29 março 2024

Via-Sacra no Coliseu: as meditações de Francisco

 

  Papa Francisco no Coliseu - arquivo  (Vatican Media)  
 

Nas meditações da Via Sacra, pensadas no Ano da Oração, Francisco propõe uma conversa face a face com Jesus e, nas quatorze estações, convida todos a questionarem-se, olhando para si mesmos e para a própria consciência, mas também lançando um olhar para o mundo contemporâneo e as suas distorções.

 

Tiziana Campisi – Vatican News

É um diálogo com Jesus que o Papa Francisco desenvolve nas meditações da Via-Sacra da Sexta-feira Santa no Coliseu, uma conversa face a face com Cristo, feita de reflexões, interrogações, introspecções, confissões, invocações. Uma longa oração íntima que, neste Ano da Oração, prelúdio do Jubileu, deixa o coração humano falar. Nas quatorze estações, os sofrimentos de Jesus a caminho do Gólgota, os encontros ao longo da Via Dolorosa, o olhar amoroso de Maria que, sob a Cruz, torna-se Mãe de todos os homens, as mulheres capazes de gestos ternos e corajosos nos momentos mais dramáticos, o Cireneu pronto para oferecer a sua ajuda ao nazareno condenado à morte, José de Arimatéia que oferece aquele sepulcro onde Deus derrotará a morte, provocam um exame de consciência que depois se torna oração, com uma invocação final que repete o nome de Jesus quatorze vezes.

 

O Papa introduz a Via-Sacra, enfatizando que a oração caracterizou cada um dos dias de Jesus, com diferentes nuances: como uma conversa com Deus, "luta e pedido, 'Afasta de mim este cálice'", "entrega e dom, 'Mas não o que eu quero, mas o que tu queres'". Diante, então, do medo da morte e da "angústia sob o peso do nosso pecado", essa oração tornou-se mais intensa e "a veemência da dor" tornou-se "uma oferta de amor" pela humanidade.

O silêncio de Jesus

Na primeira estação o que nos faz refletir é o silêncio de Jesus diante do "falso julgamento" que o condenou, um silêncio fecundo que "é oração, é mansidão, é perdão, é o caminho para redimir o mal", para converter o que foi sofrido em dom oferecido, explica Francisco. Um silêncio que o homem de hoje não conhece, porque não encontra tempo para parar e permanecer com Deus e "deixar agir a sua Palavra", mas que "sacode", porque ensina que a oração nasce "de um coração que sabe escutar".

A cruz com a qual Cristo é carregado (segunda estação), por outro lado, lembra experiências que todos nós também vivemos: dores, tristezas, deceções, feridas, fracassos, cruzes que também carregamos. "Jesus, como se faz para rezar ali?", pergunta o Papa, dando voz a um pedido comum: como rezas quando te sentes esmagado pela vida? Cristo convida-nos a aproximarmo-nos dele, se estivermos cansados e oprimidos, para nos dar descanso, mas nós ponderamos, cismamos, nos afundamos na vitimização, e então Ele "vem ao nosso encontro", carregando as nossas cruzes nos ombros, "para tirar o nosso peso". No entanto, Jesus cai (terceira estação), mas tem a força para se levantar novamente; a mola que o empurra para frente é o amor, enfatiza Francisco, "porque quem ama não fica no chão, começa de novo; quem ama não se cansa, corre; quem ama voa".

Maria, mãe de Jesus, dom para a humanidade

Depois da Eucaristia, Cristo dá-nos "Maria, o dom supremo antes de morrer", escreve o Papa meditando sobre a quarta estação. Jesus no caminho para o Calvário e sua Mãe: um encontro que evoca cuidado e ternura, e que nos impele a recorrer a ela, a Maria - Mãe que Deus dá a todos os homens - para poder "preservar a graça", "recordar o perdão e as maravilhas de Deus", "saborear novamente as maravilhas da providência" e "chorar de gratidão". O Cireneu que ajuda Jesus a carregar a cruz (quinta estação), por outro lado, leva-nos a refletir sobre a presunção de fazer tudo sozinho "diante dos desafios da vida". "Como é difícil pedir uma mão, com medo de dar a impressão de não estar à altura, nós que sempre temos o cuidado de parecer bem e de nos colocarmos em evidência! Não é fácil confiar, menos ainda de nos confiamos". Quem reza, porém, "sabe que está em necessidade", observa Francisco, e Jesus, que na oração sempre se confia, não despreza a ajuda do Cireneu, cujo gesto ensina "que amar significa ajudar os outros ali mesmo, nas fraquezas das quais nos envergonhamos".

A coragem da compaixão

Entre a multidão que testemunha o "espetáculo bárbaro" da execução do Nazareno, há também aqueles que emitem "julgamentos e condenações", lançando sobre ele "infâmia e desprezo", sem conhecê-lo "e sem conhecer a verdade". "Isto acontece ainda hoje, Senhor", reconhece Francisco, "basta um teclado para insultar e publicar julgamentos", mas em Jerusalém, enquanto "muitos estão a gritar e julgando" Jesus, surge uma mulher que "não fala: age. Ela não reclama: ela compadece-se. Ela vai contracorrente: sozinha, com a coragem da compaixão, ela arrisca-se por amor, encontra uma maneira de passar entre os soldados só para lhe dar o conforto de uma carícia no rosto". Um gesto de consolação, o de Verónica (sexta estação), que passa para a história e que nos coloca diante de Cristo, "amor não amado", que ainda hoje procura "entre a multidão corações sensíveis" ao seu sofrimento e à sua dor, "verdadeiros adoradores, em espírito e verdade". Mas "a cruz pesa, carrega o fardo da derrota, do fracasso, da humilhação".

Então Jesus cai pela segunda vez (sétima estação), e nos vemos nele novamente quando somos esmagados pelas coisas, visados pela vida, incompreendidos pelos outros, comprimidos "nas garras da ansiedade" e assaltados pela melancolia, achamos que não nos podemos levantar, ou quando caímos novamente nos nossos erros e pecados, quando somos escandalizados pelos outros e depois percebemos que não somos diferentes. Mas com Jesus, "a esperança nunca acaba, e depois de cada queda levantamo-nos novamente", porque Deus espera e perdoa, sempre, mesmo se caímos muitas vezes. "Lembre-me de que as quedas podem tornar-se momentos cruciais do caminho, porque elas me levam a entender a única coisa que conta: que eu preciso de ti, Jesus", é a oração do Papa, porque a vida recomeça com o perdão de Deus.

Reconhecer a grandeza das mulheres

Jesus encontra as mulheres de Jerusalém (oitava estação) e, para Francisco, é o motivo para exortar "a reconhecer a grandeza das mulheres, aquelas que na Páscoa foram fiéis e próximas" a Cristo, "mas que ainda hoje são descartadas, sofrendo ultrajes e violências". O choro delas faz-nos perguntar se nos sabemos comover diante de Jesus, crucificado por nós, se choramos as nossas falsidades, ou diante das tragédias, "da loucura da guerra, dos rostos das crianças que não sabem mais sorrir, das mães que as veem desnutridas e famintas e não têm mais lágrimas para derramar".

E contemplando Cristo despojado das suas vestes (nona estação), o convite do Papa é para ver Deus feito homem "nos sofredores", "naqueles despojados da sua dignidade, nos cristãos humilhados pela prepotência e pela injustiça, pelos ganhos iníquos obtidos na pele de outros na indiferença geral" e a despojarem-se "de tantas aparências exteriores". Na cruz, então, "enquanto a dor física é mais atroz", perdoando aqueles que "estão a cravar pregos nos seus pulsos" (10ª estação), Jesus ensina-nos que podemos "encontrar a coragem de escolher o perdão, que liberta o coração e relança a vida" e revela-nos "a altura da oração de intercessão, que salva o mundo".

O amor não fica sem resposta

No momento mais sombrio e extremo em que Jesus grita o seu abandono (11ª estação), qual é o ensinamento a ser guardado? "Nas tempestades da vida: em vez de te calares e se conter-ta, gritar" a Deus, sugere Francisco, que na décima segunda estação detém-se no ladrão que se confia a Cristo, que lhe promete o Paraíso, tornando assim "a cruz, emblema da tortura, o ícone do amor", transformando "a escuridão em luz, a separação em comunhão, a dor em dança, e até mesmo o túmulo, a última estação da vida, no ponto de partida da esperança". Maria, que nos seus braços acolhe Jesus morto (13ª estação), nos ajuda a dizer sim a Deus, ela que, "forte na fé", acredita "que a dor, atravessada pelo amor, produz frutos de salvação; que o sofrimento com Deus não tem a última palavra" e, enfim, José de Arimatéia, que toma a custódia do corpo de Jesus para dar-lhe uma digna sepultura (14ª estação) mostra-nos que "cada dom feito a Deus recebe uma recompensa maior", "que o encontra-se quando é pedida e se possui quando é doada”.

VN

27 março 2024

QUINTA FEIRA SANTA 2024

 


 

Vejo-me num canto da sala de cima, onde celebras a Páscoa com os Teus Apóstolos, a Tua Última Ceia.

Estou ali em silêncio, agachado, de joelhos, como se fosse para não me veres, como se fosse possível Tu não saberes que eu ali estou.

A refeição prossegue e as conversas cruzam-se na mesa, mas em todas elas há uma pergunta no ar: E agora, o que vai Ele fazer?

Tinhas-lhes dito que ias morrer, que ias partir e eles começavam a sentir-se amedrontados.

Olhas a cada um com esse Teu olhar de amor, de compaixão, querendo incutir-lhes a confiança, a esperança, a força, para acreditarem e viverem tudo aquilo que vai acontecer e que Tu sabes bem o que é, e como isso os vai afectar.

Sabes que vais dar a vida por todos, sabes que todos eles vão fugir e até negar, mas o Teu amor por eles, por todos nós, (que tantas vezes fugimos de Ti e Te negamos), contínua a derramar-se em nós sem medida.

Já sabes como lhes hás-de dizer, mostrar, como vais ficar com eles, connosco, até ao fim dos tempos.

Sabes também que eles não vão perceber para já o alcance do que vais fazer, como tantos de nós continuamos tantas vezes sem perceber.

Depois de olhares cada um intensamente, mais uma vez, tomas o pão nas Tuas mãos, abençoa-lo, parte-lo e dás a cada um dizendo: «Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim». 1 Cor 11, 24

Não Te importas com o espanto que lhes causas, com a surpresa nos seus rostos, e, amorosamente, tomas o cálice nas Tuas mãos, novamente dás graças, abençoas e dás a cada um deles, dizendo: «Este cálice é a nova Aliança no meu sangue; fazei isto sempre que o beberdes em memória de mim». 1 Cor 11, 25

Eles, como nós, não conseguem abarcar a imensidão do mistério divino que ali realizas e continuas a realizar todos os dias na Eucaristia.

Sabes bem que um dia, guiados pelo Espírito Santo, Te havemos de reconhecer ao «partir do pão». Lc 24, 35

Agora o Teu olhar projecta-se para além deles, e atinge cada um de nós que, na Missa de Quinta Feira Santa, e em todas as Missas, abre o seu coração à Tua presença viva na Eucaristia.

E nós, tal como eles, então, sentimo-nos tocados pelo Teu infinito amor.

Levanto a minha cabeça e percebo que a sala de cima onde julgo estar, é afinal a assembleia daqueles que em Ti acreditam e Te querem seguir em Igreja.

E, ao olhar com os olhos do coração, com o olhar da fé, vejo-Te na Hóstia e no Cálice consagrados e exclamo dentro de mim: «Meu Senhor e meu Deus». Jo 20, 28

 

Marinha Grande, 27 de Março de 2024

Joaquim Mexia Alves

25 março 2024

CAMINHO DE QUARESMA XVI

 


 

 

 

 

Começa a semana maior, a Semana Santa.

A minha alma e o meu coração alternam entre a alegria contida e a tristeza comedida.

Mas quer a alegria, quer a tristeza, estão cheias de confiança, de esperança, de fé, enfim.

Jesus Cristo, meu Senhor e meu Deus, entrega-se por mim, e sim, é verdade, por todos, até por aqueles que ainda não acreditam ou O rejeitam.

E ao meu coração vêm as palavras infames que Lhe são dirigidas: «Tu, que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és Filho de Deus, desce da cruz!» Mt 27, 40

E eu olho para dentro de mim e penso quantas vezes neste caminho de fé, que é hoje a minha vida, eu penso na minha salvação sem pensar na dos outros.

Jesus Cristo não precisava de salvação porque Ele próprio é a salvação

Mas quis fazer a vontade do Pai e dar a Sua vida pela minha salvação, pela salvação de todos.

Estarei eu disposto a dar a minha vida pela salvação dos outros?

Estarei eu disposto a entregar a minha vida ao Pai, se for de Sua vontade que eu a dê pelos outros?

Mesmo acreditando que Ele não me pediria tal sacrifício, seria eu capaz de o fazer por amor a Deus, por amor aos outros?

Ainda mais sabendo, acreditando, que se o fizesse também me salvaria por vontade d’Ele!

Nas Tuas mãos Pai coloco a vida que me deste, e entrego-a para que nela seja feita apenas e só a tua vontade, e se ela for necessária para a salvação de outros, toma-a nas Tuas mãos, porque ela é Te pertence.

Mas sou fraco, Pai, por isso Te peço, por Jesus Cristo, no Espírito Santo, dá-me tudo o que eu necessitar para que consiga conformar-me com a Tua vontade, e assim a vida que me deste ser útil à salvação de outros.

Será orgulho, meu Pai, este meu oferecimento?

Se é Pai, não o leves em conta, mas apenas o meu firme e sincero desejo de que todos, mesmo todos, se deixam tocar pelo Teu amor e que, em cada um como em mim, se faça a festa do regresso de cada filho à casa do Pai.

Para glória, hoje e sempre, do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 

Marinha Grande, 25 de Março de 2024

Joaquim Mexia Alves

24 março 2024

Francisco reza pelas vítimas do "abominável atentado terrorista" em Moscovo

 

  O Papa durante a celebração do Domingo de Ramos  

O Papa, no Angelus do Domingo de Ramos, expressa tristeza pelo atentado na Rússia, pedindo a conversão dos "corações daqueles que planeiam, organizam e realizam essas ações desumanas que ofendem a Deus, que ordenou: 'não matarás'". O Pontífice reza por quem sofre com a guerra, como na Ucrânia e em Gaza, e lembra os dois agentes de paz mortos na Colômbia nos últimos dias.
 

Francesca Sabatinelli - Vatican News

O Papa reza pelas vítimas do "abominável atentado terrorista" em Moscovo. No final da celebração do Domingo de Ramos, Francisco expressou tristeza pelo que aconteceu na Rússia há dois dias, pedindo a Deus que acolha as vítimas "na sua paz", conforte as famílias e converta "os corações daqueles que planeiam, organizam e realizam essas ações desumanas, que ofendem a Deus, que ordenou: 'não matarás' (Ex 20,13)".

A oração pela Ucrânia, Gaza e todos os lugares de guerra

Francisco, lembrando que neste Domingo de Ramos, "Jesus entrou em Jerusalém como Rei humilde e pacífico", pediu aos fiéis para abrir os corações a Ele, porque "somente Ele nos pode libertar da inimizade, do ódio, da violência, porque Ele é a misericórdia e o perdão dos pecados".

O pensamento do Pontífice dirigiu-se, então, ao pedido de orações por aqueles que estão a sofrer por causa da guerra, "de modo especial na martirizada Ucrânia, onde tantas pessoas se encontram sem eletricidade por devido aos intensos ataques contra as estruturas que, além de causar morte e sofrimento, trazem o risco de uma catástrofe humanitária ainda maior": "por favor, não esqueçamos da martirizada Ucrânia", repetiu o Papa. O olhar de Francisco deteve-se também em Gaza, "que sofre tanto e a tantos outros lugares de guerra".

As vítimas na Colômbia

O pensamento do Papa, no início do Angelus deste domingo (24), foi para a Colômbia, para a comunidade de paz de San José de Apartadó, onde nos últimos dias foram mortos uma mulher e um jovem, esposa e irmão de um dos líderes da comunidade que, lembrou Francisco, "em 2018 foi premiada como exemplo de comprometimento pela economia solidária, pela paz e os direitos humanos".

VN

A celebração do Domingo de Ramos na Praça de São Pedro

 
 
O Papa presidiu a celebração deste domingo (24), o último antes da Páscoa, na Praça de São Pedro. A comemoração da entrada festiva do Senhor em Jerusalém precedeu a missa, cujo trecho do Evangelho narrou a história da sua Paixão. No final da liturgia, Francisco recitou o Angelus.

Vatican News

Na Praça de São Pedro lotada, cerca de 60 mil fiéis, sob um céu em que os raios de sol se alternavam com as nuvens, a celebração do Domingo de Ramos, presidida pelo Papa Francisco, foi aberta com a comemoração da entrada do Senhor em Jerusalém, da qual se lê o relato do evangelista Marcos, que precedeu a celebração da missa. O Papa abençoou e aspergiu com água benta os ramos de oliveira, o símbolo deste domingo (24), que os presentes seguravam na mão. Em seguida, foi realizada uma procissão com mais de 400 pessoas que levavam os ramos, que se dirigiram do centro da praça para o sagrado. Os cardeais, bispos e sacerdotes concelebrantes tomaram os seus lugares ao lado do altar.

  A procissão que precedeu a missa  

A Paixão de Cristo

A mudança de cena foi radical: a Liturgia da Palavra da celebração eucarística incluiu a leitura cantada da Paixão de Jesus, extraída novamente do Evangelho segundo Marcos. Por meio das palavras do evangelista, as passagens do sofrimento de Cristo foram revividas. A reencenação da Paixão foi seguida por um momento de silêncio. Um sofrimento, o de Cristo, que contém as dores de todos os tempos e de toda a humanidade; e a humanidade, com as suas fragilidades, foi apresentada ao Senhor na oração universal dos fiéis que concluiu a Liturgia da Palavra. Foram feitas orações pela Igreja, para que "procure sempre a unidade, a reconciliação e a comunhão"; pelos governantes "chamados a cultivar a paz e o bem dos povos"; por todos os homens e mulheres que sofrem; pelos cristãos perseguidos; por toda comunidade cristã, para que "seja testemunha da sua própria fé, na oração e na caridade".

No final da celebração, diretamente do sagrado da Basílica, Francisco pronunciou o Angelus, antes de dar a bênção e fazer um amplo percurso no seu papamóvel para saudar os fiéis e peregrinos que o aplaudiam na praça. 

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