06 fevereiro 2023

Via-Sacra JMJ Lisboa 2023 no Parque Eduardo VII

 

 

Celebração com Cardeal-Patriarca de Lisboa

O Serviço da Juventude do Patriarcado de Lisboa - COD Lisboa promove a Via-Sacra Diocesana em oração pela JMJ Lisboa 2023, na noite do próximo dia 24 de fevereiro, às 21h30.

Na primeira sexta-feira da Quaresma, o Cardeal-Patriarca, D. Manuel Clemente, vai presidir e acompanhar este percurso “para o qual todos estão convidados, sem exceção”, assinala a organização. “O ponto de encontro inicial será o alto do Parque Eduardo VII (junto à bandeira de Portugal), e o percurso acompanhando os passos de Jesus com a cruz será feito no parque”, acrescenta a nota.

“Ao entrar na Quaresma faremos os passos de Jesus com a cruz, começando no alto do Parque Eduardo VII, em Lisboa, e tendo como intenção a nossa JMJ Lisboa 2023. Queremos reunir todos nesta oração, que nos lembra já a Via-Sacra da Jornada que será a 4 de agosto de 2023. O Senhor Cardeal-Patriarca estará connosco, não faltes!”, convida o COD Lisboa.


Informações

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Patriarcado de Lisboa

05 fevereiro 2023

Papa: “Todo o mundo está em guerra, em autodestruição, vamos parar!”

 

 Papa Francisco, coletiva de imprensa: voo de retorno a Roma 

No voo de regresso do Sudão do Sul, foi realizado o colóquio do Papa, do arcebispo de Cantuária e do moderador da Igreja da Escócia com os jornalistas. Francisco falou de Bento XVI: “A sua morte foi instrumentalizada por pessoas de partido, não de Igreja, ele não estava amargurado pelo que fiz”. E sobre os homossexuais: “Criminalizá-los é uma injustiça”
 

VATICAN NEWS

“Todo o mundo está em guerra, em autodestruição, vamos parar!”. Papa Francisco, ao lado do arcebispo de Cantuária, Justin Welby, e do moderador da assembleia geral da Igreja da Escócia, Ian Greenshields, dialogou com os jornalistas no voo de regresso do Sudão do Sul. Os três, em várias ocasiões, responderam conjuntamente às perguntas. E foi a ocasião para Francisco, além de reiterar a “injustiça” da criminalização das pessoas homossexuais, falar também da morte do Papa emérito Bento XVI, cujo falecimento, ocorrido em 31 de dezembro, foi acompanhado por reconstruções polemicas que o colocaram contra o predecessor: “A sua morte foi instrumentalizada” por pessoas “de partido e não de Igreja”. O Papa explicou ainda que Bento XVI, consultado por ele várias vezes nesses anos, “não estava amargurado por aquilo que fiz”. No início, Francisco reiterou que se tratou de “uma viagem ecuménica” e, por isto, “quis na conferência de imprensa em que estivessem também os dois. Sobretudo o arcebispo de Cantuária, que tem uma história de anos neste caminho da reconciliação” no Sudão do Sul.

WELBY

Em janeiro de 2014, eu e minha mulher visitamos o Sudão do Sul no âmbito de uma viagem da comunhão anglicana e, chegando, o arcebispo nos pediu para ir a uma cidade chamada Bor. A guerra civil tinha iniciado cinco semanas antes e era muito feroz. Quando chegamos a Bor, no aeroporto havia os primeiros corpos no portão, havia na época cinco mil cadáveres não enterrados em Bor, havia as Nações Unidas, fomos para a Catedral onde todos os padres tinham sido assassinados e as mulheres violentadas e mortas.  Era uma situação horrível. Voltando para casa, seja eu, seja minha mulher, sentimos uma chamada profunda para ver o que poderia ser feito para ajudar as pessoas do Sudão do Sul e, desde então, em um dos encontros regulares que tenho o privilégio de realizar com o Papa Francisco, falamos muito do Sudão do Sul e desenvolvemos a ideia de um retiro no Vaticano. A minha equipe em Lambeth e o Vaticano trabalharam juntos, visitaram o Sudão do Sul em 2016, trabalharam in loco e com os líderes para tentar organizar esta visita. Minha mulher trabalhou com mulheres líderes de comunidades e esposas de bispos. Visitamos líderes em exílio em Uganda. Em 2018, ficou claro que havia a possibilidade para uma visita no início de 2019 e conseguimos, foi um milagre que tenha ocorrido. Um dos dois vice-presidentes estava em Cartum em prisão domiciliar. Recordo que 36 horas antes, num estacionamento de uma escola Nottingham, falei com o secretário-geral das Nações Unidas para que concedessem a ele o visto, coisa que fez brilhantemente, e conseguiu viajar pouco antes que fosse fechado o espaço aéreo para um golpe de Estado. O momento crucial do encontro de 2019 foi, obviamente, o inesquecível gesto do Papa que se ajoelhou e beijou os pés dos líderes para implorar a paz, e tentaram detê-lo. Foi um momento extremamente notável. Tivemos discussões duras, mas no final se empenharam em renovar o acordo de paz e penso que o gesto do Papa tenha sido o  momento-chave, a reviravolta. Mas como diz um treinador, você é bom até o próximo jogo. E a covid adiou o jogo sucessivo. Creio que o resultado tenha sido a perda do momento. Quando viemos para esta visita, as equipes continuavam trabalhando, mas com menos confiança que em 2019. Mas terminei esta visita com um profundo sentimento de encorajamento, não tanto porque houve uma guinada, mas porque houve o sentimento, como disse o Papa, de coração que fala a coração. Não foi em nível intelectual que se realizaram os contatos nos vários encontros, o coração falou ao coração. E há um ímpeto em nível médio e na base e aquilo de que precisamos agora é de uma séria mudança do coração da parte da liderança. Devem concordar um processo que leva a uma transição pacífica. Eles o disseram publicamente, é preciso de um compromisso contra a corrupção e o contrabando para deter o enorme acúmulo de armas. Para isso, será necessário um ulterior trabalho conjunto, com o Vaticano, e com a Troika, para que esta porta aberta, que não está aberta quanto gostaria, se escancare e progrida. Daqui dois anos, haverá eleições, precisamos de progressos sérios até o fim de 2023

GREENSHIELDS

A minha experiência foi muito diferente, esta foi a minha primeira vez no Sudão do Sul, mas o meu predecessor esteve lá, encontrando situações vulneráveis. A reconciliação foi o centro do encontro que tivemos em 2015. Como igreja presbiteriana, ajudamos refugiados sul-sudaneses. Nesta viagem, como disse, foi pronunciada a verdade do coração. A situação agora é clara, as ações falam mais do que as palavras. O governo nos convidou a entrar e nós nos comprometemos a fazer todo o possível para fazer a diferença nesta situação, encontrar os nossos parceiros, e agora pedimos a quem pode fazer a diferença que inicie urgentemente o processo.

Jean-Baptiste Malenge (RTCE-Radio Catolique Elikya ASBL)

Santo Padre, vocês desejaram há muito visitar a RDC… vieram a alegria. Qual importância teve o acordo assinado em 2016 entre a Santa Sé e a RDC sobre educação e saúde.

PAPA FRANCISCO

Não conheço aquele acordo, tem a Secretaria de Estado que pode dar uma opinião. Sei que nos últimos tempos se preparava um acordo. Não posso responder. Nem conheço a diferença do novo que está sendo preparado, essas coisas são feitas pela Secretaria de Estado, ou Gallagher e eles são bons em fazer acordos pelo bem de todos. Eu vi ali no Congo muita vontade de ir avante, tanta cultura. Antes de chegar aqui, tive alguns meses atrás um encontro via zoom com universitários africanos inteligentíssimos, vocês têm pessoas de uma inteligência superior, é uma de suas riquezas, jovens inteligentes e se deve dar lugar a eles, não fechar as portas. Ter tantas riquezas naturais que atraem as pessoas para explorar o Congo, desculpem-me a palavra. Esta é a ideia. A África deve ser explorada. Alguém diz, não sei se é verdade, que os países que mantinham colónias deram a independência do solo para cima, não para baixo, e vêm para explorar os minerais. Mas a ideia de que a África deve ser explorada deve acabar. E falando de exploração, me impressionou, provoca dor o problema do Leste. Pude realizar um encontro com vítimas daquela guerra, feridos, amputados, tanta dor, tudo para pegar as riquezas. Isso não pode, não pode. O Congo tem inúmeras possibilidades.

 Coletiva de imprensa - voo papal 

WELBY

Não conheço o Leste assim tão bem. Minha mulher trabalhou com mulheres em conflito, mas em 2018 fez muitas viagens, logo antes da  covid, e quero concordar com todo o coração com o que disse Sua Santidade: devemos ser claros, o Congo não é um parque de diversões das grandes potências, todo o lucro das pequenas companhias minerárias, que operam irresponsavelmente com minas artesanais, o uso de crianças-soldado, sequestros, estupros em larga escala, e estão simplesmente depredando o país, que deveria ser um dos mais ricos da face da terra, capaz de ajudar o restante da África. O país foi torturado, lhe foi dada a independência política tecnicamente, mas sem independência económica. Durante o ebola, formamos os pastores para administrar o ebola, a Igreja fez um trabalho extraordinário, a Igreja católica faz um trabalho extraordinário, o projeto para os Grandes Lagos é maravilhoso, mas as grandes potências devem dizer: a África, em especial o Congo, têm tantos recursos que servem para o resto do mundo se o resto do mundo quiser fazer uma transição ecológica, e salvar o planta das mudanças climáticas, que o único modo para fazê-lo é não cobrir nossas mãos de sangue, buscar a paz do Congo e não a sua prosperidade.

 

 

 

GREENSHIELDS

Minha experiência nos países em via de desenvolvimento é que, para promover o desenvolvimento, devem ser reconhecidos os direitos das mulheres e, em particular, das mulheres jovens.

Jean-Luc Mootosamy (CAPAV)

Temos visto como a violência não cessa apesar de décadas de presença de missões da ONU. Como podem os senhores, juntos, ajudar a promover um novo modelo de intervenção, dada a crescente tentação de muitas nações africanas de escolher outros parceiros para garantir sua segurança, parceiros que podem não respeitar as leis internacionais, como algumas empresas privadas russas ou outras organizações, na região do Sahel, por exemplo?

PAPA FRANCISCO

O tema da violência é um tema quotidiano. Acabamos de vê-lo no Sudão do Sul. É doloroso ver como a violência é provocada. Uma das questões é a venda de armas. O arcebispo Welby também disse algo a esse respeito. A venda de armas: eu acho que esta é a maior praga do mundo. O negócio... a venda de armas. Alguém que entende me disse que sem a venda de armas por um ano acabaria à fome mundial. Eu não sei se isso é verdade. Mas hoje no topo está a venda de armas. E não apenas entre as grandes potências. Também para estas pobres pessoas... eles semeiam a guerra dentro. É cruel. Eles lhes dizem: "Vão para a guerra!" e lhes dão armas. Porque por detrás há interesses económicos para explorar a terra, os minerais, a riqueza. É verdade que o tribalismo na África não ajuda. Agora eu não sei realmente como é no Sudão do Sul. Acho que ali também seja assim. Mas é preciso que haja diálogo entre as diferentes tribos. Lembro-me de quando estive no Qu´enia, no estádio completo. Todos se levantaram e disseram não ao tribalismo, não ao tribalismo. Cada um tem sua própria história, existem inimizades antigas, culturas diferentes. Mas também é verdade que se provoca a luta entre as tribos vendendo armas e depois se explora a guerra de ambas as tribos. Isto é diabólico. Não consigo pensar em outra palavra. Isto é destruir: destruir a criação, destruir a pessoa, destruir a sociedade. Não sei se isso também ocorre no Sudão do Sul, mas em alguns países isso ocorre: os adolescentes são recrutados para fazer parte da milícia e combater com outros adolescentes. Em resumo, acho que o maior problema é a ânsia de pegar a riqueza daquele país - coltan, lítio... essas coisas - e através da guerra, para a qual eles vendem armas, eles também exploram as crianças.

 Coletiva de imprensa - voo papal 
 

GREENSHIELDS

Um dos problemas que emergem é o alto nível de analfabetismo: as pessoas não têm uma compreensão clara de quem são, onde estão, de fazer escolhas informadas. Devemos certamente colocar isso em discussão, superar a divisão com o diálogo. Quero lhes contar uma pequena história sobre a Escócia: meu país esteve religiosa e profundamente dividido, ocorreram violências terríveis, divisões terríveis, então começou um processo de diálogo entre nós - Igreja da Escócia e católicos - que no ano passado levou à assinatura de uma declaração de amizade, com a qual gostaríamos de caminhar juntos nas nossas diferenças, mas também concordando com o que concordamos, e só então neste momento se pode derrubar os muros. A educação, sob este ponto de vista, ajuda.

WELBY

O senhor disse as Nações Unidas ou outra coisa, mas não é "ou", é "e": o que a Igreja contribui não é apenas fornecer redes que não sejam corruptas, por isso a ajuda chega aos países, e ajuda a cruzar as linhas que dividem duas partes em conflito. No sábado, o arcebispo celebrou o funeral de 20 pessoas, e isso fez uma grande diferença. É a mudança de coração, e esse foi o objetivo desta visita. Cem anos atrás os Nuer e Dinka estavam sempre em guerra, era uma cultura de vingança, os Nuer em particular estavam sempre entre eles. A diferença não a fez o governo, mas as Igrejas que afetaram a mudança de coração quando as pessoas receberam a fé em Cristo e perceberam que há outra maneira de viver. Após esta visita não há apenas muito ativismo, mas também que o Espírito de Deus traga um novo espírito de reconciliação e cura para o povo do Sudão do Sul.

Claudio Lavanga (NBC NEWS)

Gostaria de perguntar ao senhor, Santo Padre, já que o arcebispo Welby recordou aquele momento incrível em 2019, quando o senhor se ajoelhou diante dos líderes do Sudão do Sul para pedir a paz, infelizmente dentro de quinze dias será o primeiro aniversário de outro terrível conflito, o da Ucrânia, e minha pergunta é: O senhor estaria preparado para fazer o mesmo gesto para com Vladimir Putin se tivesse a oportunidade de conhecê-lo, já que seus apelos pela paz até agora não foram ouvidos? E gostaria de perguntar a vocês três se gostariam de fazer um apelo conjunto pela paz na Ucrânia, pois este é um momento raro, o encontro de vocês três?

PAPA FRANCISCO

Estou aberto para me encontrar com ambos os presidentes, o presidente da Ucrânia e o presidente da Rússia, estou aberto para o encontro. Se eu não fui a Kiev é porque não era possível naquela época ir a Moscovo, mas eu estava em diálogo, de fato no segundo dia da guerra fui à embaixada russa para dizer que queria ir a Moscovo para falar com Putin, desde que houvesse uma pequena abertura para negociar. Então o ministro Lavrov respondeu que valorizava isto, mas "vamos ver mais tarde". Esse gesto foi algo que eu pensei, que "estou fazendo por ele" (por Putin, ndr). Mas o gesto do encontro de 2019 não sei como aconteceu, não foi pensado, e coisas que não foram pensadas não se podem repetir, é o Espírito que o leva lá, não se pode explicar, ponto final. E eu me esqueci disso. Foi um serviço, fui instrumento de algum impulso interior, não uma coisa planeada. Hoje estamos neste ponto, mas não é a única guerra, eu gostaria de fazer justiça: há doze ou treze anos a Síria está em guerra, há mais de dez anos o Iemen está em guerra; pense em Mianmar, no pobre povo Rohingya que viaja pelo mundo porque foi expulso de sua pátria. Em toda parte, na América Latina, quantos focos de guerra existem! Sim, há guerras mais importantes por causa do barulho que fazem, mas, não sei, o mundo inteiro está em guerra, e em autodestruição. Temos que pensar seriamente: está em autodestruição. Temos que parar em tempo, porque uma bomba leva a outra maior e a outra maior ainda e nessa escalada não se sabe onde vai parar. É preciso ter a cabeça fria. Também tanto Sua Graça como o Bispo Greenshields falaram das mulheres, mas as mulheres, eu as vi no Sudão do Sul: elas criam seus seus filhos, às vezes ficam sozinhas, mas têm força para criar um país, as mulheres são fortes. Os homens vão à luta, vão à guerra, e estas senhoras com duas, três, quatro, cinco crianças vão em frente, eu as vi no Sudão do Sul. E por falar em mulheres, gostaria de dizer uma palavra às religiosas, as irmãs que entram na vida do povo, vi algumas delas aqui no Sudão do Sul, e hoje na missa ouvimos o nome de tantas religiosas que foram mortas.... Voltemos à força da mulher, devemos levá-la a sério e não usá-la como um anúncio de maquiagem: por favor, isto é um insulto à mulher, a mulher é para coisas maiores! Sobre o outro ponto eu já lhes disse, vejamos as guerras que estão no mundo.

WELBY

Em relação à Rússia, Putin e Ucrânia, onde eu estava no final de novembro e início de dezembro, eu realmente não tenho nada a acrescentar, exceto que esta guerra está nas mãos do Sr. Putin, ele poderia detê-la com a retirada e o cessar-fogo e, em seguida, negociações sobre acordos de longo prazo. É uma guerra terrível e terrificante, mas quero dizer que concordo com o Papa Francisco, há muitas outras guerras, falo todas as semanas com o chefe da nossa Igreja em Mianmar, falei com os líderes da nossa Igreja na Nigéria, onde 40 pessoas foram mortas ontem, falei com muitos em todas as partes do mundo. Concordo plenamente com o Santo Padre, a guerra leva ao envolvimento de mulheres e jovens, pelas razões que ele disse.

Bruce De Galzain (Radio France)

Santo Padre, antes de partir em sua jornada apostólica o senhor denunciou a criminalização da homossexualidade. No Sudão do Sul e no Congo ela não é aceita pelas famílias. Esta semana encontrei-me em Kinshasa com cinco homossexuais, cada um deles rejeitado e até expulso de suas famílias - eles me explicaram que sua rejeição vem da educação religiosa de seus pais - alguns deles são levados a padres exorcistas porque suas famílias acreditam que estão possuídos por espíritos impuros. Minha pergunta, Santo Padre: o que o senhor diz às famílias do Congo e do Sudão do Sul que ainda rejeitam seus filhos, e o que o senhor diz aos padres, aos bispos?

PAPA FRANCISCO

Falei sobre este assunto em duas viagens, a primeira vez (retorno, ndr.) do Brasil: se uma pessoa com tendências homossexuais é um crente, procura Deus, quem sou eu para julgá-lo? Isto eu disse naquela viagem. Na segunda vez, voltando da Irlanda, foi uma viagem um pouco problemática porque naquele dia tinha sido publicada a carta daquele menino ... mas ali eu disse claramente aos pais: as crianças com esta orientação têm o direito de ficar em casa, não se pode expulsá-las de casa. E depois, recentemente, falei também alguma coisa, não me lembro bem o que, na entrevista à Associated Press. A criminalização da homossexualidade é um problema que não deve ser permitido passar. O cálculo é que, mais ou menos, cinquenta países, de uma forma ou de outra, levam a esta criminalização - eles me dizem mais, mas digamos que pelo menos cinquenta - e até mesmo alguns destes - eu acho que são dez, têm a pena de morte (para os homossexuais, ndr.) - isto não está certo, pessoas com tendências homossexuais são filhos de Deus, Deus os ama, Deus os acompanha. É verdade que alguns estão neste estado devido a várias situações indesejáveis, mas condenar tal pessoa é um pecado, criminalizar pessoas com tendências homossexuais é uma injustiça. Não estou falando de grupos, mas de pessoas. Alguns dizem: eles fazem grupos que fazem barulho, estou falando das pessoas, lobies são outra coisa, estou falando das pessoas. E eu acho que o Catecismo da Igreja Católica diz: eles não devem ser marginalizados. Acho que a questão sobre este ponto seja clara.

WELBY

Vocês devem ter visto que recentemente falamos sobre esse assunto na Igreja da Inglaterra... incluindo uma boa dose de debate no Parlamento. Quero dizer que gostaria de ter falado com a elegância e clareza que o Papa fez. Concordo inteiramente com cada palavra que ele disse e, no que diz respeito à criminalização, a Igreja da Inglaterra, a Comunhão Anglicana aprovou duas resoluções contra a criminalização, mas isso não mudou realmente a mentalidade de muitas pessoas. Nos próximos quatro dias no Sínodo Geral será o principal tema de discussão e certamente citarei o que o Santo Padre disse de forma maravilhosa e precisa.

GREENSHIELDS

Digo apenas que na minha leitura dos quatro Evangelhos onde vejo Jesus expulsando (?) alguém, nos quatro Evangelhos não encontro nada além de Jesus expressando amor por todos os seres humanos, e isto é o que, como cristãos, podemos dar a cada ser humano em todas as circunstâncias.

Alexander Hecht (ORF TV)

Uma pergunta ao Papa: nos últimos dias falou-se muito de unidade, houve também uma demonstração da unidade da Cristandade, no Sudão do Sul, também de unidade da própria Igreja Católica. Gostaria de perguntar-lhe se o senhor sente que depois da morte de Bento XVI ficou mais difícil o seu trabalho e a sua missão, porque se reforçaram as tensões entre as diferentes alas da Igreja Católica?

PAPA FRANCISCO

Sobre este ponto, gostaria de dizer, que pude falar de tudo com o Papa Bento XVI. (Também por, ndr.) mudar minha opinião. Ele estava sempre ao meu lado, me apoiando e se tivesse alguma dificuldade, ele me dizia e nós conversávamos. Não havia problemas. Uma vez falei sobre o matrimónio das pessoas homossexuais, sobre o fato de que o matrimónio é um sacramento e que nós não podemos fazer um sacramento, mas que existe a possibilidade de garantir os bens através da lei civil, que começou na França... qualquer pessoa pode fazer uma união civil, não necessariamente de casal. Senhoras idosas que estão aposentadas, por exemplo... porque se pode ganhar muitas coisas. Uma pessoa que se acha um grande teólogo, através de um amigo do Papa Bento XVI, foi até ele e fez a queixa contra mim. Bento não se assustou, ele chamou quatro cardeais teólogos de primeiro nível e disse: expliquem-me isso e eles explicaram. E foi assim que a história terminou. É uma anedota para ver como Bento se movia quando havia uma denúncia.

Algumas histórias que contam, que Bento XVI estava amargurado sobre o que o novo Papa fez, são histórias de 'telefone sem fio' (o Papa usa a expressão 'histórias chinesas' para significar isto, ndr). Bento, melhor, eu o consultei sobre algumas decisões a serem tomadas. E ele estava de acordo. Ele estava de acordo. Acredito que a morte de Bento tenha sido instrumentalizada por pessoas que querem levar água para seu próprio moinho. E aqueles que instrumentalizam uma pessoa tão boa, tão de Deus, quase diria um santo padre da Igreja, diria que são pessoas sem ética, que são pessoas de partido, não de Igreja... pode-se ver em toda parte, a tendência de transformar posições teológicas em partidos. Estas coisas cairão sozinhas, ou se não caírem, seguirão em frente, como aconteceu tantas vezes na história da Igreja. Eu queria dizer claramente quem era o Papa Bento XVI, ele não era uma pessoa amargurada.

Jorge Barcia Antelo (RNE)

Bom dia Santidade. Voltamos hoje de dois países que são vítimas do que o senhor chamou de globalização da indiferença. O senhor tem falado disso desde o início de seu pontificado e desde sua viagem a Lampedusa. De certa forma, esta semana chegou ao fim do círculo. O senhor ainda pensa em ampliar o raio deste círculo, e ir além, de visitar outros países esquecidos? A quais lugares o senhor tem em mente de ir? E depois desta viagem que foi tão longa, tão exigente, como o senhor está? Sente-se ainda forte? Sente ter uma condição de saúde suficiente para ir a todos esses lugares?

PAPA FRANCISCO

Há a globalização da indiferença em todos os lugares. Dentro do país, muitas pessoas se esqueceram de olhar para seus compatriotas, seus concidadãos, e os colocaram no ângulo para não pensar sobre isso. Pensar que as maiores fortunas do mundo estão nas mãos de uma minoria. E essas pessoas não olham para as misérias, seus corações não se abrem para ajudar.  Sobre as viagens: acho que a Índia será no próximo ano. Vou a Marselha no dia 23 de setembro, e há a possibilidade que de Marselha voe para a Mongólia, mas ainda não foi definido, é possível. Outra este ano, não me lembro. Lisboa. O critério: eu escolhi visitar os países pequenos da Europa.

Dirão: "mas ele foi a França", não, eu fui a Estrasburgo; eu irei a Marselha, não a França. Os pequenos, os pequenos. Para conhecer um pouco a Europa escondida, a Europa que tem tanta cultura, mas que não é conhecida. Para acompanhar países, por exemplo a Albânia, que foi o primeiro, que foi o país que sofreu a ditadura mais cruel, mais cruel da história. Então minha escolha é a seguinte: tentar não cair na globalização da indiferença. (Sobre a saúde, ndr): Você sabe que erva ruim nunca morre. Não como no início do pontificado, este joelho incomoda, mas está indo lentamente, então veremos. Obrigado.

Para os outros dois: os senhores se unirão para outra viagem com o Papa?

WELBY

Certamente esta é a melhor companhia aérea com a qual já viajei! Brincadeira à parte, eu ficaria feliz, se o Santo Padre sentisse que no futuro poderíamos acrescentar valor, é sempre um enorme privilégio estar com ele, que fosse uma ajuda para ele.

GREENSHIELDS

Eu ficaria feliz, a única limitação é que meu mandato expira no dia 20 de maio e serei sucedido por uma mulher, muito capaz, e tenho certeza de que ela ficaria feliz em fazer o mesmo.

(transcrição de trabalho)

VN

03 fevereiro 2023

NO TEU CORAÇÃO, SENHOR!


 
Olho-Te crucificado
abro o meu coração
de joelhos peço perdão
abate-se o meu pecado.

Da Tua ferida do lado
sai o sangue e sai a água
mesmo assim perdoado
dói-me sempre esta mágoa.

Quero sentir a Tua dor
mas Tu abraças-me
e beijas-me
e dizes-me cheio de ternura:
De Mim quero apenas
que tu sintas o Meu amor.

Prostro-me
abandonado no chão,
não ouso sequer olhar-Te
e de mim sai apenas um grito:
Perdão,
meu Deus,
perdão!

Puxas-me para Ti,
levantas-me,
sorris-me,
mesmo na Tua dor.

E eu sinto o Teu amor
quando me dizes sorrindo:
Não temas,
meu filho,
não temas,
tu estás no meu coração!


Monte Real, 2 de Fevereiro de 2023
Joaquim Mexia Alves
 

31 janeiro 2023

O grito do Papa contra o novo colonialismo

 
Multidão saúda o Papa nas ruas de Kinshasa  (AFP or licensors)
 
O abraço de Francisco a um povo provado pelos conflitos e pela pobreza, que do Sucessor de Pedro recebe o estímulo para se libertar de todas as formas de exploração.
 

ANDREA TORNIELLI

Um país "imenso e cheio de vida", o segundo pulmão do planeta depois da Amazónia graças à extensão da sua floresta tropical, que é saqueada avidamente. Um país com imensos recursos naturais, “atingido pela violência como se fosse um murro no estômago”, que “parece há muito sem fôlego”. Depois de ser saudado por milhares de pessoas de todas as idades que se aglomeravam na estrada do aeroporto de N'djili ao centro da megalópole de Kinshasa, o Papa Francisco enviou a sua primeira mensagem à República Democrática do Congo e a toda a África.

No jardim do Palais de la Nation, sentado ao lado do presidente Felix Tshisekedi Tshilombo, o Sucessor de Pedro pronunciou palavras de apoio aos congoleses que resistem às tentativas de fragmentar o país atravessado pela violência e recordou mais uma vez o objeto de exploração do Congo e de forma geral de todo o continente africano.

“Depois do político – disse Francisco – desencadeou-se um colonialismo económico igualmente escravizador”. É um colonialismo mais subtil e menos vistoso, que esvazia os povos africanos da liberdade e da autodeterminação. Assim, acrescentou o Papa, no Congo “chegou-se ao paradoxo de os frutos da sua terra o tornarem «estrangeiro» para os próprios habitantes. O veneno da ganância tornou os seus diamantes ensanguentados. É um drama face ao qual, muitas vezes, o mundo economicamente mais desenvolvido fecha os olhos, os ouvidos e a boca. 

Francisco quis vir até aqui para abraçar este povo provado pelos conflitos e pela pobreza, para fazer com que abramos os olhos, os ouvidos e a boca, lembrando-nos dos conflitos esquecidos que compõem os pedaços cada vez maiores da Terceira Guerra Mundial e das consequências de um sistema económico-financeiro que "mata" porque não tem no centro o homem, mas o deus dinheiro.

"Mas este país e este continente - disse o Papa no seu primeiro discurso em Kinshasa - merecem ser respeitados e ouvidos, merecem espaço e atenção: tirem as mãos da República Democrática do Congo, tirem as mãos da África! Basta com este sufocar a África: não é uma mina para explorar, nem uma terra para saquear."

VN

30 janeiro 2023

O PALCO DAS JMJ



Ao princípio, confesso, também eu “embarquei” na critica ao valor apresentado para a construção do palco e respectivos arranjos para realizar as JMJ.

Claro que poderíamos invocar apenas a frase de Jesus Cristo - «Sempre tereis pobres entre vós» (Mc 14, 7) – e fazer dela a interpretação que nos conviesse para “justificar” este gasto.

Também podíamos justificar o tal valor comparando com tudo aquilo que tem sido investido ao longo do tempo em eventos vários e falando do seu retorno, como, por exemplo, o “Websummit”, concertos de rock, etc., e facilmente perceberíamos que o número de pessoas que se esperam nas JMJ é, impressionantemente, maior.
Ainda podíamos argumentar com a obra para o futuro e como ela serve para reabilitar e dar outra utilização àquele lugar.
Enfim poderíamos arranjar todos os argumentos e comparações necessárias para satisfazer as nossas consciências, justificando o tal valor a investir.

Mas, por mim, prefiro regressar à frase de Jesus - «Sempre tereis pobres entre vós» (Mc 14, 7) – e tentar tirar dela um sentido para o valor que vai ser investido, um sentido mais espiritual e ao mesmo tempo caritativo.

Os ensinamentos de Jesus Cristo e, obviamente, a Doutrina da Igreja, como não podia deixar de ser, voltam-se para os pobres, para os mais necessitados, e não são apenas aqueles pobres e necessitados de ajuda material, mas também aqueles que se desesperam, que estão sós, que são “pobres” espiritualmente, que não encontram o verdadeiro sentido da vida, o amor de Deus.
Ora, por isso mesmo, a consciência cristã tem que estar sempre voltada para estes pobres necessitados, (dos quais também nós fazemos parte em algumas alturas das nossas vidas), e assim, o ser cristão, ou melhor, o ser discípulo de Cristo, passa por aprender, para melhor conhecer Deus e assim melhor amar os outros, ajudando-os nas suas necessidades, sejam ela quais forem, materiais ou espirituais.

E é verdade, por todos constatada, que os jovens, (e não só os jovens), são, neste tempo, constantemente “bombardeados” por supostos valores que estão bem longe da solidariedade, do amor, da caridade.

Reuni-los, então, à volta do Papa Francisco, em comunhão de Igreja, ouvindo a palavra do Vigário de Cristo na terra, reflectindo sobre tudo o que ele lhes irá dizer e que os levará a comentar entre si essa verdade, encontrando caminho para o amor de Deus e, tocados por Ele, se tornarem verdadeiros discípulos de Cristo que pretendam levar a sério a imagem de São Paulo para a Igreja e assim sendo para a sociedade - «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros» (1 Cor 12, 26) – será, com certeza, um valor inestimável que ultrapassará em muito o tal valor monetário da referida obra.

E os jovens, como sempre se afirma, são o futuro, e se o futuro puder ser moldado no amor aos outros, na caridade aos outros, em comunhão de Igreja, então o futuro será bem mais esperançoso do que agora se apresenta.

Então e todos serão “tocados” por esse amor de Deus e por Ele se deixarão conduzir?
Com certeza que não, infelizmente, mas uma parte com certeza que o será e assim poderá mudar algo que não se antevia e aqueles que, por acaso, neste encontro não encontrarem Cristo, não deixarão de ficar com a semente que mais tarde poderá florescer e tornar-se fruto neles, para eles e para todos nós.

Já estou a ver quem me estiver a ler a pensar que eu “vivo nas nuvens”, que isto é muito bonito mas não passa de palavras escritas, mas a verdade é que eu, por exemplo, também não me preocupava com os outros, nem com Deus, mas a semente que tinha sido plantada no meu coração acabou por dar fruto e, hoje em dia, mesmo sendo pecador, sou diferente e preocupo-me e tento ajudar os outros, não só materialmente, mas também espiritualmente, em tudo aquilo a que Deus me chama.

Claro que, gostaria de ouvir a “minha” Igreja dizer, claramente, que não seria preciso gastar um valor tão elevado para fazer um palco e um altar com a dignidade suficiente para receber o Papa e as JMJ, mas também penso que não compete à Igreja tal decisão.
Claro que, não sendo engenheiro nem arquitecto, acredito que talvez se pudesse fazer “coisa” mais simples, embora digna, não gastando a tal verba anunciada.
Claro que, nos tempos que hoje vivemos no nosso país, nos podemos perguntar se não irá alguém usufruir, ilegitimamente, de parte da mesma verba.

Mas no fundo o que realmente importa é o fruto espiritual, e não só, que virá destas JMJ, e esse está nas mãos de Deus que semeará, regará e fará crescer a planta da fé, para depois dar fruto e fruto que permaneça, para bem de todos nós e maior glória de Deus.

E para que assim seja, também são necessárias as orações de cada um de nós, pedindo que o Espírito Santo se derrame abundantemente sobre os jovens e sobre a humanidade.

O resto são cousas do mundo.



Marinha Grande, 30 de Janeiro de 2023
Joaquim Mexia Alves

29 janeiro 2023

Papa: não podemos desperdiçar os dons que temos e recebemos

 
 
Ao falar sobre a primeira das Bem-aventuranças “os pobres em espírito”, Francisco recordou que “eles conservam o que recebem; por isso, desejam que nenhum dom seja desperdiçado”, apontando três desafios contra a mentalidade do desperdício
 

Jane Nogara - Vatican News

Neste IV Domingo do Tempo Comum, (29/01) o Papa Francisco na oração do Angelus falou sobre as Bem-aventuranças segundo o Evangelho de Mateus. "Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus" (v. 3). Francisco quis esclarecer “quem são os pobres em espírito” explicando que são aqueles que sabem que não são suficientes por si mesmos, que não são auto-suficientes e vivem como "mendigos de Deus": “sentem necessidade de Deus e reconhecem que o bem vem d’Ele, como um dom, como uma graça”. E depois de observar que os pobres em espírito conservam o que recebem; afirma "por isso, desejam que nenhum dom seja desperdiçado. Disse que hoje deter-se-ia neste aspeto típico dos pobres em espírito: não desperdiçar.

Contra a mentalidade do desperdício

E para isso o Papa propôs três desafios contra a mentalidade do desperdício. Primeiro desafio: não desperdiçar o dom que somos. “Cada um de nós é um bem, independentemente dos dotes que temos”, afirmou. “Cada mulher, cada homem é rico não apenas de talentos, mas de dignidade, é amado por Deus, é valioso, é precioso”.

“Jesus lembra-nos que somos bem-aventurados não pelo que temos, mas pelo que somos. A verdadeira pobreza, portanto, é quando uma pessoa se abandona e se deteriora, desperdiçando-se a si mesma. Lutemos, com a ajuda de Deus, contra a tentação de nos considerarmos inadequados, errados, e de sentir pena de nós mesmos”

Não desperdiçar os dons que temos

Depois, o segundo desafio: não desperdiçar os dons que temos. Aqui o Papa refere-se ao desperdício que nos é dado pela criação, os alimentos que são desperdiçados enquanto tanta gente morre de fome: 

“Os recursos da criação não podem ser usados desta maneira; os bens devem ser conservados e partilhados, para que não falte a ninguém o que é necessário. Não desperdicemos o que temos, mas difundamos uma ecologia da justiça e da caridade!”

Não descartar as pessoas

Enquanto que o terceiro desafio: não descartar as pessoas, Francisco fala sobre a cultura do descarte explicando que se joga fora egoisticamente quando alguém não nos interessa mais.

“Mas as pessoas não podem ser jogadas fora, nunca! Cada um é um dom sagrado e único, em todas as idades e em todas as condições. Respeitemos e promovamos sempre a vida!”

Concluindo. o Santo Padre propôs nos questionemos sobre estes três desafios, “Antes de tudo, como vivo a pobreza de espírito? Será que dou lugar a Deus, será que acredito que Ele seja o meu bem, a minha verdadeira e grande riqueza?”. E depois: “tenho o cuidado de não desperdiçar, sou responsável pelo uso das coisas, dos bens? E eu estou disposto a partilhá-los com outros?” Por fim o Papa recordou que devemos perguntar a nós mesmos: “considero os mais frágeis como dons preciosos, que Deus me pede para cuidar? Será que me recordo dos pobres, daqueles que não têm o necessário?”.

VN

24 janeiro 2023

A BELEZA DO AMOR OU O AMOR É A BELEZA


 
 Habituados a ver a beleza como algo visível aos olhos humanos, quedamo-nos a maior parte das vezes apenas pelo aspecto exterior, não nos preocupando de perceber se a beleza exterior é acompanhada pela beleza interior.

Poderíamos dizer que a beleza interior é o amor.
E, realmente, o amor não é visível, ao olhar humano.
Até muitas vezes os gestos, atitudes e palavras que usamos para expressar o amor, são, infelizmente, frequentemente falsas, mascaradas, apenas para atingir um qualquer fim em vista.

Curiosamente, quando pensamos na beleza humana exterior, (aferida pelos padrões da sociedade), reparamos que essa beleza é muitas vezes acompanhada com tiques de “superioridade”, de arrogância, de superficialidade.
Claro que isto é uma generalização e que, felizmente, também há muitos casos em que a beleza exterior é muito bem acompanhada com a beleza interior.

Então como “aferir” a beleza interior, ou seja, o amor?
Sabemos, aqueles que acreditam em Jesus Cristo, que o Seu amor é o único perfeito, completo, total e eterno.
É, portanto, no amor de Deus que podemos perceber a dimensão do nosso amor.

É sabido que o amor é doação, entrega de si mesmo, é a procura da felicidade do outro, dos outros, pois a felicidade dos outros leva-nos à nossa felicidade, e que só assim o amor se torna verdadeiramente amor.
Não são as “promessas de amor” ou as palavras que são o amor, porque nos lembramos de imediato que promessas e palavras leva-as o vento.

Amar é “respirar” o viver de Deus e em Deus!

Realmente só em Deus encontramos o verdadeiro amor e só deixando-nos tomar por esse amor podemos amar verdadeiramente.

O amor transforma!
Até o nosso fraco amor humano, quando nos toma, nos faz mudar para agradarmos à pessoa amada.
E como é belo e edificante ver duas pessoas que se amam verdadeiramente, procurando fazer-se mutuamente felizes.

Quanto mais, portanto, o amor de Deus em nós nos transforma, nos enche e preenche, e nos faz termos uma pequena parcela do divino, do divino amor que a todos ama sem condições.
É que tomados por esse amor de Deus, vamos procurar amar todos os outros, até mesmo aqueles que não nos amam ou nos querem mal.

Impossível?
Não, porque a Deus nada é impossível e por isso mesmo nada é impossível ao amor de Deus em nós.
E quando assim acontece com alguém que conhecemos, nem sequer reparamos na beleza exterior, se a mesma existe ou não por padrões humanos, porque a beleza do amor nessa pessoa torna o seu interior tão belo, que essa beleza se transmite, se sente, se vê, se vive exteriormente.

Então percebemos que a beleza do amor de Deus em nós também nos torna belos em Deus, porque o nosso todo, exterior e interior, é tocado por Deus e tudo o que Deus toca torna-se belo por amor.

Por isso o amor é belo e por isso a beleza é o amor de Deus!



Monte Real, 24 de Janeiro de 2023
Joaquim Mexia Alves
 

19 janeiro 2023

CONVERSAS NO CAMINHAR I


 
 
Provocação - Coloca-te perante ti e pergunta-te seriamente que caminho estás a fazer neste encontro com Deus que queres para a tua vida.
Reflexão - Terei que examinar verdadeiramente o que me motiva, o que me apaixona, a verdade da procura no meu coração.

P - Então fá-lo sem medo, entregando-te ao Espírito Santo, para que Ele te guie e te mostre com a verdade os passos que dás em frente e os passos em que retrocedes.
R - Em primeiro lugar quero acreditar que me move o amor de Deus, o amor a Deus, a vontade de fazer a sua vontade.

P - Mas porquê? Para te satisfazeres, para te sentires bem, ou por achares que estás a fazer o que é devido para seguires Cristo?
R - Pois, o problema está muitas vezes aí. Será que o faço para me sentir bem, para me sentir “aconchegado” pela presença de Deus, ou então, também, por achar que Ele precisa de mim e fica contente por eu fazer o que faço ou querer fazer o que Ele quer?
É tão estranho reconhecer que talvez as minhas razões não sejam as melhores!

P - Não te preocupes com isso e abre o teu coração, a tua alma. Deixa que saia de lá aquilo que tantas vezes se calhar não tens coragem, ou mesmo até tens vergonha perante ti próprio de admitir.
R - E se eu olho para trás e reconheço que o meu caminho afinal está errado, ou melhor, que o faço por motivos que não são os verdadeiros, os mais puros?

P - Estás aqui, não estás? A tentar abrir o teu coração e o teu ser perante Deus e perante ti, por isso tens que reconhecer que nem tudo pode estar errado, ou seja, que no profundo do teu coração está Deus que te quer guiar ao seu encontro.
R - Sim reconheço isso. Se não houvesse em mim uma ânsia de ser o que Ele quer, com certeza não me perguntaria porque faço o caminho ou como faço o caminho.

P - Exactamente. Então o que te incomoda?
R - Sabes que uma das coisas que me é difícil de perceber, ou melhor de viver, é esta “capacidade” para escrever e, por exemplo, fazer oração.

P - Porquê?
R - Porque embora reconheça que tudo vem dEle, mesmo assim acho ou penso que tenho algum mérito nisso e isso incomoda-me, porque queria ser completamente liberto de tudo isso para não me ufanar, não me sentir “especial”!

P - Se isso te incomoda significa que dentro de ti a tua consciência te alerta para o perigo da vã glória, e isso é bom, porque também significa que Ele mesmo te alerta, mas te dá a mão.
R - Mas eu não queria “deleitar-me” com elogios, com referências, com parabéns! Queria que não os houvesse, (será que queria mesmo?), ou então que lhes fosse completamente indiferente.
Vês esta divisão que vive em mim, que me marca. Nem sequer ter a certeza se quero ou não quero essas atitudes para comigo?

P - Mas quando recebes esses elogios, essas referências, achas que te são devidas? Achas que são fruto apenas de ti, do que podes ou consegues fazer sozinho?
R - Não, claro que não! Claro que reconheço que é Ele que faz em mim, mas de algum modo sinto que fui "escolhido" e isso orgulha-me como se eu tivesse algum mérito nisso.
E depois dizem-me para me entregar, para tudo confiar, mas estas dúvidas de pureza de intenções não me largam, parece que não me deixam libertar do meu eu, do eu com o qual eu me parece não sei lidar.

P - Poderás não saber lidar tão bem, mas repara que ao te permitires reconhecer tudo isso, significa que no fundo te estás a abrir a Ele e que Ele te vai guiando no caminho que queres caminhar.
Sabes bem que a sua misericórdia é infinita e que Ele te conhece melhor do que tu te conheces, por isso sempre tens a sua mão a levantar-te para Ele.
R - Sabes, apetece-me tantas vezes abandonar tudo! Não é abandonar Deus e o caminho que vou fazendo, mas sim todas as coisas em que estou envolvido e ser apenas mais um entre todos, sem intervenção pública, sem dar a cara.
Mas quando penso nisso fico sempre apreensivo e dividido entre fazê-lo para me libertar ou fazê-lo para me pedirem que não o faça?
E se seu estiver errado e Ele quiser que eu faça o que faço porque realmente me chamou para o fazer?

P - Não te sei responder, mas, no entanto, digo-te que confies e te abras a tudo o que possa acontecer. Se não te chamarem, não te imponhas. Se não te perguntarem, não opines. Se não quiserem precisar de ti, não te faças “necessário”. Não queiras impor a tua presença como se ela fosse necessária. Se Ele quiser que O sirvas de qualquer modo, Ele te chamará do modo que melhor entender e tu irás entender que é Ele que te chama.
R - E isso não me irá “doer” se por acaso não for chamado? Não irei criticar e julgar porque não me quiseram usar para servir? Serei capaz de estar com alegria onde outros estiverem a fazer o que eu fazia?

P - Tens que confiar e rezar permanentemente. Não dizes tu que é preciso invocar sempre o Espírito Santo? Então fá-lo com todas as tuas forças e pede-lhe para Ele te guiar e ajudar a suportar tudo aquilo que humanamente te possa magoar, embora no fundo saibas que isso é apenas caminho de crescimento, caminho de encontro com Deus.
Só comungando com os outros, só alegrando-te no que os outros fazem de bem, serás comunhão também com Deus e assim aquilo que te parecia impossível de ultrapassar, será ultrapassado e, pelo menos em relação a isso, alcançarás a paz.
Mas não penses que tudo fica resolvido, porque o teu caminho de aprendizagem é longo e difícil, e por muito terás ainda que passar. Mas anima-te porque Ele está a moldar-te segundo a sua vontade.


Marinha Grande, 19 de Janeiro de 2023
Joaquim Mexia Alves
 

15 janeiro 2023

O Papa: vigília ecuménica em 30 de setembro "para confiar a Deus os trabalhos do Sínodo"

 

Após a oração do Angelus, o Papa recordou a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, de 18 a 25 de janeiro, sobre o tema: “Aprendam a fazer o bem, procurem a justiça” e ligou o caminho ecuménico ao “da conversão sinodal da Igreja”. Novo apelo para não esquecer "o martirizado povo ucraniano que sofre tanto" com sentimentos, ajuda e oração.

 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

Após a oração mariana do Angelus, deste domingo (15/01), o Santo Padre anunciou que de 18 a 25 de janeiro, se realizará a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos no Hemisfério Norte. No Hemisfério Sul, as Igrejas geralmente celebram a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos no período de Pentecostes.

O tema deste ano é extraído do profeta Isaías: "Aprendei a fazer o bem, procurai a justiça". Agradeçamos ao Senhor que com fidelidade e paciência conduz o seu povo à plena comunhão, e peçamos ao Espírito Santo que nos ilumine e sustente com os seus dons.

A seguir, o Papa disse que "o caminho para a unidade cristã e o caminho da conversão sinodal da Igreja estão ligados".

Portanto, aproveito esta ocasião para anunciar que se realizará, no sábado, 30 de setembro próximo, na Praça de São Pedro, uma Vigília Ecuménica de Oração, com a qual confiaremos a Deus os trabalhos da 16ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. Para os jovens que virão à Vigília haverá um programa especial durante todo aquele fim de semana, organizado pela Comunidade de Taizé. A partir de agora, convido os irmãos e irmãs de todas as confissões cristãs a participar neste encontro do Povo de Deus.

A seguir, o Papa convidou os fiéis a não se esquecerem do "martirizado povo ucraniano, que tanto sofre! Fiquemos perto dele com os nossos sentimentos, com a nossa ajuda e coma nossa oração".

Francisco saudou também fiéis espanhóis provenientes de Múrcia e os de Sciacca, na Sicília. "Que a sua visita ao túmulo de Pedro fortaleça a sua fé e seu testemunho", concluiu o Papa, pedindo a todos para não se esquecerem de rezar por ele.

VN

O Papa: libertarmo-nos dos apegos é o passo decisivo para crescer no espírito de serviço

 
 
No Angelus deste domingo, Francisco refletiu sobre o testemunho de João Batista a propósito de Jesus, depois de tê-lo batizado no rio Jordão. Segundo o Papa, a declaração de João Batista revela o seu "espírito de serviço. Ele tinha sido enviado para preparar o caminho para o Messias e o fizera sem se poupar. João, tendo cumprido a sua missão, sabe afastar-se, retira-se de cena para dar lugar a Jesus". 
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, deste domingo (15/01), com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Neste encontro dominical, o Pontífice refletiu sobre o testemunho de João Batista a propósito de Jesus, depois de tê-lo batizado no rio Jordão. De facto, João Batista diz: "É este de quem eu disse: Depois de mim virá um homem, que me é superior, porque existe antes de mim." "Este é o testemunho", frisou o Papa.

Dar lugar a Jesus

Esta declaração, este testemunho, revela o espírito de serviço de João. Ele tinha sido enviado para preparar o caminho para o Messias e o fizera sem se poupar. Humanamente, alguém poderia pensar que ele receberia um "prêmio", um lugar de destaque na vida pública de Jesus, mas não. João, tendo cumprido a sua missão, sabe afastar-se, retira-se de cena para dar lugar a Jesus.

João viu o Espírito descer sobre Jesus, "o indicou como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, e agora, por sua vez, ele escuta-o humildemente. De profet torna.se discípulo. Ele pregou ao povo, reuniu discípulos e formou-os por muito tempo. No entanto, não prende ninguém a si". "Isto é difícil, mas é o sinal do verdadeiro educador: não prender as pessoas a si", ressaltou o Papa, destacando que João "coloca os seus discípulos nas pegadas de Jesus. Não está interessado em ter seguidores para si, em obter prestígio e sucesso, mas dá testemunho e depois dá um passo atrás, para que muitos tenham a alegria de encontrar Jesus. Podemos dizer que ele abre a porta e vai-se embora".

Libertação dos apegos

Com o seu espírito de serviço, e este é um verdadeiro espírito de serviço, com a sua capacidade de abrir espaço a Jesus, João Batista ensina-nos uma coisa importante: a libertação dos apegos. Ensina-nos a libertar-nos dos apegos. Sim, porque é fácil apegarmo-nos a papéis e cargos, à necessidade de ser estimado, reconhecido e premiado. Isto, embora natural, não é uma coisa boa, porque o serviço envolve a gratuitidade, o verdadeiro serviço envolve a gratuitidade, o cuidar dos outros sem vantagens para nós, sem segundas intenções, sem esperar na troca em troca. Far-nos-á bem cultivar, como João, a virtude de nos afastarmos no momento oportuno, testemunhando que o ponto de referência da vida é Jesus. Afastarmo-nos, aprender a dizer adeus. Cumpri esta missão, fiz esta reunião, coloco-me de lado e abro espaço para o Senhor. Aprender a  colocar-me de lado, não pegar em algo para ter um retorno para nós.

A seguir, Francisco convidou a pensar "em como isto é importante para um sacerdote, que é chamado a pregar e celebrar não por protagonismo ou interesse, mas para acompanhar os outros a Jesus. Pensemos em como é importante para os pais, que ajudam a crescer os filhos com tantos sacrifícios, mas depois têm que deixá-los livres para seguirem o seu caminho no trabalho, no matrimónio, na vida. É bonito e justo que os pais continuem garantindo a sua presença, dizendo aos filhos: “Não os deixaremos sozinhos”, mas com discrição, sem intromissão. A liberdade de crescer".

Crescer no espírito de serviço

O mesmo vale para outros âmbitos, como a amizade, a vida conjugal, a vida comunitária. Libertarmo-nos dos apegos do próprio ego e saber afastar-me, custa, mas é muito importante: é o passo decisivo para crescer no espírito de serviço. Crescer no espírito de serviço fazendo as coisas e colocando-me de lado, sem procurcr recompensa.

O Papa convidou-nos a fazer as seguintes perguntas: "Somos capazes de abrir espaço para os outros? De escutá-los, de deixá-los livres, de não prendê-los a nós exigindo reconhecimento? Até de deixá-los falar. Deixá-los falar, abrir espaço para os outros. alegrar-nos pelo facto de as pessoas seguirem o seu caminho e o seu chamamento, mesmo que isso implique um pouco de distanciamento de nós? Regozijamo-nos com as suas realizações, com sinceridade e sem inveja? Alegramo-nos quando os outros vão adiante, com sinceridade, sem inveja? Isto é deixar os outros crescer".

"Que Maria, a serva do Senhor, nos ajude a libertar-nos dos apegos, e a abrir espaço ao Senhor e aos outros", concluiu Francisco.

VN