23 julho 2024

PERMITAMO-NOS SONHAR!

 


 

Quando, nestes nossos tempos, lemos as notícias diariamente, não há um só dia em que alguém não tenha matado alguém, a maior parte das vezes por motivos insignificantes, por violência gratuita, por puro ódio.

E não me refiro aos que morrem nas guerras e atentados por este mundo fora, mas sim àqueles que morrem nesta sociedade do dia a dia, que cada vez mais vai perdendo valores, sobretudo o valor da vida.

E também já nem sequer me refiro à incrível “matança” de bebés não nascidos e àqueles que vão sendo mortos a coberto de leis iniquas que pretendem determinar quando uma pessoa deve viver ou morrer, mesmo que a decisão seja da própria pessoa, o que nem sempre acontece como muito bem sabemos.

Numa sociedade que enche a boca com a liberdade, nunca se foi tão vigiado como hoje em dia, com todos os meios tecnológicos que deviam estar ao serviço do homem, e parecem estar antes ao serviço do controle do homem.

Num mundo que se diz plural, onde se combate, e muito bem, o racismo, continua a haver, ou verdadeiramente até há uma maior clivagem entre ricos e pobres, quer no acesso aos bens de primeira necessidade, quer nas condições minimamente dignas de habitação, quer na proteção da vida de cada um.

O acesso à justiça está cada vez mais determinado pelas condições financeiras de cada um.

Os que têm posses e por isso podem pagar a advogados em permanência, inundam os tribunais de recursos sobre recursos, impedindo que as decisões que cheguem a ser tomadas num qualquer julgamento, “entrem em vigor”, acabando por chegar muitas vezes à prescrição.

O comum cidadão é julgado e condenado, (por vezes erradamente), mas como não tem posses para pagar a advogados permanentes, por ali fica, vítima da sua condição.

E afinal tudo isto acontece porque o homem se afasta de Deus.

Não, não é castigo de Deus, é a ausência de Deus na vida de cada um, na vida da sociedade.

Deus não castiga.

Deus ama e acolhe, e ensina que todos somos iguais, e por isso nos devemos amar uns aos outros como Ele nos ama.

É a enorme diferença que o ensinamento de Jesus Cristo nos traz.

Ele não nos diz: “não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”.

Ele diz-nos antes: “Faz aos outros aquilo que queres que te façam a ti”.

Ah, se assim acontecesse, a começar por mim, como seria diferente este mundo e esta sociedade em que vivemos!

Por todas as razões fáceis de perceber e até pela liberdade, que então sim viveríamos, porque viveríamos do amor de Deus, («Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro.» 1 Jo 4, 19), para Deus e para os outros, e o verdadeiro amor é inteiramente livre, por isso mesmo Deus nos criou livres, até de O aceitarmos ou não nas nossas vidas.

Se assim fosse, viveríamos então num tempo em que: «Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um.» Act 2, 44-45

Permitamo-nos sonhar, porque a Deus nada é impossível, assim o homem queira!

 

Marinha Grande, 23 de Julho de 2024

Joaquim Mexia Alves

 

21 julho 2024

Papa no Angelus: "Devemos estar atentos à ditadura do fazer"

 

 
Durante a oração mariana deste domingo, 21 de julho, Francisco fez um alerta para a nossa sociedade frequentemente prisioneira da pressa e do ativismo: "somente se o nosso coração não estiver consumido pela ansiedade de fazer, receberemos, no silêncio da adoração, a Graça de Deus".
 

Thulio Fonseca – Vatican News

“Do Evangelho aprendemos que essas duas realidades, descanso e compaixão, estão interligadas: só quando aprendemos a descansar podemos ter compaixão”. Este foi o cerne da reflexão do Papa Francisco na alocução que precedeu a oração do Angelus, deste domingo, 21 de julho, para os milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

A liturgia de hoje (Mc 6,30-34), introduziu o Papa, narra que os apóstolos, ao retornar da missão, reuniram-se em redor de Jesus e contaram-lhe o que tinham feito; então, Ele disse-lhes: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”. As pessoas, no entanto, percebem os seus movimentos e, quando descem da barca, Jesus encontra a multidão que o esperava, e sentindo compaixão, começa a ensinar.

Não perder de vista o essencial

Francisco sublinhou que, de um lado, temos o convite ao descanso e, de outro, a compaixão pela multidão, e completou, “parecem duas coisas inconciliáveis, mas, na verdade, elas complementam-se”:

“Jesus preocupa-se com o cansaço dos discípulos. Talvez Ele perceba um perigo que também pode afetar as nossas vidas e o nosso apostolado, quando, por exemplo, o entusiasmo em realizar a missão, assim como as responsabilidades e as tarefas que nos são confiadas, tornam-nos vítimas do ativismo, excessivamente preocupados com as coisas a fazer e com seus resultados.”

 Fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro 

Segundo o Papa, tais comportamentos impostos pela sociedade e pelo trabalho deixam-nos agitados e assim perdemos de vista o essencial, arriscando esgotar as nossas energias e cair no cansaço do corpo e do espírito:

“Este é um alerta importante para as nossas vidas, para a nossa sociedade frequentemente prisioneira da pressa, mas também para a Igreja e para o serviço pastoral: devemos estar atentos à 'ditadura do fazer'!”

"Irmãos e irmãs, vamos tomar cuidado com a ditadura do fazer! Isto pode acontecer por necessidade, também nas famílias, quando, por exemplo, o pai, para ganhar o pão, é obrigado a ausentar-se para trabalhar, sacrificando assim o tempo que poderia dedicar à família. Muitas vezes ele sai de manhã cedo, quando as crianças ainda estão a dormir, e volta tarde, à noite, quando já estão na cama. E isto é uma injustiça social. Nas famílias, o pai e a mãe deveriam ter tempo para compartilhar com os filhos, para cultivar esse amor familiar e não cair na ditadura do fazer. Pensemos no que podemos fazer para ajudar as pessoas que são obrigadas a viver assim."

Um olhar compassivo em direção ao próximo

Ao mesmo tempo, o descanso proposto por Jesus não é uma fuga do mundo, uma retirada para o bem-estar pessoal, recordou o Pontífice, pelo contrário, diante da multidão perdida, Ele sente compaixão:

“De facto, é possível ter um olhar compassivo, que consegue perceber as necessidades do outro, somente se o nosso coração não estiver consumido pela ansiedade de fazer, se soubermos parar e, no silêncio da adoração, receber a Graça de Deus.”

Descansar no Espírito

O Papa então propôs aos fiéis alguns questionamentos para uma reflexão pessoal: “Eu sei parar durante os meus dias? Sei dedicar um momento para estar comigo mesmo e com o Senhor, ou estou sempre tomado pela pressa das tarefas a realizar? Sabemos encontrar um pouco de 'deserto' interior em meio aos ruídos e às atividades de cada dia?"

Que a Virgem Santa nos ajude a “descansar no Espírito” mesmo no meio a todas as atividades quotidianas, e a sermos disponíveis e compassivos com os outros, concluiu o Papa Francisco.

VN

19 julho 2024

"ADORMECIDO"

 


 

 

Já não te admiras com as coisas que Deus te faz?

Já não te espantas com Deus?

Já não consegues perceber e sentir quando Ele te toca em diversos momentos?

Já não te sentes pecador?

Já não sentes necessidade de te confessar?

Já não vives verdadeiramente a Eucaristia como um encontro com Deus?

Aproximas-te da Comunhão como uma atitude repetitiva e “normal”?

A tua oração já não tem calor, nem se renova de quando em vez?

Já não és capaz de falar com Deus na simplicidade do teu coração?

Já não te sentes Igreja e olhas para a Igreja como algo fora de ti?

Pede o Espírito Santo, agora, porque tudo isso que te acontece é porque O deixaste “adormecido” em ti.

Pede o Espírito Santo, continuamente, implora, suplica, deseja que Ele venha sobre ti, que te acenda, te reavive, te ilumine, te preencha, te faça levantar do torpor que afastou de ti o Amor.

 

Marinha Grande, 19 de Julho de 2024

Joaquim Mexia Alves

 

14 julho 2024

Papa: a missão faz-se juntos, com sobriedade de vida. O supérfluo escraviza

 
 
O Evangelho anuncia-se juntos, como comunidade, e para fazê-lo é importante ser sóbrio não só no uso das coisas, afirmou Francisco, mas também nos pensamentos, abandonando os preconceitos e a rigidez.
 

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

O Papa rezou com os fiéis na Praça de São Pedro a oração do Angelus, comentando o Evangelho deste 15º Domingo do Tempo Comum. O trecho de Marcos (cf. Mc 6,7-13) fala de Jesus que envia os seus discípulos em missão "dois a dois".

Na sua alocução, Francisco deteve-se sobre o facto de os discípulos serem enviados juntos e levarem consigo apenas o necessário.

"O Evangelho não é proclamado sozinho, mas em conjunto, como comunidade, e para fazer isso é importante saber preservar a sobriedade", explicou o Pontífice. É importante saber ser sóbrio no uso das coisas, compartilhando recursos, habilidades e dons, prescindindo do supérfluo, que "escraviza". Só assim se é livre.

A sobriedade, prosseguiu Francisco, também é necessária nos pensamentos e nos sentimentos, abandonando preconceitos e a rigidez que, como bagagem inútil, pesam e dificultam o caminho, para favorecer, ao invés, o debate e a escuta e, assim, tornar o testemunho mais eficaz.

É o que acontece nas famílias ou comunidades: quando nos contentamos com o necessário, mesmo com pouco, com a ajuda de Deus é possível seguir em frente e entender-se, compartilhando o que se tem, todos renunciando a alguma coisa e apoiarem-se mutuamente. Para o Pontífice, isto já é um anúncio missionário, antes e até mais do que palavras, porque encarna a beleza da mensagem de Jesus na concretude da vida.

"Uma família ou uma comunidade que vive desst forma, de faco, cria em torno de si um ambiente rico de amor, no qual é mais fácil abrir-se à fé e à novidade do Evangelho, e do qual se sai melhor e mais sereno."

Se, ao contrário, cada um segue o seu próprio caminho, se o que conta são apenas as coisas - que nunca são suficientes -, se não há escuta, se prevalecem o individualismo e a inveja, que é "mortal, um veneno", o ar torna-se pesado, a vida difícil, e os encontros tornam-se mais ocasião de inquietação, tristeza e desânimo do que de alegria.

"Queridos irmãos e irmãs, comunhão e sobriedade são valores importantes para a nossa vida cristã, valores indispensáveis para uma Igreja missionária, a todos os níveis."

O Papa então convidou os fiéis a questionarem-se: sinto prazer em anunciar o Evangelho, de levar, onde vivo, a alegria e a luz que provêm do encontro com o Senhor? Para fazer isto, estou comprometido em caminhar junto com os outros, compartilhando com eles ideias e habilidades, com mente aberta e coração generoso? E finalmente: sei como cultivar um estilo de vida sóbrio e atento às necessidades dos irmãos?

"Que Maria, Rainha dos Apóstolos, nos ajude a ser verdadeiros discípulos missionários, em comunhão e sobriedade de vida", concluiu Francisco, concedendo a todos a sua bênção apostólica.

VN

08 julho 2024

DEUS FALA NO SILÊNCIO

 


 

«É no silêncio que encontramos Deus, e é no silêncio que descobrimos quem realmente somos.» Bento XVI

Cala-te e recolhe-te!

Por um momento, o mais longo que te for possível, não peças nada, não supliques, não te lamentes, não te preocupes, não te desanimes.

Por um momento cala, não só a tua voz exterior, mas também a tua voz interior.

Por um momento, (pelo menos tenta), deixa de imaginar situações que vives, deixa de pensar na tua vida e até na vida dos outros por quem intercedes, faz silêncio na tua mente.

Por um momento, não te preocupes se estás de pé, sentado, deitado ou a andar, mas apenas se estás, totalmente presente, neste momento.

Por um momento, não penses se és capaz, se consegues, mas apenas abandona-te e deixa-te estar, assim, em silêncio.

Ah, como Ele gosta do silêncio, do silêncio activo, ou seja, daquele que faz silêncio apenas para O ouvir.

Por enquanto ainda não consegues distinguir o que é o teu silêncio, ou melhor aquilo que apesar de todo o silêncio sentes, e aquilo que Ele já te faz sentir.

É o momento do amor, do puro amor, que é o d’Ele, claro, por ti e em ti.

Não consegues entender bem, mas, ou no teu coração ou na tua mente, começas a perceber palavras ou imagens, ou seja lá o que for, mas sentes que é Ele que fala contigo.

Ah, não ouses agora responder-Lhe, não ouses quebrar o teu silêncio, apenas escuta com o teu coração, com a tua mente, com todo o teu ser, aquilo que Ele te diz, aquilo que Ele te mostra, aquilo que Ele te faz viver, agora, neste momento.

Deixa-te tomar inteiramente por Ele.

Já não és tu que pensas, é Ele que pensa em ti, já não és tu que falas, é Ele que fala em ti, já não és tu que sentes, é Ele que sente em ti, já não és tu que amas, é Ele que ama em ti.

Por este momento conheces-te verdadeiramente, ou seja, percebes bem que sem Ele nada és, nem nada tens, mas com Ele tudo se transforma, e sabes, por este momento, que Ele é o tudo em ti, que Ele é o amor em ti, que Ele é a vida em ti.

Deixa que o suspiro de vida saia do teu coração, e agora sim, ainda imerso n’Ele, abre a tua boca e diz-Lhe cheio de amor, como uma revelação que Ele mesmo te deu:

Obrigado, meu Senhor e meu Deus!

 

Marinha Grande, 8 de Julho de 2024

Joaquim Mexia Alves