso, invejado e temido". Isto de acordo com os critérios do mundo.

"No entanto, de acordo com os critérios de Jesus, os amigos são outros: são aqueles que o serviram nas pessoas mais frágeis", afirma o Papa, comentando o Evangelho da Solenidade de Cristo Rei, que "nos fala do juízo final e nos diz que será sobre a caridade".

"O Filho do Homem", explicou Francisco, "é um Rei completamente diferente, que chama os pobres de 'irmãos', que se identifica com os famintos, os sedentos, os estrangeiros, os doentes, os presos". "Ele é um Rei que é sensível ao problema da fome, à necessidade de uma casa, à doença e à prisão – continuou - todas realidades que, infelizmente, são sempre muito atuais".


 Angelus - 26 de novembro de 2023 

"Pessoas famintas, sem-teto, muitas vezes vestidas como podem, enchem as nossas ruas: nós encontramo-las todos os dias. E também em relação à enfermidade e à prisão, todos nós sabemos o que significa estar doente, cometer erros e arcar com as consequências".

O Papa enfatizou  no texto lido que "o Evangelho de hoje diz-nos que somos 'benditos' se respondemos a estas pobrezas com amor, com serviço: não olhando para o outro lado, mas dando de comer e beber, vestindo, hospedando, visitando, numa palavra, estando perto dos necessitados".

E isto porque "Jesus, nosso Rei que se define Filho do Homem, tem as suas irmãs e irmãos prediletos nas mulheres e homens mais frágeis". "E o estilo com o qual os seus amigos são chamados a distinguirem-se, aqueles que têm Jesus como Senhor, é o seu próprio estilo", acrescentou: compaixão, misericórdia, ternura".

"Então, irmãos e irmãs, perguntemos a nós mesmos", insistiu o Pontífice - acreditamos que a verdadeira realeza consiste na misericórdia? Acreditamos no poder do amor? Acreditamos que a caridade é a manifestação mais real do homem e é uma exigência indispensável para o cristão? E, enfim, uma pergunta particular: sou um amigo do Rei, ou seja, sinto-me envolvido  na primeira pessoa nas necessidades dos sofredores que encontro no meu caminho? O convite final do Papa foi, portanto, "amar Jesus nosso Rei nos seus irmãos mais pequeninos”.

VN

19 novembro 2023

IDOSOS?!



 
 
Não se admirem da imagem que ilustra este texto.
Não dei em crítico de televisão, nem para tal tenho apetência.
A série televisiva “The Closer” é um policial leve e divertido, quanto a mim bem interpretado, e que não nos faz pensar muito, excepto o episódio 5 que passou esta semana.

E este episódio fez-me pensar não pela série em si, mas pelo seu tema, pois passa-se à volta de uma pessoa de idade e do lar onde está “internada”.
Não sei se foi de propósito ou não, mas este episódio retrata muito bem a situação das pessoas de idade, tantas vezes abandonadas nos lares e até nas próprias casas pelos seus familiares.

Claro que isto não é uma regra e há felizmente muitas famílias que continuam a cuidar e a tratar dos seus mais velhos com todo o amor e dignidade.

Mas a verdade, quer queiramos quer não, é que também muitas vezes os lares e não só, são uma espécie de aliviar da consciência, ou seja, já “fiz o que tinha a fazer” e agora eles que cuidem dele.
Esquecemo-nos que as pessoas de idade a maior parte das vezes preferem condições “piores” de habitação, mas mais companhia, mais amor, mais familiares à sua volta.

No meu primeiro livro “Orando em Verso” coloquei logo no início, como homenagem aos meus pais, mas também a todos os pais, o seguinte versículo da Bíblia:
«Honra o teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias sobre a terra que o Senhor, teu Deus, te dá.» Ex 20, 12

A verdade é que os nossos pais, quando nascemos fazem toda a espécie de sacrifícios para nos cobrirem de tudo o que necessitamos e nós, muitas vezes, não fazemos o mesmo quando eles vão chegando ao fim das suas vidas.

Quem já visitou os chamados lares da terceira idade, constata, infelizmente, esta dura realidade da falta de visitas dos familiares dos idosos, felizmente, ainda com várias excepções.

Muitas vezes as circunstâncias “obrigam-nos”, por falta de outros meios, a internar os nossos mais velhos nesses lares, mas essas circunstâncias não nos impedem, com certeza, de os visitar sempre que possível.

Por isso tantas vezes os idosos “arranjam doenças” para irem para o centro de saúde ou até o hospital, onde sabem que vão ter outros como eles com quem podem conversar.
Mas mais uma vez, infelizmente, os hospitais vivem problemas graves quando os familiares abandonam os seus idosos nos hospitais.

É conhecida a anedota dos idosos que se juntavam sempre no centro de saúde no fundo para conversarem.
Um dia um pergunta: O Zé hoje não vem?
E responde outro: Hoje não que está doente!

Lembremo-nos, (eu já sou um pouco velho também), que o exemplo que dermos aos nossos filhos será, muito provavelmente, o modo como eles nos tratarão quando chegarem os nossos dias mais avançados.

Que o Senhor nos proteja a todos e neste caso aos mais idosos que precisam de amparo, de companhia, sobretudo de amor e esperança na vida eterna junto de Deus.



Marinha Grande, 18 de Novembro de 2023
Joaquim Mexia Alves
 

O Papa exorta a superar o medo que paralisa e a ançarmo-nos com confiança em Deus

 

 

"Ou tens medo diante de Deus ou tens confiança no Senhor". E a exemplo dos protagonistas da parábola, também nós, recordou o Papa Francisco no Angelus, “recebemos talentos, todos, muito mais preciosos do que o dinheiro. Mas muito do modo como os investimos depende da nossa confiança no Senhor, que liberta o coração, torna-nos ativos e criativos na prática do bem”.
 

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

“O medo paralisa, a confiança liberta”. Medo ou confiança, duas posturas que podemos ter diante de Deus e que serão determinantes na nossa relação com Ele e por consequência na multiplicação ou não dos talentos que gratuitamente d'Ele recebemos.

Dirigindo-se aos milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, neste XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Papa falou das duas maneiras diferentes de nos aproximarmos de Deus. Para tal, inspirou-se na Parábola dos Talentos narrada no Evangelho de Mateus 25, 14-30.

Francisco começa por explicar que os talentos confiados aos seus servos, por um senhor que sai em viagem  “eram os seus bens, um capital", e foram distribuídos “de acordo com as capacidades de cada um”.

Ao retornar, este senhor pede contas aos servos. Dois deles dobraram os talentos que receberam, o que é elogiado pelo senhor, enquanto o terceiro, por medo, enterrou o seu, devolvendo o mesmo que tinha recebido, atitude que recebe uma repreensão.

O medo que bloqueia

O Santo Padre então, explica a primeira maneira de nos aproximarmos de Deus, que é aquela movida pelo medo de alguém que não confia na sua bondade e por isso fica bloqueado:

É aquela daquele que enterra o talento recebido, que não sabe ver as suas riquezas dadas por Deus: ele não confia nem no patrão, nem em si mesmo (...). Ele sente medo dele, não vê a estima, não vê a confiança que o senhor deposita nele, mas vê somente o agir de um patrão que exige mais do que dá, de um juiz. E esta é a sua imagem de Deus: não consegue acreditar na sua bondade, não consegue acreditar na bondade do Senhor em relação a nós. Por isso fica bloqueado e não se deixa envolver na missão recebida. 

A atitude de confiança que liberta

Atitude diferente, por sua vez, têm os outros dois protagonistas, “que retribuem a confiança do seu senhor, confiando por sua vez nele”:

Esses dois investem tudo o que receberam, mesmo que inicialmente não saibam se tudo irá correr bem: estudam, veem as possibilidades e prudencialmente pçrocuram o melhor; aceitam o risco de se envolverem. Confiam, estudam e arriscam. Assim, têm a coragem de agir com liberdade, de forma criativa, gerando nova riqueza.

E diante de Deus, temos esses dois caminhos a seguir, observa o Papa, “medo ou confiança. Ou tens medo diante de Deus ou tens confiança no Senhor". E a exemplo dos protagonistas da parábola, também nós, recorda Francisco, “recebemos talentos, todos, muito mais preciosos do que o dinheiro. Mas muito do modo como os investimos depende da nossa confiança no Senhor, que liberta o coração, torna-nos ativos e criativos na prática do bem”:

Superar o medo e confiar em Deus

Não esqueçamos isto: a confiança liberta, sempre, o medo paralisa. Recordemos: o medo paralisa, a confiança liberta. E isto também se aplica à educação dos filhos. E perguntemo-nos: acredito que Deus é Pai e me confia dons porque confia em mim? E eu, confio n'Ele ao ponto de me lançar sem desanimar, mesmo quando os resultados não são certos nem óbvios? Sei dizer em cada dia na oração: ‘Senhor, eu confio em Ti, dá-me forças para seguir em frente: confio em Ti, nas coisas que me deste. Deixe-me saber como, como levá-las em frente...'. Por fim, também como Igreja: cultivamos nos nossos ambientes um clima de confiança e de estima recíproca, que nos ajuda a seguir em frente  juntos, que desbloqueia as pessoas e estimula a criatividade do amor em todos? Pensemos nisto.

Que a Virgem Maria, disse ao concluir, nos ajude a superar o medo e a confiar em Deus - nunca ter medo de Deus! Temor sim, medo não - e a confiar no Senhor.

VN

15 novembro 2023

Papa: o Evangelho não é uma ideologia, é o anúncio da alegria

 
 
Durante a catequese desta quarta-feira (15), aos milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro, Francisco enfatizou que “o Evangelho ainda é esperado nos dias atuais, e a humanidade de todos os tempos necessita do seu anúncio”.
 

Thulio Fonseca - Vatican News

“Após falar sobre diversas testemunhas do anúncio do Evangelho, proponho, como síntese destas catequeses sobre o zelo apostólico, quatro pontos baseados na Exortação Apostólica Evangelii gaudium, que completa neste mês dez anos. O primeiro ponto, que examinamos hoje, só pode dizer respeito à atitude da qual depende a substância do gesto evangelizador: a alegria.”

Com estas palavras, Francisco iniciou a sua catequese durante a Audiência Geral desta quarta-feira (15). Diante dos fiéis reunidos na Praça de São Pedro, o Papa enfatizou que "a mensagem cristã, conforme ouvimos nas palavras do anjo aos pastores, é o anúncio de uma 'grande alegria'".

"E qual é o motivo dessa grande alegria? Uma boa notícia, uma surpresa, um belo acontecimento?”, questionou o Pontífice, para então responder: “É muito mais do que isso, é uma Pessoa: Jesus! Ele é o Deus feito homem que nos ama sempre, que deu a sua vida por nós e deseja-nos conceder a vida eterna! Ele é o nosso Evangelho, a fonte de uma alegria perene!”

“Ou proclamamos Jesus com alegria, ou não o proclamamos, porque qualquer outra forma de anunciá-Lo não é capaz de trazer a verdadeira realidade de Jesus.”

A evangelização não é uma ideologia

Seguidamente, o Papa faz um alerta aos fiéis: "um cristão que está descontente, triste, insatisfeito ou, pior ainda, ressentido e rancoroso não tem credibilidade". Segundo Francisco, a evangelização funciona de forma gratuita, porque vem da plenitude, não da pressão.

O Papa enfatizou que "quando se evangeliza com base em ideologias, isso não é evangelizar, isso não é o Evangelho. O Evangelho não é uma ideologia: o Evangelho é um anúncio de alegria. As ideologias são frias, todas elas. O Evangelho tem o calor da alegria. As ideologias não sabem sorrir, o Evangelho é um sorriso, ele faz-te sorrir porque toca a tua alma com a Boa Nova", sublinhou Francisco. 

A humanidade aguarda o anúncio do Evangelho

"Portanto, os primeiros a serem evangelizados somos nós, os cristãos, e isso é muito importante", lembrou o Pontífice. Mesmo quando frequentemente nos encontramos imersos no ritmo acelerado e confuso do mundo atual, "também podemo-nos ver a viver a fé com um subtil senso de renúncia, convencidos de que o Evangelho não é mais ouvido e que não vale mais a pena o esforço de proclamá-lo".

“Podemos até ser tentados pela ideia de deixar os 'outros' seguirem o seu próprio caminho. Em vez disso, este é exatamente o momento de voltar ao Evangelho para descobrir que Cristo é sempre jovem, é sempre uma fonte constante de novidade.”

O Papa destacou que o Evangelho ainda é esperado nos dias atuais, e a humanidade de todos os tempos necessita do seu anúncio, inclusive a civilização imersa na descrença planeada e na secularidade institucionalizada. Especialmente numa sociedade que negligencia os espaços do sentimento religioso, o Evangelho é aguardado.

Na conclusão da catequese, o Papa convidou cada cristão a renovar o seu encontro pessoal com Jesus Cristo:

"Não nos esqueçamos disso. E se algum de nós não perceber essa alegria, perguntemos a nós mesmos se encontramos Jesus. É uma alegria interior. O Evangelho percorre o caminho da alegria, sempre, é o grande anúncio. Convido todos os cristãos, em qualquer lugar e situação em que se encontrem, a renovar o seu encontro pessoal com Jesus Cristo hoje. Que cada um de nós, neste dia, pare um pouco e pense: Jesus, Tu estás dentro de mim: quero encontrar-Te todos os dias. Tu és uma Pessoa, não uma ideia; Tu és um companheiro, não um programa. Tu és o Amor que resolve tantos problemas. Tu és o início da evangelização. Tu, Jesus, és a fonte da alegria."

VN